Fernando Relvas: homenagens póstumas na imprensa portuguesa – 2

Artigo publicado no jornal I, edição de 24/11/2017, de onde o reproduzimos com a devida vénia.

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Exposição sobre o “Camarada” (1947-1951) na Biblioteca Nacional

Segundo informação de última hora, esta mostra será inaugurada às 18h30 do próximo dia 28 de Novembro, terça-feira. Vem a propósito lembrar que o Camarada foi lançado em 1 de Dezembro de 1947, mas em moldes muito diferentes da restante imprensa infanto-juvenil, encabeçada pel’O MosquitoO Papagaio e o Diabrete, pois enquanto que nestes títulos a colaboração estrangeira era prioritária, o Camarada — editado pela Mocidade Portuguesa e destinado quase em exclusivo aos centros escolares onde esta organização do Estado Novo estava presente — fazia gala de uma plêiade de autores portugueses, tanto literários como artísticos.

Embora de início tivesse dado pouco destaque à banda desenhada, o Camarada conseguiu conquistar gradualmente a afeição do público juvenil, chegando, com altos e baixos, ao nº 133, na 1ª série. Entre os seus valiosos elementos artísticos contam-se alguns dos mais genuínos representantes de uma nova corrente da BD portuguesa, cujo vanguar- dismo começava a aflorar, assimilando o de outras criações europeias: Júlio Gil, Marcello de Morais, António Vaz Pereira, Bastos Coelho, Carlos Alberto, Nuno San-Payo, Joaquim Leal e outros, todos ainda muito jovens e em início de carreira.

Portanto, esta exposição, comissariada por João Mimoso e Carlos Gonçalves, membros do Clube Português de Banda Desenhada, merece a visita de quem se interessa pelas revistas infanto-juvenis — expoentes de uma cultura popular que ajudou a formar gerações — e pelas diferentes “escolas” que as marcaram em meados do século XX, com relevo para a que nasceu nas páginas do Camarada, dando oportunidade a um grupo de novos desenhadores (na sua maioria estudantes de Arquitectura, carreira que alguns deles optariam por seguir) de se afirmarem pujantemente no panorama das histórias aos quadradinhos e das artes gráficas em geral. 

Fernando Relvas: homenagens póstumas na imprensa portuguesa – 1

Artigo de Luís Miguel Queirós, Público, 22/11/2017

Artigo de F. Cleto e Pina, Jornal de Notícias, 22/11/2017

Artigo de Maria João Caetano, Diário de Notícias, 22/11/2017

(Nota: para ler os textos, aproveitando a extensão completa das imagens, clique nas mesmas).

Liga da Justiça (vol. 3): O Prego – Teoria do Caos

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Postais Ilustrados de outros tempos – 6

SEXO FRACO E SEXO FORTE

Mais quatro exemplos da arte de Alfredo Januário de Morais (1872-1971), um dos maiores ilustradores e aguarelistas portugueses do século XX, que entre as suas inúmeras facetas também cultivou a de humorista satírico.

O tema que escolheu para mais esta série de postais, com um espírito brejeiro refinado pelo estilo picaresco, em que também era mestre, foi o da relação entre os sexos (hoje, diz-se géneros, em linguagem de mercearia… talvez por ser mais “socialmente” correcto do que sexo fraco e sexo forte).

Mas, como as imagens e os versos jocosamente parodiam, há diferenças físicas (e semânticas) que não devem ser levadas a sério, pela simples razão de que… ontem como hoje… em casa quem manda são elas! E os maridos que se cuidem!

Morreu Fernando Relvas, um dos maiores criadores da moderna BD portuguesa

O autor de banda desenhada (BD) Fernando Relvas morreu [ontem] de madrugada na Amadora, onde vivia, revelou o director do Amadora BD, Nelson Dona, que o recordou como um dos “autores-chave da BD contemporânea portuguesa”.

Fernando Relvas, de 63 anos, morreu no Hospital Amadora- -Sintra e até ao início da tarde ainda não tinham sido marcadas as cerimónias fúnebres.

Fernando Relvas, que nasceu em Lisboa em [20 de Setembro] 1954, começou a publicar os primeiros trabalhos aos 20 anos, em meados da década de 1970, somando colaborações em várias publicações da imprensa portuguesa, nomeadamente as revistas Fungagá da Bicharada, Tintin e Mundo de Aventuras, o semanário Se7e, a revista Sábado e o Diário de Notícias.

Algumas das histórias e pranchas publicadas na imprensa foram depois reunidas em álbum, como “Karlos Starkiller”, “Çufo”, “Em Desgraça”, “As Aventuras do Pirilau: o Nosso Primo em Bruxelas” e “L123 – seguido de Cevadilha Speed”.

Mais recentemente, saiu o álbum “Sangue Violeta e Outros Contos”, que reúne as histórias “Sangue Violeta”, “Taxi Driver” e “Sabina”, publicadas no Se7e, premiado como clássico da Nona Arte no Festival de BD da Amadora.

Para o director do Amadora BD, “faleceu um dos autores-chave da BD contemporânea portuguesa, que trabalhou em todo o tipo de BD, com registos gráficos brilhantes muito diferentes, e também em narrativas diferentes, da infantil até à só para adultos”.

A “obra extensíssima” de Fernando Relvas foi “apresentada várias vezes na sua cidade, a Amadora”. Entre Janeiro e Abril deste ano, a Bedeteca da Amadora acolheu a exposição retrospectiva “Horizonte, Azul Tranquilo”, dedicada a Fernando Relvas, que o responsável da mostra, Pedro Moura, descreveu como “um verdadeiro sismógrafo da sociedade portuguesa e global das últimas décadas”. A exposição mostrava trabalhos publicados em fanzines, em auto-edição, em revistas de banda desenhada, como a Tintin, e outra imprensa, como o semanário Se7e.

“A lavra de Fernando Relvas é uma obra maior no panorama nacional, ainda que sob muitos aspectos fragmentária”, reconheceu o programador na altura da inauguração, em declarações à Lusa. Pedro Moura falava de um “percurso nervoso por entre géneros e humores, métodos e técnicas, veículos de publicação e modos de produção e circulação, que servirá de retrato de uma incessante e intranquila busca pela expressividade própria da banda desenhada”.

Artigo reproduzido do DN Artes online (21/11/2017)

Mais uma grande perda para a BD portuguesa, no espaço de um ano assinalado também pelo desaparecimento de Carlos Alberto Santos (Novembro 2016), Mascarenhas Barreto e Maria Isabel de Mendonça Soares (Janeiro 2017).

Este blogue, em nome de Jorge Magalhães e Catherine Labey, apresenta os seus sentidos pêsames à família enlutada e, em particular, à sua esposa Anica Govedarica. Ainda recentemente estivemos na inauguração de uma belíssima mostra de pintura desta artista croata, patente até há poucas semanas na livraria Ler Devagar (LX Factory), e ficámos consternados por ver Fernando Relvas num estado de grande debilidade física. Seguiu-se o internamento, devido a duas quedas, no hospital Egas Moniz, onde foi sujeito a uma operação à coluna, e depois a transferência para o Amadora-Sintra, onde acabou por falecer ontem de madrugada, vítima de pneumonia.

O seu corpo estará em velório, para quem lhe quiser prestar as últimas homenagens, na antiga Galeria Municipal, edifício da Câmara da Amadora, a partir da tarde de quinta-feira, dia 23 de Novembro.

Recordamos com saudade e com muito afecto a nossa longa amizade, desde que o conhecemos pessoalmente — a Catherine ainda nos seus tempos de juventude, quando ambos colaboravam no Fungagá da Bicharada, e eu no Mundo de Aventuras, onde Relvas chegou a publicar alguns trabalhos inéditos, colaboração que se estendeu também a outras revistas que coordenei, como O Mosquito (5ª série) e Selecções BD (2ª série). Uma dessas histórias irá ser reeditada brevemente no blogue O Voo d’O Mosquito.

A título também de homenagem, relembramos a exposição “Fernando Relvas e a Revista Tintin”, inaugurada em 16/5/2014 no extinto CNBDI (Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem), onde hoje se localiza a sede do CPBD (Clube Português de Banda Desenhada). Essa mostra assinalou a entrada da obra de Fernando Relvas, artista locatário da Amadora e Prémio Nacional Amadora BD 2012, na importante e vasta colecção de originais da CMA/CNBDI, actualmente depositada na Bedeteca da Amadora.

Em finais de Outubro p.p., Relvas teve ainda a satisfação de assistir à abertura da sua nova mostra, na Galeria Artur Bual, integrada no 28º Festival Amadora BD, com uma abordagem retrospectiva (e não só) da sua obra, organizada por João Miguel Lameiras. 

Liga da Justiça: o filme há muito esperado pelos fãs do Universo DC

Artigos de João Lopes e Inês Lourenço publicados no Diário de Notícias de 16/11/2017, de onde os reproduzimos com a devida vénia. Para aproveitar a extensão completa do texto, clique na página.

Liga da Justiça (vol. 2): O Vírus Amazo

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Sérgio Godinho: do mundo das canções para o mundo da BD

Entrevista dada à estampa no jornal Público, de 4/11/2017, e que reproduzimos com a devida vénia. Fernando Dordio e Osvaldo Medina são os autores do álbum “O Elixir da Eterna Juventude – Uma Dança no Mundo de Sérgio Godinho”, editado pela Kingpin Books.

O Amadora BD 2017 já encerrou… ficaram os prémios

Relação dos premiados:

Melhor Álbum Português: Deserto/Nuvem”, de Francisco Sousa Lobo (Chili com Carne)

Melhor Argumento para Álbum Português: Francisco Sousa Lobo, em “Deserto/Nuvem” (Chili com Carne)

Melhor Desenho para Álbum Português: Amanda Baeza, em “Bruma” (Chili com Carne)

Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira: “It’s No Longer I That Liveth”, de Francisco Sousa Lobo (Chili com Carne/Mundo Fantasma)

Melhor Álbum de Autor Estrangeiro: “Os Ignorantes”, de Étienne Davodeau (Levoir/Público)

Melhor Álbum de Tiras Humorísticas: “Conversas com os Putos”, de Álvaro (Polvo)

Melhor Desenhador Português de Livro de Ilustração: Tiago Albuquerque e Nadia Albuquerque, em “Sou o Lince-Ibérico” (Imprensa Nacional Casa da Moeda)

Melhor Desenhador Estrangeiro de Livro de Ilustração: Jimmy Liao, em “Noite Estrelada” (Kalandraka)

Prémio Clássicos da 9ª ArteRonin”, de Frank Miller (Levoir/Público)

Melhor Fanzine: Outro Mundo Ultra Tumba”, de Rudolfo Mariano (Edição de Autor)

Destaque pela qualidade das colectâneas: “Sandman”, de Neil Gaiman (Levoir/Público)

Destaque pela qualidade das colectâneas: “O Mundo de Garfield (1978-1983)”, de Jim Davis (Verbo)

O Festival Amadora BD encerrou as suas portas no passado domingo, dia 12 de Novembro, mas para o ano haverá mais, com exposições de certeza tão interessantes como as que estiveram patentes, desde 27 de Outubro, no Fórum Luís de Camões (Brandoa) e noutros locais.

Quanto aos prémios, algumas das escolhas não nos pareceram as mais acertadas… mas, em questão de concursos, os júris são soberanos, por isso o que conta são as obras e os autores que estarão em destaque no próximo ano, entre eles Étienne Davodeau e Frank Miller.

O respeito pelo veredicto do júri não nos impede, porém, de lamentar a ausência das Edições Asa da lista de vencedores, pois a colecção de Valérian (embora incompleta) foi, sem dúvida, uma das melhores do ano. Tal como as de Garfield e de Sandman, justamente distinguidas com uma menção especial. 

E mais haveria a dizer no tocante aos clássicos e à sua rigorosa definição (Bastam 10 anos para uma obra se tornar um clássico? Podemos medir esse conceito somente pelo seu êxito comercial e artístico?)… mas ficamos por aqui.

Uma sugestão, apenas, porque cremos que esta é a categoria onde, de ano para ano, há mais candidatos e, portanto, mais dificuldade de escolha: por que não dividi-la em dois géneros, colectâneas (devido ao peso que têm numa edição) e álbuns singulares?

Pôr estes a competir com “pesos pesados”, misturando tudo no mesmo “saco”, como tem sucedido até agora, não nos parece boa ideia. Com resultados nem sempre felizes, para uns e para outros…  

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