Colecção “Novela Gráfica” – Vol. 5

novela gráfica 5032

O 5º volume desta magnífica colecção, já à venda nas bancas, é dedicado a um autor português da nova vaga, Miguel Rocha, e a uma das suas obras mais emblemáticas (agora finalmente reeditada), em que a toada narrativa, a dimensão telúrica e o tratamento plástico, sobretudo a nível da cor, assumem particular relevo, inserindo-se numa corrente neo-figurativa, «a meio caminho entre o neo-realismo e o realismo mágico sul-americano», que tem neste autor um dos seus mais talentosos representantes.

Segue-se a sinopse descritiva de Beterraba: A Vida numa Colher, publicada no jornal Público de sexta-feira, 20 de Março de 2015.

Público beterraba  031

Histórias dos Velhos Deuses (por Marcelo de Morais) – 1

Os Doze Trabalhos de Hércules (1ª parte)

Marcelo de Morais 1         023Com um fundo heróico e aventuroso, inspirado nas lendas da mitologia grega, “Os 12 Trabalhos de Hércules”, episódio da série “Histórias dos Velhos Deuses”, foi um dos expoentes máximos da obra de Marcelo de Morais (que também assi- nava Moraes) publicada no Diabrete, depois da sua passagem pelo Camarada, onde criou, entre outros, dois heróis memo- ráveis: o Inspector Litos e o aspirante a detective Vic Este, protagonistas de duas séries policiais que demonstravam a sua aptidão para um género realista narrado de forma caricatural.

Embora o estilo gráfico reflectisse uma forte influência da chamada “escola de Bruxelas” (vulgo escola de Hergé), os argumentos não seguiam a mesma linha, procurando inspiração em temas e personagens que fugissem aos estereótipos da tradicional BD de aventuras, como a maioria, aliás, das histórias do Camarada, cujo cariz mais nacionalista agradava profundamente aos seus leitores.

Marcelo de Morais 1ANesse aspecto, a revista editada pela Mocidade Portuguesa distinguiu-se, pelo lado positivo, de todas as suas congéneres, sem cair em ladainhas de louvor ao regime nem em excessos patrióticos ditados pela evocação sistemática de feitos históricos, mas dando até preferência a cenários contemporâneos e a heróis comuns, como os de Marcelo de Morais, que se identificavam com uma certa forma de ser e estar no mundo, típica dos portugueses de todas as eras.

No Diabrete, onde pontificava o grande mestre da ilustração Fernando Bento, terá sido relativamente fácil a Marcelo de Morais fazer vingar o seu estilo, graças à presença assídua do mais célebre herói da BD europeia e dos seus inseparáveis companheiros de aventuras. Mas não existiam ainda condições para que Marcelo pudesse repetir os êxitos do Camarada, criando outras personagens fixas que, como o Inspector Litos e o jovem estudante de arquitectura (e autor de “aventuras em quadradinhos”!) Vic Este, conquistassem também o apreço dos leitores. Tanto mais que era difícil competir com heróis como Tintin e Bob e Bobette, ou seja, com a mestria dos dois maiores expoentes da emergente escola franco-belga: Hergé e Willy Wandersteen.

Marcelo de Morais 2Tendo de escolher outro caminho, o jovem arquitecto — vocação que transmitira ao seu herói Vic Este — optou, e bem, pelos assuntos didácticos, pelas biografias de célebres actores de cinema, pelos passa- tempos e pelas curiosidades, conseguindo, no cômputo geral, um crédito bastante positivo com toda a inovação, jovialidade e modernismo artístico que trouxe ao Diabrete, cujo aspecto gráfico, durante esse período, se alterou profundamente.

Para o historial da revista ficaram criações risonhas, de amena e proveitosa leitura, em rubricas como “Desenhos Animados”, “Histórias dos Velhos Deuses”, “Sabias Isto?”, “Tudo Isto… e um Prémio Também!”, e algumas histórias aos quadradinhos como “O Terrível Combate” e “A Fórmula Secreta”, em que aperfeiçoou o seu modelo de realismo caricatural. Marcelo de Morais 3Ou seja, nesta fase da revista a presença de Marcelo de Morais (Moraes) não passou despercebida, tornando-se tão assídua e importante como a de Fernando Bento e de outros autores.

Em homenagem a uma prestigiosa revista e a um dos seus melhores colaboradores, começamos hoje a apresentar “Os 12 Trabalhos de Hércules”, outra faceta (algo bicéfala) do trabalho humorístico de Marcelo de Morais, cujo teor didáctico estava em perfeita harmonia com a orientação geral do Diabrete nessa última etapa da sua existência, em que o “grande camaradão” procurava abertamente, sem esquecer a vertente lúdica, cultivar o espírito dos mais jovens com páginas recheadas de textos culturais e de rubricas com conhecimentos úteis.

Dentro em breve apresentaremos a segunda e última parte desta história, estreada no nº 794 (7/2/1951) e concluída no nº 806 (21/3/1951) do Diabrete.

Trabalhos Hérculo  1 e 2Trabalhos Hérculo  3 e 4Trabalhos Hérculo  5 e 6

Colecção “Novela Gráfica” – Vol. 4

Novela Gráfica 4 Tardi

Já está nas bancas o 4º título desta magnífica colecção, composta por doze obras de BD, na sua quase totalidade inéditas em Portugal, com uma dimensão estética e literária fora do comum, como testemunha o presente volume, da autoria de um dos mais aclamados artistas franceses da actualidade: Jacques Tardi.

Segue-se a sinopse descritiva de Foi Assim a Guerra das Trincheiras, publicada no jornal Público de sexta-feira, 13 de Março de 2015.

Novela Gráfica 4 Tardi publico

Páginas escolhidas de autores escolhidos

As imprecações do Capitão HaddockTintin - Haddock 1

Haddock (delírio)É frequente os mais carismáticos heróis da Banda Desenhada, tanto nas séries humorísticas como realistas, terem um parceiro, um inseparável amigo e companheiro de aventuras, que serve quase sempre de seu contraponto, distinguindo-se por possuir outros dons e outras características (que caem também no goto dos leitores), mostrando uma faceta mais humana, com defeitos, fraquezas e virtudes — o que contribui para elevar o padrão das suas aventuras, sem prejuízo do estatuto mítico do herói principal.

Nesta peculiar categoria de personagens secundárias que rapidamente ascendem também ao “estrelato”, vem-nos de imediato à memória a incontornável figura do Capitão Haddock, talvez o mais famoso de todos os comparsas que enriqueceram criações emblemáticas, onde a aliança entre duas personagens, mesmo que diametralmente opostas, pede meças aos heróis solitários…

Tintin - Capa CaranguejoTintin apenas o conheceu na sua 9ª aventura, “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” (Le crabe aux pinces d’or), em que Haddock fazia o papel de um marinheiro alcoólico e embrutecido, com frequentes acessos de cólera, alucinações e perdas de memória, mas que graças à amizade com o jovem aventureiro e aos seus exemplos de coragem e virtude, conseguiu regenerar-se, passando a ter hábitos mais moderados.

Excepto quanto à linguagem… que, pelo contrário, se tornou ainda mais irascível, recheada de extravagantes expressões oriundas de um copioso “jargão” que o velho marinheiro se compraz em refinar, continuando a somar-lhe novas injúrias, como uma espécie de glossário (a sua obra-prima) que não se cansa de rever e enriquecer.

Tintin - Haddock 2 a 5

Mais tarde, ao descobrir o tesouro da “Licorne”, Haddock fica na posse de um nome aristocrático e de um sumptuoso palacete em Moulinsart, onde habita, em boa paz e harmonia, juntamente com Tintin, o “surdo que nem uma porta” professor Tournesol e o fleumático mordomo Nestor… mas nem por isso aprendeu a refrear os seus excessos de linguagem.

Aqui têm mais um hilariante exemplo (à boa maneira de Hergé) dessas intempestivas manifestações de mau humor — quase sempre provocadas por peripécias que bulem com os seus sentimentos e a sua noção de justiça, mas também, sob o efeito do álcool, com o seu vício e o seu feitio brigão —, extraído igualmente do episódio “O Caranguejo das Tenazes de Ouro”, que é um autêntico festival de impropérios… para deleite dos leitores!

Tintin - Haddock 6 a 9

Tintin - Cavaleiro Andante capa nº 405Ninguém consegue ter como Haddock, na ponta da língua, um vocabulário tão truculento, tão vivo, tão espontâneo, de tão grande riqueza e variedade verbal, lembrando uma torrente que jorra de um geiser fumegante ou uma cascata que rola fragorosamente por uma encosta, abafando todos os outros ruídos. Sobretudo quando ele usa um megafone, como na cena seguinte, a todos os títulos memorável, de Coke en stock (em português, “Carvão no Porão” ou “Mercadores de Ébano”).

Esta página foi publicada no Cavaleiro Andante nº 405, de 3 de Outubro de 1959, revista onde Haddock ficou conhecido como Capitão Rosa, nome que o Diabrete tinha sido o primeiro a consagrar entre os leitores portugueses, na aventura “O Tesoiro do Cavaleiro da Rosa”.

Tintin - mercadores de ébano

Colecção “Novela Gráfica” – Vol. 3

A viagem 1

Prossegue em ritmo semanal a publicação desta excelente colectânea, cujo 3º volume é dedicado a uma obra de grande fôlego, premiada em Angoulême, do autor francês Edmond Baudoin, que só agora os leitores portugueses têm oportunidade de conhecer.

Segue-se a sinopse descritiva de A Viagem, da autoria de João Miguel Lameiras, e uma curta entrevista com Baudoin, publicadas no jornal Público de sexta-feira, 6 de Março de 2015.

A viagem 2    005

Vasco Granja – Vivência e Memória

NOTÍCIA SOBRE EXPOSIÇÃO NO CENTRO CULTURAL DE CASCAIS

Vasco Granja foto455

Vasco Granja panfleto 1456A incontornável relação de Vasco Granja com os desenhos animados — à qual ficou a dever grande parte do seu renome como figura pública e a sua aura junto dos mais (e dos menos) jovens —, foi pretexto para uma pequena mas notável exposição inaugurada na passada sexta-feira, dia 6 de Março, no Centro Cultural de Cascais, com a presença de personalidades como Carlos Carreiras, Presidente do município, José de Matos-Cruz, comissário da exposição, e Cecília Granja, filha de Vasco Granja e principal herdeira e curadora do seu precioso espólio — além de numeroso público, que ficou encantado não só com o vasto acervo bibliográfico e fotográfico exposto, constituído na sua maioria por obras sobre cinema de animação, em várias línguas, mas também com os filmes projectados durante a sessão, nomeadamente diversas curtas-metragens de Tex Avery, que com zelo e paciência Cecília e os seus familiares recuperaram digitalmente das gravações em VHS conservadas por Vasco Granja, com “religioso” fervor, no seu santuário doméstico, cheio de relíquias de duas (ou mais) carreiras paralelas, marcadas por inúmeros contactos internacionais.

A exposição Vasco Granja e o Cinema de Animação, patrocinada pela Fundação D. Luís I, estará patente no Centro Cultural de Cascais até ao próximo dia 19 de Abril e merece uma visita de todos os que se deslocarem à bela vila da linha do Estoril, onde as actividades recreativas e culturais têm estado em foco nos últimos anos, graças ao dinamismo dos seus responsáveis autárquicos, em colaboração com diversas entidades nacionais e estrangeiras.

Vasco Granja panfleto 2  457Transcrevemos seguidamente, com o maior prazer, um folheto editado no âmbito desta mostra, em cujos textos José de Matos-Cruz, Cecília Granja e outros familiares do homenageado contextualizam o fecundo percurso biográfico e profissional de Vasco Granja, um dos maiores dinamizadores culturais da sociedade portuguesa, nos anos 50 a 90, cuja presença em inúmeros programas da RTP ainda hoje é calorosamente recordada por muitos dos seus admiradores.

Amador esclarecido — que conviveu com literatos, artistas, críticos, cineastas, editores, desenhadores —, autodidacta de grande craveira intelectual, foi também Vasco Granja que introduziu no nosso léxico a expressão “banda desenhada”, hoje genericamente consagrada, em detrimento da tradicional “histórias aos quadradinhos” ou “histórias em quadrinhos”.

Vasco Granja panfleto 3 e 4Vasco Granja panfleto 5 e 6

Colecção “Novela Gráfica” – Vol. 2

Público a louca do sacré-coeur  450

Já está à venda o 2º volume – A Louca do Sacré-Coeur, por Jodorowsky e Moebius – desta excelente colecção, com obras escolhidas e inéditas em Portugal de um punhado de autores modernos, de várias nacionalidades, que transformaram narrativas estética e formalmente evoluídas em grandes romances gráficos.

Segue-se a sinopse descritiva de A Louca do Sacré-Coeur, publicada no jornal Público de sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2015.

Público 27 de fevereiro  451

Os Homens e a História – 1

A conquista de Gibraltar

Com um título algo diferente, “Histórias da História”, mas com o mesmo significado, publiquei há mais de 30 anos, no vespertino A Capital, que deixou há muito de aparecer nas bancas, uma série de artigos sobre personagens e efemérides que, embora sendo do domínio público, acabaram por ficar esquecidas nos bastidores desse grande teatro que é a história dos povos, das guerras, das descobertas, das conquistas, das catástrofes e, por inerência, da civilização que faz o homem avançar no tempo, nas artes, na ciência, na política e na cultura, continuando sempre a desbravar novos horizontes.

CapitalTodos esses artigos tiveram direito a magníficas ilustrações de Augusto Trigo, um artista cujo talento começava, então, a ser reconhecido e apreciado entre os leitores do Mundo de Aven- turas e de outras revistas de banda desenhada, pois chegara a Portugal apenas dois anos antes. Com ele, criei os meus primeiros personagens para séries de temática aventurosa que foram publicadas em álbuns pela Edinter e pela Méribérica/Liber: Wakantanka (dois volumes), Ranger e Excalibur.

Anos depois, mais concretamente em 2004, alguns desses artigos reapareceram noutro jornal que já deixou também de se publicar: o 24 Horas. Como me pediram para prolongar a série, escrevi outros textos, que o Trigo se encarregou também de ilustrar, mas, à última hora, a redacção mudou de ideias e cancelou a rubrica, que se intitulava pomposamente (a ideia foi deles) “Grandes Histórias”. Resultado: os novos artigos e os respectivas desenhos ficaram na “gaveta”, isto é, no computador, termo mais correcto para a imagem dos tempos modernos, em que já pouco utilizamos os papéis.

E, entretanto, já passaram mais alguns anos desde essa nova experiência, infelizmente interrompida… o que me deu a ideia de aproveitar os meus textos e as ilustrações do Augusto Trigo, para os dar a conhecer aos nossos amigos que se interessam por temas históricos. Aliás, n’A Capital subscrevi-os com um pseudónimo, para baralhar os curiosos. E resultou em cheio! Nem o Geraldes Lino adivinhou quem era o J. Arnaut!…

Posto isto, aqui têm o primeiro artigo desta série, dedicado a um assunto que esteve muito em foco recentemente: a guerra diplomática, de palavras e de ameaças — algumas quase para levar a sério —, entre a Espanha e a Inglaterra por causa de Gibraltar, minúscula parcela de território em solo espanhol de que uma frota naval inglesa, sob o comando do Almirante Sir George Rooke, se apoderou em Agosto de 1704 e que, desde então, nunca mais voltou à posse dos seus naturais (e legítimos donos) — até porque actualmente uma boa parte da população prefere a soberania inglesa.

Creio que entre os nossos leitores haverá, por certo, quem ignore a verdadeira história deste conflito, desencadeado numa época em que Ingleses e Espanhóis eram ferrenhos inimigos, degladiando-se em vários campos de batalha. Hoje, até parece que essas velhas rivalidades não se extinguiram completamente!

Os Homens e a Histórias - cabeçalho848

A CONQUISTA DE GIBRALTAR

Texto: Jorge Magalhães    Ilustração: Augusto Trigo

Gibraltar — que voltou a ser tema de polémica, reacendendo despiques antigos entre a Espanha e a Inglaterra — tornou-se possessão inglesa devido a um desses episódios meramente acidentais que modificam, por vezes, o curso das guerras e o destino das grandes potências.

Em 1700, a rivalidade entre a França e a Inglaterra atingiu o seu ponto crítico quando o Duque de Anjou, neto de Luís XIV, se tornou herdeiro presuntivo da coroa de Espanha. Senhora das vastas possessões espanholas de além-mar, a França tornar-se-ia incontestavelmente a maior potência europeia, capaz de disputar à sua velha inimiga a hegemonia territorial e marítima, tanto no velho como no novo mundo.

Numa hábil manobra política, a Inglaterra aliou-se à Áustria e aos Países-Baixos, recentemente libertos do domínio espanhol, e enviou uma poderosa esquadra ao Mediterrâneo, sob o comando do almirante George Rooke. O principal objectivo dessa esquadra era impedir a junção das flotilhas francesas de Toulon e Brest, mas Rooke não foi feliz na sua missão. Na rota para o sul, os ingleses tentaram ainda inutilmente apoderar-se de Cádis e Barcelona.

Temendo o desagrado da Rainha Ann e do poderoso Duque de Marlborough, capitão-general do exército aliado, Rooke lembrou-se de atacar Gibraltar, apesar da fama de inexpugnável do lendário rochedo com 430 metros de altura, do alto do qual se avista um horizonte de 200 quilómetros. Foi por aí que começou a invasão árabe sob o comando de Tarik, no ano 710 d.C., e por aí, também, os árabes se retiraram da Península Ibérica, depois da queda de Granada em 1492 — o mesmo ano em que Cristóvão Colombo descobriu a América e se iniciou a expansão espanhola no novo mundo.

A conquista de Gibraltar

De vila árabe, Gibraltar transformara-se em tranquila aldeia de pescadores, sem perder a sua importância estratégica. Mas a guarnição militar dispunha apenas de 150 homens e de algumas peças de artilharia antiquadas. Rooke sabia que as posições consideradas inexpugnáveis são quase sempre as pior defendidas.

O desembarque começou na baía de Algeciras, durante a noite de 3 de Agosto de 1704, aproveitando a falta de luar, com 1800 soldados sob as ordens do general austríaco Príncipe de Hesse-Darmstadt. De madrugada, Rooke abriu fogo com todos os seus canhões. O pânico rebentou na pequena vila de pescadores devastada pela impiedosa metralha.

Os espanhóis trataram de convocar todos os homens válidos para a defesa, enquanto as mulheres e as crianças corriam a refugiar-se numa ermida chamada Nossa Senhora dos Rochedos, em Punta de Europa, onde existia uma imagem da Virgem que era, há longos anos, objecto de peregrinação.

Almirante George RookeAs preces elevaram-se no ar, mas não bastavam preces para salvar os sitiados. Com efeito, tudo parecia estar contra eles. Não tinham munições suficientes para resistir a um longo cerco e viam-se em apuros para disparar os arcaicos canhões da guarnição. De resto, o alcance das velhas bombardas era tão curto que os sitiantes não corriam sequer o risco de serem salpicados pelas colunas de água levantadas pelas balas.

Era um duelo desigual, de milhares de ingleses e holandeses contra 500 espanhóis, incluindo os civis que tinham pegado em armas. Mas as muralhas de Gibraltar resistiam a tudo. Durante três horas, choveram sobre o formidável bastião perto de 15 mil obuses, que não fizeram quaisquer vítimas entre os defensores. E Rooke compreendeu que, apesar da esmagadora superioridade  das suas forças, o assédio era inútil.

Ainda essa manhã de 4 de Agosto não tinha findado, quando o almirante inglês decidiu dar ordens às tropas de desembarque para voltarem a bordo. Mas, entretanto, um oficial que se aventurara em território inimigo, apresentou-se ao Príncipe de Hesse com uma boa nova: acabava de descobrir um atalho que conduzia ao alto do rochedo, em pleno coração do reduto espanhol.

O general austríaco não perdeu tempo. Reunindo os seus homens, internou-se pela passagem e não tardou a surpreender as mulheres e as crianças refugiadas no santuário de Nossa Senhora. De posse desses preciosos reféns, foi-lhe fácil assenhorear-se da vila e dominar a resistência dos homens da guarnição.

800px-A_British_Man_of_War_before_the_Rock_of_Gibraltar_by_Thomas_WhitcombeQuando a bandeira branca que punha termo ao com- bate flutuou na cidadela, uma salva entusiástica partiu dos navios, onde os canhões se tinham calado. O Príncipe de Hesse foi o primeiro a penetrar no reduto e, depois de nego- ciar rapidamente a capitu- lação com os defensores, teve um gesto simbólico, içando a bandeira austríaca, acto que ofendeu o brio patriótico dos seus aliados. Sir George Rooke não tardou a mandar hastear também o seu pavilhão e, embora Hesse reivindicasse para si as honras da vitória, foi a bandeira inglesa que ficou a tremular mais alto e mais orgulhosamente no mastro.

A conquista de Gibraltar e a guerra da Sucessão espanhola, desastrosa para a França, foram os primeiros alicerces do poderoso império colonial britânico. Consciente da importância estratégica de Gibraltar, a Inglaterra nunca mais a devolveu aos espanhóis, que durante o século XVIII tentaram por duas vezes reconquistá-la. E ainda hoje, como se tem visto, os dois países, parceiros na União Europeia e aliados na Nato, disputam no campo diplomático (e em actos quase de beligerância) a soberania do célebre rochedo, símbolo de um pequeno território cuja população — composta por ingleses, espanhóis, italianos, malteses e até portugueses — ronda actualmente os 30 mil habitantes.

Vasco Granja e o cinema de animação

EXPO CCC - convite VASCO GRANJA

Uma merecida homenagem a um grande divulgador do Cinema de Animação e da Banda Desenhada em Portugal.

Le chat dans tous ses états - Gatos... gatinhos e gatarrões! de Catherine Labey

Pour les fans de chats e de tous les animaux en général - Para os amantes de gatos e de todos os animais em geral

largodoscorreios

Largo dos Correios, Portalegre

Interesting Literature

A Library of Literary Interestingness

almanaque silva

histórias da ilustração portuguesa