O regresso de Dick Haskins – 4

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4º volume da colecção policial “Dick Haskins – O Mestre do Policial Português”, distribuído com a revista Sábado (edição de 13/10/2016). Preço de capa: 50 cêntimos.

O regresso de Dick Haskins – 3

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3º volume da colecção policial “Dick Haskins – O Mestre do Policial Português”, distribuído com a revista Sábado (edição de 6/10/2016). Preço de capa: 50 cêntimos.

O regresso de Dick Haskins – 2

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2º volume da colecção policial “Dick Haskins – O Mestre do Policial Português”, distribuído com a revista Sábado (edição de 29/9/2016). Preço de capa: 50 cêntimos.

O regresso de Dick Haskins – 1

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1º volume da colecção policial “Dick Haskins”, distribuído com a revista Sábado (edição de 22/9/2016). Preço de capa: 50 cêntimos.

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Os Gatos e o Crime (7) – Neill Graham

Neill GrahamNeill Graham (aliás, William Murdoch Duncan) nasceu em Glasgow, na Escócia, a 18 de Novembro de 1909 e morreu, nessa mesma cidade, a 19 de Abril de 1976. Autor de romances policiais bastante prolífico, Duncan escreveu com diversos pseudónimos, tais como John Cassells, Neill Graham, Peter Malloch, Lovat Marshall, John Dallas ou Martin Locke.

Depois de estudar na Universidade de Glasgow, onde completou um mestrado de história em 1934, dedicou-se à escrita, redigindo artigos com temas históricos e centenas de novelas policiais, que alimentaram jornais e revistas populares. Nos primeiros anos da 2a Guerra Mundial serviu no exército britânico e, em 1944, casou com Marion Hughes.

Murdock Duncan 1No mesmo ano, publicou um primeiro romance: The Doctor Deals with Murder. Até à sua morte, deu à estampa mais de duzentos e cinquenta livros, razão por que, juntamente com John Creasey, figura entre os autores britânicos mais prolíficos da literatura policial. Para divulgar esta vasta produção, em que nenhum título se demarca, utilizou, além do seu patronímico, numerosos pseudónimos.

Em França, várias colecções, como a Série Noire, publicaram obras de W. Murdoch Duncan, Neill Graham e Peter Malloch. A famosa colecção Le Masque — interessada, primeiro, pelos títulos do pseudónimo John Cassells, que tinham como herói o Inspector Flagg, o detective mais famoso do autor —, deu depois à estampa, com este nome, obras repescadas na sua abundante produção, nomeadamente os inquéritos do detective James «Solo» Malcolm e do detective privado Sugar Kane, assinados respectivamente Neill Graham e Lovat Marshall, no Reino Unido.

grahamsayEmbora alguns títulos evoquem animais diversos: corvo (The Blackbird Sings of Murder1948), canário (Death of a Canary 1968), é o gato que nos interessa. Este figura em dois títulos: The Symbol of the Cat (1948) e Murder of a Black Cat (1964), ambos com o pseudónimo de Neill Graham. Este último título foi publicado em francês pela colecção Le Masque no 916 (1966), com a assinatura de John Cassells e o título Le petit chat est mort. Em português, foi editado com o título Morte de um Gato Preto pela Editorial Minerva, na Colecção Xis nº156.

Em jeito de nota suplementar, indicamos outros títulos deste autor publicados também na Colecção Xis. Como W. Murdoch Duncan:  nº 153 – A Hora do Bispo; nº 174 – Morte na Aldeia; nº 187 – Problema para o Sonhador; nº 197 – Desafio ao Sonhador; nº 199: O Estrangulador. Como John Cassells: nº 158 – O Máscara Azul. Como Lovat Marshall: nº 164 – Os Mortos Não Falam.

col Xis 187 706O “Sonhador” (Dreamer) é uma personagem criada a partir da figura do Inspector Donald Reamer, da Scotland Yard, que protagonizou treze títulos e é assim descrito no volume Problema para o Sonhador: “Reamer era um homem alto, no limiar dos 40 anos, sem dúvida o polícia mais novo com o cargo de superintendente. Os colegas chamavam-lhe Sonhador, pelo simples motivo de que assinava sempre “D. Reamer”, trocadilho curioso que só os britânicos podem apreciar. Ingressara na Scotland Yard, procedente da Polícia Malaia, onde conquistara reputação apreciável (…)”.  

Noutra antiga e apreciada colecção policial, Grandes Mistérios, da Editorial Romano Torres, registam-se os seguintes títulos, da autoria respectivamente de W. Murdoch Duncan e Peter Malloch: nº 137 – Um Tiro de Madrugada; nº 196 – Fugindo à Morte. Como John Cassells, criador do Inspector Flagg, assinou o volume nº 199 da Colecção Distribolso Policial: Desafio ao Inspector Flagg.

Poucos leitores de romances policiais devem saber que Murdoch Duncan usou tantos pseudónimos e que alguns deles surgiram também em colecções portuguesas. Esperamos ter chamado a atenção para esse facto, ajudando a fazer luz sobre um autor escocês cujo renome entre nós está longe, injustamente, de se comparar ao de outras figuras ilustres da literatura policial.

Morte de um gato preto+omáscara azul+o estrangulador

   

O regresso dos (bons) “Vampiros”

DN - Col Vampiro artigo

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Os Gatos e o Crime (6) – Anthony Gilbert

bench_4aAnthony Gilbert, pseudónimo de Lucy Beatrice Malleson, nascida a 15 de Fevereiro de 1899, em Londres, e falecida na mesma cidade a 9 de Dezembro de 1973, foi um dos mais notáveis autores de romances policiais britânicos que encetaram a sua carreira de escritor durante a idade de ouro do policiário (1920 a 1939). Todavia, a sua obra foi muito pouco estudada pelos especialistas na matéria e há bastante tempo que não é lamentavelmente reeditada.

Lucy Beatrice Malleson viu a luz do dia em Upper Norwood, no distrito londrino de Croydon. Fez os seus estudos em St. Paul’s Girls’ School de Hammersmith, depois trabalhou durante algum tempo como secretária, nomeadamente na Cruz-Vermelha, antes de se consagrar unicamente à escrita, apesar dos desejos maternos de vê-la fazer carreira como professora primária.

Em 1922, depois de ter assistido à peça de teatro de John Willard com o título The Cat and the Canary, experimentou escrever uma história policial, 220px-CatandtheCanaryPostermas sem qualquer êxito, até à publicação em 1927 do seu primeiro livro com o pseudó- nimo de Anthony Gilbert: The Tragedy at Freyne. Com esse nome publicou muitos romances policiais que obtiveram grande sucesso e lhe deram fama na literatura policial britânica, embora a maioria dos seus leitores acreditasse sempre estar perante um autor do sexo masculino.

Os seus personagens, o político Scott Egerton, que aparece em dez romances, e o advogado cockney Arthur G. Crook, que intervém em cinquenta, têm a particula- ridade de saír do corriqueiro. Arthur Crook, sobretudo, revela ideias singulares. Para provar a inocência de um dos seus clientes, não hesita em contornar a lei e ser tão retorcido como o famoso Perry Mason, de Erle Stanley Gardner.

Miss Fanny desaparece 943Grande amador de cerveja e tão obeso como o Nero Wolfe de Rex Stout, Crook serve-se do seu Rolls Royce para percorrer a distância entre a sua casa londrina de Brandon Street e o seu gabinete, no nº123 da Bloomsburry Street. No último andar de um prédio deteriorado, num bairro miserá- vel, esse escritório parece-se mais com um tugúrio do que com um local de boa aparência onde um homem de leis sério e aprumado recebe os seus clientes.

De qualquer modo, Crook prefere ao seu escritório o pub da zona, onde se confunde com o cenário com o seu casaco e as suas calças castanhos e sempre amarrotados. Essa falta de respeito pelas convenções e as aparências é, contudo, um índice das suas capacidades para adivinhar, sob a máscara dos fingimentos, as motivações e as acções de perigosos delinquentes.

Principal protagonista dos livros de Gilbert, a partir de 1936, o mundano e belicoso advogado-detective cockney Arthur Crook foi considerado uma original contribuição à grande falange dos detectives de ficção.

Anthony Gilbert (obra original)Durante cerca de meio-século, de 1925 até à sua morte em 1973, Malleson publicou mais de setenta romances policiais, a grande maioria com o seu pseudónimo mais conhecido: Anthony Gilbert; além de dois mistérios como J. Kilmeny Keith e outras obras, nos primórdios da sua carreira, como Anne Meredith, sendo a mais conhecida Portrait of a murderer.

Embora Malleson não fosse membro fundador do Detection Club, como por vezes se diz erradamente, tornou-se iniciada muito cedo, juntando-se à instituição em 1933, na companhia de Gladys Mitchell e E. R. Punshon. Margery Allingham inscreveu-se no ano seguinte e John Dickson Carr em 1936. Sendo um dos membros mais antigos e activos do Clube, Malleson, tal como Dorothy L. Sayers, impediu a sua total desagregação, durante a 2ª Guerra Mundial.

Colecção Xis - O Gato pretoUm dos livros que justifica a inclusão de Anthony Gilbert nesta rubrica tem como título original Is she dead too? (1955), que nos EUA se transformou em A Question of murder e na edição portuguesa da Colecção Xis nº 51, com tradução e prefácio de Joel Lima (pseudónimo de Lima da Costa), deu, como variante, Ruth e o Gato Preto. Crook ajuda Ruth Appleyard, uma esperta garota de sete anos envolvida em vários casos de mortes suspeitas, que nunca se separa do seu amigo felino.

Na Xis, uma das mais emblemáticas colecções portuguesas do género, foram ainda publicados os seguintes romances de Anthony Gilbert: Miss Fanny Desaparece (nº 18), A Morte Bateu Três Vezes (nº 29) e O Ardil da Velha Demente (nº 62). Refira-se também a menos popular Colecção Policial, da mesma época, onde saíram dois dos seus livros: A Herança Trágica (nº 30) e Sequestrada (nº 33).

Talvez porque Lucy Malleson queria proteger a sua vida privada e a sua identidade, para manter os leitores na ilusão, ainda não se encontrou nenhuma fotografia desta notável autora inglesa de romances policiais, que muitos leigos continuam a confundir com um homem.

Os Gatos e o Crime – 5

DOROTHY  L. SAYERS

Filha de um eclesiástico de Witham, Henry Sayers, Dorothy Leigh Sayers nasceu em Oxford a 13 de Junho de 1893, num meio burguês abastado que a Primeira Guerra Mundial arruinou. D. SayersDepois de brilhantes estudos sobre literatura medieval no Sommerville College, enveredou pelo ensino, mas breve se deu conta de que, afinal, não apreciava muito essa profissão. Partiu para França, como professora assistente de inglês, mas a mudança de ambiente também não lhe agradou. A sua melhor recordação de França foi a de ter lido todos os romances de Arsène Lupin e de ter conhecido, na famosa École des Roches, o galante Eric Whelpton, em quem se inspiraria para criar o herói dos seus romances policiais. De regresso a Londres, deixou o ensino para trabalhar durante algum tempo numa agência de publicidade.

Essa experiência servir-lhe-ia, mais tarde, para retratar o meio das salas de redacção em O Crime Exige Propaganda (Murder Must Advertise). Depois de se interessar, durante algum tempo, pelos movimentos socialistas que moldaram a sociedade inglesa de entre-as-duas-guerras, murder must advertise e o crime exige propagandapublicou em 1923 o seu primeiro romance, O Lorde e o Desconhecido, iniciando assim a entrada em cena do aristocrático detective Lord Peter Wimsey.

Ainda que os seus romances se integrem no quadro do tradicional  enigma policiário, ela trouxe ao género um tom humorístico, com alguns “dardos” afiados contra a sociedade bem-pensante da época, e deu ao seu herói uma vida sentimental que faltava aos Sherlock Holmes, Hercule Poirot e outros célebres detectives britânicos. Com efeito, Lord Peter apaixonou-se loucamente pela bela Harriett D. Vane, que salvou do patíbulo em Intriga e Veneno e com quem casou finalmente em Noite de Crime.

Strng poison e intriga e venenoA vida privada de Dorothy Sayers foi menos idílica que as dos seus personagens de ficção. No aspecto senti- mental, foi mesmo tumul- tuosa e decepcionante. Uma relação com um mecânico de automóveis saldou-se, em 1924, com o nascimento de uma criança que criou sozinha, desprezando as conveniências. Mas, em compensação, os seus êxitos literários deram-lhe a autonomia e a liberdade. Em 1928, casou com o capitão Mac Fleming,  grande bebedor e notório preguiçoso. Uma união difícil, para não dizer falhada, que, no entanto,  deixou Dorothy Sayers com os movimentos livres para produzir, a bom ritmo, as aventuras de Lord Peter, criação que lhe trouxe glória e fortuna.

Curiosamente, sem conseguir sair dos limites do género policial, ela sabia reconhecer o talento dos seus pares. Assim, tomou a defesa de uma romancista cuja obra, O Assassinato de Roger Ackroyd, ofuscara, pela sua «desonestidade» narrativa, os dignos membros do Detection Club.

Para homenagear aquela que a tinha apoiado incondicionalmente, Agatha Christie sucedeu-lhe, após a sua morte, na presidência do Detection Club. P1090990Dorothy Sayers abandonou Lord Peter, em 1940, para se consagrar à sua maior paixão, a literatura medieval. Traduziu nomeadamente A Divina Comédia de Dante e A Canção de Rolando. Dos seus romances policiais, foram publicados em Portugal: O Lord e o Desco- nhecido (Whose Body?) na Colecção Xis nº 45; e na Colecção Vampiro: Qual dos Cinco? (The Five Red Herrings), nº 22; Crime Perfeito (Unnatural Death), nº 28; O Mistério do Bellona Club (The Unpleasantness at the Bellona Club), nº 35; O Crime Exige Propaganda (Murder Must Advertise), nº 63; Intriga e Veneno (Strong Poison), nº 74; e O Gato de Diamantes (Clouds of Witness), nº 112. Como membro do Detection Club, participou também no enigma colectivo Quem Matou o Almirante? (The Floating Admiral), com que a Colecção Vampiro celebrou o seu nº 500.

Dorothy Sayers faleceu em 17 de Dezembro de 1957, em Witham, Essex, onde foi erigida uma magnífica estátua de bronze em sua honra.

Entre as suas obras mais emblemáticas e com relação directa ao nosso tema, os gatos na literatura policial, conta-se Clouds of Witness (1926, 1ª edição), livro publicado na Colecção Vampiro com o título O Gato de Diamantes, como já referimos, tradução de Mascarenhas Barreto e capa de Cândido Costa Pinto (uma das mais icónicas da colecção, com uma concepção artística superior até, em nosso entender, à das inúmeras edições inglesas).

Clouds of witness eO Gato de diamantes

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