Os Gatos e o Crime – 2

O MISTÉRIO DO GATO CÓMICO

Enid Blyton2Enid Mary Blyton foi uma romancista britânica especializada na literatura infanto- -juvenil, a quem se devem, entre outras séries, Os Cinco (The Famous Five), Os Sete (The Secret Seven) e Noddy. Os seus romances, famosos no mundo inteiro, venderam mais de 600 milhões de exemplares. Em 2011, Enid Blyton era o quarto autor mais traduzido em cerca de noventa línguas, situando-se atrás de Agatha Christie, Jules Verne e Shakespeare, mas antes de Lénine e outros nomes igualmente célebres.

O Mistério do Gato cómicoEnid Blyton nasceu a 11 de Agosto de 1897 no subúrbio de East Dulwich, em Londres. Era a filha mais velha de Thomas Carey Blyton, cuteleiro de profissão, e de Theresa Mary Harrison. Entre 1907 e 1915, frequentou a St. Christopher’s School em Beckenham, onde foi sempre a primeira da turma. Gostava de desporto e de literatura, mas detestava matemática. Aprendeu a tocar piano e parecia ter algum talento, mas abandonou os seus estudos musicais para se dedicar ao ensino.

Professora primária em Bickley e Surbiton, durante alguns anos, consagrou os seus tempos livres à literatura infantil, publicando o seu primeiro livro, uma recolha de poemas intitulada Murmúrios de Criança (Child Whispers) em 1922. Em 1924, casou com Hugh Alexander Pollock, um herói da Grande Guerra, que, na vida civil, trabalhava numa editora fundada por George Newnes. O casal mudou-se para Buckinghamshire e, mais tarde, comprou uma propriedade chamada Green Hedges, em Beaconsfield. Enid teve duas filhas: Gillian Mary e Imogen Mary, mas continuou a escrever, num ritmo imparável, obtendo grande sucesso na revista infantil Sunny Stories e com os seus três primeiros livros, Brer Rabitt Retold, Adventures of the Wishing-Chair e The Enchanted Wood, publicados a partir de 1934.

mistério gato cómico 1Em meados dos anos 30, Enid Blyton decidiu converter-se à fé católica, mas acabou por renunciar devido aos demasiados constran- gimentos que encontrava no exercício dessa fé. Embora frequentasse pouco a igreja, preocu- pou-se em dar às filhas uma educação religiosa.

No início de 1938, por causa de uma pneumonia, o seu marido teve de ser hospitalizado durante vários meses. Enid Blyton travou, então, conhecimento com o cirurgião Kenneth Darrell Waters e divorciou-se de Hugh Pollock, em 1942. No ano seguinte, casou com Darrell Waters, fazendo com que as suas próprias filhas adoptassem o nome do novo marido. Por seu turno, Pollock, mobilizado em 1940, voltara também a casar. Foi durante os 25 anos seguintes que Enid compôs as suas obras mais célebres.

mistério gato cómico 2Depois da morte do seu segundo marido, a saúde de Enid Blyton degradou-se muito rapidamente. Sofrendo da doença de Alzheimer, ficou internada na clínica de Greenways (em Hampstead), num bairro a norte de Londres, e morreu três meses mais tarde, em 28 de Novembro de 1968, apenas com 71 anos de idade.

O nome da escritora inglesa continua a ser mundialmente famoso e muitas das suas obras foram também publicadas (e sucessivamente reeditadas) em Portugal, exercendo grande influência sobre alguns dos maiores nomes da nossa literatura juvenil, como Alice Ogando, autora da série Cinco Brancos e um Preto, ou Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, que criaram, em tempos mais recentes, a longa e aclamadíssima série Uma Aventura.

Nota: Este é já o segundo post que apresentamos em conjunto com Gatos, Gatinhos e Gatarrões, o blogue de Catherine Labey — embora com algumas diferenças. Registe-se, a propósito, que “O Mistério do Gato Cómico” (The Mystery of the Pantomime Cat) surgiu na Colecção Mistério, 7º volume, editado em 1974 pela Empresa Nacional de Publicidade, com tradução de Maria Antónia Correia Leal e ilustrações de J. Abbey, oriundas da edição inglesa, duas das quais reproduzimos neste post.
Capas inglesa e francesa

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O Natal na Poesia Portuguesa

Natal de Fernando Pessoa

 

Presépios há muitos…

Crèche Janvry

Curioso Presépio oriundo da Polónia, cujas figuras, em tamanho maior do que o natural, são feitas de fibras de corda, linho e palha, artistica e laboriosamente entrançadas.

Está exposto numa das paróquias da região de Paris administradas pelo Padre Luis Romero, nosso familiar.

De banca em banca – 2

FÉRIAS GRANDES 

(na companhia da família Macedo)

por Odette de Saint-Maurice

Em tempo de férias natalícias, apetece relembrar, ao sabor dos sonhos e devaneios saudosistas que de vez em quando nos assaltam, alguns livros e revistas que folheámos e lemos ao acaso, nas horas de ócio, oferecidos quase sempre por familiares ou amigos, e que acabam por deixar uma marca tão forte no nosso espírito que deles dificilmente nos separamos, quando seguimos na vida outros caminhos e enfrentamos mudanças repentinas.

odette-fc3a9rias-grandes-1962Um desses livros que andou na minha bagagem, em sucessivas viagens de longo curso, e que, um dia, se perdeu, sem eu dar conta, voltou há pouco tempo, inespe- radamente, às minhas mãos, ao vasculhar uma banca cheia de volumes aparentemente inúteis, daqueles que só servem para reciclar papel, apesar do preço muito abaixo da sua primitiva condição. Trata-se de uma obra de Odette de Saint-Maurice (1918-1993), prolífica escritora amada pelos jovens, tanto rapazes como raparigas, cujo vasto currículo não cabe na economia de linhas de um simples comentário de blogue.

Mas o seu título, Férias Grandes, talvez seja sugestivo quanto baste para vos aguçar a curiosidade, tanto mais que foi publicado na famosa e ecléctica colecção Biblioteca dos Rapazes, da Portugália Editora, dedicada  a obras de grandes autores juvenis, na sua maioria clássicos da linhagem de Mark Twain, Daniel Defoe, Stevenson, Ballantyne, Alexandre Dumas e outros —, mas que também incluiu alguns originais portugueses, como os de Odette de Saint-Maurice, cuja resenha biográfica podem ver neste pequeno vídeo.

imagesTive a honra e o grato prazer de conhecer a Dona Odette (como todos nós a tratávamos) na Agência Portuguesa de Revistas, da qual foi assídua e apreciada colaboradora, e recordo-me com perfeita nitidez do seu aspecto e das suas maneiras cativantes, do seu profundo saber, do rosário das suas longas conversas que nos mantinham sempre em silêncio, o silêncio enlevado de quem gosta de ouvir aqueles que têm o dom de desfiar palavras sedutoras.

Odette de Saint-Maurice possuía em elevado grau esse dom, aliado ao do encanto e da simpatia, ela que era ainda, nessa época — refiro-me aos anos 70 do século XX — uma mulher bela e vistosa.

Por isso, em sua memória, apresento hoje, na montra preferida do nosso gato, este livro que me deixou saudades e que afortunadamente voltei a encontrar quando menos esperava… por um preço simbólico que não traduz sequer uma ínfima parte do seu valor sentimental.

um-rapaz-c3a0s-direitas-0Na Biblioteca dos Rapazes, Odette de Saint-Maurice publicou outras obras do mesmo teor, que primam pela coesão narrativa — como uma história que vai fluindo no tempo e de que é protagonista uma família da classe média: o Dr. Rui Macedo, a sua mulher Rosa Maria e os seus filhos Pedro, Ana e Rumané.

As peripécias familiares, sobretudo dos membros mais jovens do clã, recheiam os volumes Um Rapaz às Direitas (nº 20 da colecção), Amigos (nº 35) e Colégio de Verão (nº 55). Férias Grandes foi o nº 26 e tinha, como atractivo suplementar, uma sugestiva capa de Câmara Leme, artista de peculiares grafismos que contri- buíram em boa medida para o fascínio irradiado por muitos títulos dessa colecção (lidos até, com prazer, pelos adultos).

As capas de Um Rapaz às Direitas (2ª edição) e Colégio de Verão exibem também a sua síntese gráfica, apurada por um original sentido decorativo.

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amigos-1Há várias versões das capas destes livros (publicados, com sucesso, até aos nossos dias), sendo de realçar, entre os seus autores, além de Câmara Leme, Júlio Gil, que ilustrou Um Rapaz às Direitas (1ª edição) com o seu usual vigor gráfico, e Infante do Carmo, outro grande ilustrador das últimas décadas, cujo traço depurado é visível em Amigos.

Agradecemos a Jorge Silva, criador do excelente blogue Almanaque Silva, a oportunidade que nos proporcionou de as reproduzirmos neste artigo.

Em 2011, os livros juvenis de Odette de Saint-Maurice começaram a ser reeditados pelo Clube do Autor, como deu, então, notícia o programa Ler Mais Ler Melhor da RTP, que podem recordar neste vídeo.

As luzes do Natal

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Apresentação de «A Viagem do Elefante» na Casa dos Bicos

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Quando os grandes escritores e a 9ª Arte se encontram…

… a BD volta às livrarias!

Classics Illustrated nº 47  197De há muito que os laços entre a BD e a literatura se têm consolidado de múltiplas formas, quer em versões de obras clássicas de teor juvenil, cujo objectivo era fomentar, através das imagens e de um estilo descritivo muito verbalizado, o interesse pela leitura de livros mais “sérios” — como proclamavam os famosos Classics Illustrated, nascidos na mesma pátria dos super-heróis e dos comic books, com os quais pretendiam competir em popularidade e tiragem —, quer em simples tiras publicadas nos jornais, com adaptações de grandes obras da literatura universal — como Jane Eyre, Guerra e Paz, O Monte dos Vendavais, Os Três Mosqueteiros —, tiras essas lidas por um público heterogéneo, atraído também pelas imagens, e que, salvo raras excepções, nunca foram reunidas em volume (um enorme e riquíssimo acervo que continua a jazer no “sarcófago” da imprensa de outros tempos, à espera de que essas páginas sejam totalmente recuperadas por meios digitais e postas à disposição dos internautas apreciadores do género).

Os Três Mosqueteiros (P. Jackson)

Ultimamente, graças a novos conceitos editoriais, de alcance mais lato, visando a exposição nas livrarias (onde a crónica falta de espaço tem marginalizado a BD), surgiram as graphic novels, álbuns de formato mais pequeno, com características de livro, e conteúdo estético geralmente mais sofisticado, que respeitam também a matriz literária original (quando nela se inspiram), mas sem trair a qualidade simbiótica de uma linguagem dúctil e versátil como é a da Narração Figurativa (vulgo Banda Desenhada).

É nesta última categoria que se inserem três obras de registo e dimensão invulgares recentemente publicadas por conhecidas editoras do nosso meio — a Gradiva, a Arcádia e a Porto Editora —, em que a BD recria fielmente, mais uma vez, o universo literário, enriquecendo-o e transfigurando-o com o poder “mediúnico” da sua própria escrita.

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Realçando a importância (e o quase ineditismo) do acontecimento, o venerável Diário de Notícias dedicou-lhe duas páginas na sua edição de 12 de Novembro p.p., com natural destaque para o álbum realizado por João Amaral, o primeiro autor (português) de BD que se abalançou à árdua tarefa de adaptar um romance de José Saramago: “A Viagem do Elefante”.

Uma graphic novel que já está (e irá continuar) nas “bocas do mundo”… Com ela, mais “O Estrangeiro”, de Albert Camus, e “Logicomix”, em que se evoca a figura de Bertrand Russell, a BD voltou aos escaparates das livrarias, ao lado das obras de três Prémios Nobel!

O Estrangeiro e A viagem do elefante

Com a devida vénia ao DN e ao autor da oportuna reportagem, reproduzimos essas páginas do jornal, para memória futura e conhecimento dos nossos leitores a quem eventualmente passaram despercebidas.

Artes DN 1Artes DN 2

Le chat dans tous ses états - Gatos... gatinhos e gatarrões! de Catherine Labey

Pour les fans de chats e de tous les animaux en général - Para os amantes de gatos e de todos os animais em geral

largodoscorreios

Largo dos Correios, Portalegre

Interesting Literature

A Library of Literary Interestingness

almanaque silva

histórias da ilustração portuguesa