“From Scotland with love” – uma bela homenagem às virtudes do desporto e ao país de Sir Walter Scott

Quando se tem mais de 80 anos e ainda se pratica desporto — mormente um dos mais exigentes, as corridas pedestres de longo curso —, mantendo ao mesmo tempo em exercício, de forma brilhante, as “células cinzentas”, estamos perante um caso — não diremos único, mas quase raro — de invejável afirmação de vitalidade física e intelectual!

E esse caso, para o tema deste texto, tem um nome… o do nosso querido Amigo António Martinó de Azevedo Coutinho, hoje, como é óbvio, já retirado da sua profissão de Professor — que exerceu em Portalegre, sua terra natal, e noutros lugares, durante muitos anos — mas continuando a dar o exemplo de empenhada intervenção cívica e cultural, através do seu magnífico blogue Largo dos Correios (que tem sido uma das nossas principais referências, desde que nos aventurámos também no buliçoso universo da blogosfera).

Actualmente a residir em Peniche, mais perto da família, António Martinó começou a correr há poucos anos, integrado num grupo amador penichense que o acolheu de braços abertos, surpreso, de início, com a sua teimosia e perseverança, mas rendido em breve ao poder da sua vontade e aos seus incríveis dotes físicos e anímicos, que rapidamente o guindaram a um lugar de mérito entre os veteranos membros desse numeroso e unido grupo: Peniche a Correr.

Resumindo: até hoje, o professor António Martinó já participou em várias corridas, tanto a nível interno, isto é, em Peniche, como no exterior, particularmente na famosa Maratona do Sporting (clube de que é ferrenho adepto), classificando-se sempre em posições honrosas e destacando-se por ser um dos mais idosos atletas nessas competições.

Durante a sua vida, marcada também por provas difíceis, o professor Martinó sempre se distinguiu pela probidade, pela inteligência, pelo espírito de lutador, pelo apego às suas causas (e foram muitas!), pelo amor aos valores da cultura e da família, pelos afectos sinceros e sem preconceitos, pela fidelidade aos princípios cultivados desde a infância, na esteira de alguns dos seus ilustres antepassados, pela forma frontal e corajosa de encarar o futuro, mesmo quando a adversidade lhe bateu à porta. Curso de vida nada modesto… digno de alguém que atravessou várias épocas e lidou de perto com várias gerações, no exemplar desempenho de uma pedagógica missão que sempre considerou sagrada.

Dois António de Azevedo Coutinho em Inverness (Escócia): pai e filho junto de uma réplica da célebre Nessie

Muito recentemente, este nosso bom e leal Amigo, a cujas lições recorremos também com frequência, resolveu testar os seus admiráveis recursos físicos numa nova prova, ainda mais difícil, já não em Portugal mas no estrangeiro, alcançando assim um comprovativo (e uma medalha!) de desportista interna- cional com que, em tempos ainda próximos, nunca certamente se atrevera a sonhar. Foi na Escócia, numa tradicional corrida de 10 km ambientada num dos míticos e fascinantes lugares de que o país de Walter Scott e Robert Louis Stevenson está recheado… com notoriedade para o Loch Ness, em cujas cercanias (Inverness) essa famosa corrida se realizou, no passado dia 24 de Setembro.

Participaram milhares de atletas, de várias nacionalidades, e mais uma vez o nosso dedicado professor (neste caso, de cultura física!) fez uma boa prova, classificando-se notavelmente a meio da tabela… isto é, muito perto do Bom +. É caso, como já o fizemos em devido tempo, para lhe dar calorosamente os parabéns em nome de quantos, como nós, seguem com admiração e inveja (!) as suas proezas atléticas, quase incrédulos por o ver superar tantas etapas, tantos desafios, com uma fasquia cada vez mais alta… e em tão pouco tempo!

No Largo dos Correios, o professor Martinó começou, logo após o seu regresso, a desfiar as recordações dessa viagem às verdejantes terras da Escócia, partilhando com os leitores a indizível emoção que sentiu ao deambular, pela primeira vez, nas ruas de Edimburgo (que o fizeram mergulhar noutro mundo, como que copiado a papel químico de uma novela de Charles Dickens!), e a que o assolou ao ver-se no meio de tantos concorrentes, a grande maioria muito mais novos do que ele (incluindo um casal português), ou ao contemplar as águas profundas de um imenso lago onde era pouco provável avistar-se o vulto de um misterioso e furtivo monstro marinho… que há muito se nega a aparecer aos íncolas e aos turistas!

Os nossos leitores podem apreciar os textos e as imagens dessa aliciante reportagem no Largo dos Correios, mas para já convidamo-los a tomar um “aperitivo”, isto é, a saborear o trecho seguinte — extraído, com a devida vénia, da mesma série —, em que António Martinó evoca sugestivamente os “fantasmas” da Escócia, relacionando-os com o fervor revivalista que lhe inundou de chofre a alma ao ressuscitar, logo à chegada, outros “duendes” que povoaram a sua infância, saídos das páginas de revistas tão emblemáticas, para ele e para muitos de nós, quanto o “monstro” de Loch Ness: o Diabrete, O Mosquito, O Papagaio, o Cavaleiro Andante.

Boa leitura… e façam o favor de continuar a seguir a reportagem que o professor Martinó está a publicar no Largo dos Correios.

Por António Martinó de Azevedo Coutinho (4ª parte)

Funciono muito por imagens. Aliás, isso foi extremamente significativo na minha própria vida profissional, onde as imagens tiveram lugar privilegiado.

Na recente ida à Escócia, particularmente quanto a Edinburgh e ao Loch Ness, isso esteve presente. Nem sequer o escondi, quando previamente citei as memórias pessoais com Tintin, ainda que ligeiramente ficcionadas.

Sabia, de antemão, que a Escócia é um lugar de encanto. E de encantamento. Nas paisagens urbanas como nas rurais, isso é ostensivamente patente, mete-se pelos olhos e pela alma adentro.

Edinburgh, primeiro lugar da escala escocesa, depois da “monstruosidade” do londrino aeroporto de Heathrow, é uma cidade admirável que cativa à primeira vista. A sua história e a sua identidade manifestam-se em absoluta coerência na mistura da modernidade com os indeléveis traços do passado, numa uniformidade que espanta os mais desprevenidos. Não há ali notas dissonantes no equilíbrio dos volumes, das tonalidades e das atmosferas. O Outono deve ser a estação ideal para a valorização cromática dos verdes, castanhos e dourados de Edinburgh.

Estendida sobre sete colinas, como Lisboa, a cidade nasceu e desenvolveu-se em torno do majestoso e imponente castelo, autêntico símbolo da identidade nacional escocesa, formando a Old Town e a New Town. A primeira caracteriza-se por uma rede de ruelas, passagens cobertas e pátios medievais e também de avenidas, como a majestosa Royal Mile, enquanto a segunda foi projectada e realizada no século XVIII, segundo os princípios urbanísticos do neoclassicismo em vigor na época, ainda que aqui sujeito à versão georgiana, de tipo britânico. As igrejas, as mansões e os espaços verdes abundam em todo o burgo.

Nas ruelas de Old Town o tempo parece ter parado. (Em nota intercalar que dá para perceber como por ali nos embrenhámos, bastará dizer que percorremos a pé, num só dia em Edinburgh, perto de vinte quilómetros… num excelente treino de marcha para a corrida!) Aqui funcionaram — e de que maneira! — as tais memórias (ou ficções) icónicas acumuladas desde a infância, sobretudo com base — imagine-se! — no saudoso Diabrete. E, depois, noutras colecções similares…

Foi naquele saudoso jornal de quadradinhos que, nos distantes anos 40 e 50 do passado século, li pela primeira vez, adaptadas em texto-folhetim ou em banda desenhada, obras de Robert Louis Stevenson, Arthur Conan Doyle ou Walter Scott. Por coincidência ou talvez não todos estes autores nasceram — em diversas épocas — na cidade de Edinburgh. Registe-se.

Confesso, por isso, ter esperado em diversas oportunidades que Sherlock Holmes e o seu fiel companheiro Dr. Watson espreitassem por detrás das cortinas de uma daquelas misteriosas janelas de Holyrood, que Ivanhoe desfilasse a cavalo por Victoria Street fora, que os clãs de Rob Roy ou de Quentin Durward em tropel atravessassem Charlotte Square ou Stockbridge, que as sombras inquietantes do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde saltassem de uma esquina perdida em Canongate, que os ébrios piratas da Ilha do Tesouro tumultuosamente desembarcassem no porto de Leith. Em vão…

Porém, devo confessá-lo, foram as personagens de outro “monstro” literário — Charles Dickens, por mero acaso não nascido em Edinburgh — que mais ainda me pareceram adequadas ao cenário. Nas estreitas e labirínticas ruelas e nos becos da Old Town, como nas suas passagens escuras desembocando em asfixiantes e altos pátios, entre Castlehill e Lawnmarket, ou de Beehive Inn a Grassmarket, esperei a cada passo encontrar os irrequietos David Copperfield e Oliver Twist ou o tenebroso Ebenezer Scrooge

Se me apetecesse dar a volta a estes pesados pensamentos, encontraria na minha bagagem de memórias icónicas outros pretextos familiares, mais tranquilos, igualmente próprios do contexto. É que foi precisamente no miserando Mr. Scrooge que o desenhador Carl Barks, dos estúdios do mago Walt Disney (cá volto aos bonecos!), se inspirou para criar o imortal e severo Tio Patinhas. Tio PatinhasScroogge McDuck, de nome de baptismo, em 1947 — tem ascendência escocesa, convém a propósito lembrá-lo, na família dos Mac Patinhas, riquíssimo clã do qual bem se conhecem, entre outros, os célebres membros Fergus Mac Patinhas e sobretudo sir Mac Trovão.

E que tal trazer à liça o celebérrimo e irredutível gaulês, de quem há escassos anos se conheceram proezas acontecidas pelas terras verdes da Escócia, em Astérix entre os Pictos? Depois, como é fácil chegar a um cidadão de carne e osso dos mais conhecidos, entre os modernos escoceses, Sean Connery de seu nome, agente James 007 Bond ou pai de Indiana Jones!? Também é natural de Edinburgh, para que se saiba.

Paro por aqui nesta deambulação, quase interminável, porque o objectivo era falar da cidade. Vou lá voltar, no entanto, com a absoluta consciência — ou íntima convicção — de que não cheguei a sair dela…

Clicar aqui para conectar o “Largo dos Correios”.

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Recordando o “ABC-zinho” (1921-1932)

“ABC-ZINHO” – A PRIMEIRA REVISTA DE BANDA DESENHADA PORTUGUESA

Artigo de Carlos Gonçalves

Esta afirmação talvez seja pouco credível para quem não se tenha apercebido da evolução das revistas de histórias aos quadradinhos em Portugal. Senão vejamos: se analisarmos as revistas que até então tinham aparecido no nosso país sobre o tema, vemos que quase todas elas publicavam caricaturas ou anedotas. Muito esporadicamente incluíam nas suas páginas banda desenhada.

Só depois de 1872 (ano em que Rafael Bordalo Pinheiro cria a primeira história aos quadradinhos, que intitulou “Apontamentos da Picaresca Viagem do Imperador do Rasilb pela Europa” e que seria publicada num pequeno álbum naquela altura), surge uma ou outra história apresentada na linguagem figurativa. As revistas “O Amigo da Infância”, “As Creanças” e “O Jornal da Infância” publicavam textos infantis e ilustrações. No caso de “A Corja”, “A Caratonha”, “A Marselheza” e “A Paródia”, estas eram revistas satíricas, bem como muitas outras que surgiram na época. A que se aproximou mais de uma revista infantil sobre este tema foi “O Gafanhoto” (1ª e 2ª séries).

Quanto a nós, seria o “ABC-zinho” a verdadeira revista infantil, com histórias aos quadradinhos desde o primeiro dia da sua publicação. Um dos principais desenhadores desta revista foi o próprio director da revista, José Ângelo Cottinelli Telmo, arquitecto oficial do Governo de Salazar e que colaborou intensamente na vida nacional da altura. Urbanizou a Praça do Império, criou o Liceu D. João de Castro, o Monumento das Descobertas e a tão falada prisão de Caxias, além de ter planificado a Exposição do Mundo Português. Também foi realizador de Cinema e dos bons, cabendo-lhe o primeiro filme sonoro português, tão do agrado de todo o público: “A Canção de Lisboa”.

Outros desenhadores desta revista foram o Albino (Stuart Carvalhais, com pseudónimo) e Rocha Vieira, um dos grandes desenhadores portugueses, cujo estilo se assemelhava bastante aos traços das histórias produzidas em Inglaterra e que seriam posteriormente importadas pelo “Tic-Tac”, “O Senhor Doutor” e “O Mosquito”, mais de uma dezena de anos depois. Os trabalhos de Rocha Vieira são já o resultado de um desenhador experiente e de grande maturidade. Os de Stuart mantêm-se na sua vertente, como nos habitou, não defraudando ninguém nos resultados alcançados.

As histórias são pejadas de aventuras, tão em voga nesse tempo, em que os leitores davam azo à sua imaginação e eram transportados nas asas do sonho, vivendo do mesmo modo que as personagens as peripécias narradas de vinheta para vinheta. Foi talvez por isso que esta revista se tornaria num dos maiores êxitos como publicação infantil, pois foi absolutamente completa e no campo didáctico pouco ou nada poderemos acrescentar quanto aos objetivos alcançados, que seria educar e distrair, ao mesmo tempo, a juventude dos anos 20.

Além da panóplia de desenhadores de grande qualidade que apresentou, alguns dando os seus primeiros passos na arte de desenhar histórias aos quadradinhos, como Cottinelli Telmo, Tiotónio, o próprio Suart, agora mais solto, António Cristino (uma esperança ainda, pois era muito jovem), Carlos Botelho e outros de que falaremos a seguir.

AS CONSTRUÇÕES DE ARMAR

Mas acima de tudo, um dos seus maiores pontos de interesse e de sucesso seria o de incluir, desde o seu primeiro número, construções de armar. Inicialmente eram simples, mas pouco a pouco e com o passar dos meses passariam a ser já de uma qualidade indiscutível. O seu número 14 incluiu uma folha A3 dupla com o Hidroavião Lusitânia, uma autêntica obra-prima nos seus detalhes, sendo também, por isso, difícil de montar.

Depois, incluirá como suplemento da revista mais uma série de construções: “Mimi e os seus fatinhos”, mobílias de bonecas, personagens de circo, animais, jogos, e a partir do seu número 45 uma das melhores construções até hoje criadas, “O Teatrinho do ABC-zinho”, composto por mais de duas dezenas de folhas, com a montagem de um teatro (uma construção que obrigaria os leitores a uma certa habilidade para a realizar), com personagens e cenários… e de tal modo era a imaginação, que até é possível iluminar os cenários. Seguiram-se uma aldeia do Zinho, com casinhas e tudo o que faz parte de uma aldeia (inclusive um facto inédito neste género de construções, um cemitério da aldeia com jazigos e campas), uma tourada, um castelo, automóveis, etc.

Como ponto alto e inédito também, anote-se a publicação de 12 pequenos livros com contos e ilustrações, não só de Cottinelli Telmo como de Else Althausse. Finalmente e também como um novo facto inédito desta publicação, teremos que destacar um presépio único, da autoria do arquitecto, em que as figuras se apresentam em três dimensões.

OUTRAS COLABORAÇÕES DA PRIMEIRA SÉRIE DO “ABC-ZINHO”

Depois dos artistas que já salientámos aqui e que colaboraram na revista, destacam-se ainda os nomes de Alfredo Morais (um dos maiores capistas, autor de centenas de capas e ilustrações no princípio do século XX), Emmérico Nunes, que era outro consagrado autor com ilustrações e banda desenhada, seguido de Carlos Botelho, de quem já falámos, também conhecido como o pintor de Lisboa. A maior produção portuguesa pertence a Rocha Vieira e a António Cardoso Lopes (o Tiotónio), durante a primeira série desta revista. No entanto, também irá incluir trabalhos estrangeiros: ingleses (retirados da revista “Puck”), espanhóis e franceses. “Os Sobrinhos do Capitão” serão nas suas páginas apresentados pela primeira vez em Portugal.

A primeira série da revista “ABC-zinho” surge em 15 de Outubro de 1921 e termina no número 171, em 28 de Dezembro de 1925. Era uma publicação bimensal e tinha 24 páginas impressas a preto e branco, alternando com outras a uma cor. Os seus diretores foram Cottinelli Telmo e Manuel de Oliveira Ramos. Comemoram-se, pois, os 96 anos do seu aparecimento.

A SEGUNDA SÉRIE DO “ABC-ZINHO”

A segunda série desta revista teria o mesmo impacto junto dos leitores como a primeira, não só pelo seu formato, no dobro da outra e já com algumas páginas a cores. Os artistas pouco aumentaram no seu total, mas surgiram novos estilos e novos métodos de contar uma história aos quadradinhos, já que os colaboradores anteriores tinham naturalmente evoluído.

António Cristino é um deles, mais maduro e perfeito, o Tiotónio demonstra a sua criatividade, Carlos Botelho está mais à vontade e surgem dois novos artistas nos finais da publicação: Carlos Ribeiro, outro desenhador já com provas dadas, como director da revista “O Senhor Doutor”, e Ilberino dos Santos, que mais tarde criará algumas pranchas de humor para “O Mosquito”. O seu formato salienta melhor a arte gráfica, além de que oferece maior impacto visual aos olhos dos seus leitores, com os trabalhos que são publicados. Dedica também algumas das suas páginas aos contos, quer históricos quer de aventuras. Não há dúvidas que esta revista teve um papel importante na sua divulgação. 

Até aqui pouco mudaram as revistas do género, como o  “Carlitos” e o “Cócórócó”… De qualquer dos modos, com a passagem dos anos as histórias aos quadradinhos viriam a afirmar-se no nosso país. Com as várias experiências conseguiu-se encontrar a fórmula ideal para satisfação dos leitores. No entanto, muitos educadores e professores acusavam estas publicações de criar um desinteresse pelos livros. Não é verdade, hoje sim, os meios audiovisuais é que têm sido um dos maiores factores para o afastamento da leitura. E até da própria banda desenhada. Para colmatar tal situação criaram-se as novelas gráficas (algumas vezes republicando histórias já impressas em álbuns ou revistas).

O “ABC-zinho” (2ª série) apareceu a 4 de Janeiro de 1926, vindo a terminar no seu nº 350, a 26 de Setembro de 1932.

Recordações do “Mundo de Aventuras”: os Policiaristas da “Távola Rectangular” no Convívio de Viseu (1978)

Comentário de Jorge Magalhães

Tive o gosto de receber há poucos dias uma “Jarturada” — ou seja, uma produção do meu bom Amigo João Artur Mamede (mais conhecido por Jartur, nome incontornável da Problemística Policiária portuguesa) —, recordando, talvez com nostalgia, um convívio do Mundo de Aventuras e do Mistério… Policiário realizado em 23 e 24 de Setembro de 1978 na histórica cidade de Viseu, com mais de duas dezenas de “ferrenhos” participantes oriundos de diversas localidades do país, encabeçados pelo saudoso Sete de Espadas, mestre dos mestres dos policiaristas portugueses (que, para não delegar em mãos alheias a sua “missão” de repórter fotográfico, ficou ausente nas imagens).

A propósito desse texto do Jartur — que logo teve eco noutros membros da comunidade policiária, felizmente ainda vivos e na plena posse das suas “células cinzentas”, como é o caso do LP (Luís Pessoa), coordenador há 25 anos (!) de uma rubrica policiária no jornal Público —, pareceu-me oportuno, já que pertenço à mesma confraria, reviver também, resgatando-a religiosamente dos arquivos do passado, a reportagem desse animado convívio, publicada no Mundo de Aventuras nº 292, de 10/5/1979, e da autoria de um certo Mycroft Holmes (não confundir com o irmão de Sherlock Holmes).

Com um abraço de amizade ao Jartur, ao LP, ao (rei não coroado) e a todos os outros convivas de Viseu que ainda por cá andam. Em 1978, não fui a Viseu, com o Sete e a Lau, meus colegas de redacção no MA, porque, nessa altura, estava em Paris a gozar férias!

Foi num destes encontros mensais — que tantas recordações suscitam ainda! — que Jartur (sem poder precisar a data certa) teve a feliz ideia de exibir os seus dotes poéticos, recitando perante os outros convivas, depois de um lauto almoço, os seguintes versos da sua lavra, com uma expressiva homenagem ao “jovem” veterano Sete de Espadas, o homem que, em 1976, deu nova vida ao Policiário:

Louro e Simões no “Mundo de Aventuras”

Luís Louro e Tozé Simões são hoje dois nomes incontornáveis da BD portuguesa, formando  uma prestigiada e inseparável dupla, com uma carreira semeada de êxitos que lhes proporcionaram uma aura de autores neoclássicos, sobretudo por causa da sua série fetiche Jim del Monaco, onde a aventura e o exotismo, à maneira dos anos trinta, se revestiram de um humor escatológico, desafiando todas as regras de “bom comportamento” dos heróis e das heroínas da BD portuguesa, até essa data.

A propósito de uma recente entrevista que estes dois autores (hoje com mais de cinquenta anos, mas ainda jovens de espírito) concederam ao Diário de Notícias no passado dia 21 de Agosto — entrevista que o nosso blogue reproduziu na íntegra —, queremos recordar aqui a sua estreia, em 1985, no Mundo de Aventuras, que lhes publicou as primeiras histórias, dedicando-lhes no nº 548, de 1 de Abril desse ano, um artigo assinado por Luiz Beira, onde os dois valorosos principiantes já davam sinais, pela forma como encaravam o seu trabalho, de que não brincavam em serviço, preparando-se diligente- mente, com o zelo de verdadeiros profissionais, para uma carreira a sério na BD. E o êxito não tardou a chegar, pouco tempo depois, com a criação da genial e emblemática série que hoje é unanimemente considerada um clássico, embora este termo, há 30 anos, fosse substituído pelo de vanguardista, como Louro e Simões fazem questão de frisar. Sinal do tempo que passa e do prestígio alcançado por uma das raras séries da BD portuguesa dos últimos decénios que soube conquistar o espaço mítico do imaginário colectivo.

Mas voltando ao Mundo de Aventuras… A revista que os acolheu sem grandes pompas mas lhes proporcionou um auspicioso início de carreira, mostrou-os também, à luz da publicidade, ainda muito jovens (ambos com 19 anos), nesse artigo que gostosamente reproduzimos, assim como a capa de outro número com uma das suas histórias, “Führer”, que deu a Luís Louro a honra de figurar entre os melhores ilustradores do MA.

QuadriculografiaHistórias de Louro e Simões publicadas no Mundo de Aventuras (2ª série): 548 (1 Abril 1985) – “Estupiditia 2” (6 págs.); 556 (1 Agosto 1985) – “Führer” (8 págs.); 565 (15 Dezembro 1985) – “Game Over” (4 págs.).

Em Outubro de 1985, o ano que lhes abriu as portas do êxito, Louro e Simões viram o primeiro episódio de Jim del Monaco publicado no Diário Popular, transitando a série logo de seguida para O Mosquito, da Editorial Futura (nºs 10 e 12, Novembro 1985 e Janeiro 1986), que também lhe dedicou uma colectânea com quatro álbuns, publicando outra história no Almanaque O Mosquito 1987 (Dezembro 1986).

Em cima: duas páginas da história “Estupiditia 2”, publicada no Mundo de Aventuras 548, de 1/4/1985; em baixo: à esquerda, página da história “Führer”, e à direita, página da história “Game Over”, publicadas respectivamente no Mundo de Aventuras nºs 556, de 1/8/1985, e 565, de 15/12/1985.

Entrevista no DN a uma dupla de talento: Luis Louro e Tozé Simões

Entrevista publicada no Diário de Notícias, edição de 21 de Agosto p.p, de onde a reproduzimos com a devida vénia ao seu autor, João Céu e Silva, congratulando-nos com esta merecida homenagem a uma dupla incontornável (e inseparável) da BD portuguesa — que se estreou auspiciosamente no Mundo de Aventuras, em Abril de 1985 — e ao seu herói “fetiche”, Jim del Monaco, com mais de 30 anos de carreira. Parabéns, Louro e Simões!

E também nos congratulamos com a surpresa de ver um grande órgão de informação como o DN dedicar, num só número, tanto espaço à BD. Quantos dos seus colegas o imitarão?

Corto Maltese: uma viagem com 50 anos

ESTANTE – Revista FNAC (Verão 2017)

Foi em Julho de 1967 que Hugo Pratt nos apresentou Corto Maltese, o lacónico, rapidamente icónico, capitão da Marinha Mercante Britânica, protagonista de uma das séries gráficas mais veneradas do século XX. Meio século depois do embarque na «Balada do Mar Salgado», os ventos da realidade voltam a empurrar-nos para ele(s).

Em «Corto Maltese na Sibéria», há um momento em que o famoso marinheiro, prestes a ser capturado pela divisão de cavalaria asiática do barão Von Ungern-Sternberg, se refugia num poema de Rimbaud. “Pelas tardes azuis do verão, irei pelas sendas, guarnecidas pelo trigal, pisando a erva miúda”, declama para dentro, rodeado de neve e a tremer de frio, a fitar uma espingarda a aproximar-se. “Sonhador, sentirei a frescura em meus pés. Deixarei o vento banhar a minha cabeça nua. Não falarei mais, não pensarei mais; mas um amor infinito invadir-me-á a alma. E irei longe, bem longe, como um boémio, pela natureza — feliz como com uma mulher.”

Corto não segue sozinho a caminho da provável morte. A seu lado vai Changai Li, a jovem chinesa que quer capturar antes dele o ouro do almirante Kolchark, e Rasputin. Quem nunca leu a famosa BD de Hugo Pratt estará a questionar-se se esse Rasputin é “aquele”, o real, o místico louco que soprava conspirações ao ouvido de Nicolau II e que contribuiu para a queda do último czar da Rússia, faz agora um século.

A versão ficcionada do Barão Sanguinário (como o verdadeiro Von Ungern-Sternberg ficou conhecido no pós-revolução russa) tem a mesma dúvida quando é apresentado aos três reféns. Você que se parece com o infame Rasputin, como se chama?” — “Rasputin, excelência!

Utopia e pragmatismo

Hugo Pratt, que há cinquenta anos nos convidou a embarcar na «Balada do Mar Salgado», nunca fez segredo das suas inspirações — de todas as personagens reais com quem Corto se cruza a partir dali, só Rasputin não é suposto ser o verdadeiro.

Na aventura de estreia de Corto Maltese, que o ilustrador italiano lançou em Julho de 1967, o oficial da Marinha Mercante britânica, nascido em Malta e com residência em Hong Kong, que se recusa a criar raízes em lugares ou em ideologias, já conhecia este outro Rasputin — seu companheiro de várias viagens na aclamada série gráfica, um homem de olhar cavado e longa barba negra mais dado a interesses e loucuras do que o marinheiro errante de brinco na orelha.

Na primeira aventura, perdidos no meio do Pacífico, em plena Primeira Guerra Mundial, Corto sobe a bordo de um catamarã onde Rasputin está a planear usar dois sobreviventes de um naufrágio para enriquecer — e assim se inaugura o imaginário de Pratt. Na segunda, o criador de Corto leva-o até aos confins da China e da Sibéria e põe-lhe nas mãos a «Utopia», de Thomas More. “Nunca conseguirei ler isto até ao fim”, lamenta-se o nómada dos mares, filho de um oficial da Marinha Real britânica e de uma cigana de Sevilha.

Acho que a coisa realmente importante sobre isto, que é hilariante e tão certa, é que Corto nunca acabou de o ler”, comentava em 2012 Hall Powell, realizador e guionista de televisão que, nesse ano, começou a traduzir a BD do anti-herói para inglês (foi o primeiro lançamento nos Estados Unidos, em 20 anos). Não ler «Utopia» até ao fim, defendeu Powell, “é a definição de um utópico verdadeiramente pragmático”.

A sofisticação da literatura e da política

Há quem diga que as palavras que abrem «A Balada do Mar Salgado» — “Sou o Oceano Pacífico e sou o maior de todos” — estão para os quadradinhos como “Chamem-me Ismael”, a primeira linha de «Moby Dick», de Herman Melville, está para a literatura. Quando Pratt lançou a série com a revista Il Sergente Kirk em Itália, o protagonista ia ser o mar. Mas a complexidade literária e política que brotou do marinheiro acabaria por levar a melhor — o Pacífico foi relegado para segundo plano e Corto ganhou vida longa entre nós, levando-nos aos confins do mundo e da mente humana. Já dizia Umberto Eco: “Quando quero relaxar leio ensaios de Engels. Quando quero algo mais sério, leio Corto Maltese.”

Hoje, até quem nunca foi dado a BD já ouviu falar da personagem. Que é como quem diz, de Pratt. “Devemos lembrar-nos que as tiras reflectem as próprias experiências peripatéticas de Pratt”, explicava há alguns anos Dean Mullaney, fundador de uma das primeiras editoras independentes de BD nos EUA, a Eclipse Enterprises. “Da sua juventude na Etiópia aos muitos anos passados na Argentina, Pratt foi ganhando uma perspectiva humanista. As suas histórias ressoaram na audiência do fim dos anos 60 e do início dos anos 70, e ressoam ainda hoje em nós, porque ele escreve sobre a luta universal pela dignidade humana.”

Foi assim que Pratt trouxe ao mundo das novelas gráficas não só a sofisticação da literatura, mas a crítica social e política, com histórias em quadradinhos mais próximas da realidade do que da ficção, apesar de todo o esoterismo e magia.

Filho de um militar que apoiava Mussolini e da neta do poeta Eugenio Genero (citado na versão original de «Corto Maltese na Sibéria», em vez de Rimbaud), Pratt lançou o primeiro trabalho na Itália do pós-guerra, com críticas ocultas ao imperialismo e ao capitalismo. Foi isso e também o facto de Corto ser um aventureiro romântico que, ainda assim, desconstrói a forma como o mundo ocidental subjugou culturas e povos, que fizeram com que Pratt e o seu alter ego reflectissem o activismo do Maio de 68 e até o movimento espontâneo anti-ideológico de 1977, em Itália, antes de qualquer um deles eclodir.

Uma coincidência, dirão alguns, tão atraente como o facto de a obra celebrar meio século na mesma altura do centenário da Revolução Russa. Num novo momento de convulsões sociais e com as peças do xadrez mundial outra vez em movimento, faz sentido voltar a Corto Maltese. Como diziam o ilustrador Ruben Pellejero e o escritor de BD Juan Díaz Canales, há dois anos, quando reinventaram Corto numa nova série fiel ao universo gráfico e literário de Pratt: “Corto convida-nos a viajar e a sonhar com ele.” E a mensagem de tolerância e de empatia, mesmo quando há discórdia, talvez seja o seu maior ensinamento — mais actual do que nunca.

Celebrando mais um aniversário do “Mundo de Aventuras” (desaparecido há 30 anos)

Nascido em 18/8/1949, o Mundo de Aventuras — um dos títulos mais emblemáticos da nossa imprensa juvenil — teve publicação ininterrupta durante cerca de 38 anos, até 15/1/1987. Um autêntico recorde de longevidade que nenhuma outra revista periódica de banda desenhada logrou sequer almejar, pois todas ficaram a grande distância dessa meta, mesmo as que no seu tempo foram tão populares como o Mundo de Aventuras.

Essa longa carreira, abruptamente interrompida pela crise da APR, que acabou também pouco tempo depois, foi assinalada, como é óbvio, por várias fases de maior e menor êxito, em que o MA mudou não só de periodicidade, de formato e de aspecto gráfico, como de sede, de oficinas, de director e de colaboradores.

Transcrevemos, a propósito, um pará- grafo da bela dedicatória “Em cada quinta-feira um novo mundo”, que o nosso amigo Professor António Martinó colocou, há três anos, no seu blogue Largo dos Correios, onde reluz o dom da palavra e da escrita de um mestre conceituado:

(…) Confrontando-se durante uma parte da sua longa vida com uma concorrência de peso, a revista conseguiu subsistir e atravessar diversas fases editoriais e modelos/formatos distintos. Mudando mesmo a sua filosofia, das histórias de continuação para as histórias completas, prenunciou o fim irreversível dessa saudosa fase onde aguardávamos com impaciência cada 5ª feira que nos fornecia o episódio seguinte de aventuras movimentadas, aptas a preencher um pouco da nossa própria vida.

Sobrevivemos sem “play-stations” e sem telemóveis, sem brinquedos sofisticados, até mesmo, imagine-se, sem televisão e, obviamente, desprovidos de acesso à internet… Sobrevivemos, sem traumas nem stresses, e isso deve-se em boa parte aos diabretes, aos mosquitos, aos mundos de aventuras e quejandos…”

A última série, iniciada em 4/10/1973, sob a direcção de Vitoriano Rosa, que sucedeu a José de Oliveira Cosme, falecido pouco tempo antes, teve também vários formatos e periodicidades, além de uma controversa interrupção cronológica, como se de uma nova revista se tratasse, com a numeração a voltar ao ponto de partida, após 1252 semanas de presença contínua nas bancas. O segundo director dessa série foi António Verde, que se manteve no cargo até ao último número (589), sempre coadjuvado pelo chefe de redacção (coordenador) Jorge Magalhães.

Mas o nascimento do Mundo de Aventuras está ligado a um facto pitoresco que poucos bedéfilos conhecem… a história de dois “mundos”, como a baptizou Orlando Marques (consagrado novelista e colaborador de longa data do MA), que foi um dos seus protagonistas.

Reproduzimos seguidamente um artigo publicado no nº 559 (15/9/1985), em que, pelo punho de Orlando Marques, se relata esse pitoresco episódio, cujo desfecho quase ia arruinando a sua carreira literária.

Homenagem ao “Sete de Espadas”

Uma bela homenagem ao saudoso “Sete de Espadas”, nome mítico do Policiário português, inserida no jornal Público (edição do passado dia 23 de Julho), de onde a reproduzimos, com a devida vénia ao seu autor, Luís Pessoa, outra destacada figura das lides policiárias. “Sete de Espadas” faleceu em 10 de Dezembro de 2008.

Associamo-nos também a esta homenagem à sua memória, recordando com emoção os tempos felizes dos convívios do Mundo de Aventuras e do “Mistério… Policiário”, realizados mensalmente em todo o país, que relançaram a carreira do “Sete” como orientador de rubricas da especialidade (praticamente suspensas desde finais dos anos 1950), e criaram uma ponte entre gerações que ainda hoje perdura.

Dupla página de “Mistério… Policiário” publicada no “Mundo de Aventuras” nº 77, de 20/3/1975. O cabeçalho foi desenhado por Jorge Mendonça.

Olha as lindas marchas!

Pelo traço de Mestre José Ruy, em Quadradinhos nº 54, 2ª série, de 20/6/1981 (suplemento do saudoso vespertino A Capital, dirigido por Adolfo Simões Müller), chega-nos um pitoresco desfile das marchas populares desse festivo mês de Junho, enquadradas por famosos heróis de papel, de arquinho e balão em punho, que ainda hoje fazem as delícias dos seus admiradores, num renovado preito de homenagem aos magistrais artistas que os criaram há muitas décadas.

E até Tom Sawyer e Ivanhoe se aliaram à festa… como convidados especiais do Quadradinhos, um suplemento que, fiel ao lema do seu director, procurava não só divertir como instruir, fomentando também entre os mais jovens o convívio com os heróis dos clássicos literários, através da fusão entre o texto e a imagem.   

Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 12

Nesta página, ilustrada pelo magnífico traço de Cambraia e referente ao mês de Maio, o Diabrete celebrava, com um mês de atraso, a descoberta da terra de Vera Cruz, ocorrida em 22 de Abril de 1500, quando o navegador Pedro Álvares Cabral, em rota para as Índias, chegou, pela primeira vez, às costas de um novo continente — mais ao sul da região atingida, em 1498, por Cristóvão Colombo —, onde mais tarde os colonos portugueses se fixariam também, levando aos indígenas a espada da conquista e a cruz do Evangelho.

Terra de Vera Cruz, assim baptizada em honra da fé cristã, e posteriormente conhecida pelo nome de Brasil, quando os primeiros colonos (ou bandeirantes) começaram a explorar as suas imensas riquezas, incluindo a preciosa madeira de uma árvore de cor esbrazeada, que crescia em abundância no luxuriante território e a que deram o nome de “pau-brasil”.

Esta página do Diabrete, alusiva ao último mês do seu grande concurso, foi dada à estampa no nº 806, de 21/3/1951. Noutras edições, correspondentes aos nºs 804, de 14/3/1951, e 805, de 17/3/1951, surgiram mais informações sobre a origem histórica do nome dos meses, que tanta curiosidade pareciam despertar aos leitores do “grande camaradão”.

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