Polina: a dança e a vida de uma bailarina em versões diferentes

Nota: o texto que se segue, da autoria de António Martinó de Azevedo Coutinho, e as respectivas imagens, foram reproduzidos, com a devida vénia, do seu magnífico blogue “Largo dos Correios”, onde a banda desenhada também ocupa um lugar privilegiado, entre outros assuntos cuja abordagem nos desperta sempre interesse. Por isso, a consulta assídua do “Largo dos Correios” é um óbvio prazer que de vez em quando, como neste caso — a propósito de uma obra singular, em que o cinema prolonga a BD —, nos apetece partilhar também com os nossos leitores, convidando-os a desfrutar o filme com Juliette Binoche e a novela gráfica de Bastien Vivès.

Um filme colorido procura interpretar a história contada numa banda desenhada a preto e branco. Poderia sintetizar assim o que se passa neste momento com Polina, que acaba de chegar a Portugal tanto no cinema como na edição em papel. Mas esta síntese seria pobre e injusta.

As relações entre o cinema e os quadradinhos nasceram há muito. Se recorrermos a Luís Gasca, um reputado estudioso espanhol do tema, ele diz-nos em Tebeo y Cultura de Masas, Editorial Prensa Española, Madrid, 1996, que talvez tenham começado com uma versão da histo- rieta L’Arroseur arrosé (1887), de Hermann Vogel, a ser transposta para a tela por Louis Lumiére, em 1895.

Desde então são milhares, largos milhares, os títulos de filmes que se confundem com os da banda desenhada, sobretudo aproveitando personagens, alguns nascidos na literatura ou na mitologia. As sagas de Batman, Capitão América, Capitão Marvel, Flash Gordon, Jungle Jim, Superman, Tarzan, Tintin ou Zorro são suficientes para confirmar o fenómeno, numa lista organizada de memória, de onde excluiu — por simples exemplo – toda uma multidão de cowboys célebres.

Polina pertence a um grupo diferente, porque é uma peça única, não explora o mito de uma personagem, não promete uma série e assenta rigorosamente num argumento original da banda desenhada.

Baseado na novela gráfica homónima de Bastien Vivès lançada em 2011, Polina centra-se numa jovem dançarina russa. Desde pequena que o objectivo de Polina é tornar-se primeira-bailarina no reputado Teatro Bolshoi, em Moscovo. Mas ao crescer afasta-se desse caminho por causa da pressão que os pais depositam nela e por descobrir a dança contemporânea, acabando por se mudar para França onde vai seguir um rumo diferente.

Esta adaptação cinematográfica não é, logo à partida, uma tarefa fácil, pretendendo contar na tela um argumento complexo e acidentado, a história de uma personagem enigmática animada por um sopro de liberdade. O argumento, fundamental, terá germinado depois de Bastien Vivès visionar um vídeo da bailarina Polina Semionova.

Quando o álbum original surgiu nos inícios de 2011, muito rapidamente foi descoberto pelos leitores e logo a seguir aclamado pela crítica. Depois vieram sucessivos prémios.

Polina, como banda desenhada, pode não agradar a todos os leitores.

O traço de caneta do autor é grosso, deliberadamente quase esquecendo os detalhes de rostos, as dobras dos vestidos e até os vários acessórios, concentrando-se totalmente na pura emoção e sobretudo na linguagem corporal.

Desprovido de cor, o preto-branco-cinza cria uma atmosfera despojada e um cenário minimalista, o que  força o leitor a aplicar as suas próprias cores neste universo, um contraste permanente de luz e sombra.

Ora a presente transposição, ainda que adaptada a outra linguagem, onde sobretudo o movimento é decisivo, não pode contemplar a exemplar subjectividade da obra original.

Não se prognostica, por tudo isto, um futuro de grandes êxitos para o filme Polina, apesar das óbvias e honestas intenções colocadas na sua competente realização de Valère Müller e Angelin Preljocaj.

Reportagem do grande encontro no Clube Português de Banda Desenhada

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Texto de Luiz Beira e fotos de António Martinó

Como foi atempadamente anunciado, na tarde de 15 de Outubro deu-se um grande encontro de gente-BD no Clube Português de Banda Desenhada (na Amadora), durante a inauguração de três exposições em simultâneo: “Originais de Fernando Bento”,  “ABCzinho” e “Star Wars”.
Vamos por partes: para além de elementos da “gerência” do CPBD (Carlos Gonçalves, Pedro Mota, Geraldes Lino, José Ruy, Paulo Duarte e Carlos Moreno) e de entre muita gente entusiasmada, contavam-se João Mimoso, José Menezes, Fernando Cardoso, António Amaral, José Coelho, João Paiva Boléo, António Martinó, a editora Maria José Pereira, o argumentista Jorge Magalhães e os desenhistas José Pires, Catherine Labey, Gastão Travado e António Lança Guerreiro.
Os dois pontos altos que ficaram na nossa memória:
1 – A presença grata e emotiva da Srª. D.ª Arlete Bento, viúva de mestre Fernando Bento. Uma maravilhosa presença!
2 – O colóquio bem elucidativo, com momentos de saborosas ironias, do Dr. António Mega Ferreira, que nos encantou com o relatar da sua relação pessoal com a Banda Desenhada. Em momentos de breve diálogo, tiveram interveniências Geraldes Lino, Luiz Beira, António Martinó, José Coelho e José Ruy.
O BDBD esteve lá, representado pelo autor deste texto.
Um agradecimento muito especial a António Martinó, que gentilmente nos cedeu a reportagem fotográfica deste evento.
Nota final curiosa: vimos aí um exemplar que não é raro, é raríssimo, da primeira edição em álbum de “As Mil e Uma Noites” por Fernando Bento, pela Colecção Imagem (1948).

(Nota: reportagem extraída, com a devida vénia aos seus autores, do blogue BDBD, coordenado por Luiz Beira e Carlos Rico).

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Últimos preparativos, antes da abertura de portas.

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Panorâmica da exposição de homenagem a Fernando Bento.

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Duas magníficas capas de F. Bento para o “Cavaleiro Andante”…

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… e outras duas para o “Diabrete”.

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Algumas edições em álbum com trabalhos de Bento….

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… sendo esta a mais rara (“As Mil e Uma Noites” – Colecção Imagem – 1948).

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Arlete Bento conversa com João Paiva Boléo e Geraldes Lino, enquanto Carlos Gonçalves (à direita) tenta ultimar um último pormenor, e José Coelho e Luiz Beira (à esquerda) trocam informações para um futuro post do BDBD.

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No balcão, à entrada da sede do CPBD, destacavam-se os “Cadernos de Banda Desenhada”, com uma reedição (1988) de “As Mil e Uma Noites”, de F. Bento e Simões Müller.

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José Ruy, Geraldes Lino e Luiz Beira, à conversa.

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Arlete Bento e Paiva Boléo foram os primeiros a ocupar lugar para o colóquio, enquanto, em segundo plano, Gastão Travado e António Amaral conversavam sobre… BD.

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Geraldes Lino e o Dr. Mega Ferreira durante a palestra “Eu e a BD”.

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Panorâmica do público, rendido às intervenções do convidado da tarde.

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Uma das alas da exposição de capas e páginas do “ABCzinho”.

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Capa do #18 do “ABCzinho” (1926), preenchida com uma BD, como era usual na época do Tiotónio.

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Capa do #302 do “ABCzinho” (1931), com um desenho alusivo às “Aventuras de Três Maráus”, de Carlos Ribeiro.

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Anúncio da oferta da construção de armar do hidroavião “Lusitânia”, desenhada nos anos 20 por Filipe Rei (publicado na revista “ABC), e uma maquete do mesmo já montada.

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Carlos Gonçalves e Carlos Moreno.

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Pedro Mota e Carlos Gonçalves.

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Exposição da “Guerra das Estrelas”, cedida pelas CM Beja/Amadora.

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Carlos Gonçalves, António Martinó e Geraldes Lino.

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Uma vitrina com revistas, cromos e cartas desta série.

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Bonecos em pvc e outros objectos relacionados com “Star Wars”, da colecção de Gastão Travado.

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Cadernetas de cromos da série.

Duas novas exposições do Clube Português de Banda Desenhada

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Como tínhamos prometido, aqui ficam mais algumas fotos das duas exposições patentes desde 30 de Abril p.p. (data da sua inauguração), na sede do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), aberta ao público todos os sábados, das 14h00 às 18h30, e que poderão ser vistas até ao final deste mês.

Estas fotos foram-nos enviadas pelo nosso bom amigo e colega da blogosfera (criador do excelente blogue Largo dos Correios), Professor António Martinó, a quem voltamos a agradecer a colaboração e generosidade sempre manifestadas no momento oportuno.

Bem haja, amigo Martinó!

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Nesta reportagem, feita antes da inauguração oficial, podem apreciar-se com mais nitidez (ampliando as imagens) os painéis das referidas exposições, dedicadas ao tema Eça de Queiroz e Alexandre Herculano na Banda Desenhada, cuja apresentação honra a parceria entre o CPBD e o GICAV. Aliás, as duas mostras estiveram também patentes em Moura, onde teve início o seu périplo, e em Viseu.

Nelas figuram trabalhos de vários autores portugueses e brasileiros, baseados em obras dos dois grandes escritores do século XIX — entre os quais se destacam, naturalmente, as magníficas pranchas de Eduardo Teixeira Coelho (ETC), publicadas n’O Mosquito entre 1950 e 1953.

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Eis seguidamente a relação dos trabalhos expostos e respectivos autores artísticos e literários. Recordamos que estas exposições foram comissariadas por Carlos Rico e Luiz Beira, que nessa qualidade presidiram à cerimónia de inauguração realizada na sede do CPBD no final de Abril, conforme noticiámos no blogue O Voo d’O Mosquito.

ALEXANDRE HERCULANO

A Morte do Lidador” – por Eduardo Teixeira Coelho/ETC
A Abóbada” – por Victor Mesquita/A Abóbada” – por Fernando Bento
O Monge de Cister” – por Eduardo Barbosa (brasileiro)
O Voto de Afonso Domingues” – por Jobat (José Baptista)
Eurico o Presbítero” – por José Garcês
Nuno Gonçalves”  – por José Antunes
O Último Combate” – por Baptista Mendes
Alexandre Herculano” (biografia) – por Baptista Mendes
Alexandre Herculano” (biografia) – por José Ruy
O Bobo” – por José Ruy
A Morte do Lidador” – por José Pires/”A Morte do Lidador” – por José Garcês
A Dama Pé-de-Cabra” – por José Pires/A Dama Pé-de-Cabra” – por Augusto Trigo, adaptação literária de Jorge Magalhães

EÇA DE QUEIROZ

A Ilustre Casa de Ramires” – por C. Raineri (brasileiro)
A Torre de D. Ramires” – por Eduardo Teixeira Coelho/ETC
A Aia” –  por Eduardo Teixeira Coelho/ETC
S. Cristóvam” – por Eduardo Teixeira Coelho/ETC
O Suave Milagre” – por Eduardo Teixeira Coelho/ETC
O Defunto” – por José Morim/”O Defunto” – por Eduardo Teixeira Coelho/ETC
José Matias” – por José Manuel Saraiva
A Relíquia” – por Francisco Marcatti (brasileiro)
O Primo Basílio” – por Joaquim Ribeiro (obra inédita)
Os Maias” – por Jorge Machado-Dias (obra inédita)
O Mandarim” – por Vreytes (brasileiro)
Eça de Queirós” (biografia) – por Baptista Mendes
O Chinês e a Cobra” – por Baptista Mendes
A Perfeição” – por Eugénio Silva (obra inédita)
“O Tesouro” – por Luís Marcelo (brasileiro)/”O Tesouro” – por Eduardo Teixeira Coelho/ETC

Amanhã: os 80 anos d’O Mosquito evocados na Biblioteca Nacional pelo CPBD

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Dia17: Palestras sobre “O Mosquito” na Biblioteca Nacional

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Na próxima 4ª feira, dia 17 de Fevereiro, às 17h00, realiza-se uma série de colóquios na Biblioteca Nacional (Campo Grande), que têm por tema o 80º aniversário da mais emblemática revista juvenil portuguesa, O Mosquito, com a intervenção de figuras bem conhecidas pela sua preponderante acção no meio bedéfilo, como José Ruy, António Martinó Coutinho, Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, estes dois na qualidade de comissários da exposição organizada pelo Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), em parceria com a Biblioteca Nacional, onde estão patentes vários exemplares d’O Mosquito (1ª série), publicados entre 1936 e 1953, separatas com construções de armar (algumas já montadas), álbuns, suplementos como A Formiga, dedicado às raparigas, e outros ítens raros e curiosos.

A exposição pode ser visitada de 2ª feira a 6ª feira (9h30 – 19h30), e aos sábados (9h30 – 17h30), encerrando no final deste mês.

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Largo dos Correios, Portalegre

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