Curiosidades do passado: Corto Maltese e o projecto de levar “A Balada do Mar Salgado” ao cinema

Artigo publicado no Mundo de Aventuras nº 161 – 2ª série (28-10-1976). Tradução de José de Matos-Cruz.

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A Ciência em BD: “Viagens sem insónias”

Um projecto do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra e da Associação Portuguesa de Sono

 

Páginas publicadas em 16/3/2018 no jornal Público, celebrando o Dia Mundial do Sono, com desenhos de André Caetano e texto de João Ramalho Santos, Ana Rita Álvaro e Sara Varela Amaral.

Programa oficial da Mostra Coimbra BD 2018 (8 a 11 de Março)

A Coimbra BD – Mostra Nacional de Banda Desenhada avança para a sua terceira edição, que vai decorrer de 8 a 11 de Março, e apresenta-se como uma aposta firme da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) no panorama cultural. Esta edição, que se irá concretizar, principalmente, na Casa Municipal da Cultura, apresenta um conjunto de acções que procuram representar o que de melhor se cria ao nível da Banda Desenhada, atingindo públicos diversos, desde o infanto-juvenil às famílias e a todos aqueles que, em diferentes faixas etárias, cultivam o gosto por esta expressão artística, perspectivando-se um aumento dos níveis de fidelização ao evento.

Na esteira do êxito alcançado nas edições anteriores, a edição de 2018 da Coimbra BD aposta num programa diversificado e de elevada qualidade, destacando-se pela sua primeira internacionalização, com a presença de dois convidados, oriundos de Itália (Walter Venturi) e da Sérvia (R.M. Guéra). Além destes, marcam presença cinco autores nacionais convidados, representantes da escrita, do argumento para BD ou da criação artística, ao nível da ilustração, áreas reveladoras do vasto universo da “9.ª Arte”. Destaque ainda para a exposição 70 Anos de Tex: A colecção de José Carlos Francisco.


PROGRAMA OFICIAL – COIMBRA BD 2018 (CASA MUNICIPAL DA CULTURA DE COIMBRA)

 

8 de Março (5ª feira)
11h00 Abertura

14h30 – Apresentação do projecto SAPATA PRESS – Casa da Esquina (Sala Francisco Sá de Miranda)

15h30 – Oficina criativa Mulher de Borracha – Casa da Esquina (Sala Francisco Sá de Miranda)

21h00 – Jogos tabuleiro (Sala Francisco Sá de Miranda)

Águia da Noite e Kit Willer de canoa no rio Mondego, à chegada a Coimbra. Arte de Walter Venturi

9 de Março (6ª feira)
19h00 – Visita guiada à exposição 70 anos de Tex, com José Carlos Francisco e Walter Venturi

21h00 Curtas-metragens de terror premiadas no Festival de Cinema MoteLx apresentadas por Pedro Souto e João Monteiro, da direcção do Festival (Sala Silva Dias) – duração 67 min:
“A tua Plateia”, de Óscar Faria, (9 min).
“Palhaços” de Pedro Crispim (15 min) – Menção especial Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2016
“Depois do Silêncio” de Guilherme Daniel (15 min) – Menção especial Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2017
“Andlit” de João Figueira (5 min)
“Sangue Frio”, de Patrick Mendes (15 min)
“Papá Wrestling”, de Fernando Alle (9 min) – Prémio especial MoteLX 2009.

10 de Março (sábado)
11h00 “Filminhos Infantis à solta pelo país”, sessão de curtas-metragens de animação para a família: Programação Zero em Comportamento (Sala Silva Dias):
“Maestro”, de Geza M. Toth (Hungria),
“O Coelho e o Veado”, Péter Vácz (Hungria),
“Foxy e Meggy” – André Letria (Portugal)
“As Aventuras de Miriam: As Cores”,  Girlin-Bassovskaja (Estónia)
“Mancha e Manchinhas: Perdidos”, Uzi Geffenblad e Lotta Geffenblad (Suécia)
“Big Buck Bunny”, Sacha Goedegebure (Holanda)
“Rumores”, Frits Standaert (Bélgica/ França)

11h00/13h00 – Workshop: Uma sequência de imagens”, com Carlos Correia (duas sessões de duas horas sobre imagem sequencial através do uso de brinquedos ópticos – mediante inscrição presencial) (Sala Francisco Sá de Miranda)

14h00/15h00 – Emissão em directo do programaConta-me!”, da Rádio Universidade de Coimbra, com Sandra Tavares e Cátia Soares (Biblioteca Municipal)

15h00/15h30 – Tertúlia: Coleccionar originais de BD: Negócio, ou Paixão?, com João Antunes, Margarida Mesquita, Bruno Caetano (Biblioteca Municipal)
15h30/16h00 – Painel: Apresentação dos livros Dragomante, com Manuel Morgado e Filipe Faria e Man Plus, com André Lima Araújo (Biblioteca Municipal)
16h00/18h00 – Sessões de autógrafos dos artistas convidados R.M. Guéra, Walter Venturi, André Lima Araújo, Manuel Morgado, Filipe Faria, André Diniz e Ricardo Venâncio (átrio da Casa Municipal da Cultura)

17h00 – Desfile e concurso de Cosplay (Sala Silva Dias)

17h00 /18h00Tertúlia sobre edição: presença dos editores Nuno Catarino (Goody), Mário Freitas (Kingpin), Rui Brito (Polvo) e José de Freitas (G Floy) (Biblioteca Municipal)

18h30Sessão de desenho com modelo ao vivo: Salão 40 (Sala Francisco Sá de Miranda)

18h00/18h30Tertúlia de homenagem a Fernando Relvas: Com Nina Govedarica, Margarida Mesquita e João Queirós (Biblioteca Municipal)

18h30/19h00 – Painel: 70 Anos de Tex, com José Carlos Francisco e Mário João Marques (Biblioteca Municipal)

21h00 Curtas-metragens de terror premiadas no MoteLx (Sala Silva Dias) – duração 65 min.
“Nico – A Revolta”, de Paulo Araújo (8 min) – Selecção oficial Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2013
“Mãe Querida” de João Silva Santos (14 min)  – Selecção oficial Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2017
“Post-Mortem” de Belmiro Ribeiro (14 min) – Vencedor Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2016
“Miss Mishima” de Pedro Rocha (14 min) – Selecção oficial Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2011
“Maria”, de Joana Viegas (15 min) – Selecção oficial Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014
21h00 – Jogos tabuleiro (Sala Francisco Sá de Miranda)

11 de Março (domingo)
11h00Filminhos Infantis à solta pelo país, sessão de curtas-metragens de animação para a família – Programação Zero em Comportamento (Sala Silva Dias)
“A Janela”, Camille Müller (França)
“Os Tumblies”, Patrick Raats,  (Holanda)
“Jonas e o Mar”, Marlies Van der Wel, (Holanda)
“O Rapaz Bolota”, Dace Riduze, (Letónia)
“Os porcos-Espinhos e a Cidade” Evalds Lacis, (Letónia)
“Mancha e Manchinhas: Sapatos Mágicos”, Uzi Geffenblad e Lotta Geffenblad (Suécia)
“Fábulas Delirantes 2”, Fabrice Luang Vija, (França/ Bélgica)

11h00/13h00 – Workshop Uma sequência de imagens, por Carlos Correia (duas sessões de duas horas sobre imagem sequencial através do uso de brinquedos ópticos – mediante inscrição presencial) (Sala Francisco Sá de Miranda)

15h00/15h30 – Podcast Geek do Olimpo. Programa para o canal YouTube sobre BD e cultura geek, com Miguel Jorge e convidados (Biblioteca Municipal)

15h30/16h00Visita guiada à exposição de R.M. Guéra feita pelo autor.

16h00/18h00 – Sessões de autógrafos dos artistas convidados Walter Venturi, R. M. Guéra, Ricardo Venâncio, Manuel Morgado e Filipe Faria (entrada da Casa Municipal da Cultura)

Tex Willer na interpretação de R. M. Guéra

Actividades permanentes

Venda BD, ilustração e merchandising
Com as editoras e lojas Apocryphus, Arena Porto, Arte de Autor, BD Mania, Bicho Carpinteiro, Bruaá Editora, CLC Portugal, Comic Heart, Devir, G Floy, Goody, Ink Tshirt Store, JAN KEN PON, Kingpin Books, Levoir, Livraria Dr. Kartoon, Mini-Orfeu, Polvo

Exposições:

Walter Venturi: um mestre dos fumetti – Desenhador italiano que tem trabalhado nas séries Tex e Zagor, da editora Bonelli, e é autor da novela gráfica Il Grande Belzoni (dedicada à vida do grande egiptólogo Giovanni Battista Belzoni, que foi um dos responsáveis pela descoberta de Abu Simbel e o primeiro homem a entrar na segunda pirâmide de Gizé), Walter Venturi vai estar pela primeira vez em Portugal com exposição própria, para além de ter trabalhos seus integrados na exposição dedicada aos 70 Anos de Tex.

R.M. Guéra: um autor sérvio no mercado internacional – Com trabalhos publicados nos principais mercados internacionais, desde os Estados Unidos, onde publicou nas editoras DC, Vertigo, Marvel e Image, até França (Glenat e Delcourt), passando por Itália, para onde está a desenhar um álbum especial do cowboy Tex, o sérvio Rajko Miloševic-Gera é um dos nomes maiores da BD realista internacional, que permanecia inédito em Portugal. Lacuna que será colmatada pela edição do livro The God Damned , a lançar no Coimbra BD, com a presença do autor e o apoio da editora G Floy.

70 Anos de Tex: A colecção de José Carlos Francisco – Um português, residente perto de Coimbra (Anadia), é proprietário da mais importante colecção de desenhos originais ligados à personagem Tex, o mais célebre cowboy da BD italiana, que comemora 70 anos em 2018. Uma fantástica colecção com trabalhos de diversos autores estrangeiros, que será exposta em público, pela primeira vez, no Coimbra BD.

Manuel Morgado – Desenhador português que fez a sua formação académica em Coimbra, na ARCA, Manuel Morgado vai expor originais do álbum Les Arcanes de la Lune Noire: Greldinard, que realizou para a editora francesa Dargaud, bem como de Dragomante, livro com argumento do escritor de fantasia Filipe Faria, que será lançado durante o evento.

Homenagem a Fernando Relvas – Falecido em 2017, Fernando Relvas foi um dos mais importantes autores portugueses de BD do século XX e, por ocasião da próxima publicação em livro do Espião Acácio, o seu primeiro grande sucesso na revista Tintin, a lançar no Coimbra BD, alguns dos seus trabalhos originais serão expostos pela primeira vez na nossa cidade (com a presença da viúva do autor).

André Lima Araújo: Man Plus – Exposição que assinala a estreia em Portugal de André Lima Araújo, desenhador português que tem publicado regularmente nas principais editoras americanas, como a Marvel e a Image.

Arcindo Madeira, ilustração – referente à obra de Arcindo Madeira, famoso ilustrador natural de Coimbra.

Autores Presentes:

Convidados internacionais
Walter Venturi
R. M. Guéra

Convidados Nacionais

Manuel Morgado – Autor presente com exposição
Filipe Faria – Escritor de fantasia, argumentista do livro Dragomante
André Lima Araújo – Autor presente com exposição
Ricardo Venâncio – Autor presente com o livro Hanuran, Prémio Melhor Desenho na Comic Con Portugal 2017, que esteve em exposição pela primeira vez na edição desse ano.
Nina Godoverica – Viúva do autor Fernando Relvas

Programação paralela:
Exposição de ilustração Histórias por contar, de João Vaz de Carvalho, Galeria Pedro Olayo (filho) do Convento São Francisco, 3 de Março a 8 de Abril de 2018, de segunda-feira a domingo, 15h00 – 20h00.

(“Post” reproduzido do Tex Willer Blog. Para aproveitar a extensão completa das imagens supra, clique nas mesmas)

Boletim do Clube Português de Banda Desenhada – um longo e frutuoso percurso de 41 anos

Com a devida vénia, apresentamos seguidamente mais um texto do nosso querido amigo Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, publicado em 1 de Janeiro p.p. no seu blogue de referência Largo dos Correios. Transcrevemo-lo, apenas, nesta altura por razões técnicas que nos têm causado problemas, mas também por um motivo especial, visto que em Março (hoje, precisamente) ocorre mais uma efeméride do Boletim do CPBD – cuja capa correspondente ao nº 145 (Dezembro de 2017) aqui fica para conhecimento geral, a abrir este post.  

Caros Sócios
No próximo sábado e para finalizar o ano, o CPBD oferece aos seus sócios mais um número do Boletim a quem tenha possibilidade de se deslocar às suas instalações. Um abraço e bom final de ano.

Há dois ou três dias, o incansável Carlos Gonçalves, alma-mater dos quadradinhos lusos (está em todas!), enviou-me – e a muitos outros consócios – mais uma mensagem, precisamente a atrás reproduzida. Pode parecer apenas um símbolo mas traduz toda uma realidade de muitas décadas. Ele continua o mais activo, o mais operacional e dinâmico de quantos criaram e alimentaram o projecto hoje renascido do Clube Português de Banda Desenhada. E, com este, o Boletim.

Desde o histórico n.º 1, de Março de 1977, tendo cumprido há meses quarenta anos de vida, até este n.º 145, de Dezembro de 2017, ficam contidos nas suas milhentas páginas episódios, factos, pessoas, lendas, histórias, quadradinhos…

Uma vida, mil vidas, o esforço esclarecido de quantos deram expressão a um meio de comunicação que foi, não raras vezes, um motivo de sobrevivência para os que foram capazes de manter acesa uma luz hoje renovada. Todos merecem a nossa gratidão.

A causa da banda desenhada, que nos une e nos move, tem para com os obreiros do Boletim do CPBD uma dívida considerável. Acrescentar aqui o labor de Paulo Duarte, neste mais recente período, parece-me um elementar acto de justiça.

Pela minha parte, com um obrigado do apreciador da BD que sou, recordo a propósito o texto que coloquei no Largo dos Correios em 5 de Março de 2014.

«Foram António Dias de Deus e Leonardo De Sá que me prestaram, entre uma infinidade de outras, a preciosa informação de que o primeiro número do Boletim do Clube Português de Banda Desenhada foi divulgado a 5 de Março de 1977. Assim consta da magnífica obra Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, Edições Época de Ouro, 1999 (pág. 142). Ora, assim, aquela publicação perfaz hoje trinta e sete anos.

O Boletim, mais alguns suplementos de jornais e semanários e, modernamente, certos blogs centrados na BD, constituem um precioso repositório da melhor e mais qualificada abordagem nacional ao fenómeno dos quadradinhos. Informações soltas, notícias, entrevistas, críticas a obras e a autores, ensaios bibliográficos, material inédito, recensões diversas, índices de revistas e jornais da especialidade, intercâmbios vários, enfim, um universo de textos e de ilustrações, à imagem e semelhança da temática em apreço, tem sido assim partilhado ao longo dos anos. 

O Boletim do CPBD, sobretudo na sua época inicial, representou sempre um desafio colocado aos pioneiros que se abalançaram à iniciativa. Os “cinco magníficos” que se encontravam ao leme do clube, nos tempos do arranque da publicação regular – António Amaral, Carlos Gonçalves, Franklin Ferreira da Silva, Jorge Magalhães e José Sobral –, conseguiram remover ou ultrapassar dificuldades consideráveis, a começar pelas técnicas, na concretização desse projecto editorial do grupo.

Se nos lembrarmos de que ainda não se dispunha de computadores, impressoras e outros dispositivos e meios informáticos, hoje banalizados, desde logo somos remetidos para o modesto e limitado contexto da época no que respeita à composição e reprodução de impressos com um mínimo de qualidade, fora do círculo industrial.

De facto, este obstáculo tornou-se uma espécie de lugar-comum de sucessivos “Editoriais” do Boletim, o primeiro dos quais se intitula, precisamente, “As Nossas Desculpas”… Significativo! A humildade dos pioneiros, incapazes por isso mesmo de se aperceberem da dimensão e da importância da iniciativa que então corporizavam, ainda os “obrigava” a solicitar a compreensão dos outros sócios para o facto de a publicação ter sido impressa por intermédio de stencil e não em offset, por manifesta falta de “posses”.

Carlos Gonçalves, que assumia a coordenação do Boletim, apelava no número 3 aos consócios de Lisboa que tivessem possibilidade de conseguir uma máquina de offset; no número 5, dava conta de uma avaria no sistema de impressão que ainda usavam; no número 10, anunciava a recente entrada de um consócio que podia disponibilizar, aos fins-de-semana, uma impressora do tipo offset

Tornou-se depois evidente a progressiva melhoria física do Boletim, mas tal progresso nada tinha a ver com o seu conteúdo, inalteravelmente revestido do maior interesse e valimento.

Neste 5 de Março, efeméride real ou simbólica de um inegável feito na crónica dos quadradinhos lusos, saúdo os pioneiros que corporizaram, no seio do prestigiado Clube Português de Banda Desenhada, um seu “mal-impresso” e ainda agrafado Boletim.

Quando folheio os Boletins, os releio e os sinto, sobretudo os tais, os de modesta forma, mantenho por eles o respeito que me merecem todas as realizações produzidas pela paixão e pelo empenhado sacrifício de alguns, em prol de uma causa em que acreditavam (e acreditam!), assim como no desinteressado serviço aos outros.»

António Martinó de Azevedo Coutinho
Largo dos Correios – 5 de Março de 2014

Richard Corben – vencedor do Grande Prémio no Festival de Angoulême 2018

 Richard Corben, o mestre do horror

Na véspera da abertura da 45ª edição do festival, o cartoonista americano, de 77 anos, foi recompensado por todo o seu trabalho.

Richard Corben é o quinto americano a vencer o Grande Prémio de Angoulême. Tem sido comum que a ficção científica e a fantasia apareçam pouco no panteão do Festival de Angoulême. A nomeação, na quarta-feira 24 de Janeiro, de Richard Corben para o Grande Prémio, é um evento a saudar pelos leitores de um dos principais géneros dos quadradinhos contemporâneos: o  horror.

Escolhido pelos profissionais do sector, em detrimento do seu compatriota Chris Ware e do francês Emmanuel Guibert, que tinham assumido com ele a liderança na primeira volta da votação, Corben recebeu essa distinção depois dos seus compatriotas Will Eisner (1975), Robert Crumb (1999), Art Spiegelman (2011) e Bill Watterson (2014).

Uma estética única

A sua vitória no Grand Prix de Angoulême celebra um excelente estilista e um mestre do horror, mas também um escrupuloso adaptador de Howard Phillips Lovecraft e Edgar Alan Poe, duas das suas principais influências.

O trabalho de Richard Corben pode ser resumido no elenco e no bestiário que povoam as dezenas de álbuns que publicou em mais de 45 anos de carreira: uma multidão de mutantes, zombies, criaturas dos pântanos, bruxas, ladrões de túmulos, gladiadores, monstros, guerreiros tribais, espectros com jaquetas esfarrapadas, mulheres delirantes, animais diabólicos e bárbaros de todos os tipos.

Pilar das edições Warren Publishing, como colaborador assíduo das revistas de terror Creepy, Eerie e Vampirella, Corben desenvolveu uma estética única que provém tanto da cultura “pulp” quanto da literatura fantástica. O seu trabalho também deve muito a Robert E. Howard, o fundador da fantasia heróica com as aventuras de Conan, o Bárbaro, de que ele desenhou várias histórias.

Nascido em Anderson (Missouri), em 1940, Richard Corben é conhecido desde há muito em França. A revista Actuel foi a primeira a publicá-lo, em 1972. Três anos depois, Métal Hurlant hospedou nas suas páginas a série Den, contando as aventuras erótico-fantásticas de um jovem geek que se transformou num guerreiro culturista.

A sua técnica de aerógrafo — uma arma de pintura em miniatura — grangeou-lhe uma enorme admiração de leitores “adultos” a quem, finalmente, os quadradinhos foram revelados. Corben tornou-se um autor de “culto”, embora sem nunca alcançar uma grande audiência no seu próprio país ou na Europa, apesar de algumas colaborações famosas, como no Hellboy de Mike Mignola.

Permanecendo fiel ao seu universo particular, o residente de Kansas City, a cidade onde recebeu o seu treino artístico, é “o arquétipo do autor independente“, de acordo com Laurent Lerner, fundador da pequena editora francesa Delirium, que tem publicado as suas criações em França, nos últimos anos: “Ele é independente de tudo: do mercado, do marketing, dos média, dos leitores, das editoras… A sua abordagem artística nunca se desviou da direcção que assumiu na início da sua carreira. Tinha altos e baixos, e mesmo grandes momentos de solidão“.

Numa entrevista que concedeu no final de Ragemoor (Delirium, 2014), uma fantástica narrativa feita com o argumentista Jan Strnad, Richard Corben explica por que é que ele, o mestre das cores, optou por um tratamento a preto e branco: “Quando da concepção deste projecto, não sabia se encontraria um lugar na Dark Horse ou noutro editor de grande dimensão. Pensei que teria de apresentá-lo a editores menores, que não podiam dar-se ao luxo de publicá-lo a cores“.

O desenhador também fez um balanço da “longa carreira” e das pesquisas, apesar da sua considerável idade: “Eu sempre adorei as possibilidades oferecidas pelos quadradinhos, como um meio de expressão, para contar as histórias que quero fazer e não apenas aquelas que vendem bem. Ainda tenho objectivos para serem alcançados e, por isso, provavelmente nunca me aposentarei. Continuarei a desenhar quadradinhos até morrer!“.

(Texto extraído, com a devida vénia, do blogue Largo dos Correios)

Nota pessoal (J.M.): A minha grande admiração por este autor americano, muito pouco publicado em Portugal, levou-me a incluí-lo na revista O Mosquito (5ª série), da Editorial Futura, de que fui coordenador, dedicando-lhe a capa do nº 5 (Janeiro 1985) e escolhendo uma das suas melhores histórias a preto e branco, realizada em 1970: “O Crepúsculo dos Cães”, com 10 páginas, também publicada nesse número. Anteriormente, só outro trabalho de Richard Corben fora apresentado aos leitores portugueses, na revista Zakarella nº 8, da Portugal Press, dirigida por Roussado Pinto.

Por ter sido O Mosquito (5ª série) a divulgar de novo Corben, mostrando as suas potencialidades gráficas e narrativas, num registo mais realista, achei que essa edição devia ser recordada por este blogue numa altura em que o Festival de Angoulême lhe prestou também, finalmente, homenagem, como um dos maiores autores ainda vivos da BD norte-americana e com uma obra que o tempo decerto não apagará da memória dos seus inúmeros admiradores.

Aqui ficam, pois, a capa d’O Mosquito nº 5 (5ª série) e a primeira página da referida história de Richard Corben.

Hermann no Comic-Con

Artigo publicado no Diário de Notícias de 6 de Janeiro p.p., de onde o reproduzimos, com a devida vénia ao jornal e ao seu autor.

 

“O Mosquito” celebra outro aniversário!

Em comemoração de mais um aniversário da 1ª série d’O Mosquito, que nasceu em 14 de Janeiro de 1936 — há 82 anos! —, vai realizar-se no próximo sábado, dia 20 de Janeiro, o tradicional encontro dos “mosquiteiros”, no mesmo restaurante, em Lisboa, onde teve lugar o ano passado, com a presença de quase seis dezenas de pessoas.

Quanto a nós, juntando-nos ao Gato Alfarrabista e ao Voo d’O Mosquito, erguemos a nossa taça e brindamos ao imorredoiro jornal infantil que continua a povoar a memória nostálgica de muitos dos seus antigos leitores — também já na casa dos setentas e dos oitentas! —, envolvendo-os ainda com o suave perfume da infância e com o sonho de milhares de aventuras vividas num mundo de fantasia!

Cartões de Boas Festas

A arte de José Ruy

Neste post, com que inauguramos mais um ciclo na existência do nosso blogue — desejando a todos os nossos leitores, colegas e amigos muitas felicidades e um PRÓSPERO ANO NOVO —, decidimos apresentar, em homenagem aos seus autores, alguns dos artísticos cartões de BOAS FESTAS que recebemos, tal como noutros anos, pela Internet e pelo correio.

A esses nossos amigos agradecemos novamente as mensagens festivas e os trabalhos originais, recheados de talento, que quiseram partilhar connosco, desejando-lhes também os maiores êxitos nas suas carreiras.

A arte de Carlos Rico

A arte de António Lança Guerreiro

A arte de Augusto Trigo

A arte de João Amaral

A arte de Anica Govedarica

A arte de Marita Moreno Ferreira

A arte de José Projecto

Feliz e próspero Ano Novo

São os votos d’A Montra dos Livros e dos outros blogues da Loja de Papel (ilustração de C. Labey, com os seus habilidosos gatinhos).

Tudo tem a sua história: a “Estrela de Belém”

Artigo de Tharuga Lattas — para quem não saiba, o verdadeiro nome do mítico Sete de Espadas, coordenador da célebre secção Mistério Policiário, no Mundo de Aventuras —, publicado no Número Especial de Natal desta revista (Dezembro de 1975).

Nota: para ler este interessante texto na sua maior dimensão, clicar duas vezes sobre a página supra.

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