In Memoriam: José Manuel Soares

Depois de dezasseis anos num estado quase vegetativo devido a três AVC’s sofridos, faleceu no passado dia 31 de Dezembro mestre José Manuel Soares, tão ilustre pintor como autor de vasta obra pela Banda Desenhada.

Residia na Costa da Caparica e era casado com a distinta pintora Ângela Vimonte. Nasceu em S. Teotónio (concelho de Odemira) a 7 de Setembro de 1932. Tinha uma galeria com exemplos da sua Pintura, em Leiria.
Foi homenageado pela BD, na Sobreda (1986), em Moura (1993) e, em 1996, no 15.º Festival de Banda Desenhada de Lisboa.
Colaborou para muitas publicações juvenis (e não só), como “Diabrete”, “Cavaleiro Andante”, “Pimpão”, “Mundo de Aventuras”, “Fagulha”, “Lusitas”, “O Odemirense”, “Cara Alegre”, “Jornal de Almada”, “Diário do Norte”, “Alentejo Popular”, etc.

Capas para a revista “Cara Alegre” (anos 50)

Capa e ilustração de “Os Quatro Cavaleiros Invencíveis”, Colecção Manecas (Edição Romano Torres)

Capas de “Os Fidalgos da Casa Mourisca”, edição Agência Portuguesa de Revistas

Com vastíssima obra pela 9.ª Arte, muito poucos exemplos estão registados e recuperados em álbum, a saber:
— Em 1985, pela Editorial Futura, um álbum com as narrativas “A Ala dos Namorados” e “De Angola à Contra-costa”, obras publicadas anteriormente na revista “Cavaleiro Andante”.

Capa e prancha de “A Ala dos Namorados”, por Artur Varatojo (texto) e José Manuel Soares (desenhos), Colecção Antologia da BD Portuguesa #15, Editorial Futura (1985).

Pranchas de “De Angola à Contra-costa”, por José Manuel Soares, in Cavaleiro Andante #365 a #382.

— Em 1990, “Luís Vaz de Camões” [texto de Raul Costa], com edição da Câmara Municipal de Odemira.

Capa e prancha de “Luis Vaz de Camões”, por Raul Costa (texto) e José Manuel Soares (desenhos), edição Câmara Municipal de Odemira (1990)

— Em 2000, pelo Grupo Bedéfilo Sobredense (GBS), o n.º 15 de “Cadernos Sobreda-BD”, com as narrativas “O Morcego de Veludo” e “Rasto de Fogo” [o seu único western].

Capa e prancha de “O Morcego de Veludo”, in “Cadernos Sobreda BD” #15,  edição Grupo Bedéfilo Sobredense (2000)

Pranchas de “Rasto de Fogo”, por Raúl Cosme (texto) e José Manuel Soares (desenhos) in “Cadernos Sobreda BD” #15, edição Grupo Bedéfilo Sobredense (2000)

Alguns outros títulos da sua arte como desenhista: “Zeca” [O Cuto português], “O Filho do Leão”, “Giácomo, o Indesejável”, “O Ferido do Bosque”, “Zona Perigosa”, “O Palácio de Cristal”, etc.

Capa e pranchas de “Zeca”, por Raul Oliveira Cosme (texto) e José Manuel Soares (desenhos), in “Mundo de Aventuras” #392 a #403 (1957)

De entre outros, desenhou argumentos de Artur Varatojo e de Raúl Cosme. Pela sua Pintura, foi digna e diversas vezes premiado.

José Manuel Soares pintando no seu ateliê.

Expôs exemplos da sua banda desenhada na Sobreda, Moura, Lisboa, Viseu e Leiria.

José Manuel Soares no salão Moura BD 93, onde foi o Convidado de Honra

Em Agosto de 2014, foi inaugurado em Pinhel o Museu José Manuel Soares, no primeiro andar da Casa da Cultura (antigo Paço Episcopal, edifício datado do Séc. XVIII). Uma justíssima homenagem à memória e à obra do artista, onde se pode apreciar a sua Pintura e as suas histórias em Banda Desenhada.

Inauguração do Museu José Manuel Soares, em Pinhel, em Agosto de 2014

Que mestre José Manuel Soares esteja agora na devida paz eterna! À sua viúva, Ângela Vimonte, apresentamos as mais sinceras condolências.

                                                                                            Luiz Beira/Carlos Rico

(Nota: texto e imagens reproduzidos, com os nossos agradecimentos, do blogue BDBD).

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Calendários ilustrados – 2

Aqui está a segunda folha de um belíssimo calendário com pinturas de Mário Costa (1902-1975) sobre assuntos históricos — que, como referimos no post anterior desta rubrica, são o exemplo da aliança, que por vezes dá bons frutos, entre a criação artística e a propaganda comercial. Temos mais cinco para vos apresentar (porque infelizmente faltam-nos alguns meses deste calendário).

Artista multifacetado, Mário Costa distinguiu-se sobretudo como ilustrador em várias publicações periódicas, nomeadamente da imprensa infanto-juvenil, como O Senhor Doutor, o Rim-Tim-Tim, o Pim-Pam-Pum e o Tic-Tac. Com um estilo equilibrado, a preto e branco, fiel a alguns dos cânones estéticos mais modernos da época (mesmo sem ser um artista de vanguarda), deixou uma impressão indelével no espírito de muitos leitores desses títulos emblemáticos.

No que toca à minha experiência pessoal, recordo-me perfeitamente do fascínio que me causaram as ilustrações da novela “O Filho do Faroleiro”, publicadas com a sua assinatura n’O Mosquito, em 1946, e que — como vim a saber mais tarde — eram provenientes d’O Senhor Doutor, onde essa emocionante novela, da autoria de António Feio, surgiu pela, primeira vez, em 1938. Mas é a sua obra noutro domínio que quero agora realçar, oferecendo-vos um dos mais perfeitos exemplos que conheço do seu talento pictórico, aliado a uma inegável paixão pelos temas e pelas figuras mais célebres da nossa História.

Neste caso, trata-se de evocar a memória da Rainha Santa Isabel e da sua intervenção, como mensageira da paz, nas contendas entre o Rei D. Dinis e o seu primogénito, o príncipe herdeiro D. Afonso, impedindo que se travasse uma cruenta batalha, de incerto desfecho, nos campos de Alvalade (corria, agitada para a pátria portuguesa, a Primavera do ano de 1323).

Colecção Torpedo 1936 – vol. 3

Artigo de João Miguel Lameiras, reproduzido do jornal Público, edição de 10/02/2018.

Palestra de António Martinó no CPBD

Em 2018, o Clube Português de Banda Desenhada inclui no seu programa um novo ciclo de palestras subordinadas ao título “Especialistas de Banda Desenhada falam sobre o tema no CPBD”. O primeiro conferencista é o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, que apresentará o tema “Reflexões sobre a Linguagem da BD”, com apoio de “power-point”. Este evento decorrerá na sede do CPBD (Reboleira- -Amadora), com início às 16h00 do próximo sábado, 17 de Fevereiro.

 

Richard Corben – vencedor do Grande Prémio no Festival de Angoulême 2018

 Richard Corben, o mestre do horror

Na véspera da abertura da 45ª edição do festival, o cartoonista americano, de 77 anos, foi recompensado por todo o seu trabalho.

Richard Corben é o quinto americano a vencer o Grande Prémio de Angoulême. Tem sido comum que a ficção científica e a fantasia apareçam pouco no panteão do Festival de Angoulême. A nomeação, na quarta-feira 24 de Janeiro, de Richard Corben para o Grande Prémio, é um evento a saudar pelos leitores de um dos principais géneros dos quadradinhos contemporâneos: o  horror.

Escolhido pelos profissionais do sector, em detrimento do seu compatriota Chris Ware e do francês Emmanuel Guibert, que tinham assumido com ele a liderança na primeira volta da votação, Corben recebeu essa distinção depois dos seus compatriotas Will Eisner (1975), Robert Crumb (1999), Art Spiegelman (2011) e Bill Watterson (2014).

Uma estética única

A sua vitória no Grand Prix de Angoulême celebra um excelente estilista e um mestre do horror, mas também um escrupuloso adaptador de Howard Phillips Lovecraft e Edgar Alan Poe, duas das suas principais influências.

O trabalho de Richard Corben pode ser resumido no elenco e no bestiário que povoam as dezenas de álbuns que publicou em mais de 45 anos de carreira: uma multidão de mutantes, zombies, criaturas dos pântanos, bruxas, ladrões de túmulos, gladiadores, monstros, guerreiros tribais, espectros com jaquetas esfarrapadas, mulheres delirantes, animais diabólicos e bárbaros de todos os tipos.

Pilar das edições Warren Publishing, como colaborador assíduo das revistas de terror Creepy, Eerie e Vampirella, Corben desenvolveu uma estética única que provém tanto da cultura “pulp” quanto da literatura fantástica. O seu trabalho também deve muito a Robert E. Howard, o fundador da fantasia heróica com as aventuras de Conan, o Bárbaro, de que ele desenhou várias histórias.

Nascido em Anderson (Missouri), em 1940, Richard Corben é conhecido desde há muito em França. A revista Actuel foi a primeira a publicá-lo, em 1972. Três anos depois, Métal Hurlant hospedou nas suas páginas a série Den, contando as aventuras erótico-fantásticas de um jovem geek que se transformou num guerreiro culturista.

A sua técnica de aerógrafo — uma arma de pintura em miniatura — grangeou-lhe uma enorme admiração de leitores “adultos” a quem, finalmente, os quadradinhos foram revelados. Corben tornou-se um autor de “culto”, embora sem nunca alcançar uma grande audiência no seu próprio país ou na Europa, apesar de algumas colaborações famosas, como no Hellboy de Mike Mignola.

Permanecendo fiel ao seu universo particular, o residente de Kansas City, a cidade onde recebeu o seu treino artístico, é “o arquétipo do autor independente“, de acordo com Laurent Lerner, fundador da pequena editora francesa Delirium, que tem publicado as suas criações em França, nos últimos anos: “Ele é independente de tudo: do mercado, do marketing, dos média, dos leitores, das editoras… A sua abordagem artística nunca se desviou da direcção que assumiu na início da sua carreira. Tinha altos e baixos, e mesmo grandes momentos de solidão“.

Numa entrevista que concedeu no final de Ragemoor (Delirium, 2014), uma fantástica narrativa feita com o argumentista Jan Strnad, Richard Corben explica por que é que ele, o mestre das cores, optou por um tratamento a preto e branco: “Quando da concepção deste projecto, não sabia se encontraria um lugar na Dark Horse ou noutro editor de grande dimensão. Pensei que teria de apresentá-lo a editores menores, que não podiam dar-se ao luxo de publicá-lo a cores“.

O desenhador também fez um balanço da “longa carreira” e das pesquisas, apesar da sua considerável idade: “Eu sempre adorei as possibilidades oferecidas pelos quadradinhos, como um meio de expressão, para contar as histórias que quero fazer e não apenas aquelas que vendem bem. Ainda tenho objectivos para serem alcançados e, por isso, provavelmente nunca me aposentarei. Continuarei a desenhar quadradinhos até morrer!“.

(Texto extraído, com a devida vénia, do blogue Largo dos Correios)

Nota pessoal (J.M.): A minha grande admiração por este autor americano, muito pouco publicado em Portugal, levou-me a incluí-lo na revista O Mosquito (5ª série), da Editorial Futura, de que fui coordenador, dedicando-lhe a capa do nº 5 (Janeiro 1985) e escolhendo uma das suas melhores histórias a preto e branco, realizada em 1970: “O Crepúsculo dos Cães”, com 10 páginas, também publicada nesse número. Anteriormente, só outro trabalho de Richard Corben fora apresentado aos leitores portugueses, na revista Zakarella nº 8, da Portugal Press, dirigida por Roussado Pinto.

Por ter sido O Mosquito (5ª série) a divulgar de novo Corben, mostrando as suas potencialidades gráficas e narrativas, num registo mais realista, achei que essa edição devia ser recordada por este blogue numa altura em que o Festival de Angoulême lhe prestou também, finalmente, homenagem, como um dos maiores autores ainda vivos da BD norte-americana e com uma obra que o tempo decerto não apagará da memória dos seus inúmeros admiradores.

Aqui ficam, pois, a capa d’O Mosquito nº 5 (5ª série) e a primeira página da referida história de Richard Corben.

Colecção Torpedo 1936 – vol. 2

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Postais ilustrados de outros tempos – 10

QUERES SABER COMO ÉS?

VÊ O MÊS EM QUE NASCESTE…

Começamos hoje a apresentar duas novas colecções de postais que, além de raras, têm um significado especial: o de serem destinadas aos mais jovens, indicando (como num “horóscopo”) as qualidades naturais de ambos os sexos, fruto, segundo os sábios, da influência astrológica dos meses de nascimento.

As ilustrações são de dois nomes ilustres da nossa BD (então chamada, em gíria infantil, histórias aos quadradinhos): Júlio Gil, que se distinguiu, como versátil grafista, na 1ª e 2ª séries do Camarada, revista para rapazes editada pela Mocidade Portuguesa, e Carlos Roque, uma das maiores revelações da 2ª série, como desenhador humorístico.

O traço vivo e airoso, de expressiva delicadeza, que caracterizava o estilo de Júlio Gil, está patente nos dois primeiros postais, dedicados às raparigas. Referente aos mesmos meses de Janeiro e Fevereiro, a série seguinte, dirigida aos rapazes, ostenta a assinatura e o traço pitoresco de Carlos Roque, então no início de uma brilhante carreira (anos 1960).

Com edição da Pórtico, nome ligado também às actividades culturais da Mocidade Portuguesa, estas duas colecções juvenis de postais têm um inegável encanto gráfico, realçado pelo colorido e pela harmonia e inspiração das imagens de dois saudosos mestres da BD portuguesa.

Filmes que vale a pena ver: “Gatos” (ou os felídeos de Istambul)

Texto reproduzido do jornal Público, edição de 27/01/2018.

Colecção Torpedo 1936 – vol. 1

Artigo de João Miguel Lameiras publicado na edição de 27/01/2018 do jornal Público.

Torpedo, o policial “negro” de Sánchez Abulí e Jordi Bernet que deixou saudades

Uma das melhores séries espanholas dos anos 80, criada pela imaginação de dois talentosos autores, Enrique Sánchez Abulí e Jordi Bernet, Torpedo 1936 regressa agora, sob o selo da Levoir, na primeira edição integral em língua portuguesa. Seis volumes com muitos episódios inéditos, incluindo a última versão, realizada por Eduardo Risso, cuja história se passa em 1972. Para os leitores de há 20, 30 anos, e para os de hoje, menos familiarizados com um dos anti-heróis mais populares da BD mundial, este regresso “em beleza” é, sem dúvida, além de merecida homenagem, o primeiro grande acontecimento editorial do ano de 2018. Absolutamente a não perder!

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