Fanzines de José Pires (Novembro 2017)

Acalentado pelo êxito deste fanzine, com os primeiros episódios de uma emblemática série clássica, a maioria dos quais inéditos, durante décadas, em Portugal, José Pires continua a divulgar mensalmente, com infalível regularidade, as trepidantes peripécias de Terry e os Piratas, vividas por um adolescente de espírito aventureiro e pelos seus fieis amigos nas exóticas regiões da China onde imperam ainda os “senhores da guerra” e a majestosa Dragon Lady — outra inesquecível personagem criada por Milton Caniff — dita também as suas leis.

A série está planeada para 25 volumes (todo o período escrito e desenhado por Caniff), com número uniforme de páginas, ao preço de 15 euros, que serão publicados até Janeiro de 2019, mantendo sempre a cadência mensal, como é firme propósito de José Pires.

Outra série lendária e que José Pires, fã incondicional do seu desenhador, o genial Tony Weare, pretende também reeditar na íntegra (tendo já publicado mais de 50 episódios), é o magnífico western inglês Matt Marriott, bem conhecido dos leitores do Mundo de Aventuras, que foi a primeira revista portuguesa de BD a apresentá-lo ao público, no ano de 1958 (embora de início com outro nome).

Este mês saiu mais um episódio, intitulado “Gabittas versus Rafter B”, que no MA nº 1136 foi traduzido como “Ódio de Morte”. O título diz tudo, mesmo sendo banal… lema fielmente seguido por editoras populares como a Agência Portuguesa de Revistas, ao escolher títulos que aguçavam as emoções e o interesse dos seus leitores. 

Como cereja no topo do bolo, José Pires publicou também em Novembro outro número do seu fanzine mais antigo, o Fandaventuras, com um trabalho de grande envergadura: “Eloy, um entre muitos”, 1º episódio de um monumental fresco sobre a Guerra Civil de Espanha (inédito em Portugal), englobando quatro volumes, pelo traço  barroco e opulento do famoso autor castelhano Antonio Hernández Palacios (1921-2000), que tem outras obras de mérito, como as séries El Cid, Mac Coy e Manos Kelly, largamente divulgadas no nosso país.

Ver mais informações sobre outros números destes fanzines no blogue “O Gato Alfarrabista” –  categoria “Grandes séries para (re)ler e recordar”. As encomendas podem ser feitas directamente a José Pires, através do e-mail gussy.pires@sapo.pt

(Nota: problemas de ordem técnica, a que se somou a avaria do monitor, impediram-nos de publicar este noticiário em Novembro).

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Salão do Brinquedo de Lisboa

Mais um Salão do Brinquedo, o último deste ano, a realizar como habitualmente no Hotel Roma, em Lisboa, das 10h00 às 18h00 do dia 2 de Dezembro, onde os coleccionadores desta e de outras especialidades (como a Banda Desenhada) poderão encontrar boas surpresas…

Fernando Relvas: homenagens póstumas na imprensa portuguesa – 2

Artigo publicado no jornal I, edição de 24/11/2017, de onde o reproduzimos com a devida vénia.

Exposição sobre o “Camarada” (1947-1951) na Biblioteca Nacional

Segundo informação de última hora, esta mostra será inaugurada às 18h30 do próximo dia 28 de Novembro, terça-feira. Vem a propósito lembrar que o Camarada foi lançado em 1 de Dezembro de 1947, mas em moldes muito diferentes da restante imprensa infanto-juvenil, encabeçada pel’O MosquitoO Papagaio e o Diabrete, pois enquanto que nestes títulos a colaboração estrangeira era prioritária, o Camarada — editado pela Mocidade Portuguesa e destinado quase em exclusivo aos centros escolares onde esta organização do Estado Novo estava presente — fazia gala de uma plêiade de autores portugueses, tanto literários como artísticos.

Embora de início tivesse dado pouco destaque à banda desenhada, o Camarada conseguiu conquistar gradualmente a afeição do público juvenil, chegando, com altos e baixos, ao nº 133, na 1ª série. Entre os seus valiosos elementos artísticos contam-se alguns dos mais genuínos representantes de uma nova corrente da BD portuguesa, cujo vanguar- dismo começava a aflorar, assimilando o de outras criações europeias: Júlio Gil, Marcello de Morais, António Vaz Pereira, Bastos Coelho, Carlos Alberto, Nuno San-Payo, Joaquim Leal e outros, todos ainda muito jovens e em início de carreira.

Portanto, esta exposição, comissariada por João Mimoso e Carlos Gonçalves, membros do Clube Português de Banda Desenhada, merece a visita de quem se interessa pelas revistas infanto-juvenis — expoentes de uma cultura popular que ajudou a formar gerações — e pelas diferentes “escolas” que as marcaram em meados do século XX, com relevo para a que nasceu nas páginas do Camarada, dando oportunidade a um grupo de novos desenhadores (na sua maioria estudantes de Arquitectura, carreira que alguns deles optariam por seguir) de se afirmarem pujantemente no panorama das histórias aos quadradinhos e das artes gráficas em geral. 

Fernando Relvas: homenagens póstumas na imprensa portuguesa – 1

Artigo de Luís Miguel Queirós, Público, 22/11/2017

Artigo de F. Cleto e Pina, Jornal de Notícias, 22/11/2017

Artigo de Maria João Caetano, Diário de Notícias, 22/11/2017

(Nota: para ler os textos, aproveitando a extensão completa das imagens, clique nas mesmas).

Liga da Justiça (vol. 3): O Prego – Teoria do Caos

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Postais Ilustrados de outros tempos – 6

SEXO FRACO E SEXO FORTE

Mais quatro exemplos da arte de Alfredo Januário de Morais (1872-1971), um dos maiores ilustradores e aguarelistas portugueses do século XX, que entre as suas inúmeras facetas também cultivou a de humorista satírico.

O tema que escolheu para mais esta série de postais, com um espírito brejeiro refinado pelo estilo picaresco, em que também era mestre, foi o da relação entre os sexos (hoje, diz-se géneros, em linguagem de mercearia… talvez por ser mais “socialmente” correcto do que sexo fraco e sexo forte).

Mas, como as imagens e os versos jocosamente parodiam, há diferenças físicas (e semânticas) que não devem ser levadas a sério, pela simples razão de que… ontem como hoje… em casa quem manda são elas! E os maridos que se cuidem!

Morreu Fernando Relvas, um dos maiores criadores da moderna BD portuguesa

O autor de banda desenhada (BD) Fernando Relvas morreu [ontem] de madrugada na Amadora, onde vivia, revelou o director do Amadora BD, Nelson Dona, que o recordou como um dos “autores-chave da BD contemporânea portuguesa”.

Fernando Relvas, de 63 anos, morreu no Hospital Amadora- -Sintra e até ao início da tarde ainda não tinham sido marcadas as cerimónias fúnebres.

Fernando Relvas, que nasceu em Lisboa em [20 de Setembro] 1954, começou a publicar os primeiros trabalhos aos 20 anos, em meados da década de 1970, somando colaborações em várias publicações da imprensa portuguesa, nomeadamente as revistas Fungagá da Bicharada, Tintin e Mundo de Aventuras, o semanário Se7e, a revista Sábado e o Diário de Notícias.

Algumas das histórias e pranchas publicadas na imprensa foram depois reunidas em álbum, como “Karlos Starkiller”, “Çufo”, “Em Desgraça”, “As Aventuras do Pirilau: o Nosso Primo em Bruxelas” e “L123 – seguido de Cevadilha Speed”.

Mais recentemente, saiu o álbum “Sangue Violeta e Outros Contos”, que reúne as histórias “Sangue Violeta”, “Taxi Driver” e “Sabina”, publicadas no Se7e, premiado como clássico da Nona Arte no Festival de BD da Amadora.

Para o director do Amadora BD, “faleceu um dos autores-chave da BD contemporânea portuguesa, que trabalhou em todo o tipo de BD, com registos gráficos brilhantes muito diferentes, e também em narrativas diferentes, da infantil até à só para adultos”.

A “obra extensíssima” de Fernando Relvas foi “apresentada várias vezes na sua cidade, a Amadora”. Entre Janeiro e Abril deste ano, a Bedeteca da Amadora acolheu a exposição retrospectiva “Horizonte, Azul Tranquilo”, dedicada a Fernando Relvas, que o responsável da mostra, Pedro Moura, descreveu como “um verdadeiro sismógrafo da sociedade portuguesa e global das últimas décadas”. A exposição mostrava trabalhos publicados em fanzines, em auto-edição, em revistas de banda desenhada, como a Tintin, e outra imprensa, como o semanário Se7e.

“A lavra de Fernando Relvas é uma obra maior no panorama nacional, ainda que sob muitos aspectos fragmentária”, reconheceu o programador na altura da inauguração, em declarações à Lusa. Pedro Moura falava de um “percurso nervoso por entre géneros e humores, métodos e técnicas, veículos de publicação e modos de produção e circulação, que servirá de retrato de uma incessante e intranquila busca pela expressividade própria da banda desenhada”.

Artigo reproduzido do DN Artes online (21/11/2017)

Mais uma grande perda para a BD portuguesa, no espaço de um ano assinalado também pelo desaparecimento de Carlos Alberto Santos (Novembro 2016), Mascarenhas Barreto e Maria Isabel de Mendonça Soares (Janeiro 2017).

Este blogue, em nome de Jorge Magalhães e Catherine Labey, apresenta os seus sentidos pêsames à família enlutada e, em particular, à sua esposa Anica Govedarica. Ainda recentemente estivemos na inauguração de uma belíssima mostra de pintura desta artista croata, patente até há poucas semanas na livraria Ler Devagar (LX Factory), e ficámos consternados por ver Fernando Relvas num estado de grande debilidade física. Seguiu-se o internamento, devido a duas quedas, no hospital Egas Moniz, onde foi sujeito a uma operação à coluna, e depois a transferência para o Amadora-Sintra, onde acabou por falecer ontem de madrugada, vítima de pneumonia.

O seu corpo estará em velório, para quem lhe quiser prestar as últimas homenagens, na antiga Galeria Municipal, edifício da Câmara da Amadora, a partir da tarde de quinta-feira, dia 23 de Novembro.

Recordamos com saudade e com muito afecto a nossa longa amizade, desde que o conhecemos pessoalmente — a Catherine ainda nos seus tempos de juventude, quando ambos colaboravam no Fungagá da Bicharada, e eu no Mundo de Aventuras, onde Relvas chegou a publicar alguns trabalhos inéditos, colaboração que se estendeu também a outras revistas que coordenei, como O Mosquito (5ª série) e Selecções BD (2ª série). Uma dessas histórias irá ser reeditada brevemente no blogue O Voo d’O Mosquito.

A título também de homenagem, relembramos a exposição “Fernando Relvas e a Revista Tintin”, inaugurada em 16/5/2014 no extinto CNBDI (Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem), onde hoje se localiza a sede do CPBD (Clube Português de Banda Desenhada). Essa mostra assinalou a entrada da obra de Fernando Relvas, artista locatário da Amadora e Prémio Nacional Amadora BD 2012, na importante e vasta colecção de originais da CMA/CNBDI, actualmente depositada na Bedeteca da Amadora.

Em finais de Outubro p.p., Relvas teve ainda a satisfação de assistir à abertura da sua nova mostra, na Galeria Artur Bual, integrada no 28º Festival Amadora BD, com uma abordagem retrospectiva (e não só) da sua obra, organizada por João Miguel Lameiras. 

Liga da Justiça: o filme há muito esperado pelos fãs do Universo DC

Artigos de João Lopes e Inês Lourenço publicados no Diário de Notícias de 16/11/2017, de onde os reproduzimos com a devida vénia. Para aproveitar a extensão completa do texto, clique na página.

Liga da Justiça (vol. 2): O Vírus Amazo

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