“From Scotland with love” – uma bela homenagem às virtudes do desporto e ao país de Sir Walter Scott

Quando se tem mais de 80 anos e ainda se pratica desporto — mormente um dos mais exigentes, as corridas pedestres de longo curso —, mantendo ao mesmo tempo em exercício, de forma brilhante, as “células cinzentas”, estamos perante um caso — não diremos único, mas quase raro — de invejável afirmação de vitalidade física e intelectual!

E esse caso, para o tema deste texto, tem um nome… o do nosso querido Amigo António Martinó de Azevedo Coutinho, hoje, como é óbvio, já retirado da sua profissão de Professor — que exerceu em Portalegre, sua terra natal, e noutros lugares, durante muitos anos — mas continuando a dar o exemplo de empenhada intervenção cívica e cultural, através do seu magnífico blogue Largo dos Correios (que tem sido uma das nossas principais referências, desde que nos aventurámos também no buliçoso universo da blogosfera).

Actualmente a residir em Peniche, mais perto da família, António Martinó começou a correr há poucos anos, integrado num grupo amador penichense que o acolheu de braços abertos, surpreso, de início, com a sua teimosia e perseverança, mas rendido em breve ao poder da sua vontade e aos seus incríveis dotes físicos e anímicos, que rapidamente o guindaram a um lugar de mérito entre os veteranos membros desse numeroso e unido grupo: Peniche a Correr.

Resumindo: até hoje, o professor António Martinó já participou em várias corridas, tanto a nível interno, isto é, em Peniche, como no exterior, particularmente na famosa Maratona do Sporting (clube de que é ferrenho adepto), classificando-se sempre em posições honrosas e destacando-se por ser um dos mais idosos atletas nessas competições.

Durante a sua vida, marcada também por provas difíceis, o professor Martinó sempre se distinguiu pela probidade, pela inteligência, pelo espírito de lutador, pelo apego às suas causas (e foram muitas!), pelo amor aos valores da cultura e da família, pelos afectos sinceros e sem preconceitos, pela fidelidade aos princípios cultivados desde a infância, na esteira de alguns dos seus ilustres antepassados, pela forma frontal e corajosa de encarar o futuro, mesmo quando a adversidade lhe bateu à porta. Curso de vida nada modesto… digno de alguém que atravessou várias épocas e lidou de perto com várias gerações, no exemplar desempenho de uma pedagógica missão que sempre considerou sagrada.

Dois António de Azevedo Coutinho em Inverness (Escócia): pai e filho junto de uma réplica da célebre Nessie

Muito recentemente, este nosso bom e leal Amigo, a cujas lições recorremos também com frequência, resolveu testar os seus admiráveis recursos físicos numa nova prova, ainda mais difícil, já não em Portugal mas no estrangeiro, alcançando assim um comprovativo (e uma medalha!) de desportista interna- cional com que, em tempos ainda próximos, nunca certamente se atrevera a sonhar. Foi na Escócia, numa tradicional corrida de 10 km ambientada num dos míticos e fascinantes lugares de que o país de Walter Scott e Robert Louis Stevenson está recheado… com notoriedade para o Loch Ness, em cujas cercanias (Inverness) essa famosa corrida se realizou, no passado dia 24 de Setembro.

Participaram milhares de atletas, de várias nacionalidades, e mais uma vez o nosso dedicado professor (neste caso, de cultura física!) fez uma boa prova, classificando-se notavelmente a meio da tabela… isto é, muito perto do Bom +. É caso, como já o fizemos em devido tempo, para lhe dar calorosamente os parabéns em nome de quantos, como nós, seguem com admiração e inveja (!) as suas proezas atléticas, quase incrédulos por o ver superar tantas etapas, tantos desafios, com uma fasquia cada vez mais alta… e em tão pouco tempo!

No Largo dos Correios, o professor Martinó começou, logo após o seu regresso, a desfiar as recordações dessa viagem às verdejantes terras da Escócia, partilhando com os leitores a indizível emoção que sentiu ao deambular, pela primeira vez, nas ruas de Edimburgo (que o fizeram mergulhar noutro mundo, como que copiado a papel químico de uma novela de Charles Dickens!), e a que o assolou ao ver-se no meio de tantos concorrentes, a grande maioria muito mais novos do que ele (incluindo um casal português), ou ao contemplar as águas profundas de um imenso lago onde era pouco provável avistar-se o vulto de um misterioso e furtivo monstro marinho… que há muito se nega a aparecer aos íncolas e aos turistas!

Os nossos leitores podem apreciar os textos e as imagens dessa aliciante reportagem no Largo dos Correios, mas para já convidamo-los a tomar um “aperitivo”, isto é, a saborear o trecho seguinte — extraído, com a devida vénia, da mesma série —, em que António Martinó evoca sugestivamente os “fantasmas” da Escócia, relacionando-os com o fervor revivalista que lhe inundou de chofre a alma ao ressuscitar, logo à chegada, outros “duendes” que povoaram a sua infância, saídos das páginas de revistas tão emblemáticas, para ele e para muitos de nós, quanto o “monstro” de Loch Ness: o Diabrete, O Mosquito, O Papagaio, o Cavaleiro Andante.

Boa leitura… e façam o favor de continuar a seguir a reportagem que o professor Martinó está a publicar no Largo dos Correios.

Por António Martinó de Azevedo Coutinho (4ª parte)

Funciono muito por imagens. Aliás, isso foi extremamente significativo na minha própria vida profissional, onde as imagens tiveram lugar privilegiado.

Na recente ida à Escócia, particularmente quanto a Edinburgh e ao Loch Ness, isso esteve presente. Nem sequer o escondi, quando previamente citei as memórias pessoais com Tintin, ainda que ligeiramente ficcionadas.

Sabia, de antemão, que a Escócia é um lugar de encanto. E de encantamento. Nas paisagens urbanas como nas rurais, isso é ostensivamente patente, mete-se pelos olhos e pela alma adentro.

Edinburgh, primeiro lugar da escala escocesa, depois da “monstruosidade” do londrino aeroporto de Heathrow, é uma cidade admirável que cativa à primeira vista. A sua história e a sua identidade manifestam-se em absoluta coerência na mistura da modernidade com os indeléveis traços do passado, numa uniformidade que espanta os mais desprevenidos. Não há ali notas dissonantes no equilíbrio dos volumes, das tonalidades e das atmosferas. O Outono deve ser a estação ideal para a valorização cromática dos verdes, castanhos e dourados de Edinburgh.

Estendida sobre sete colinas, como Lisboa, a cidade nasceu e desenvolveu-se em torno do majestoso e imponente castelo, autêntico símbolo da identidade nacional escocesa, formando a Old Town e a New Town. A primeira caracteriza-se por uma rede de ruelas, passagens cobertas e pátios medievais e também de avenidas, como a majestosa Royal Mile, enquanto a segunda foi projectada e realizada no século XVIII, segundo os princípios urbanísticos do neoclassicismo em vigor na época, ainda que aqui sujeito à versão georgiana, de tipo britânico. As igrejas, as mansões e os espaços verdes abundam em todo o burgo.

Nas ruelas de Old Town o tempo parece ter parado. (Em nota intercalar que dá para perceber como por ali nos embrenhámos, bastará dizer que percorremos a pé, num só dia em Edinburgh, perto de vinte quilómetros… num excelente treino de marcha para a corrida!) Aqui funcionaram — e de que maneira! — as tais memórias (ou ficções) icónicas acumuladas desde a infância, sobretudo com base — imagine-se! — no saudoso Diabrete. E, depois, noutras colecções similares…

Foi naquele saudoso jornal de quadradinhos que, nos distantes anos 40 e 50 do passado século, li pela primeira vez, adaptadas em texto-folhetim ou em banda desenhada, obras de Robert Louis Stevenson, Arthur Conan Doyle ou Walter Scott. Por coincidência ou talvez não todos estes autores nasceram — em diversas épocas — na cidade de Edinburgh. Registe-se.

Confesso, por isso, ter esperado em diversas oportunidades que Sherlock Holmes e o seu fiel companheiro Dr. Watson espreitassem por detrás das cortinas de uma daquelas misteriosas janelas de Holyrood, que Ivanhoe desfilasse a cavalo por Victoria Street fora, que os clãs de Rob Roy ou de Quentin Durward em tropel atravessassem Charlotte Square ou Stockbridge, que as sombras inquietantes do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde saltassem de uma esquina perdida em Canongate, que os ébrios piratas da Ilha do Tesouro tumultuosamente desembarcassem no porto de Leith. Em vão…

Porém, devo confessá-lo, foram as personagens de outro “monstro” literário — Charles Dickens, por mero acaso não nascido em Edinburgh — que mais ainda me pareceram adequadas ao cenário. Nas estreitas e labirínticas ruelas e nos becos da Old Town, como nas suas passagens escuras desembocando em asfixiantes e altos pátios, entre Castlehill e Lawnmarket, ou de Beehive Inn a Grassmarket, esperei a cada passo encontrar os irrequietos David Copperfield e Oliver Twist ou o tenebroso Ebenezer Scrooge

Se me apetecesse dar a volta a estes pesados pensamentos, encontraria na minha bagagem de memórias icónicas outros pretextos familiares, mais tranquilos, igualmente próprios do contexto. É que foi precisamente no miserando Mr. Scrooge que o desenhador Carl Barks, dos estúdios do mago Walt Disney (cá volto aos bonecos!), se inspirou para criar o imortal e severo Tio Patinhas. Tio PatinhasScroogge McDuck, de nome de baptismo, em 1947 — tem ascendência escocesa, convém a propósito lembrá-lo, na família dos Mac Patinhas, riquíssimo clã do qual bem se conhecem, entre outros, os célebres membros Fergus Mac Patinhas e sobretudo sir Mac Trovão.

E que tal trazer à liça o celebérrimo e irredutível gaulês, de quem há escassos anos se conheceram proezas acontecidas pelas terras verdes da Escócia, em Astérix entre os Pictos? Depois, como é fácil chegar a um cidadão de carne e osso dos mais conhecidos, entre os modernos escoceses, Sean Connery de seu nome, agente James 007 Bond ou pai de Indiana Jones!? Também é natural de Edinburgh, para que se saiba.

Paro por aqui nesta deambulação, quase interminável, porque o objectivo era falar da cidade. Vou lá voltar, no entanto, com a absoluta consciência — ou íntima convicção — de que não cheguei a sair dela…

Clicar aqui para conectar o “Largo dos Correios”.

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Clube Português de Banda Desenhada – Assembleia Geral e 4 novas exposições

Por António Martinó de Azevedo Coutinho (Largo dos Correios)

O Clube Português de Banda Desenhada convocou os seus associados para participarem numa Assembleia Geral, que se irá realizar no próximo dia 14 de Outubro (sábado), pelas 16h00, nas instalações da sede, sita na Avenida do Brasil, 52A – Falagueira – 2700-134 Amadora. A referida Assembleia terá como ordem de trabalhos a eleição dos elementos constantes de uma lista, conhecida e divulgada, candidata aos Órgãos Sociais do CPBD para o novo mandato de 2017/2019.

Os nomes propostos confirmam, na prática, os responsáveis pela corrente gestão do Clube, autores de uma obra a todos os títulos notável. Creio, por isso e dada a unanimidade reconhecida, que a continuação do excelente trabalho realizado está amplamente assegurada (…) e a qualidade/quantidade da obra é tanto mais válida quanto se deve reconhecer que este exuberante período se seguiu a décadas em que o Clube apenas sobreviveu dada a militância de uma meia dúzia de apaixonados pelos quadradinhos que nunca deixou morrer uma chama “sagrada” mínima.

A sede disponibilizada pela autarquia da Amadora, capital nacional da BD, proporcionou um local que tem sido constantemente dinamizado com diversas realizações, para além das intervenções do Clube noutros locais como, por exemplo, a Bedeteca da Amadora ou a Biblioteca Nacional de Lisboa.

No próprio dia da Assembleia Geral do Clube Português de Banda Desenhada, a nossa sede vai ser local de abertura de mais quatro (!) exposições públicas, cujos [primeiros] convites se anexam. Como exemplo de esclarecida, permanente e coerente intervenção em defesa da causa dos quadradinhos, dificilmente se poderia exigir mais…

Tenho orgulho em pertencer a uma associação tão dinâmica e tão bem dirigida, crescentemente merecedora de reconhecimento cultural público.

(Nota: texto reproduzido, com a devida vénia, do blogue “Largo dos Correios”, administrado por António Martinó de Azevedo Coutinho).

Celebrando mais um aniversário do “Mundo de Aventuras” (desaparecido há 30 anos)

Nascido em 18/8/1949, o Mundo de Aventuras — um dos títulos mais emblemáticos da nossa imprensa juvenil — teve publicação ininterrupta durante cerca de 38 anos, até 15/1/1987. Um autêntico recorde de longevidade que nenhuma outra revista periódica de banda desenhada logrou sequer almejar, pois todas ficaram a grande distância dessa meta, mesmo as que no seu tempo foram tão populares como o Mundo de Aventuras.

Essa longa carreira, abruptamente interrompida pela crise da APR, que acabou também pouco tempo depois, foi assinalada, como é óbvio, por várias fases de maior e menor êxito, em que o MA mudou não só de periodicidade, de formato e de aspecto gráfico, como de sede, de oficinas, de director e de colaboradores.

Transcrevemos, a propósito, um pará- grafo da bela dedicatória “Em cada quinta-feira um novo mundo”, que o nosso amigo Professor António Martinó colocou, há três anos, no seu blogue Largo dos Correios, onde reluz o dom da palavra e da escrita de um mestre conceituado:

(…) Confrontando-se durante uma parte da sua longa vida com uma concorrência de peso, a revista conseguiu subsistir e atravessar diversas fases editoriais e modelos/formatos distintos. Mudando mesmo a sua filosofia, das histórias de continuação para as histórias completas, prenunciou o fim irreversível dessa saudosa fase onde aguardávamos com impaciência cada 5ª feira que nos fornecia o episódio seguinte de aventuras movimentadas, aptas a preencher um pouco da nossa própria vida.

Sobrevivemos sem “play-stations” e sem telemóveis, sem brinquedos sofisticados, até mesmo, imagine-se, sem televisão e, obviamente, desprovidos de acesso à internet… Sobrevivemos, sem traumas nem stresses, e isso deve-se em boa parte aos diabretes, aos mosquitos, aos mundos de aventuras e quejandos…”

A última série, iniciada em 4/10/1973, sob a direcção de Vitoriano Rosa, que sucedeu a José de Oliveira Cosme, falecido pouco tempo antes, teve também vários formatos e periodicidades, além de uma controversa interrupção cronológica, como se de uma nova revista se tratasse, com a numeração a voltar ao ponto de partida, após 1252 semanas de presença contínua nas bancas. O segundo director dessa série foi António Verde, que se manteve no cargo até ao último número (589), sempre coadjuvado pelo chefe de redacção (coordenador) Jorge Magalhães.

Mas o nascimento do Mundo de Aventuras está ligado a um facto pitoresco que poucos bedéfilos conhecem… a história de dois “mundos”, como a baptizou Orlando Marques (consagrado novelista e colaborador de longa data do MA), que foi um dos seus protagonistas.

Reproduzimos seguidamente um artigo publicado no nº 559 (15/9/1985), em que, pelo punho de Orlando Marques, se relata esse pitoresco episódio, cujo desfecho quase ia arruinando a sua carreira literária.

Polina: a dança e a vida de uma bailarina em versões diferentes

Nota: o texto que se segue, da autoria de António Martinó de Azevedo Coutinho, e as respectivas imagens, foram reproduzidos, com a devida vénia, do seu magnífico blogue “Largo dos Correios”, onde a banda desenhada também ocupa um lugar privilegiado, entre outros assuntos cuja abordagem nos desperta sempre interesse. Por isso, a consulta assídua do “Largo dos Correios” é um óbvio prazer que de vez em quando, como neste caso — a propósito de uma obra singular, em que o cinema prolonga a BD —, nos apetece partilhar também com os nossos leitores, convidando-os a desfrutar o filme com Juliette Binoche e a novela gráfica de Bastien Vivès.

Um filme colorido procura interpretar a história contada numa banda desenhada a preto e branco. Poderia sintetizar assim o que se passa neste momento com Polina, que acaba de chegar a Portugal tanto no cinema como na edição em papel. Mas esta síntese seria pobre e injusta.

As relações entre o cinema e os quadradinhos nasceram há muito. Se recorrermos a Luís Gasca, um reputado estudioso espanhol do tema, ele diz-nos em Tebeo y Cultura de Masas, Editorial Prensa Española, Madrid, 1996, que talvez tenham começado com uma versão da histo- rieta L’Arroseur arrosé (1887), de Hermann Vogel, a ser transposta para a tela por Louis Lumiére, em 1895.

Desde então são milhares, largos milhares, os títulos de filmes que se confundem com os da banda desenhada, sobretudo aproveitando personagens, alguns nascidos na literatura ou na mitologia. As sagas de Batman, Capitão América, Capitão Marvel, Flash Gordon, Jungle Jim, Superman, Tarzan, Tintin ou Zorro são suficientes para confirmar o fenómeno, numa lista organizada de memória, de onde excluiu — por simples exemplo – toda uma multidão de cowboys célebres.

Polina pertence a um grupo diferente, porque é uma peça única, não explora o mito de uma personagem, não promete uma série e assenta rigorosamente num argumento original da banda desenhada.

Baseado na novela gráfica homónima de Bastien Vivès lançada em 2011, Polina centra-se numa jovem dançarina russa. Desde pequena que o objectivo de Polina é tornar-se primeira-bailarina no reputado Teatro Bolshoi, em Moscovo. Mas ao crescer afasta-se desse caminho por causa da pressão que os pais depositam nela e por descobrir a dança contemporânea, acabando por se mudar para França onde vai seguir um rumo diferente.

Esta adaptação cinematográfica não é, logo à partida, uma tarefa fácil, pretendendo contar na tela um argumento complexo e acidentado, a história de uma personagem enigmática animada por um sopro de liberdade. O argumento, fundamental, terá germinado depois de Bastien Vivès visionar um vídeo da bailarina Polina Semionova.

Quando o álbum original surgiu nos inícios de 2011, muito rapidamente foi descoberto pelos leitores e logo a seguir aclamado pela crítica. Depois vieram sucessivos prémios.

Polina, como banda desenhada, pode não agradar a todos os leitores.

O traço de caneta do autor é grosso, deliberadamente quase esquecendo os detalhes de rostos, as dobras dos vestidos e até os vários acessórios, concentrando-se totalmente na pura emoção e sobretudo na linguagem corporal.

Desprovido de cor, o preto-branco-cinza cria uma atmosfera despojada e um cenário minimalista, o que  força o leitor a aplicar as suas próprias cores neste universo, um contraste permanente de luz e sombra.

Ora a presente transposição, ainda que adaptada a outra linguagem, onde sobretudo o movimento é decisivo, não pode contemplar a exemplar subjectividade da obra original.

Não se prognostica, por tudo isto, um futuro de grandes êxitos para o filme Polina, apesar das óbvias e honestas intenções colocadas na sua competente realização de Valère Müller e Angelin Preljocaj.

Histórias de Animais – 2

EQUILÍBRIO INDISPENSÁVEL

Não podemos deixar de partilhar convosco este vídeo, que demonstra inequivocamente a importância do equilíbrio dos ecossistemas na Natureza, infelizmente destruído, muitas vezes, pela imbecilidade e ganância de certos humanos, a somar ao desprezo pelas outras espécies.

Os nossos agradecimentos, com a devida vénia, ao magnífico blogue Largo dos Correios, do nosso bom amigo António Martinó de Azevedo Coutinho, onde se pode ler, entre outras coisas de inegável interesse, o texto intitulado Como os Lobos Mudam os Rios, alusivo ao tema e ao vídeo em epígrafe. À laia de “aperitivo”, aqui fica um pequeno excerto:

“Quando os lobos foram reintroduzidos [no Parque Nacional de Yellowstone, EUA], apesar de serem poucos, o seu impacto foi marcante. Primeiro, eles mataram alguns veados, mas isso não foi o aspecto principal. Muito mais importante, eles mudaram radicalmente o comportamento dos veados.

Estes começaram a evitar os locais do parque onde poderiam ser apanhados mais facilmente pelos lobos, como os vales, e imediatamente esses locais começaram a regenerar-se. Em alguns locais, a altura das árvores quintuplicou em apenas 6 anos! E com as árvores chegaram os pássaros e os castores.

(…) Mas o mais interessante foi que os lobos mudaram o comportamento dos rios. Estes começaram a serpentear menos, porque havia menos erosão. Isto aconteceu devido à regeneração da floresta, que conseguiu estabilizar melhor as águas, devido às árvores, havendo menos derrocadas. Os castores regressados tinham retomado a construção dos seus famosos diques. Assim, mais piscinas se formaram e os rios deixaram, em definitivo, de secar.

Uma série de mini-documentários produzidos pela ONG Sustainable Man exemplifica a importância de cada animal, no seu respectivo ecossistema. Um dos vídeos mais significativos é precisamente Como os Lobos Mudam os Rios.

Como os Lobos Mudam os Rios conta esta história, verídica, ressaltando a importância de cada animal e lembrando que todos nós estamos ligados em rede.

Não é apenas na Internet !”

Gala dos Prémios do Amadora BD 2016

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Encerrou no primeiro domingo de Novembro o Amadora BD 2016, ao cabo de três fins-de-semana em que a animação foi a nota dominante, com a presença de muito público e de autores nacionais e estrangeiros que participaram em concorridas sessões de autógrafos.

Como habitualmente, o momento mais solene e de maior repercussão mediática foi a tradicional gala de entrega dos prémios, amadores e profissionais, que se realizou no passado dia 27 de Outubro, atraindo mais uma vez ao amplo salão dos Recreios da Amadora muitas pessoas, sobretudo jovens, que assistiram interessadas a um espectáculo de música, dança e poesia, que primou pela coordenação e pelo bom desempenho dos artistas convidados, com relevo para o declamador e poeta Napoleão Mira.

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Premiados dos concursos de BD e “Cartoon”

nuno-saraiva-tudo-isto-e-fadoNa atribuição de prémios profissionais, por categorias, os principais destaques vão para os de Melhor Álbum, que coube a “Tudo Isto é Fado!” (Nuno Saraiva), Museu do Fado; Melhor Argumento para Álbum Português: “Fósseis das Almas Belas” (Mário Freitas), Kingpin Books; Melhor Desenho para Álbum Português: “Tormenta” (João Sequeira), Polvo; Melhor Álbum em Língua Estrangeira: “Sleepy Hollow” (Jorge Coelho e Marguerite Bennett), Boom!; Melhor Álbum de Autor Estrangeiro: “Presas Fáceis” (Miguelanxo Prado), Levoir; Melhor Álbum de Tiras Humorísticas: “Seu Nome Próprio… Maria! Seu Apelido, Lisboa!” (Henrique Magalhães), Polvo; Clássicos da 9ª Arte: “Revisão – Bandas Desenhadas dos Anos 70” (colectânea), Chili com Carne, e “V de Vingança” (Alan Moore e David Lloyd), Levoir; Melhor Fanzine: “Shock” (homenagem ao saudoso Estrompa), El Pep.

Nuno Saraiva, prémio do Melhor Álbum Português: "Tudo Isto é Fado!"

Nuno Saraiva, prémio do Melhor Álbum Português

A notícia mais aguardada, no entanto — sobretudo entre os veteranos que assistem, desde 1990, a este evento que transformou a cidade da Amadora na capital portuguesa da BD —, era a do laureado com o Troféu Honra “Zé Pacóvio e Grilinho”, o maior galardão atribuído pela Câmara Municipal da Amadora, no âmbito do Festival, que continua ainda hoje a consagrar personalidades de reconhecido mérito na área da BD lusa.

E desta vez a escolha recaiu sobre um desses veteranos, sobejamente popular no meio, sobretudo pela sua intensa actividade como repórter fotográfico (de que este blogue tem sido um dos beneficiários, como atestam as imagens supra), e pela estreita ligação ao Clube Português de Banda Desenhada, onde ocupa o lugar de presidente da Mesa da Assembleia Geral. Mas o currículo de Dâmaso Afonso, pois é dele que estamos a falar, engloba outras facetas, que ao longo dos anos lhe deram especial renome.

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Aqui fica um breve apontamento biográfico e respectivas fotos, extraídos, com a devida vénia, do magnífico e sempre actualizado blogue Largo dos Correios.

damaso-afonso«António José Dâmaso Afonso, alen- tejano, nasceu em Évora a 11 de Janeiro de 1931. Cursou a Escola Industrial e Comercial Gabriel Pereira, na sua cidade, e começou a carreira profissional como escriturário, convertendo-se mais tarde em desenhador na Direcção de Estradas do Distrito de Lisboa, depois num gabinete de Arquitectura e finalmente na Sorefame. Entretanto, publicou anedotas ilustradas no Sempre Fixe (1951), assim como em O Mundo Ri, assinando aqui também com o pseudónimo “Tony”.

Colaborou também no jornal Democracia do Sul (1955) e em Itine- rário (Boletim da Casa do Pessoal da Junta Autónoma de Estradas), no Boletim Informativo do Clube Sorefame e em D. Quixote, suplemento literário inicialmente do Jornal de Évora e depois do Diário do Sul. Ilustrou uma história para o jornal da J.O.C. e, para o Exército Português, forneceu muitos desenhos respeitantes a ginástica, atletismo, luta livre, lançamento de granadas, etc., destinados a ilustrar livros dos cursos de sargentos e oficiais, a partir de 1959.

É coordenador e redactor do suplemento e rubrica ocasionais sobre BD no Diário do Sul, com a epígrafe O Cuco, desde 1994. Foi recentemente eleito presidente da Assembleia Geral do Clube Português de Banda Desenhada [vulgo CPBD], associação que há muito acompanha de perto. Costuma elaborar os cartazes anunciadores dos frequentes eventos culturais do Clube».

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PARABÉNS E MUITAS FELICIDADES, DÂMASO AFONSO!

Mestre Fernando Bento – Uma memória sempre viva

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Ilustrador, pintor, caricaturista, figurinista, cenógrafo (e muito mais), Fernando Bento foi um autor versátil, polivalente, que deu vida e colorido a algumas das mais belas páginas publicadas em jornais infanto-juvenis, como Diabrete, Pim-Pam-Pum, Cavaleiro Andante, O PajemJoão Ratão, na fase mais criativa e original de uma longa e esplendorosa carreira.

Assinalando o 20º aniversário da sua morte (14 de Setembro de 1996) — como fez, com a oportunidade e o primor habituais, o nosso colega Largo dos Correios, cujos posts diários consideramos de consulta obrigatória —, queremos também recordar uma entrevista do saudoso Mestre, que o semanário de actualidades O Século Ilustrado (então, muito em voga) publicou no nº 961, de 2 de Junho de 1956.

Sob o título “No Banco dos Réus”, esse tipo de entrevista consistia num singelo questionário, que pouco tinha de particular no tocante a aspectos de índole profissional, cingindo-se a temas mais genéricos e banais, a que os entrevistados deveriam responder com ligeireza (temperada de ironia) e bom-humor. Fernando Bento não fugiu à regra, entrando no “jogo” sem reticências, mesmo que uma das suas respostas possa suscitar alguma surpresa.

Mas convém não esquecer a época e o seu contexto…

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Morreu o “padrinho” do Major Alvega

Mário do Rosário retrato copyPor amabilidade de um dos seus melhores amigos, mestre José Garcês, que nos dá também a honra da sua estima e camaradagem, soubemos do falecimento, há poucos dias, de Mário do Rosário, mítico editor de Banda Desenhada que ficará indelevelmente ligado ao popular semanário O Falcão, cuja 2ª série, em formato de bolso, dirigiu, coordenou e editou, durante mais de 20 anos.

Nas décadas de 60 e 70 do século passado, O Falcão foi uma das revistas da especialidade mais apreciadas por leitores de várias faixas etárias, graças ao formato apelativo, ao preço módico, às belas capas (muitas delas realizadas por José Garcês) e às séries e aos heróis que publicou, com destaque para um carismático piloto e “ás” da RAF, herói da 2ª Guerra Mundial, que ficou conhecido pelo nome de Mario do Rosário - Falcão 417 750 copyMajor Alvega — inventado, aliás, por Mário do Rosário, que preferiu ignorar o patro- nímico inglês (Battler Britton), sem poder adivinhar que tinha gerado uma autêntica lenda da história e do universo dos media portugueses do século XX.

Ainda vivo, pelo menos na memória dos leitores d’O Falcão (e dos espectadores da RTP) que vibraram com as suas aventuras, o Major Alvega deve sentir, neste momento, a falta do seu maior amigo, daquele que — ao apadrinhá-lo, dando-lhe outro nome e uma dupla nacionalidade — criou um fenómeno de culto que transcendeu as suas próprias origens nos comics do Reino Unido.

Nota: a foto de Mário do Rosário inserida neste post provém, com a devida vénia, do blogue Largo dos Correios, onde podem ler um magnífico artigo do Professor António Martinó de Azevedo Coutinho intitulado “Super-Mário e O Falcão”, cujo link transcrevemos: https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/08/18/mario-do-rosario-1927-2016/

Visita à Biblioteca Nacional (ou o apelo d’O Mosquito octogenário) num dia de inverno

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O frio, a chuva, os transportes (e até as muletas da Catherine), nada nos impediu de assistir às palestras sobre os 80 anos da mítica revista O Mosquito, realizadas na passada 4ª feira, 17 do corrente, no auditório da Biblioteca Nacional. Infelizmente, o caótico trânsito lisboeta (que piora sempre em dias de chuva) retardou a nossa chegada ao local e só assistimos à última parte da palestra de abertura, proferida por João Manuel Mimoso, sobre o tema 17 anos de capas d’O Mosquito, acompanhada pela projecção de diapositivos.

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Logo a seguir, o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho falou do seu percurso no mundo das histórias aos quadradinhos — como se chamava, então, singelamente, a banda desenhada —, desde a sua infância, em Portalegre, e depois durante os seus anos de acção pedagógica, tanto no ensino primário como nos cursos secundário e superior.

A terminar, rendendo uma justa homenagem ao seu amigo Hélder Pacheco, outro insigne professor e homem de cultura, portuense de gema, leu de modo fascinante um texto inédito que prendeu a assistência, intitulado Há muito tempo, quando éramos pequenos, evocando memórias pessoais de Hélder Pacheco ligadas à mais popular revista infanto-juvenil de outros tempos, adorada por todos os garotos que já andavam na escola.

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Mestre José Ruy partilhou também connosco memórias vividas na redacção e nas oficinas d’O Mosquito, com o seu jeito descontraído, aberto e afável de comunicar, desfiando peripécias curiosas e factos que marcaram a relação entre os dois sonhadores e paladinos que criaram o “mito” mais duradouro da BD portuguesa: António Cardoso Lopes Jr. e Raul Correia, ambos residentes na Amadora, a cidade onde efectivamente nasceu O Mosquito e onde hoje funciona também a sede do Clube Português de Banda Desenhada, promotor desta iniciativa numa oportuna e louvável parceria com a Biblioteca Nacional.

Carlos Gonçalves, grande coleccionador (e conhecedot) das preciosidades que são as construções de armar e as separatas que muitas revistas infanto-juvenis publicaram ao longo da sua existência, mostrou reproduções digitais desses suplementos, assim como fotos de certas construções já montadas, como algumas peças do célebre Cortejo Real (construção publicada na revista O Senhor Doutor, que foi contemporânea d’O Mosquito).

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Depois de uma animada sessão de comentários, que prolongaram os temas das palestras durante mais meia-hora, todos nos dirigimos à sala onde a exposição comemorativa dos 80 anos d’O Mosquito, exposta em várias vitrines, foi apresentada e comentada pelos seus comissários, João Mimoso e Carlos Gonçalves. Nem mesmo a Catherine (embaraçada com as muletas) ficou para trás, tal era a sua ânsia de ver a exposição. Pena foi que o folheto alusivo a esta mostra já tivesse “voado”, como folhas secas num dia de vento…

Aqui reproduzimos algumas fotos da memorável sessão na Biblioteca Nacional, gentilmente cedidas pelo nosso amigo António Martinó Coutinho (autor do blogue de referência Largo dos Correios, onde poderão ler, na íntegra, o magnifico texto de Hélder Pacheco), tiradas por ele e pelo seu neto Manuel, o mais jovem elemento da assistência, brilhante estudante universitário e que denota possuir também excelentes dotes de fotógrafo. A ambos os nossos agradecimentos, com as mais afectuosas saudações “mosquiteiras”.

Nota: o texto de Hélder Pacheco e esta mesma reportagem, enriquecida com outras imagens dos temas apresentados por João Mimoso e Carlos Gonçalves, estão também patentes no blogue O Voo d’O Mosquito

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Le chat dans tous ses états - Gatos... gatinhos e gatarrões! de Catherine Labey

Pour les fans de chats e de tous les animaux en général - Para os amantes de gatos e de todos os animais em geral

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Largo dos Correios, Portalegre

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