A não perder: exposição Juvebêdê – 20 anos em imagens

Neste cartaz figuram alguns dos desenhos que estão em exposição, como já noticiámos, numa mostra organizada pela Juvebêdê e patente na Livraria Ler Devagar, em Lisboa, comemorando 20 anos dedicados à promoção da Banda Desenhada, através dos seus principais eventos e dos seus maiores autores nacionais e estrangeiros.

Uma exposição a não perder, aberta até ao próximo dia 6 de Maio, na LX Factory (com entrada para automóveis pela Avenida da Índia).

Os maiores vilões e anti-heróis do universo DC – vol. 8

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Anadia em festa pela 4ª vez com o regresso de Tex (acompanhado por Kit Carson)

O Clube Tex Portugal, único Clube no nosso país dedicado exclusivamente a um herói de Banda Desenhada e o primeiro Clube oficial de Tex no mundo, trará este ano, novamente, dois conceituados desenhadores italianos a Portugal.

O evento a realizar nos próximos dias 29 e 30 de Abril, em plena capital da Bairrada (Anadia), para além da presença dos consagrados desenhadores italianos Leomacs (pseudónimo de Massimiliano Leonardo) e Andrea Venturi, contará também com duas mostras pessoais destes autores, constituídas por várias pranchas das suas histórias de Tex.

Pelo quarto ano consecutivo a Mostra vai realizar-se em Anadia, devido ao interesse e apoio da autarquia bairradina, que disponibilizou novamente o Museu do Vinho Bairrada para a realização de mais esta Exposição Texiana. Cada um dos autores italianos, como forma de agradecimento pelo convite, fez uma magnífica ilustração exclusiva para o evento de Anadia, numa tradição já famosa e que ocorre sempre que um autor de Tex nos visita, de modo a registar condignamente a sua passagem por Portugal.

Leomacs optou por desenhar Tex num duelo na Main Street (rua principal) de Anadia, mas em pleno século XIX, dando assim um cunho ainda mais tradicional a esta quarta presença do carismático Ranger na capital da Bairrada.

Por sua vez, Andrea Venturi (que já conhece um pouco do nosso país) desenhou Tex e Kit Carson junto ao Monumento dos Mortos da Grande Guerra, na Praça Visconde Seabra, em Anadia, e com o edifício da Câmara Municipal ao fundo.

Outros distintos convidados marcarão também presença em Anadia, como o editor Dorival Vítor Lopes e o cronista e tradutor Júlio Schneider, vindos expressamente do Brasil.

A inauguração da Mostra ocorrerá amanhã, dia 29, pelas 15 horas, no Auditório do Museu do Vinho Bairrada e na presença das mais altas personalidades políticas do Município, em especial a Presidente da Câmara Municipal de Anadia e o seu Vice-Presidente, aguardando-se, como nos anos anteriores, grande afluência de público.

Serão mais dois dias de intensa e aprazível Tertúlia Texiana, e mais uma vez haverá o tradicional jantar/convívio a realizar no Restaurante Nova Casa dos Leitões, com a presença dos dois autores italianos e dos restantes convidados. O preço é o mesmo do ano passado: 25 euros, com comida e bebida à discrição.

Do programa deste evento constam ainda grandes novidades, como tem sido divulgado pelo blogue português do Tex (http://texwillerblog.com/wordpress/), cuja consulta recomendamos a quem quiser estar a par de todas as notícias referentes à 4ª grandiosa Mostra do Clube Tex Portugal.  

Nova colecção do Público: “Airborne 44” – episódios da 2ª Guerra Mundial

Fanzines de José Pires (Abril 2017)

Imparável, cheio de energia e de uma regularidade impressionante, na sua actividade de faneditor, José Pires lançou este mês mais dois números dos seus excelentes fanzines Fandclassics e Fandwestern, o primeiro dedicado, na fase actual, à famosa série Terry e os Piratas, criada pelo mestre Milton Caniff em 1934, e que neste fanzine irá ter reprodução integral, dividida por 24 volumes, com 70 páginas cada. Um esforço digno de apreço, tanto mais que se trata do melhor período desta série, quase inédito no nosso país, e que José Pires conta divulgar no espaço de dois anos!

Quanto ao Fandwestern, fanzine mais antigo e de prestigiosas tradições, publica neste número outro episódio da série fetiche de José Pires: Matt Marriott, a inolvidável criação de Tony Weare (desenhos) e James Edgar (argumento), estreada entre nós no Mundo de Aventuras, em finais dos anos 1950, com o nome do herói alterado para Calidano, o Justiceiro.

O certo é que esse bizarro nome pegou e a série fez carreira no Mundo de Aventuras e noutras publicações da mesma editora (onde sofreu “tratos de polé”, devido ao pequeno formato dessas revistas), até ter direito a aparecer com o seu verdadeiro título, quase uma década depois.

Diga-se desde já que este número do Fandwestern tem um interesse acrescido, pois apresenta um dos últimos episódios desenhados por Tony Weare, na sua maioria ainda inéditos entre nós. Mais uma  performance de José Pires que, no caso de Matt Marriott, já anunciou também a sua publicação integral, em 68 volumes, editando a propósito (para os leitores mais curiosos) um catálogo com todas as capas desta série, além das primeiras tiras e dos títulos originais dos 68 episódios que constituem a colecção.

Exposição Juvebêdê – 20 anos em imagens

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Os maiores vilões e anti-heróis do universo DC – vols. 6 e 7

22 e 29 de Abril: duas palestras no CPBD sobre “A Lei da Selva” de E.T. Coelho

Na continuidade das iniciativas que tem regularmente organizado na sua nova sede, o Clube Português de Banda Desenhada anuncia mais duas palestras, a realizar nos próximos dias 22 e 29 de Abril, pelas 17h00, e dedicadas, com o precioso apoio de um dos seus mais ilustres consócios, mestre José Ruy, à obra-prima de E.T. Coelho “A Lei da Selva”, publicada em 1948 na mítica revista O Mosquito e reeditada finalmente em livro, há alguns meses, por Manuel Caldas.

À parte o interesse específico do tema — apresentado de forma inédita, a partir da leitura de um excelente estudo de Domingos Isabelinho —, este evento representa um progresso para o CPBD, que está agora equipado com meios técnicos (PowerPoint) que lhe permitem valorizar enormemente as suas sessões. 

Mistérios policiais a granel na revista “Sábado” (5 volumes)

Uma colecção a não perder pelos que gostam de decifrar enigmas policiais (passatempo que continua a ter muitos adeptos no nosso país), constituída por cinco livros com ilustrações de Sérgio Marques, oferecidos pela revista “Sábado”, nas suas edições de 13 de Abril, ainda nas bancas, a 11 de Maio de 2017.

A extraordinária odisseia da coroa de espinhos de Jesus Cristo

Nota: para ilustrar este texto, originalmente publicado no Bambi (suplemento infantil do jornal A Província de Angola), em 6/4/1969, utilizámos no blogue imagens de um livrinho muito raro, recheado de desenhos a cores do saudoso e grande artista Vítor Péon — livro esse destinado a apoiar as aulas de catequese, preparatórias da primeira comunhão, e publicado em finais de 1953, com um prefácio de Sua Eminência, o Cardeal Patriarca.

Artigo de Jorge Magalhães

Na Páscoa, recordamos os passos de Jesus Cristo, desde a sua entrada triunfal em Jerusalém (Domingo de Ramos), da ceia com os Apóstolos e da marcha dolorosa para o Calvário, depois de ser preso e julgado, até ao milagre da Ressurreição.

Diz-se que foram os discípulos que, logo após a sua morte, esconderam a túnica e a coroa de espinhos de Jesus, símbolos trágicos e piedosos do sacrifício. Durante muitos séculos, enquanto os cristãos sofreram perseguições e martírios, nada se soube dessas relíquias. Os próprios cristãos eram obrigados a esconder-se, para escapar às prisões em massa. No circo de Roma, um espectáculo bárbaro e san­grento tinha lugar todos os dias: os cristãos eram lançados às feras ou queimados vivos em cruzes de madeira iguais àquela em que Jesus foi supliciado.

Mas, no século IV, o generoso imperador romano Constantino converteu-se à nova religião, procla- mando-a culto oficial em todo o império. Os cristãos puderam, enfim, viver livremente. E as Santas Relíquias saíram dos seus esconderijos, para serem expostas à veneração dos fiéis.

A coroa de espinhos que tinha ensanguentado a testa do Salvador ficou durante muito tempo em Jerusalém. Até que um dia Constantino transferiu a capital do império para Constantinopla, onde a sagrada relíquia também foi parar, não se sabe por que razão, talvez para a subtrair às mãos dos sarracenos.

O seu significado tornou-se tão valioso para os soberanos de Constantino­pla, que estes a guardaram em lugar seguro, junto dos seus tesouros. Entretanto, os cristãos da Europa resolveram organizar uma grande expedição militar para libertar Jerusalém dos infiéis. Foi a primeira cruzada, a que outras três se seguiram, no espaço de pouco mais de 100 anos. O chefe da quarta cruzada, Balduíno, conde da Flandres, antes de seguir para Jerusalém, atacou Constantinopla, onde reinava um príncipe despótico e cruel. Durante o cerco, esse príncipe morreu e Balduíno ocupou-lhe o trono.

Mas este valente imperador não foi feliz, pois governou apenas durante dois anos. Os príncipes que lhe sucederam tiveram de lutar valorosamente contra os in­fiéis, que ameaçavam as muralhas de Constantinopla. E já se sabe que a guerra, o maior de todos os males, importa sempre na ruína de vidas e bens.

Foi por isso que um jovem imperador chamado Balduíno II resolveu, um dia, pedir auxílio ao rei de França. Tinha apenas 20 anos, mas desde os doze que não fazia outra coisa senão guerrear os seus inimigos. O rei de França recebeu-o com afecto e prometeu dar-lhe todo o dinheiro e todos os soldados de que precisava. Era também bastante jovem este monarca e com fama de virtuoso. Por isso, a Igreja louvou os seus actos, canonizando-o com o nome de São Luís.

Como sinal de gratidão pela ajuda prestada, Balduíno, antes de regressar ao seu país, ofereceu ao soberano francês a coroa de espinhos de Jesus. O rei Luís exultou com essa dádiva, bem mais preciosa do que todos os exércitos e todo o ouro do seu reino. E encarregou imediatamente dois frades, os irmãos Jacques e André, de irem a Constantinopla buscar a sagrada relíquia.

Uma desagradável surpresa aguardava, porém, os dois mensageiros. Na ausência de Balduíno, o Conselho da Regência decidira empenhar a coroa de espinhos a um mercador italiano chamado Nicolas Quirino, pela soma de 177.300 libras. Constantinopla necessitava tanto de dinheiro para a sua defesa que os leais conselheiros não tinham hesitado em recorrer àquele meio.

A promessa de Balduíno era, portanto, vã. Mas o irmão André não desistiu. Enquanto o seu companheiro regressava a França, pelo caminho mais curto, a fim de pedir ins­truções ao rei, o irmão André conseguiu permissão para embarcar na galera que trans­portava para Veneza a coroa de espinhos. Era a época do Natal. Mas a paz e o amor ao seu semelhante andavam arredios do coração de muitos homens, que mesmo nessa quadra sagrada para os cristãos não hesitavam em saquear e matar.

O Mediterrâneo estava infestado de piratas, que surgiram a cortar o caminho à galera e aos marinheiros de Veneza. Vinham de mando do imperador de Niceia, homem ambicioso e cruel, que sonhava há muito apoderar-se da coroa de espinhos para depois a vender, por uma fortuna, a outro rei estrangeiro.

Foi o vento que salvou Frei André e os seus companheiros. A galera de Veneza, mais rápida, desfraldando todas as velas, conseguiu distanciar-se do barco dos pira­tas e chegou ao seu destino sem voltar a ter maus encontros.

Aí, esperava-os uma recepção apoteótica. A coroa de espinhos foi conduzida num relicário à Basílica de São Marcos, onde ficou exposta à veneração do povo. Entretan­to, o irmão Jacques, cumprida a sua missão, regressou de França, com a quantia neces­sária para comprar ao mercador italiano a sagrada relíquia. Mais uma vez a coroa de espinhos mudou de mãos. Mas com que amor e devoção Frei André e Frei Jacques a transportaram! O seu coração estava inundado de alegria! Tanta, que nem sentiram os rigores da travessia através do monte São Bernardo, coberto de neve, e das numerosas estradas onde os desprotegidos viajantes estavam à mercê dos ladrões e dos fora-da-lei.

Mas a providência divina protegia-os. E, no dia 19 de Agosto de 1239, a coroa de espinhos chegou a Paris e foi conduzida à Catedral de Notre-Dame, diante de uma procissão triunfal em que seguiam o próprio rei São Luís e os seus irmãos, descalços e vestidos humildemente como penitentes.

Mais tarde, o piedoso Luís IX mandou construir uma capela onde a venerável relíquia da Cristandade ficou a bom recato. Assim terminou a extraordinária e verídica odisseia da sagrada coroa de espinhos de Jesus Cristo, o mártir do Gólgota.

  

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