Olha as lindas marchas!

Pelo traço de Mestre José Ruy, em Quadradinhos nº 54, 2ª série, de 20/6/1981 (suplemento do saudoso vespertino A Capital, dirigido por Adolfo Simões Müller), chega-nos um pitoresco desfile das marchas populares desse festivo mês de Junho, enquadradas por famosos heróis de papel, de arquinho e balão em punho, que ainda hoje fazem as delícias dos seus admiradores, num renovado preito de homenagem aos magistrais artistas que os criaram há muitas décadas.

E até Tom Sawyer e Ivanhoe se aliaram à festa… como convidados especiais do Quadradinhos, um suplemento que, fiel ao lema do seu director, procurava não só divertir como instruir, fomentando também entre os mais jovens o convívio com os heróis dos clássicos literários, através da fusão entre o texto e a imagem.   

Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 12

Nesta página, ilustrada pelo magnífico traço de Cambraia e referente ao mês de Maio, o Diabrete celebrava, com um mês de atraso, a descoberta da terra de Vera Cruz, ocorrida em 22 de Abril de 1500, quando o navegador Pedro Álvares Cabral, em rota para as Índias, chegou, pela primeira vez, às costas de um novo continente — mais ao sul da região atingida, em 1498, por Cristóvão Colombo —, onde mais tarde os colonos portugueses se fixariam também, levando aos indígenas a espada da conquista e a cruz do Evangelho.

Terra de Vera Cruz, assim baptizada em honra da fé cristã, e posteriormente conhecida pelo nome de Brasil, quando os primeiros colonos (ou bandeirantes) começaram a explorar as suas imensas riquezas, incluindo a preciosa madeira de uma árvore de cor esbrazeada, que crescia em abundância no luxuriante território e a que deram o nome de “pau-brasil”.

Esta página do Diabrete, alusiva ao último mês do seu grande concurso, foi dada à estampa no nº 806, de 21/3/1951. Noutras edições, correspondentes aos nºs 804, de 14/3/1951, e 805, de 17/3/1951, surgiram mais informações sobre a origem histórica do nome dos meses, que tanta curiosidade pareciam despertar aos leitores do “grande camaradão”.

Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 11

Foi muito antes das celebrações da Páscoa que o Diabrete apresentou no nº 798, de 21 de Fevereiro de 1951, esta bela ilustração de José Cambraia, acompanhada pelos versos de Adolfo Simões Müller, cujo suave lirismo tinha também profundo eco nos espíritos juvenis, moldados naquele tempo, de austero e doutrinário regime, pelo culto da religião, da pátria e da família.

No mesmo número do Diabrete saíram mais curiosidades sobre a origem do calendário e do nome dos meses, decerto com o louvável propósito de que todos os amigos do “grande camaradão” fizessem boa figura nas aulas de História e nos serões familiares. Recordemos que nessa época, em que o aparelho de rádio ocupava o lugar do televisor, o ambiente dos lares domésticos era animado por outros sons e pelo lúdico, salutar convívio entre os mais novos e os mais velhos.

Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 10

Quase a chegarmos ao fim deste concurso do Diabrete, composto por doze magníficas ilustrações de José Cambraia — com que o “grande camaradão” quis celebrar as estações e as fases mais importantes do ano, o grande ciclo da natureza e da vida que o tempo renova, a memória regista e a tradição consagra nos ritos festivos —, apresentamos agora a página dedicada à Primavera, ao renascimento do impulso vital que todos os anos, nesta época, faz florir a beleza, o amor, a juventude, a felicidade, a alegria, a esperança, o que de melhor está adormecido na natureza e em quase todos nós.

Além desta página, com o esfuziante e “primaveril” traço de Cambraia, publicada no nº 805, de 17/3/1951, o Diabrete, no salutar intuito de satisfazer a curiosidade e aumentar a cultura dos seus jovens e dedicados leitores, divulgou mais alguns interessantes factos sobre o tempo e a origem do nome dos meses, que fomos respigar ao nº 803, de 10/3/1951.

O terror voltou a Londres

Esta imagem de capa do jornal “I” (edição de 23/3/2017), alusiva ao atentado terrorista que, na véspera, fez cinco vítimas mortais e muitos feridos em Londres, lançando o alarme e o pânico na capital britânica, recorda sintomaticamente o famoso episódio “A Marca Amarela”, da série Blake e Mortimer, que Edgar Pierre Jacobs realizou, em 1953/54, para o semanário belga Tintin.

Mas, nesse tempo, o terrorismo em larga escala não era ainda uma das maiores preocupações dos europeus… e Blake e Mortimer enfrentavam somente um cientista louco e a sua cobaia, o coronel Olrik.

O jornal “I”, ao noticiar estes trágicos acontecimentos, tem-se destacado pela icónica relação que estabelece entre eles e os heróis da BD, nomeadamente quando, há um ano, dedicou uma imagem de Tintin e Milou, em pranto, aos atentados de Bruxelas, que causaram também enorme dor e consternação em toda a Europa.

A blogosfera e as redes sociais – um tema de actualidade em foco no jornal “i”

Recebemos há dias um pedido de colaboração por parte de uma jornalista do quotidiano i que pretendia elaborar um artigo sobre os blogues em Portugal… Junto, vinha uma série de perguntas. Como fomos muito gentilmente abordados, a minha gata Mounette também achou, como porta-voz dos Gatos, Gatinhos e Gatarrões!, que seria cortês responder, pois a nossa experiência de sete blogues — com O Gato Alfarrabista, O Voo do Mosquito, A Montra dos Livros, entre outros irmãos mais novos deste blogue, dirigidos pelo Jorge Magalhães poderia contribuir para enriquecer o conhecimento sobre a matéria da senhora jornalista Joana Marques Alves.

Aqui divulgamos, com a devida vénia, parte do seu artigo (publicado na edição do i em 6 de Março p.p.), a primeira e a última páginas de seis. A primeira, por ter o título e a introdução, e a última, onde se fala dos nossos  blogues, assim como do blogue Imaginário-Kafre, do nosso prezado amigo José de Matos-Cruz.

(Texto de Catherine Labey, extraído do seu blogue Gatos, Gatinhos e Gatarrões. Para ampliar as páginas do jornal em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre a imagem).


Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 9

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Na marcha imparável do tempo e do calendário (que resume em doze meses o ciclo completo da vida humana), os anos, que em Janeiro só gatinham, em Fevereiro já dão passos titubeantes e começam a chilrear as primeiras palavras, para alegria do papá Inverno e da mamã Natureza.

Há 66 anos, nenhum leitor do Diabrete se enganou decerto na resposta ao Concurso dos 12 Meses, associando a ilustração de Cambraia e os versos publicados no nº 800 (28/2/1951) do “grande camaradão”, aos folguedos do Rei Momo celebrados nesse mesmo mês de Fevereiro.

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No mesmo número, saiu outra página com interessantes e instrutivas curiosi- dades sobre o tempo, referentes ao mês em questão, cujo tema carnavalesco José Cambraia tão sugestiva e inspiradamente retratou na sua imagem.

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Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 8

Esta página do grande Concurso dos 12 Meses, ilustrada por José Cambraia, com versos de Adolfo Simões Müller, tinha um mote tão fácil que todos os concorrentes devem tê-lo adivinhado só de olhar para a imagem. Era essa uma das características do concurso, pois mesmo sem a ajuda dos pais ou dos avós (ou dos manos mais velhos), qualquer garoto que ainda andasse na escola primária podia decifrar de uma assentada os nomes dos meses que era preciso inscrever nas legendas respectivas. E quem se enganaria ao ver a figura sorridente, com os traços estilizados de Cambraia, que posa sobre um calendário, nesta página publicada pelo Diabrete no seu nº 803, de 10 de Março de 1951?

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Aliás, o interesse maior deste concurso, se bem me lembro (porque, nesse tempo, também lia o “grande camaradão”), não eram os prémios, apesar de aliciantes, mas o prazer de admirar os desenhos e as alegorias de Cambraia, um artista que já chamara a atenção da miudagem com as graciosas ilustrações que realizara para O Livro das Fábulas, escrito por Adolfo Simões Müller.

No nº 799, de 24 de Fevereiro de 1951, o Diabrete publicou mais uma página informativa sobre o regulamento do concurso e com curiosidades sobre o “Avô Tempo” e os seus diversos ciclos, para ensinamento dos mais pequenos… mas que muitos graúdos ainda hoje ignoram. Esta era referente ao mês de Janeiro.

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Almoço-convívio dos 81 anos da célebre revista “O Mosquito”

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Cartaz da exposição dedicada ao 80º aniversário d’O Mosquito (Biblioteca Nacional, 2016)

Organizado como habitualmente, nos últimos anos, por Leonardo De Sá, realiza-se no próximo sábado, dia 14 de Janeiro, num restaurante lisboeta, o já tradicional almoço-convívio comemorativo do aniversário da mítica revista O Mosquito, cujos leitores e admiradores continuam a ser numerosos e unidos pelo mesmo espírito de camaradagem que levou à formação da primeira tertúlia de “mosquiteiros”, em Janeiro de 1986 (como noticiou, com destaque, a imprensa da época), não perdendo, por isso, a ocasião de festejar este aniversário simbólico de uma revista cuja 1ª série se extinguiu há mais de seis décadas.
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Notícia publicada no vespertino Diário Popular, em 15/1/1986.

Por feliz coincidência, este almoço-convívio decorrerá, como há 31 anos, no mesmo dia que assinala a data oficial de nascimento d’O Mosquito: 14 de Janeiro de 1936.

Cavaleiro Andante – uma revista de BD que fez história entre a “gente nova”

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Se tivesse sobrevivido mais seis décadas — feito ao alcance, por razões óbvias, de poucas publicações periódicas, a começar pelas de banda desenhada —, o Cavaleiro Andante, nascido em 5 de Janeiro de 1952, faria hoje 65 anos!

Efeméride meramente simbólica, mas que nos apraz registar, mais uma vez, em honra de uma emblemática revista, de características únicas no seu género, editada pela Empresa Nacional de Publicidade e dirigida por Adolfo Simões Müller, que introduziu em Portugal, na esteira de Tintin e de Hergé — embora estes fossem oriundos d’O Papagaio e do Diabrete —, os maiores heróis e autores da BD franco-belga, como Blake e Mortimer (de Edgar P. Jacobs), Lucky Luke (de Morris e Goscinny), Michel Vaillant (de Jean Graton), Dan Cooper (de Albert Weinberg), Buck Danny (de Hubinon e Charlier), Jerry Spring (de Jijé), Ric Hochet (de Tibet e Duchâteau), a par de outras grandes criações europeias e americanas.

Por outro lado, se o Cavaleiro Andante tivesse tido existência mais efémera, como algumas revistas do seu tempo — que viveram pouco mais do que as rosas —, talvez não tivessem florescido nas suas páginas muitas obras que enriqueceram o património artístico da BD portu- guesa, com a assinatura de Fernando Bento, José Ruy, José Garcês, Artur Correia, Fernandes Silva, Stuart e José Manuel Soares.

Honra, pois, a uma saudosa revista que durou apenas uma década, mas sem a qual a história da imprensa juvenil portuguesa e da sua evolução, rumo aos álbuns que tornaram ainda mais populares as séries franco- -belgas, teria ficado certamente mais pobre!

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