Ric Hochet está de volta!

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Notícias do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD)

Prestes a completar 38 anos de existência oficial, marcada por várias e intermitentes fases, da afirmação crescente à precária intervenção — que não escamoteiam, contudo, os seus êxitos e o seu papel dinamizador, durante quase duas décadas, do panorama da BD portuguesa, através das muitas e memoráveis iniciativas que levou a cabo —, o CPBD prepara-se para encetar uma nova etapa, depois de um período de relativa “obscuridade”, CPBD boys P&Bem que continuou, porém, a contar com o apoio de um grupo de dedicados sócios, que não deixaram extinguir a lúdica “chama” dos  ideais que presidiram à sua criação, mantendo as reuniões regu- lares na sede, a celebração dos aniversários com um almoço tradicional e a publi- cação do seu Boletim, o mais antigo fanzine editado no nosso país, cujo número mais recente já chegou às mãos dos sócios.

Desta nova etapa, que se augura, pelas propostas anunciadas, tão dinâmica e frutuosa como as de épocas anteriores, durante o período de maior influência e projecção do CPBD, dá conta uma circular que nos foi enviada pelos seus responsáveis e que divulgamos neste espaço com o maior prazer, desejando também ao CPBD (dentro em breve com nova sede, em mais amplas e funcionais instalações) a renovação dos seus grandes êxitos e do seu espírito associativo, num futuro próximo, de molde a contribuir ainda mais para o progresso e para a identidade histórica da Banda Desenhada portuguesa.

Circular do Clube Português de Banda

Colecção “Design Português” – 4

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No penúltimo volume desta colecção, mais uma louvável iniciativa cultural do jornal Público — constituída por oito livros distribuídos de 24 de Março a 12 de Maio p.p., no âmbito do Ano Internacional do Design Português, a decorrer até Outubro —, deparámos com uma agradável surpresa, entre as ilustrações que recheiam profusamente uma extensa cronologia das principais efemérides que assinalam a história do design em Portugal: a capa d’O Mosquito nº 566 (25/11/1944), da autoria de Eduardo Teixeira Coelho, à época um dos seus mais talentosos e apreciados colaboradores.

Não foi a única e merecida alusão à Banda Desenhada, enquanto manifestação artística, como uma “disciplina” complementar também ligada à evolução das artes figurativas, pois no 4º volume (que abarcou o período 1960-1979) surgiu a capa do Lobo Mau nº 2, datado de 7/6/1979, e no 2º volume (1920-1939) pudemos ler uma breve referência ao ABC-zinho: publicação infantil “central no desenvolvimento da banda desenhada”.

Design português  Público 5

É pena que nesta colecção dedicada a uma arte mista, gráfica e decorativa, com reflexos noutros sectores das Belas Artes, e que documenta a história do progresso social, económico e cultural dos últimos 115 anos, com referência directa aos principais criadores do design português, a Banda Desenhada (que também veio de meados do século XIX) tenha ficado ingloriamente esquecida (ou subal- ternizada), como uma espécie de “parente pobre” que não tem o privilégio de poder sentar-se à mesa com os convivas mais ilustres.

Colecção “Design Português” – 3

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Esta iniciativa cultural do Público, constituída por oito volumes de formato quadrangular, distribuídos nas bancas entre 24 de Março e 12 de Maio do ano em curso, pretendeu assinalar, com o devido destaque, o Ano Internacional do Design Português, prestando homenagem aos artistas e designers que no espaço de mais de um século (desde 1900 até à actualidade) contribuíram para a sua evolução e afirmação no contexto das artes gráficas/decorativas e do desenvolvimento social, económico, tecnológico e cultural do país.

Coordenada por José Bártolo, investigador e professor universitário, esta colecção ofereceu, assim, uma perspectiva singular sobre a história do Portugal contemporâneo, assinalando através dos objectos do quotidiano e das actividades mais comuns, na sua relação com o design, a profunda transformação social, cultural e da realidade urbana ocorrida durante esse longo período.

Reproduzimos seguidamente, com a devida vénia, os textos de apresentação dos volumes 5º, 6º e 7º, que saíram no Público dos dias 17 e 24 de Abril, e 1 de Maio. Os dois últimos tomos são dedicados a uma extensa cronologia das principais manifestações que influenciaram a história do design em Portugal, pelo que nos dispensamos de apresentar o texto relativo ao 8º volume, que não é mais do que uma súmula dos textos anteriores.

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Os Homens e a História – 2

O HERÓI DE KARTUM

Mohamed Ali (Mahdi do Sudão)O artigo de hoje é dedicado a uma das maiores figuras da história colonial inglesa, o general Charles Gordon, governador da cidade de Kartum, na região sudanesa do Alto Nilo, que resistiu heroi- camente durante meses, com uma pequena guarnição, ao assédio das fanáticas hordas de Mohamed Ali Abadalah Ahmed, o Mahdi, um chefe muçulmano que se considerava “enviado de Deus” e que como tal, sob a bandeira verde do Profeta, queria islamizar todos os habitantes daquela região, obrigando os próprios cristãos a abraçar a sua fé. (Esse fanatismo religioso é muito semelhante ao que hoje caracteriza grupos extremistas como a Al-Qaeda ou o Isis. Mas as circunstâncias históricas, há 130 anos, eram bem diferentes).

A favorita do Madi   176Tudo isto culminou, tragicamente para Gordon, no ano da graça de 1885, numa das regiões mais desérticas e inóspitas do norte de África, teatro de uma guerra cruel e sangrenta que o cinema e os romances de aventuras – Emilio Salgari (“A Favorita do Mahdi”), Alfred E. W. Mason (“As Quatro Penas Brancas”), Henrik Sienkiewicz (“Um Pequeno Herói”) –, além da BD, já retrataram várias vezes.

O texto que se segue – oriundo, com algumas alterações, do que surgiu em 1981 no vespertino A Capital – foi também publicado, em versões mais sucintas, no jornal 24 Horas, em 2004, e no Mundo de Aventuras nº 164 (2ª série), de 18 de Novembro de 1976, de onde reproduzimos duas gravuras e o cabeçalho com o título que serve de epígrafe a esta rubrica.

Os Homens e a Histórias - cabeçalho848

O HERÓI DE KARTUM

Texto: Jorge Magalhães ¤ Ilustração principal: Augusto Trigo

Em 1884, no Sudão, sob domínio egípcio e otomano, desencadeou-se uma guerra de extermínio contra todos os infiéis, a Jihad (guerra santa) instigada por Mohamed Ahmed, o Mahdi, uma espécie de Messias para os muçulmanos, chefe da fanática seita dos derviches.

O herói de kartum 1   177Em Kartum, o general inglês Charles Gordon, ao serviço do governo do Cairo, viu-se sob a ameaça de um cerco, enquanto emissários do Mahdi lhe propunham a rendição, imediatamente seguida pela conversão de todos os cristãos e dele próprio à fé de Alá. Tão drásticas condições nunca poderiam ser aceites por um homem da têmpera de Gordon, fervoroso leitor da Bíblia e militar de carreira com uma brilhante folha de serviços. Embora a guarnição egípcia fosse bastante reduzida e os reforços que aguardava tardassem em chegar, respondeu ao Mahdi que recusava toda e qualquer negociação com os rebeldes e que a cidade, bem fortificada, seria capaz de aguentar um longo cerco.

Mas em Kartum havia apenas dois oficiais europeus: ele e o coronel Stewart, seu ajudante de campo. Os habitantes, na maioria sudaneses, sentiam-se intimidados pela aproximação do inimigo, que massacrava sem piedade as populações, pondo todo o Alto Nilo a ferro e fogo.

A cidade estava situada sobre um istmo, na confluência do Nilo Branco com o Nilo Azul, e o seu porto pequeno, mas bem defendido, constituía a única comunicação com o exterior. Gordon Paxá, como era conhecido no Egipto e no Sudão, decidiu fortificar também os arredores, mandando cavar trincheiras e disseminar minas por todo o terreno.

Enquanto prosseguiam os preparativos militares e nos celeiros se arrecadava febrilmente o maior número de víveres, chegou um telegrama de Londres, convidando Gordon a abandonar Kartum sem combate, caso o cerco se apertasse. Embora estivesse ainda a tempo de retirar, o velho soldado preferiu ignorar a ordem do seu governo.

– Não sairei daqui – afirmou – nem permito que nenhum combatente o faça! A minha vida não importa! Tenho de pensar no destino de toda esta gente, que seria massacrada se a abandonássemos. Londres devia ter-me mandado víveres e tropas em vez de ordens!

Em Março, os derviches passaram o Nilo em milhares de pequenas embarcações e Kartum ficou isolada. Só restava a saída pelo rio, tanto ou mais perigosa do que uma surtida por terra. De noite, as fogueiras dos derviches brilhavam ao longo da margem, como um rosário inumerável de estrelas. Vozes guturais chegavam aos ouvidos dos defensores da cidade, entoando cantilenas de ódio e de morte, acompanhadas pelo rufar incessante dos tambores. Gordon, no seu palácio, ouvia-os, imperturbável. A um dos oficiais egípcios que certa noite, durante um bombardeamento, lhe pediu, aterrorizado, que se abrigasse, o general respondeu simplesmente: – Saiba que Deus criou Charles Gordon sem medo!

Em Inglaterra, onde todos o consideravam um herói, os jornais, apoiados pela população, lançavam vibrantes campanhas a seu favor. Por fim, Gladstone, o chefe do governo, pressionado pela própria Rainha Vitória, teve de enviar uma força sob o comando de Lorde Wolseley, que desembarcou no Cairo em 9 de Setembro, quando o cerco já se arrastava há seis meses e as águas do Nilo começavam a baixar, dificultando a navegação e atrasando os socorros.O herói de kartum 2  copy

Entretanto, Kartum continuava a resistir heroicamente a todos os ataques, mesmo os de morteiros, com a artilharia que os derviches tinham capturado, meses antes, a um destacamento anglo-egípcio comandado pelo coronel Hicks. Outras povoações foram menos felizes. Em Berber, os derviches massacraram sem piedade 50.000 habitantes. Muitos outros foram condenados ao cativeiro. A situação piorava de dia para dia.

Apesar de Wolseley ter ficado retido no Cairo, devido à má preparação das suas tropas para as campanhas do deserto, como acontecera com Hicks, Gordon continuava teimosamente apostado em resistir até ao fim e a morrer com honra, se fosse esse o seu destino. Apaixonado leitor da Bíblia, de que nunca se separava, o valoroso general respondia serenamente a todos quantos se referiam sem esperança aos anunciados socorros:

– Deus não prometeu deferir os nossos votos terrestres!

Mas o prolongado cerco tinha enfraquecido os defensores. O próprio Gordon, sempre calmo, como que indiferente ao desenrolar dos acontecimentos, resolveu tentar um golpe de sorte e enviou Stewart, o seu dedicado lugar-tenente, num pequeno barco a vapor, pelo rio infestado de inimigos e obstáculos. Com Stewart ia também um grupo de turistas americanos e outros civis que não tinham sido evacuados a tempo. Quando o ruído das enormes pás do barco deixou de se ouvir, Gordon recolheu ao seu gabinete e aí, em completa solidão, continuou a ler a Bíblia e a redigir o seu diário.

Quinze dias depois, um negro recolhido no rio deu aos sitiados a infausta notícia: o vapor tinha sido atacado e naufragara nas rochas. Nenhum dos seus ocupantes escapara com vida. Os sectários de Mahomed Ahmed tinham-se apoderado das cartas em que Gordon pedia socorro e explicava a precária situação da cidade.

Sem esperar que o Mahdi, agora ao corrente dos seus diminutos efectivos, redobrasse os ataques, Gordon destacou outro dos seus oficiais para ir buscar socorros, no único barco que lhes restava. Com um sorriso amargo, o general desejou boa sorte aos que se afastavam, deixando a guarnição ainda mais reduzida, e acrescentou à sua mensagem uma breve frase pessoal:

O herói de kartum 3  178– Digam aos meus compatriotas que me sinto feliz por cumprir até ao fim o meu dever!

Em Janeiro, décimo mês do cerco, o heróico Gordon resistia ainda. Foi então que uma notícia correu pela cidade, entre as manifestações de regozijo do povo: dizia-se que os reforços estavam apenas a dois dias de marcha. Vitoriando Gordon, a população de Kartum correu às mesquitas para dar graças a Alá.

Passou-se uma semana, sem novidades, e o desânimo tornou a invadir os sitiados. Só Gordon, no seu posto, permanecia lúcido e enérgico. Os obuses metralhavam continuamente a cidade. Parte das muralhas já se encontrava em ruínas. Foi então que sucedeu o pior: os Besingher, soldados indígenas, recusaram-se a combater mais. Quando os primeiros derviches entraram na cidade pela muralha oeste, completamente derrocada, largaram as armas e renderam-se. Só Gordon continuou a dar o exemplo de teimosia, embora soubesse que tudo estava perdido.

Ao fim de dez meses de cerco heróico e sem tréguas, Kartum caiu nas mãos da horda do Mahdi. No seu palácio, Gordon esperou o inimigo a pé firme, sozinho como quase sempre estivera. Os derviches não o pouparam, apesar do supersticioso temor que a sua figura e a sua coragem lhes inspiravam. Tombou sob uma furiosa chuva de golpes, trespassado por dezenas de azagaias e alfanges, depois de ter despejado o tambor do seu revólver até à última bala. Era o dia 26 de Janeiro de 1885. Gordon, o general sem medo, escrevera uma das páginas de maior heroísmo da história das epopeias coloniais.

Indignados, os jornais ingleses relataram que os assaltantes lhe tinham cortado a cabeça para a oferecerem ao Mahdi, mas, verdade ou boato, esse facto nunca foi confirmado. Em 28 de Janeiro, as tropas de socorro, depois de enfrentarem os derviches em Abu Klea, chegaram à cidade devastada pelo fogo, retirando-se logo em seguida. Apesar do Mahdi ter morrido em circunstâncias misteriosas, poucos meses depois – vítima, ao que diziam os supersticiosos sudaneses, de uma maldição de Gordon –, a “guerra santa”, a jihad, continuou durante 13 anos.

Em 1898, Kitchener, um valoroso oficial que conhecia bem o Sudão, conseguiu vencer os derviches e a bandeira inglesa voltou a ser hasteada no palácio de Gordon, em Kartum, numa homenagem póstuma ao herói que soube até ao fim honrar a sua divisa: “Deus criou Charles Gordon sem medo!”

 

 

 

Os Gatos e o Crime – 4

ERLE STANLEY GARDNER

Prosseguimos hoje esta série, repescada (com alguns aditamentos e novas imagens) dos arquivos de Gatos, Gatinhos e Gatarrões, blogue orientado por Catherine Labey.

E.S. GardnerErle Stanley Gardner, um dos nomes mais prestigiosos da literatura policial, nasceu em Malden, a 17 de Julho de 1889, e faleceu em Temecula (Califórnia), a 11 de Março de 1970. Inspirando-se na sua experiência como homem de leis, foi o autor de Perry Mason, o célebre advogado detective, e dos seus ajudantes Della Street e Paul Drake. Publicou igualmente, com o pseudónimo de A. A. Fair, as aventuras de Donald Lam e Bertha Cool, assim como outros livros com diversos pseudónimos: Kyle Corning, Charles M. Green, Carleton Kendrake, Charles J. Kenny, Robert Parr e Les Tillray.

The Case of the Velvets ClawA sua educação não teve uma base muito sólida, porque grande parte da juventude passou-a em constantes deslocações com o pai, que era engenheiro de minas no Oregon e no Klondike, durante a grande corrida ao ouro. Habituado a uma vida livre e movimentada, Gardner tornou-se um robusto aventureiro, chegando a participar em combates de boxe e a promover torneios ilegais de luta livre. Mais tarde, enquanto tirava um curso de Direito, foi contratado por um gabinete de advogados em Oxnard, Califórnia, para dactilografar os relatórios dos processos e os contratos jurídicos, adquirindo, assim, larga experiência prática.

Admitido no foro californiano, em 1911, abriu o seu primeiro escritório com 21 anos, defendendo os direitos das minorias étnicas. Mexicanos e chineses, gente pobre, raramente podiam pagar-lhe esses processos. Foi, portanto, para melhorar o seu salário que Gardner começou a escrever sob diversos pseudónimos, produzindo centenas de novelas policiais e de aventuras para os pulp fiction magazines, nomeadamente para os famosos Black Mask e Detective Story.

Raymond Burr como Perry Mason na série de TVA série Perry Mason iniciou-se em 1933, com O Caso das Garras de Veludo (The Case of the Velvet Claws), volume publicado na Colecção Vampiro nº 3 (Junho de 1947), e conta nada mais nada menos do que 82 novelas e três antologias de contos. Em paralelo com os casos de Perry Mason, cuja popularidade aumentou com a adaptação a uma série televisiva de sucesso, que tornou famoso o actor Raymond Burr, Gardner elaborou outra série com o district attorney (D.A.) Doug Selby, ao qual dedicou apenas nove volumes.

catsprowlatnight-frontNo fim dos anos trinta, para fazer concorrência ao detective amador Nero Wolf, criado por Rex Stout e, na altura, em pleno êxito, Gardner deu forma, com o pseudónimo de A. A. Fair, aos inquéritos de Bertha Cool, mulher avantajada, glutona e de aparência extravagante, mas esperta e resoluta, que gere uma agência de detectives, auxiliada pelo seu parceiro Donald Lam. A série tornou-se um best-seller e, mesmo sem alcançar a notoriedade de Perry Mason, permitiu a Gardner deixar a advocacia, dedi- cando-se a tempo inteiro à literatura.

Até 1970, alimentou as séries Perry Mason e Cool/Lam, num ritmo quase anual, totalizando no fim da sua carreira a publicação de 130 novelas com estes personagens. Em 1962, um ano depois de Ellery Queen, a sociedade dos Mistery Writers of America galardoou-o com o prestigioso Grand Master Award pelo conjunto da sua obra. A última novela que escreveu com Perry Mason, The Case of the Postponed Murder, só foi publicada em 1973, três anos depois da sua morte.

Rezam as crónicas (e os números) que, no auge da sua popularidade, Erle Stanley Gardner vendeu uma média de 26.000 exemplares dos seus livros policiais, por dia. Um recorde impressionante e praticamente imbatível!

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Encontrámos, até agora, dois livros de E.S. Gardner com gatos como protagonistas: The Case of the Careless Kitten (com o título em francês: La Langue au Chat), cuja tradução portuguesa, publicada na Colecção Vampiro nº 84, se intitula “O Caso do Gato Envenenado”, e The Case of the Caretaker’s Cat, na edição portuguesa com o título “O Caso do Gato do Porteiro” (Colecção Vampiro nº 40). Sob o pseudónimo de A. A. Fair, temos Cats Prowl at Night, publicado também em português, com o título “De Noite Todos os Gatos são Pardos(Colecção Vampiro nº 365).

gato do porteiro mais 2

Livros infantis ilustrados & outras curiosidades – 1

HINO À PRIMAVERA!

Embora a Primavera já não tarde a despedir-se, para dar entrada ao dourado séquito do Verão e dos seus “súbditos” recamados com as ofuscantes pedrarias do sol, do mar, dos vergéis luminosos que se cobrem de frutos, inauguramos esta rubrica com um belo livro infantil dedicado às primícias primaveris e às suas flores de mil espécies, publicado há mais de cinquenta anos pela Agência Portuguesa de Revistas (APR).

Editora prolífica no campo da literatura infantil (e em muitos outros), a APR exerceu a sua actividade durante largas décadas, até meados dos anos 80, seguindo as pisadas e o exemplo da sua congénere espanhola Editorial Bruguera, de cujos operosos talleres deve ter saído este vistoso livrinho recortado, com as dimensões 11,8 x 17 cms.

Desconhecemos o nome do artista ilustrador, mas destacamos a harmoniosa parada de cenas campestres que recheiam as suas 12 páginas, cujo encanto para os mais miúdos fala por si… Um belo e raro livro infantil, testemunho de outra época e de uma fértil actividade editorial, que se multiplicou por revistas, livros e colecções populares dos mais variados géneros (como neste blogue iremos continuando, para memória futura, a registar).

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Primavera 2    798

Primavera 3     799

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Um Raio de Luz e de Esperança

Fátima, 13 de Maio… Há quase 100 anos, três humildes pastorinhos assistiram, na Cova da Iria, a uma deslumbrante aparição que os deixou mudos de assombro. A sua milagrosa história e a sua fé inabalável no que tinham visto e ouvido contagiaram, apesar do repúdio das autoridades e da própria Igreja Católica, uma nação inteira, reavivando o fervor religioso que os novos dogmas republicanos e ateístas tinham duramente atacado. Meses depois, perante uma multidão de curiosos e de crentes, seria confirmado o milagre… e a glória dos três pastorinhos!

Alusivas a esta data que continua a atrair a Fátima milhares de peregrinos de todo o mundo, numa grande manifestação de fé, eis duas belas ilustrações de Augusto Trigo, dadas à estampa no Mundo de Aventuras nº 448, de 13 de Maio de 1982.

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Colecção “Novela Gráfica” – Vols. 11 e 12

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Com os dois mais recentes volumes, distribuídos em conjunto na passada semana, chegou ao fim uma das melhores colecções de BD publicadas ultimamente em Portugal, que coligiu, numa selecção rigorosa e equilibrada, obras (inéditas em tradução portuguesa) de vários autores consagrados, como Eisner, Jodorowski, Moebius, Tardi, Cosey, Crumb, Baudoin, Toppi, Taniguchi, Breccia, Oesterheld, e trabalhos altamente experimentais de nomes menos (re)conhecidos, mas que já abriram à BD do século XXI as janelas do futuro.

Segue-se a sinopse descritiva de Mort Cinder, a obra-prima expres- sionista de Alberto Breccia e Hector Oesterheld, e de Bando de Dois, um exercício rude e vigoroso, numa “escrita” muito próxima da narrativa cinematográfica, com a assinatura do autor brasileiro Danilo Beyruth. O texto de João Miguel Lameiras foi reproduzido, com a devida vénia, do jornal Público de sexta-feira, 1 de Maio de 2015.

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O gato (felizardo) que contracenou com Audrey Hepburn

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Já aqui evocámos a memória da carismática actriz Audrey Hepburn e de alguns dos seus melhores filmes, entre os quais avulta a comédia dramática Boneca de Luxo (título original: Breakfast at Tiffany’s), realizada, em 1961, por Blake Edwards e baseada num romance de Truman Capote.

Nesse filme, um dos maiores êxitos da sua carreira, em que desempenha o papel da extravagante Holly Goolightly, jovem provinciana que decidiu abolir as suas raízes e os seus laços familiares, para viver como uma rapariga moderna e livre em Nova Iorque, Audrey Hepburn, muito bem secundada por George Peppard, tem uma cena memorável, quando, depois de esquecer o passado, pretende rejeitar também a sua nova vida, abandonando Peppard e largando numa viela o gato sem nome que lhe fazia companhia.

Audrey cartazClaro que, passados alguns instantes, arrepende-se e volta atrás para recuperar o gato, debaixo de um aguaceiro torrencial que desabou sobre Nova Iorque. Lembro-me bem da imagem do pobre bichano, que Holly finalmente encontra, molhado até aos ossos, mas com uma expressão de feliz contentamento por se encontrar de novo nos braços da sua dona.

Será possível que um animal expresse também sentimentos, sobretudo ao interpretar um papel que lhe foi designado, mas que ele não entende? Mesmo que seja difícil responder a esta pergunta, o facto irrefutável é que o gato de Audrey Hepburn comoveu muitos espectadores, especialmente nessa cena, repleta de emoção, em que Holly, num súbito rebate de consciência, Breakfast-at-Tiffany-s-audrey-hepburn-2297279-1024-576voltava a ser uma rapariga da província, simples e apaixonada, recu- perando quase milagrosa- mente os dois afectos (do namorado e do gato), mais preciosos do que todas as jóias da Tiffany’s, que estivera prestes a relegar para sempre. Tiffany’s é o nome da mais célebre e luxuosa ourivesaria de Nova Iorque, e torna-se evidente a analogia com o título português do filme — cuja personagem principal está interessada, curiosamente, em aprender a nossa língua.

MV5BMTI5ODE5MDM3NF5BMl5BanBnXkFtZTcwNjQ3MDgyMg@@._V1_SY317_CR40214317_Para quem não saiba, o gato de Boneca de Luxo, a que Holly nunca quis dar um nome, chamava-se na realidade Orangey e foi um “actor” famoso, disputado por muitos produtores de cinema, embora tivesse algumas desagradáveis manias e um feitio pouco sociável, como a maioria dos seus irmãos de raça. Chegou mesmo a alcançar o “estrelato”, por ter vencido duas vezes o Óscar dos actores de quatro patas, troféu cuja importância tem sido pouco valorizada, o que é manifesta- mente injusto para Orangey e os seus pares.

Leiam a seguir, no post que o blogue de Catarina Labey Gatos, Gatinhos e Gatarrões partilhou connosco, a curiosa biografia deste bichano especial que rendeu fortunas aos estúdios cinematográficos e ao seu treinador — tendo até, por ironia do destino, interpretado um gato milionário noutro grande êxito, a comédia desportiva Rhubarb.

UM GATO ESTRELA DE CINEMA

missionimpseal02Orangey, um gato listado cor de fogo, foi um actor de quatro patas amestrado pelo famoso treinador de animais para o cinema, Frank Inn.

Orangey (sob vários nomes) teve uma prolífica carreira no cinema e na televisão, durante os anos 50 e princípio dos anos 60, e foi o único gato a receber dois Patsy Awards (Picture Animal Top Star of the Year), o “Óscar” dos animais actores de cinema.

400teammeetsrhubarbRecebeu o primeiro pelo papel principal em Rhubarb (1951), a história de um gato que herda uma fortuna e se torna dono de uma equipa de baseball, contracenando com Gene Lockhard, Ray Milland, Jan Sterling e, entre os jogadores da equipa, o ainda jovem Leonard Nimoy. O segundo Patsy foi-lhe atribuído pelo seu papel de “Cat”,  “o pobre vadio sem nome” adoptado por Audrey Hepburn em Breakfast at Tiffany’s (1961), com George Peppard. Também teve um papel na adaptação de O Diário de Anne Frank, filme produzido em 1959.

Audrey cat and rainOrangey foi alcunhado por um executivo de estúdio: “o gato mais bera do mundo”, pois gostava de arranhar ou morder os outros actores. Mas era muito apreciado pela sua capacidade em ficar quieto durante várias horas. Depois de fazer uma cena, costumava escapulir-se, e a pro- dução tinha de parar até ele ser encontrado. Frank Inn, por vezes, colocava cães de guarda na entrada do estúdio para o impedir de fugir.

Teve também um papel recorrente como “Minerva” nas séries televisivas de Our Miss Brooks (1952–1958). E um pequeno papel em Missão Impossível: The Seal (1967), atestando a sua veterania e longevidade.

Rhubarb & Breakfast atTtiffanys

 

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