Exposições no CPBD e na Bedeteca da Amadora

Exposição do CPBD, dedicada a Viriato na Banda Desenhada

Por amabilidade de Carlos Gonçalves, membro da Direcção do Clube Português de Banda Desenhada, recebemos uma reportagem fotográfica das sessões realizadas no passado sábado, dia 2 de Junho, na Bedeteca da Amadora e na sede do CPBD (como oportunamente anunciámos), durante a inauguração de várias exposições e do lançamento (há muito aguardado) do álbum de Fernando Relvas “O Espião Acácio” — obra incontornável, autêntico clássico, de um dos maiores nomes da BD portuguesa —, coincidindo com a mostra dedicada aos 50 anos da revista Tintin (edição Bertrand), onde ela foi originalmente publicada.

Partilhamos com os nossos leitores algumas imagens desses eventos, com agradecimentos a Carlos Gonçalves e ao repórter Dâmaso Afonso.

Exposição do CPBD: Viajantes de Papel na Lusofonia Gráfica

Exposição 50 anos da revista Tintin, na Bedeteca da Amadora

Catherine Labey e Anica Govedarica

Sessão de lançamento do álbum “O Espião Acácio” (Bedeteca da Amadora)

Assistência atenta durante a apresentação do álbum de Fernando Relvas

Mesa de apresentação do álbum O Espião Acácio”

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Boletim do Clube Português de Banda Desenhada – um longo e frutuoso percurso de 41 anos

Com a devida vénia, apresentamos seguidamente mais um texto do nosso querido amigo Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, publicado em 1 de Janeiro p.p. no seu blogue de referência Largo dos Correios. Transcrevemo-lo, apenas, nesta altura por razões técnicas que nos têm causado problemas, mas também por um motivo especial, visto que em Março (hoje, precisamente) ocorre mais uma efeméride do Boletim do CPBD – cuja capa correspondente ao nº 145 (Dezembro de 2017) aqui fica para conhecimento geral, a abrir este post.  

Caros Sócios
No próximo sábado e para finalizar o ano, o CPBD oferece aos seus sócios mais um número do Boletim a quem tenha possibilidade de se deslocar às suas instalações. Um abraço e bom final de ano.

Há dois ou três dias, o incansável Carlos Gonçalves, alma-mater dos quadradinhos lusos (está em todas!), enviou-me – e a muitos outros consócios – mais uma mensagem, precisamente a atrás reproduzida. Pode parecer apenas um símbolo mas traduz toda uma realidade de muitas décadas. Ele continua o mais activo, o mais operacional e dinâmico de quantos criaram e alimentaram o projecto hoje renascido do Clube Português de Banda Desenhada. E, com este, o Boletim.

Desde o histórico n.º 1, de Março de 1977, tendo cumprido há meses quarenta anos de vida, até este n.º 145, de Dezembro de 2017, ficam contidos nas suas milhentas páginas episódios, factos, pessoas, lendas, histórias, quadradinhos…

Uma vida, mil vidas, o esforço esclarecido de quantos deram expressão a um meio de comunicação que foi, não raras vezes, um motivo de sobrevivência para os que foram capazes de manter acesa uma luz hoje renovada. Todos merecem a nossa gratidão.

A causa da banda desenhada, que nos une e nos move, tem para com os obreiros do Boletim do CPBD uma dívida considerável. Acrescentar aqui o labor de Paulo Duarte, neste mais recente período, parece-me um elementar acto de justiça.

Pela minha parte, com um obrigado do apreciador da BD que sou, recordo a propósito o texto que coloquei no Largo dos Correios em 5 de Março de 2014.

«Foram António Dias de Deus e Leonardo De Sá que me prestaram, entre uma infinidade de outras, a preciosa informação de que o primeiro número do Boletim do Clube Português de Banda Desenhada foi divulgado a 5 de Março de 1977. Assim consta da magnífica obra Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, Edições Época de Ouro, 1999 (pág. 142). Ora, assim, aquela publicação perfaz hoje trinta e sete anos.

O Boletim, mais alguns suplementos de jornais e semanários e, modernamente, certos blogs centrados na BD, constituem um precioso repositório da melhor e mais qualificada abordagem nacional ao fenómeno dos quadradinhos. Informações soltas, notícias, entrevistas, críticas a obras e a autores, ensaios bibliográficos, material inédito, recensões diversas, índices de revistas e jornais da especialidade, intercâmbios vários, enfim, um universo de textos e de ilustrações, à imagem e semelhança da temática em apreço, tem sido assim partilhado ao longo dos anos. 

O Boletim do CPBD, sobretudo na sua época inicial, representou sempre um desafio colocado aos pioneiros que se abalançaram à iniciativa. Os “cinco magníficos” que se encontravam ao leme do clube, nos tempos do arranque da publicação regular – António Amaral, Carlos Gonçalves, Franklin Ferreira da Silva, Jorge Magalhães e José Sobral –, conseguiram remover ou ultrapassar dificuldades consideráveis, a começar pelas técnicas, na concretização desse projecto editorial do grupo.

Se nos lembrarmos de que ainda não se dispunha de computadores, impressoras e outros dispositivos e meios informáticos, hoje banalizados, desde logo somos remetidos para o modesto e limitado contexto da época no que respeita à composição e reprodução de impressos com um mínimo de qualidade, fora do círculo industrial.

De facto, este obstáculo tornou-se uma espécie de lugar-comum de sucessivos “Editoriais” do Boletim, o primeiro dos quais se intitula, precisamente, “As Nossas Desculpas”… Significativo! A humildade dos pioneiros, incapazes por isso mesmo de se aperceberem da dimensão e da importância da iniciativa que então corporizavam, ainda os “obrigava” a solicitar a compreensão dos outros sócios para o facto de a publicação ter sido impressa por intermédio de stencil e não em offset, por manifesta falta de “posses”.

Carlos Gonçalves, que assumia a coordenação do Boletim, apelava no número 3 aos consócios de Lisboa que tivessem possibilidade de conseguir uma máquina de offset; no número 5, dava conta de uma avaria no sistema de impressão que ainda usavam; no número 10, anunciava a recente entrada de um consócio que podia disponibilizar, aos fins-de-semana, uma impressora do tipo offset

Tornou-se depois evidente a progressiva melhoria física do Boletim, mas tal progresso nada tinha a ver com o seu conteúdo, inalteravelmente revestido do maior interesse e valimento.

Neste 5 de Março, efeméride real ou simbólica de um inegável feito na crónica dos quadradinhos lusos, saúdo os pioneiros que corporizaram, no seio do prestigiado Clube Português de Banda Desenhada, um seu “mal-impresso” e ainda agrafado Boletim.

Quando folheio os Boletins, os releio e os sinto, sobretudo os tais, os de modesta forma, mantenho por eles o respeito que me merecem todas as realizações produzidas pela paixão e pelo empenhado sacrifício de alguns, em prol de uma causa em que acreditavam (e acreditam!), assim como no desinteressado serviço aos outros.»

António Martinó de Azevedo Coutinho
Largo dos Correios – 5 de Março de 2014

Colóquio “Um Panorama das Principais Revistas Portuguesas de BD” – com Carlos Gonçalves e Geraldes Lino (do CPBD)

Desde a revista ABC-zinho, cujo início tem data de 15 de Outubro de 1921, até à Visão, com a vida breve de doze números editados entre Abril de 1975 e Maio de 1976, decorre um arco editorial de numerosos periódicos de banda desenhada publicados em Portugal. 

Essa produção de quantidade assinalável foi pontuada por títulos diversificados que marcaram gerações, designadamente ABC-zinho, Tic-Tac, Senhor Doutor, Papagaio, Mosquito, Pirilau, Diabrete, Faísca, Pluto, Camarada, Gafanhoto, Mundo de Aventuras, Cavaleiro Andante, Flecha, Titã, Fagulha, Falcão, Foguetão, Zorro, Pisca-Pisca, Tintin, Spirou, Jacto, Jornal do Cuto, Jacaré, Visão, e ainda vários outros posteriores.

É sobre este tema, que atrai o interesse de incontáveis entusiastas deste tipo de arte sequencial — em tempos idos conhecida pela expressão popular de histórias aos quadradinhos —, que vai incidir o colóquio intitulado “Um Panorama das Principais Revistas Portuguesas de Banda Desenhada”.

Em simultâneo, estará patente uma exposição composta por reproduções de capas de muitas das revistas acima mencionadas. 

A apresentação do colóquio estará a cargo dos sócios do Clube Português de Banda Desenhada – CPBD, Carlos Gonçalves e Geraldes Lino, que se apoiarão em fichas técnicas elaboradas pelo também sócio do CPBD Luís Filipe Veiga.

(Nota: texto de Geraldes Lino, reproduzido do seu blogue “Divulgando Banda Desenhada”).

Recordando o “ABC-zinho” (1921-1932)

“ABC-ZINHO” – A PRIMEIRA REVISTA DE BANDA DESENHADA PORTUGUESA

Artigo de Carlos Gonçalves

Esta afirmação talvez seja pouco credível para quem não se tenha apercebido da evolução das revistas de histórias aos quadradinhos em Portugal. Senão vejamos: se analisarmos as revistas que até então tinham aparecido no nosso país sobre o tema, vemos que quase todas elas publicavam caricaturas ou anedotas. Muito esporadicamente incluíam nas suas páginas banda desenhada.

Só depois de 1872 (ano em que Rafael Bordalo Pinheiro cria a primeira história aos quadradinhos, que intitulou “Apontamentos da Picaresca Viagem do Imperador do Rasilb pela Europa” e que seria publicada num pequeno álbum naquela altura), surge uma ou outra história apresentada na linguagem figurativa. As revistas “O Amigo da Infância”, “As Creanças” e “O Jornal da Infância” publicavam textos infantis e ilustrações. No caso de “A Corja”, “A Caratonha”, “A Marselheza” e “A Paródia”, estas eram revistas satíricas, bem como muitas outras que surgiram na época. A que se aproximou mais de uma revista infantil sobre este tema foi “O Gafanhoto” (1ª e 2ª séries).

Quanto a nós, seria o “ABC-zinho” a verdadeira revista infantil, com histórias aos quadradinhos desde o primeiro dia da sua publicação. Um dos principais desenhadores desta revista foi o próprio director da revista, José Ângelo Cottinelli Telmo, arquitecto oficial do Governo de Salazar e que colaborou intensamente na vida nacional da altura. Urbanizou a Praça do Império, criou o Liceu D. João de Castro, o Monumento das Descobertas e a tão falada prisão de Caxias, além de ter planificado a Exposição do Mundo Português. Também foi realizador de Cinema e dos bons, cabendo-lhe o primeiro filme sonoro português, tão do agrado de todo o público: “A Canção de Lisboa”.

Outros desenhadores desta revista foram o Albino (Stuart Carvalhais, com pseudónimo) e Rocha Vieira, um dos grandes desenhadores portugueses, cujo estilo se assemelhava bastante aos traços das histórias produzidas em Inglaterra e que seriam posteriormente importadas pelo “Tic-Tac”, “O Senhor Doutor” e “O Mosquito”, mais de uma dezena de anos depois. Os trabalhos de Rocha Vieira são já o resultado de um desenhador experiente e de grande maturidade. Os de Stuart mantêm-se na sua vertente, como nos habitou, não defraudando ninguém nos resultados alcançados.

As histórias são pejadas de aventuras, tão em voga nesse tempo, em que os leitores davam azo à sua imaginação e eram transportados nas asas do sonho, vivendo do mesmo modo que as personagens as peripécias narradas de vinheta para vinheta. Foi talvez por isso que esta revista se tornaria num dos maiores êxitos como publicação infantil, pois foi absolutamente completa e no campo didáctico pouco ou nada poderemos acrescentar quanto aos objetivos alcançados, que seria educar e distrair, ao mesmo tempo, a juventude dos anos 20.

Além da panóplia de desenhadores de grande qualidade que apresentou, alguns dando os seus primeiros passos na arte de desenhar histórias aos quadradinhos, como Cottinelli Telmo, Tiotónio, o próprio Suart, agora mais solto, António Cristino (uma esperança ainda, pois era muito jovem), Carlos Botelho e outros de que falaremos a seguir.

AS CONSTRUÇÕES DE ARMAR

Mas acima de tudo, um dos seus maiores pontos de interesse e de sucesso seria o de incluir, desde o seu primeiro número, construções de armar. Inicialmente eram simples, mas pouco a pouco e com o passar dos meses passariam a ser já de uma qualidade indiscutível. O seu número 14 incluiu uma folha A3 dupla com o Hidroavião Lusitânia, uma autêntica obra-prima nos seus detalhes, sendo também, por isso, difícil de montar.

Depois, incluirá como suplemento da revista mais uma série de construções: “Mimi e os seus fatinhos”, mobílias de bonecas, personagens de circo, animais, jogos, e a partir do seu número 45 uma das melhores construções até hoje criadas, “O Teatrinho do ABC-zinho”, composto por mais de duas dezenas de folhas, com a montagem de um teatro (uma construção que obrigaria os leitores a uma certa habilidade para a realizar), com personagens e cenários… e de tal modo era a imaginação, que até é possível iluminar os cenários. Seguiram-se uma aldeia do Zinho, com casinhas e tudo o que faz parte de uma aldeia (inclusive um facto inédito neste género de construções, um cemitério da aldeia com jazigos e campas), uma tourada, um castelo, automóveis, etc.

Como ponto alto e inédito também, anote-se a publicação de 12 pequenos livros com contos e ilustrações, não só de Cottinelli Telmo como de Else Althausse. Finalmente e também como um novo facto inédito desta publicação, teremos que destacar um presépio único, da autoria do arquitecto, em que as figuras se apresentam em três dimensões.

OUTRAS COLABORAÇÕES DA PRIMEIRA SÉRIE DO “ABC-ZINHO”

Depois dos artistas que já salientámos aqui e que colaboraram na revista, destacam-se ainda os nomes de Alfredo Morais (um dos maiores capistas, autor de centenas de capas e ilustrações no princípio do século XX), Emmérico Nunes, que era outro consagrado autor com ilustrações e banda desenhada, seguido de Carlos Botelho, de quem já falámos, também conhecido como o pintor de Lisboa. A maior produção portuguesa pertence a Rocha Vieira e a António Cardoso Lopes (o Tiotónio), durante a primeira série desta revista. No entanto, também irá incluir trabalhos estrangeiros: ingleses (retirados da revista “Puck”), espanhóis e franceses. “Os Sobrinhos do Capitão” serão nas suas páginas apresentados pela primeira vez em Portugal.

A primeira série da revista “ABC-zinho” surge em 15 de Outubro de 1921 e termina no número 171, em 28 de Dezembro de 1925. Era uma publicação bimensal e tinha 24 páginas impressas a preto e branco, alternando com outras a uma cor. Os seus diretores foram Cottinelli Telmo e Manuel de Oliveira Ramos. Comemoram-se, pois, os 96 anos do seu aparecimento.

A SEGUNDA SÉRIE DO “ABC-ZINHO”

A segunda série desta revista teria o mesmo impacto junto dos leitores como a primeira, não só pelo seu formato, no dobro da outra e já com algumas páginas a cores. Os artistas pouco aumentaram no seu total, mas surgiram novos estilos e novos métodos de contar uma história aos quadradinhos, já que os colaboradores anteriores tinham naturalmente evoluído.

António Cristino é um deles, mais maduro e perfeito, o Tiotónio demonstra a sua criatividade, Carlos Botelho está mais à vontade e surgem dois novos artistas nos finais da publicação: Carlos Ribeiro, outro desenhador já com provas dadas, como director da revista “O Senhor Doutor”, e Ilberino dos Santos, que mais tarde criará algumas pranchas de humor para “O Mosquito”. O seu formato salienta melhor a arte gráfica, além de que oferece maior impacto visual aos olhos dos seus leitores, com os trabalhos que são publicados. Dedica também algumas das suas páginas aos contos, quer históricos quer de aventuras. Não há dúvidas que esta revista teve um papel importante na sua divulgação. 

Até aqui pouco mudaram as revistas do género, como o  “Carlitos” e o “Cócórócó”… De qualquer dos modos, com a passagem dos anos as histórias aos quadradinhos viriam a afirmar-se no nosso país. Com as várias experiências conseguiu-se encontrar a fórmula ideal para satisfação dos leitores. No entanto, muitos educadores e professores acusavam estas publicações de criar um desinteresse pelos livros. Não é verdade, hoje sim, os meios audiovisuais é que têm sido um dos maiores factores para o afastamento da leitura. E até da própria banda desenhada. Para colmatar tal situação criaram-se as novelas gráficas (algumas vezes republicando histórias já impressas em álbuns ou revistas).

O “ABC-zinho” (2ª série) apareceu a 4 de Janeiro de 1926, vindo a terminar no seu nº 350, a 26 de Setembro de 1932.

O Boletim do Clube Português de Banda Desenhada continua em publicação

O Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) acaba de editar o nº 143 do seu Boletim, com data de Fevereiro de 2017, um dos fanzines mais antigos em publicação, não só em Portugal como em toda a Europa, e que pela sua qualidade e longevidade merece ombrear com os melhores.

Neste número, dedicado ao Titã — uma revista de BD dos anos 1950, editada pela Fomento de Publicações em moldes inovadores, mas que não teve o sucesso esperado, devido à forte concorrência do Cavaleiro Andante e do Mundo de Aventuras —, destaca-se um artigo sobre este tema da autoria de Ricardo Leite Pinto, sobrinho do saudoso Roussado Pinto, incontornável pioneiro da “época de ouro” da BD portuguesa, que no Titã exerceu as funções de novelista, argumentista, redactor principal e, a breve trecho, director, depois de ter saído do Mundo de Aventuras e da Agência Portuguesa de Revistas.

No Titã colaboraram também alguns desenhadores portugueses, já nessa época com largo e invejável currículo, como Vítor Péon, José Garcês e José Ruy, devendo-se a Péon e ao seu traço dinâmico a capa do 1º número e a história “Circos em Luta”, cujo herói, criado por Edgar (Roussado Pinto) Caygill, se chamava nem mais nem menos… Titã!

Completa este número um artigo de Carlos Gonçalves sobre a magnífica arte de E.T. Coelho, com uma galeria de trabalhos deste grande desenhador para a revista O Mosquito, que estiveram patentes, até há pouco tempo, numa exposição realizada pelo CPBD na sua nova sede.

As imagens reproduzidas neste post foram extraídas, com a devida vénia, do blogue Sítio dos Fanzines de Banda Desenhada, orientado por Geraldes Lino, cuja consulta recomendamos a todos os interessados por este aliciante tema que o mestre Lino conhece e aborda como ninguém!…

Novo colóquio na BNP sobre a história das colecções de cromos em Portugal

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Na próxima quinta-feira, dia 2 de Março, às 17h30, o Clube Português de Banda Desenhada, representado por Carlos Gonçalves e João Manuel Mimoso, realiza nova palestra no âmbito da exposição que se encontra patente na Biblioteca Nacional até ao dia 29 de Abril de 2017 — para recordar uma grande editora (não só na publicação de Revistas de Banda Desenhada como de Cadernetas de Cromos) e prestar também merecida homenagem a Carlos Alberto Santos, um grande desenhador, pintor, ilustrador e criador de magníficas colecções de cromos, que nos deixou recentemente.

Na Folha de Sala da BNP, que a seguir reproduzimos, podem ler um excelente artigo de João Manuel Mimoso sobre o tema desta exposição.

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Exposição na BNP: “100 Anos do Cromo Colecionável em Portugal”

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Colóquio inaugural da exposição “100 Anos do Cromo em Portugal”, no dia 1 de Fevereiro de 2017, às 17h45. Apresentação de Carlos Gonçalves, do Clube Português de Banda Desenhada, e intervenção de João Manuel Mimoso, historiando a origem e a evolução das colecções de cromos dos rebuçados e caramelos em Portugal e de alguns dos seus fabricantes, desde a década de 1920 até à de 1960.

Um colóquio posterior, a realizar em 2 de Março, abordará os “cromos- -surpresa” lançados pela Agência Portuguesa de Revistas, em 1952, e prestará homenagem ao grande artista e ilustrador, recentemente falecido, Carlos Alberto Santos.

A exposição será inaugurada às 19h00, após o encerramento do colóquio, ficando patente ao público até 29 de Abril de 2017.

As exposições do CPBD: Fernando Bento

Nota: O artigo seguinte, da autoria de Carlos Gonçalves, membro da actual direcção do Clube Português de Banda Desenhada, foi reproduzido da “folha de sala” dedicada à exposição de originais de Mestre Fernando Bento (com vários e magníficos exemplos da sua arte incomparável), que continua patente, até ao final do ano, na sede do CPBD, sita na Avenida do Brasil, 52 A, Reboleira (Amadora), podendo ser visitada todos os sábados, das 15 às 18 horas.

img_5763FERNANDO BENTO: UM CONTRIBUTO INESGOTÁVEL DE ARTE

Sabemos que no nosso país pouco ou quase nada distinguimos as pessoas pelas suas qualidades, sejam de que tipo forem e muito menos na Banda Desenhada. Dar valor ao nosso vizinho mortal, está fora de questão. É preciso lembrar muitas vezes o seu contributo e, mesmo assim, só passados vários anos é que é fixada na mente das pessoas a realidade do seu valor e da existência desse prodígio. Temos vindo a considerar Eduardo Teixeira Coelho, ainda que perfeitamente legítimo, como a elite dos nossos desenhadores. É claro que a banda desenhada é um campo muito vasto e ainda que os estilos dos vários desenhadores possam ser muito diferentes, o resultado final e prático é que conta.
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Ao longo destas últimas décadas e naquelas onde a Banda Desenhada se evidenciou mais, as que poderemos considerar como o período áureo das histórias aos quadradinhos foram a década de vinte do século passado com o aparecimento da revista ”ABC-zinho”, com trabalhos de Cotinelli Telmo e Rocha Vieira, a década de trinta com a publicação da revista “O Papagaio”, com trabalhos de José de Lemos, Arcindo Madeira, Rudy, Ruy Manso, Tom, Meco, etc, e “O Mosquito” com Tiotónio, E. T. Coelho, José Garcês, José Ruy, Servais Tiago, Jayme Cortez, etc, a década de quarenta com a edição do “Diabrete”, com trabalhos de Fernando Bento, os anos cinquenta com a remodelação do “Mundo de Aventuras”, com Vítor Péon, Carlos Alberto Santos, José Batista, José Antunes, etc, e o lançamento do “Cavaleiro Andante” com histórias de Fernando Bento outra vez, E. T. Coelho também, e finalmente a década de sessenta com a publicação da revista “Tintin”, nesta última fase já com a introdução de uma nova escola na Banda Desenhada, a franco-belga, até aqui pouco conhecida dos leitores nacionais.

Quanto aos desenhadores portugueses, o leque já era muito pequeno, tirando o José Ruy, o Vítor Péon, o Fernando Relvas e pouco mais. Em todas estas décadas distinguiram-se muitos desenhadores portugueses e, de uma maneira geral, de uma forma bastante positiva. Alguns deles têm sido mais distinguidos, outros menos. Pensamos que seria agora a oportunidade de engrandecer Fernando Bento, através de uma amostra bastante significativa dos trabalhos deste desenhador no campo das capas, cuja produção se aproxima dos duzentos trabalhos, todos eles de invulgar beleza, embora nem todos pudessem ser escolhidos, como é óbvio.

A sua produção é infindável, quer nas capas quer nas histórias aos quadradinhos, e sempre com uma qualidade de que dificilmente o artista abdicou, ainda que poucas vezes, principalmente já nos últimos anos do “Cavaleiro Andante”, algumas histórias de “Emílio e os Detectives” e as aventuras de “Sherlock Holmes” tenham sido produzidas de uma forma mais prática e com uma simplificação de alguns pormenores e cenários, não prejudicando de qualquer dos modos a sua qualidade, mas oferecendo aos leitores um novo formato e um novo estilo, fruto da sua maturidade. Muitos desenhadores e pintores, depois de uma vida intensa e criativa, optam por desenhar e pintar de uma forma diferente, abarcando até alguns estilos menos marcantes e mais experimentais.

Fernando Bento foi um dos desenhadores portugueses que, em paralelo com Eduardo Teixeira Coelho, adaptaria mais obras literárias à banda desenhada. O primeiro iria buscar aos romances dos nossos escritores Eça de Queiroz e Alexandre Herculano, com arranjos de Raul Correia, temas para criar os seus trabalhos e Fernando Bento a Júlio Verne, de parceria com Adolfo Simões Müller. Fernando Bento era acima de tudo um desenhador de aventuras e emoções. Era natural a sua escolha do escritor francês. Estamos quase certos ao afirmar que, tanto quanto conhecemos da sua obra e da de outros desenhadores estrangeiros, o nosso artista foi, sem dúvida alguma, o que mais títulos das obras de Júlio Verne aproveitaria para as suas criações. 

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Mas claro que não seria só a sua escolha preferida, a par dos grandes feitos, grandes viagens e muita aventura. A arte de Fernando Bento na execução de ilustrações e capas era também destinada aos leitores mais jovens, com histórias adaptadas de contos escritos por Adolfo Simões Müller ou por outros autores de renome, como Alice Ogando, Maria de Figueiredo, Emília de Sousa Costa, etc.

UMA VIDA DE ARTISTA

Fernando Bento nasceu a 26 de Outubro de 1910 e veio a falecer no dia 14 de Setembro de 1996. Do mesmo modo que alguns outros artistas, começaria muito novo a dominar o lápis e a borracha e, como era usual na época, viria a criar o tal chamado jornalinho que era emprestado, alugado ou copiado (quando tal era possível), para ser vendido aos amigos e colegas de turma.

Na década de trinta já o encontramos como desenhador activo, colaborando numa série de jornais e revistas, tais como “Os Sports”, “Diário de Lisboa”, “A República”, “O Século”, “A Capital”, etc, com reportagens sobre Teatro e a desenhar caricaturas, além de se ocupar de reportagens sobre outros temas. Cinco anos depois, tinha também abraçado o teatro como figurinista e maquetista, desempenhando as respectivas tarefas em vários teatros da época: Variedades, Nacional, Apolo, Avenida e Maria Vitória.

OS SEUS TRABALHOS NA REVISTA “DIABRETE”

A grande reviravolta na sua vida artística dá-se a partir de 4 de Janeiro de 1941, quando se inicia como colaborador da revista “Diabrete” a partir do seu nº. 1, com a criação das personagens “Béquinhas, Beiçudo e Barbaças”. Depois, é uma criação contínua nas páginas desta revista, onde se mantém durante uma década como desenhador de serviço, criando personagens e ocupando-se da parte gráfica da publicação, com principal incidência nas obras de Júlio Verne:

“Dois Anos de Férias” (Diabrete nºs. 33/74); “Volta ao Mundo em 80 Dias” (Diabrete nºs. 75/100); “Miguel Strogoff” (Diabrete nºs. 101/138); “Robur, o Conquistador” (Diabrete nºs. 139/161); “Viagem ao Centro da Terra” (Diabrete nºs. 187/216); “Da Terra à Lua” (Diabrete nºs. 217/236); “À Roda da Lua” (Diabrete nºs. 237/256); “Um Herói de Quinze Anos” (Diabrete nºs. 257/311); “Cinco Semanas em Balão” (Diabrete nºs. 312/356); “Vinte Mil Léguas Submarinas” (Diabrete nºs. 357/415); “A Ilha Misteriosa” (Diabrete nºs. 416/510) e “Matias Sandorf” (Diabrete nºs. 512/644).

Doze obras estavam, pois, adaptadas à banda desenhada em mais de 500 páginas e capas. Mais tarde, começa a adaptar obras infantis para a revista e a contar as vidas de figuras históricas portuguesas, destacando os seus feitos de forma inesquecível. Ao mesmo tempo, criava várias personagens, “Zuca”, “Zé Quitolas”, ”Bicudo e Bochechas”, etc, todas elas em paralelo com as suas atividades profissionais. E ainda desenhava “As Mil e Uma Noites”…3-imagens-bento-2

A SUA PRODUÇÃO NA REVISTA “CAVALEIRO ANDANTE”

Mas foi no “Cavaleiro Andante” que o seu apogeu se verificou, devido às grandes obras que viria a criar para as páginas da publicação. Algumas serão sempre inesquecíveis, tais como “Quintino Durward”, “Beau Geste”, talvez a mais significativa, “O Anel da Rainha de Sabá” e “A Torre das 7 Luzes”. Nesta publicação as adaptações da obra de Júlio Verne continuam a encantá-lo, pois “Uma Cidade Flutuante” (Cavaleiro Andante nºs. 253/289) irá divertir os leitores. Outra adaptação cheia de interesse foram as aventuras de “Emílio e os Detectives”, assim como os belos quadros que nos deixou nas páginas do “Cavaleiro Andante”, evocando “Os Lusíadas” de Luís de Camões, na comemoração do dia do poeta. Algumas das suas obras viriam a ser, mais tarde, publicadas em álbum: “Béquinhas, Beiçudo e Barbaças”, “34 Macacos e Eu”, “Diabruras da Prima Zuca”, “A Ilha do Tesouro” (uma edição pelas Iniciativas Editoriais e outra pela Asa), “As Mil e Uma Noites”, “Beau Geste”, “O Anel da Rainha de Sabá”, “Com a Pena e Com a Espada”, “Um Campeão Chamado Joaquim Agostinho”, “Regresso à Ilha do Tesouro”, etc.

OUTRAS PUBLICAÇÕES COM TRABALHOS DO DESENHADOR

Sempre que nos debruçamos sobre a vida de qualquer desenhador português e perante a vasta produção de cada um deles, sem esquecer que quase todos não puderam exercer em pleno a sua vocação a nível profissional, pois era necessário ter em paralelo um emprego fixo, perguntamos como era possível dedicar tanto tempo à banda desenhada, sem prejuízo de outras tarefas e da sua vida particular.
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Mas, na verdade, assim acontecia e além das duas revistas principais em que Fernando Bento colaborou, de que já falámos, há outras onde o artista deixaria a sua arte indelével. A primeira foi “República – Secção Infantil”, suplemento infantil do jornal “A República”, entre 1938 e 1939, “Pim-Pam-Pum”, suplemento infantil do jornal “O Século”, onde colaborou de 1941 a 1959, “Norte Infantil”, suplemento infantil do jornal “Diário do Norte”, com trabalhos seus de 1951/1952, revista “Mundo de Aventuras” em 1980, “Quadradinhos – Suplemento infantil do jornal “A Capital”, em 1980/1982, etc. Depois há vários trabalhos esporádicos espalhados pelo “Bip-Bip”, “Nau Catrineta”, “O Pajem” (suplemento infantil do “Cavaleiro Andante”), livros infantis e outros. Estava, pois, cumprida uma missão inesquecível de um artista que, durante mais de 40 anos, nos deixou ter acesso a obras excepcionais que nos acompanharam nos nossos períodos lúdicos.

                                             Carlos Gonçalves

Reportagem da Assembleia Geral do CPBD

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No passado sábado, dia 16 de Abril, pelas 16h00, na sede do Clube Português de Banda Desenhada (CPBD), sita na Avenida do Brasil 52A, Reboleira (Amadora), reuniu-se a sua Assembleia Geral, depois de convocatória enviada a todos os associados, a fim de tomar várias deliberações urgentes no âmbito dos processos de obtenção de apoio em curso, junto da Câmara Municipal da Amadora (ratificação das contas de 2013 e 2014, orçamento e plano de actividades de 2016).

Foram também votadas as contas de 2015 e prestada informação ao auditório sobre a recente actividade do Clube, projectos futuros e outras questões de interesse geral. Todas as deliberações seriam aprovadas por unanimidade, com acta assinada pelos presentes.

Durante a sessão, foi distribuído aos sócios o nº 142 (Abril 2016) do Boletim do CPBD, dedicado à primeira de duas exposições marcantes, inauguradas na sua sede em Janeiro último: Os 80 anos d’O MosquitoTributo a Eduardo Teixeira Coelho. Do sumário deste número consta também um artigo de Carlos Bandeira Pinheiro e Jorge Magalhães, com uma extensa e completa quadriculografia (em publicações portuguesas) de E.T. Coelho, o “poeta da linha”, cujas ilustrações (e retratos) se destacam na capa e na contracapa do Boletim.

Divulgamos seguidamente algumas imagens desta Assembleia Geral, captadas por Dâmaso Afonso, presidente da respectiva Mesa (que só por causa disso não aparece nas fotos). Aqui ficam, mais uma vez, os agradecimentos que lhe são devidos pela valiosa colaboração que tem prestado, desde o início, aos nossos blogues.

Entre os sócios presentes, reconhecem-se, nas primeiras filas, António Martinó (outro eficiente repórter, sempre de câmara em punho), José Ruy e Geraldes Lino; e nas últimas, Pedro Bouça, António Amaral, Paulo Duarte (coordenador do Boletim do CPBD), Luís Valadas, Catherine Labey, José Vilela, Carlos Gonçalves e um sujeito de barbas grisalhas que eu vejo todos os dias no espelho…

A Mesa foi ocupada (nas fotos) por Pedro Mota (presidente da Direcção) e Carlos Moreno (secretário da Assembleia Geral). Pedimos desculpa aos sócios não identificados. Fica para a próxima…  

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Quem reparar, ou fizer comentários acerca de tantas cabeças grisalhas, deve lembrar-se de que o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) festeja em 2016 quarenta anos de existência… e alguns dos sócios presentes já o acompanham desde a primeira hora! Honra lhes seja feita, pois, sobretudo aos que, como Carlos Gonçalves e Geraldes Lino, continuam abnegadamente a exercer funções directivas.

Posto isto, queremos também referir as duas exposições, recentemente montadas, que se encontram numa das salas do piso inferior da nova sede e que versam o tema Eça de Queirós e Alexandre Herculano na Banda Desenhada, numa parceria do CPBD com o GICAV. Aqui fica esta breve menção e o anúncio, dado o interesse que elas nos suscitam, de uma reportagem alusiva (neste ou noutros blogues da nossa Loja de Papel), em próxima oportunidade.

Nota: Há algumas horas, recebemos também uma remessa de fotos enviadas pelo segundo “repórter de serviço” na Assembleia Geral do CPBD, o nosso bom amigo e colega da blogosfera, Professor António Martinó (autor do blogue Largo dos Correios), a quem agradecemos a generosa partilha e a colaboração sempre expedita, reservando para um próximo post a publicação das suas imagens.

Homenagem a José Garcês (70 anos de carreira) na Biblioteca Nacional

Segundo Colóquio na Biblioteca Nacional 2a copy

José Garcês (Biblioteca Nacional)

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