Alarme em Tule (a ameaça nuclear)

Nos anos 60 do século passado, o artigo que podem ler a seguir (reproduzido da revista Zorro nº 4, de 3 de Novembro de 1962), deu certamente muito que pensar, pois vivia-se em pleno clima de “guerra-fria” entre duas grandes potências: a União Soviética e os Estados Unidos da América.

Mas o mais trágico é que, 56 anos depois, esse clima ainda não se alterou, apesar da queda da União Soviética, e que os actuais dirigentes das referidas potências continuam a comportar-se como rivais e senhores do mundo, pouca confiança inspirando numa solução global para o desarmamento das ogivas nucleares — que, entretanto, proliferaram como cogumelos, por todo o planeta — e num futuro menos ameaçador para a humanidade.

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Um objecto para cada um

Curiosidades e passatempos de outros tempos

Eis um curioso passatempo, com desenhos de um ilustre autor italiano, Benito Jacovitti, que reproduzimos de uma antiga revista de banda desenhada: o Zorro, que ia então no nº 110 (3º ano), Novembro de 1964. A solução do passatempo está bem à vista, no canto inferior direito desta página.

Clube Português de Banda Desenhada – Assembleia Geral e 4 novas exposições

Por António Martinó de Azevedo Coutinho (Largo dos Correios)

O Clube Português de Banda Desenhada convocou os seus associados para participarem numa Assembleia Geral, que se irá realizar no próximo dia 14 de Outubro (sábado), pelas 16h00, nas instalações da sede, sita na Avenida do Brasil, 52A – Falagueira – 2700-134 Amadora. A referida Assembleia terá como ordem de trabalhos a eleição dos elementos constantes de uma lista, conhecida e divulgada, candidata aos Órgãos Sociais do CPBD para o novo mandato de 2017/2019.

Os nomes propostos confirmam, na prática, os responsáveis pela corrente gestão do Clube, autores de uma obra a todos os títulos notável. Creio, por isso e dada a unanimidade reconhecida, que a continuação do excelente trabalho realizado está amplamente assegurada (…) e a qualidade/quantidade da obra é tanto mais válida quanto se deve reconhecer que este exuberante período se seguiu a décadas em que o Clube apenas sobreviveu dada a militância de uma meia dúzia de apaixonados pelos quadradinhos que nunca deixou morrer uma chama “sagrada” mínima.

A sede disponibilizada pela autarquia da Amadora, capital nacional da BD, proporcionou um local que tem sido constantemente dinamizado com diversas realizações, para além das intervenções do Clube noutros locais como, por exemplo, a Bedeteca da Amadora ou a Biblioteca Nacional de Lisboa.

No próprio dia da Assembleia Geral do Clube Português de Banda Desenhada, a nossa sede vai ser local de abertura de mais quatro (!) exposições públicas, cujos [primeiros] convites se anexam. Como exemplo de esclarecida, permanente e coerente intervenção em defesa da causa dos quadradinhos, dificilmente se poderia exigir mais…

Tenho orgulho em pertencer a uma associação tão dinâmica e tão bem dirigida, crescentemente merecedora de reconhecimento cultural público.

(Nota: texto reproduzido, com a devida vénia, do blogue “Largo dos Correios”, administrado por António Martinó de Azevedo Coutinho).

Recordando Peter O’ Toole

 PETER SEAMUS O’TOOLE (1932-2013)

O grande actor de Lawrence of Arabia (1962) e de Lord Jim (1965), desaparecido em 14 de Dezembro de 2013.
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Foto publicada na contracapa da revista juvenil Zorro nº 145, de 17 de Julho de 1965, com uma cena de Lord Jim, filme realizado por Richard Brooks e baseado na novela homónima de Joseph Conrad, escritor britânico de origem polaca.

Apesar de só ter ganho um Óscar honorário, Peter O’Toole legou ao cinema muitas interpretações notáveis, marcadas pelos seus tiques histriónicos de actor do Old Vic e por uma personalidade controversa, à margem do convencional star system.

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Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 11 e 12

Ric Hochet - Relevez le gant! 467

1959 foi o ano em que o jovem repórter do La Rafale deu mais um passo importante (e decisivo) na sua carreira — até aí limitada, como já referimos, a curtos e esporádicos episódios completos —, tornando-se titular, no Tintin belga, de uma sensacional novidade: uma rubrica com o título Relevez le gant!, constituída por uma série de problemas policiais cuja decifração desafiava, na melhor tradição de Agatha Christie e Hercule Poirot, a argúcia e as faculdades dedutivas dos leitores.

Alguns desses casos, em que Ric Hochet estava sempre acompanhado pelo inspector Bourdon, foram também publicados no semanário O Falcão (1ª série), que chegou mesmo a instituir um concurso, com regulamento, destinado aos jovens sherlocks portugueses. E foi também n’O Falcão (nº 60, de 4/2/1960) que apareceu uma das primeiras histórias curtas de Ric Hochet, cujo título Ric Hochet e a “Sombra” (Ric Hochet contre l’Ombre) já prenun- ciava o ambiente dos próximos episódios da série.

Ric Hochet - Aceite o desafio + O Sombra

Pormenor curioso: enquanto que no Cavaleiro Andante e no Zorro o jovem repórter criminologista foi baptizado com os portuguesíssimos nomes de João Nuno e Mário João (embora vivesse na Cidade-Luz, trabalhando para um jornal parisiense), n’O Falcão manteve o seu próprio nome, o que prova que a censura nada teve a ver com essa mudança de identidade.

Em 1962, Ric Hochet foi ainda protagonista de uma longa novela de mistério com o título Monsieur X frappe à minuit, cujo texto tinha também a assinatura de André-Paul Duchâteau, o argumentista que se tornou o parceiro ideal de Tibet quando a sua nova criação começou finalmente a aparecer em histórias de “longa metragem”, conquistando, em pouco tempo, o estatuto de grande vedeta do jornal Tintin.

A título de curiosidade mostramos duas páginas dessa novela, ilustrada por Tibet, tal como foi publicada no Zorro, a partir do nº 33 (25/5/1963), com um título semelhante: O sr. X ataca à meia-noite. Tempo depois, o destemido e arguto “Mário João” transitou para as histórias aos quadradinhos, vivendo três novas aventuras que o tornaram ainda mais popular entre os leitores da revista, muitos dos quais desconheciam o seu verdadeiro nome.

Ric Hochet - Sr. X

Na época anterior à consagração de Ric Hochet (que só chegou tardiamente, depois de um longo caminho, como já vimos), Tibet estava ainda “colado” à imagem de Chick Bill, o seu personagem de maior êxito, ao ponto de aparecer vestido de cowboy numa curiosa pantomina em que vários colaboradores do Tintin assumiam a aparência dos heróis que lhes tinham dado justa fama, “disfarçados” com a sua habitual indumentária.

Essa página, que a seguir apresentamos, foi publicada no nº 12 (14º ano), de 25/3/1959, e nela podemos reconhecer as veras efígies de alguns dos mais populares autores da BD franco-belga, fazendo honrosa companhia a Tibet.

Ric Hochet - Tintin 12

Reproduzimos seguidamente, com a devida vénia, os textos de apresentação inseridos no jornal Público de 7 e 14 de Agosto p.p., referentes aos dois últimos volumes da colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet”, que brindou os apreciadores desta série (entre os quais nos incluímos) com algumas aventuras inéditas do dinâmico repórter detective.

Ric Hochet - público 11

Ric Hochet - público 12

Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 3

Ric Hochet - La Rafale      226

Na imagem que escolhemos para encabeçar esta página, extraída da história Mystère à Porquerolles, outra empolgante aventura de Ric Hochet, um jovem jornalista de investigação (como agora se diz), atraído pela solução dos casos mais bizarros e intrincados, vê-se uma panorâmica da redacção do jornal onde trabalha, o diário de grande tiragem La Rafale (em português, A Rajada, título que, aliás, figura no primeiro episódio desta série publicado em Portugal, uma curta história em que Ric Hochet não passa ainda de um pequeno vendedor de jornais com aspirações a detective).

Ric Hochet Tintin 21 - 1962     225Esse episódio, como já referimos num post anterior, foi dado à estampa pelo Cavaleiro Andante, pouco tempo depois da sua publicação original no Tintin belga, em 30 de Março de 1955. Mas, nessa altura, Tibet, o criador gráfico da série, estava ocupado com outras personagens e mal imaginava o destino que a evolução da figura de Ric Hochet e a empatia gerada com os leitores reservavam à sua nova e ainda incipiente criação.

Só alguns anos depois, quando fez equipa com o argumentista André-Paul Duchâteau, mestre em intrigas policiais do género das de Agatha Christie e de outros autores anglo-saxónicos, a série ganhou “asas”, abalançando-se a mais altos voos com histórias em continuação como Signé Caméleón, em que Ric Hochet enfrenta, pela primeira vez, um dos seus piores inimigos, o astucioso e tenaz Camaleão, empenhado numa implacável vendetta contra o comissário de polícia Bourdon, cuja sobrinha Nadine desempenha o papel de “noiva eterna” do intrépido jornalista.

Ric Hochet contra o Carrasco  Bertrand 1Apresentamos, como curiosidade, uma capa do Tintin belga alusiva à aventura já citada, Mystère à Porquerolles (3º episódio na cronologia de Ric Hochet), que em Portugal foi reproduzida na revista Zorro, com o título “O Caso dos Quadros Roubados”.

A popularidade de Ric Hochet, aliada ao êxito da literatura policial no nosso país, foi um factor determinante na sua publicação em álbum, iniciada pela Livraria Bertrand em 1973, com o episódio “Ric Hochet contra o Carrasco”, que agora está de novo nas bancas, integrado na colecção que o jornal Público e as Edições Asa dedicam a esta carismática personagem, recordando algumas das suas melhores aventuras, em grande parte inéditas em Portugal, depois de apresentarem o mais recente episódio da série, realizado por uma nova e talentosa dupla: o desenhador Zidrou e o argumentista Simon Van Leimt.

Ric Hochet - público 3

Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 2

Ric Hochet (Camaleão)

Ric Hochet - vol. 1Já está nas bancas o 2º volume desta colecção, constituída por 12 títulos, sete dos quais inéditos em edições portu- guesas, o que é uma boa notícia para os apreciadores de uma das melhores séries europeias de temática policial, criada há 60 anos, nas páginas do Tintin belga, por dois mestres do género: Tibet e André-Paul Duchâteau.

Entregue recentemente a outra talentosa dupla, formada pelo desenhador Zidrou e pelo argumentista Simon Van Leimt, a série ganhou novo fôlego com o episódio “Descansa em Paz, Ric Hochet”, oportunamente escolhido para inaugurar esta colecção, pois trata-se, sem dúvida, de uma das melhores aventuras do famoso repórter detective, recheada de citações canónicas e de cruzamentos com alguns dos primeiros casos em que interveio o astucioso e furtivo Camaleão, agora ressuscitado, sob um novo disfarce, para continuar a pôr em perigo a vida de Ric Hochet e do seu amigo comissário Bourdon.

Zorro 132    214Além disso, o grafismo de Zidrou, sóbrio e elegante, combinando um traço fluido com um dinamismo contido mas de grande eficácia, veio dar um toque mais moderno à série — que se nota, sobretudo, no comportamento desinibido de Nadine, a “eterna” namorada do intrépido jornalista —, embora o cenário deste episódio nos remeta para 1968, sete anos depois do primeiro frente-a-frente entre Ric Hochet e o Camaleão, que continua a recorrer a todos os meios, mesmo os mais diabólicos, numa implacável vendetta contra os seus velhos inimigos que irá, tragicamente, provocar algumas vítimas.

Recordamos que as primeiras publicações de Ric Hochet em Portugal ficaram a dever-se ao Cavaleiro Andante, ao Zorro, ao Falcão e ao Tintin, tendo a estreia em álbum ocorrido em 1973, com o selo da editorial Bertrand.

Reproduzimos seguidamente, com a devida vénia, o texto de apresentação inserido no Público de 5 de Junho p.p., referente ao segundo álbum desta colectânea, em que Ric Hochet enfrenta outro temível e enigmático inimigo.

Ric Hochet Público 2     215

Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 1

Tibet, Duchateau e Ric HochetRic Hochet (50 ans)Depois da Colecção Novela Gráfica, de tão boa (e ainda recente) memória, a banda desenhada regressou esta semana ao jornal Público com uma nova série temática, em que figuram doze aventuras (sete delas inéditas) de um dos mais carismáticos heróis da BD franco-belga, criado há sessenta anos na revista Tintin por André-Paul Duchâteau e Tibet (aliás, Gilbert Gascard (1931-2010), nome de baptismo que não passou à história, pelo menos entre os fãs de Ric Hochet).      

Largamente divulgada também em Portugal, em- bora numa proporção muito inferior à dosRic Hochet (álbuns) epi- sódios publicados na versão francófona, que deram origem a mais de oitenta álbuns (de publicação anual ininterrupta até 2010!), a série estreou-se entre nós no Cavaleiro Andante nº 183, de 2/7/1955, com um episódio completo de quatro páginas em que Ric Hochet se metamorfoseou num adolescente português chamado João Nuno, por força de um hábito que se generalizara na maioria das nossas revistas de BD, apostadas em nacionalizar o nome dos seus personagens. A censura, é claro, também contribuiu para isso…Ric Hochet CA 183    204

Registe-se, a tí- tulo de efeméride, que a primeira aparição deste juvenil herói — na figura de um ardina bem vestido (ao contrário dos que se viam, nessa época, pelas ruas de Lisboa), ainda com os traços caricaturais que definiam o estilo de Tibet, no princípio da sua carreira — se verificou em 30/3/1955, no nº 13 (10º ano) do Tintin belga, precisamente com o curto episódio que o Cavaleiro Andante não tardaria a reproduzir, embora com outro título na ilustração de capa. Só meses depois, no nº 5 (11º ano), de 1/2/1956, Ric Hochet reapareceu, já com um aspecto diferente, mais velho e promovido a repórter do jornal La Rafale, onde continuou, com inaudita audácia, a somar proezas detectivescas aos casos jornalísticos.

Tintin 13 e 5

Mas, nessa altura, tanto Tibet como Duchâteau estavam ainda longe de planear um futuro radioso e cheio de aventuras para o seu jovem herói, de espírito arguto e destemido como o dos mais célebres detectives… embora já Ric Hochet album ca 103tivessem consciência, certamente, do seu potencial. Esse futuro acabaria por guindar os três ao topo da fama nas páginas do Tintin, onde Ric Hochet — depois do seu primeiro caso policial de “longa metragem”, com o título “Signé Caméléon” (1961), estreado entre nós num Álbum do Cavaleiro Andante — foi, durante muitos anos, um imbatível campeão de popularidade, classificando-se sempre em primeiro lugar nos inquéritos realizados às preferências dos leitores.

A propósito do título da presente co- lecção: “Os Piores Ric Hochet Zorro 156Inimigos de Ric Hochet”, recorde-se que o Camaleão teve a primazia, desafiando o repórter detective (e o seu amigo Inspector Bourdon) no citado episódio de estreia e voltando ao ataque em L’Ombre de Caméléon (1964), aventura que os leitores portugueses puderam apreciar no Zorro, sucessor do Cavaleiro Andante, e no Tintin (edição da Bertrand).

Reproduzimos seguidamente o texto de apre- sentação inserido no Público de 29 de Maio p.p., referente ao álbum com que se inicia esta colectânea, uma aventura inédita de Ric Hochet (onde o Camaleão reaparece em grande estilo!), assinada pela dupla que assegurou a continuidade da série, cinco anos depois do desaparecimento de Tibet.

Ric Hochet público - 1

O Zorro de Fernando Bento

zorro-bento capa DIABRETE

Embora não me conste ter havido, até hoje, uma  edição  portuguesa  em  livro de “O Sinal do Zorro”, a obra mundialmente famosa de Johnston McCulley (que já esteve exposta nesta montra), lembro a título de curiosidade que o Diabrete, em 1949, ofereceu aos seus leitores, a partir do nº 597, uma  adaptação desse romance, dividida em quarenta e três capítulos recheados de magníficas ilustrações de Fernando Bento, tão fieis à imagem do mítico personagem que se gravaram indele- velmente na memória de muitos leitores do “grande camaradão” da juventude portuguesa.

Uma nova adaptação da mesma novela surgiu (bastante a propósito) na revista Zorro, durante o ano de 1964, desta vez com ilustrações a lavis de outro mestre da BD portuguesa: José Garcês.

A nossa Montra dos Livros tem o grato prazer de apresentar aos seus amigos algumas das magníficas imagens de Fernando Bento publicadas no Diabrete, com um Zorro que se distingue pela elegância e leveza de movimentos, o porte romântico e audacioso, a aura de mistério e de fascínio que o envolve, quando usa o capuz para encobrir a sua identidade — e pelo cunho verídico (no sentido de fidelidade ao ambiente e aos elementos originais) que o saudoso mestre imprimia a todas as suas criações inspiradas em figuras literárias.

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Os livros que guardo na memória – 3

A MARCA DO ZORRO por Johnston McCulley

Johnston McCulley McCulley e Guy Williams(1883-1958), o criador da mítica figura do Zorro, um dos primeiros vingadores mascarados, teve uma prolífica e brilhante carreira como argumentista de cinema e autor de séries para os pulp magazines, pois, além do seu principal personagem, criou figuras que granjearam também grande popularidade na época, como Black Star, The Spider, The Green Ghost e The Crimson Clown — percursoras de alguns dos super-heróis com nomes bizarros e identidades secretas nascidos nas décadas seguintes —, satisfazendo a sede de emoções de um vasto público viciado na leitura de revistas de crime,Curse of Capristano mistério e aventura como o Detective Story Magazine.

Zorro nasceu em Agosto de 1919, nas páginas de outro título famoso na história dos pulps (magazines de índole popular, dedicados aos mais diversos géneros, que utilizavam a polpa de papel para reduzir os custos de impressão): o All-Story Weekly, sete anos depois desta mesma revista (então ainda mensal) ter publicado a primeira aventura de Tarzan, escrita por um tal Edgar Rice Burroughs. A história de McCulley intitulava-se The Curse of Capistrano e tinha como cenário o sul da Califórnia, no tempo em que essa região, colonizada desde o século XV pelos espanhóis, ainda não passara para o domínio do México.

Foi tal o aplauso dos leitores que, no ano seguinte, surgiu a primeira adaptação cinematográfica — cujo único defeito era não ter som —, com o nome do prota- Mark of Zorro - Douglas Fairbanksgonista bem estampado no título: The Mark of Zorro, e um lendário actor e espadachim de Hollywood, Douglas Fairbanks, no papel de Don Diego Vega (a identidade secreta do Zorro), ao lado de Noah Beery, no do antipático e fanfarrão sargento Gonzalez.

O êxito do filme, que contribuiu para o lançamento de um novo género, conhecido como swashbuckler (aventuras de capa e espada), deu origem a um livro com o mesmo título, The Mark of Zorro, em que McCulley desenvolveu consideravelmente o primitivo enredo. Em 1940, surgiu outra memorável versão dos estúdios de Hollywood, com três famosas “estrelas” desse tempo: Tyrone Power, Linda Darnell e Basil Rathbone. Vi-a muitos anos depois, em reposição no cinema do meu bairro, o saudoso Royal-Cine, entre os aplausos e o trepidante entusiasmo de uma plateia maioritariamente juvenil.

Mas já, em 1937 e 1939, Zorro chegara de novo ao ecrã em dois trepidantes serials (filmes em episódios) da Republic Pictures, com os títulos Zorro Rides Mark of Zorro - 1940 - a 150jpgAgain e Zorro’s Fighting Legion, ambos realizados por John English e William Witney e interpretados respecti- vamente, no papel do vingador mascarado, por John Carroll e Reed Hadley. A Republic, pequena companhia especializada neste género de filmes, de longa metragem e orçamentos muito baixos, produziu nos anos seguintes mais seis serials do Zorro para aproveitar tão rendoso filão.

Entretanto, McCulley continuava a escrever aventuras do seu herói para outro célebre magazine, o Argosy, adoptando o figurino que Douglas Fairbanks transformara num ícone cinematográfico e que todos copiaram a partir de então: um destro e misterioso espadachim de mascarilha, capa sobre os ombros e chapéu de abas redondas, à moda da Califórnia espanhola.

Zorro Rides AgainEm 1941, para cavalgar a onda de popularidade do audacioso mascarado que lutava contra a injustiça e a opressão feudal dos grandes latifundiários, surgiu outra novela, intitulada The Sign of Zorro, mas McCulley não se ficou por aí, escrevendo num ritmo frenético mais de 60 histórias com este personagem até ao final da sua vida. A última foi publicada postumamente em Abril de 1959, quando já se ouviam os ecos de um novo triunfo do Zorro, agora como herói televisivo, numa série com 78 episódios produzida pelos Estúdios Disney e interpretada por Guy Williams (Zorro), Gene Sheldon (o seu servo Bernardo) e Henry Calvin (sargento Garcia), nos principais papéis.

De todos os romances do Zorro escritos por McCulley conheço apenas uma versão brasileira de A Marca do Zorro, publicada em 1959 (6ª edição) pela editora Vecchi, na sua colecção “Os Audazes”. Não creio que haja qualquer edição portuguesa, em livro, a partir dos primitivos originais.

A MARCA DE ZORRO869

 

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