“From Scotland with love” – uma bela homenagem às virtudes do desporto e ao país de Sir Walter Scott

Quando se tem mais de 80 anos e ainda se pratica desporto — mormente um dos mais exigentes, as corridas pedestres de longo curso —, mantendo ao mesmo tempo em exercício, de forma brilhante, as “células cinzentas”, estamos perante um caso — não diremos único, mas quase raro — de invejável afirmação de vitalidade física e intelectual!

E esse caso, para o tema deste texto, tem um nome… o do nosso querido Amigo António Martinó de Azevedo Coutinho, hoje, como é óbvio, já retirado da sua profissão de Professor — que exerceu em Portalegre, sua terra natal, e noutros lugares, durante muitos anos — mas continuando a dar o exemplo de empenhada intervenção cívica e cultural, através do seu magnífico blogue Largo dos Correios (que tem sido uma das nossas principais referências, desde que nos aventurámos também no buliçoso universo da blogosfera).

Actualmente a residir em Peniche, mais perto da família, António Martinó começou a correr há poucos anos, integrado num grupo amador penichense que o acolheu de braços abertos, surpreso, de início, com a sua teimosia e perseverança, mas rendido em breve ao poder da sua vontade e aos seus incríveis dotes físicos e anímicos, que rapidamente o guindaram a um lugar de mérito entre os veteranos membros desse numeroso e unido grupo: Peniche a Correr.

Resumindo: até hoje, o professor António Martinó já participou em várias corridas, tanto a nível interno, isto é, em Peniche, como no exterior, particularmente na famosa Maratona do Sporting (clube de que é ferrenho adepto), classificando-se sempre em posições honrosas e destacando-se por ser um dos mais idosos atletas nessas competições.

Durante a sua vida, marcada também por provas difíceis, o professor Martinó sempre se distinguiu pela probidade, pela inteligência, pelo espírito de lutador, pelo apego às suas causas (e foram muitas!), pelo amor aos valores da cultura e da família, pelos afectos sinceros e sem preconceitos, pela fidelidade aos princípios cultivados desde a infância, na esteira de alguns dos seus ilustres antepassados, pela forma frontal e corajosa de encarar o futuro, mesmo quando a adversidade lhe bateu à porta. Curso de vida nada modesto… digno de alguém que atravessou várias épocas e lidou de perto com várias gerações, no exemplar desempenho de uma pedagógica missão que sempre considerou sagrada.

Dois António de Azevedo Coutinho em Inverness (Escócia): pai e filho junto de uma réplica da célebre Nessie

Muito recentemente, este nosso bom e leal Amigo, a cujas lições recorremos também com frequência, resolveu testar os seus admiráveis recursos físicos numa nova prova, ainda mais difícil, já não em Portugal mas no estrangeiro, alcançando assim um comprovativo (e uma medalha!) de desportista interna- cional com que, em tempos ainda próximos, nunca certamente se atrevera a sonhar. Foi na Escócia, numa tradicional corrida de 10 km ambientada num dos míticos e fascinantes lugares de que o país de Walter Scott e Robert Louis Stevenson está recheado… com notoriedade para o Loch Ness, em cujas cercanias (Inverness) essa famosa corrida se realizou, no passado dia 24 de Setembro.

Participaram milhares de atletas, de várias nacionalidades, e mais uma vez o nosso dedicado professor (neste caso, de cultura física!) fez uma boa prova, classificando-se notavelmente a meio da tabela… isto é, muito perto do Bom +. É caso, como já o fizemos em devido tempo, para lhe dar calorosamente os parabéns em nome de quantos, como nós, seguem com admiração e inveja (!) as suas proezas atléticas, quase incrédulos por o ver superar tantas etapas, tantos desafios, com uma fasquia cada vez mais alta… e em tão pouco tempo!

No Largo dos Correios, o professor Martinó começou, logo após o seu regresso, a desfiar as recordações dessa viagem às verdejantes terras da Escócia, partilhando com os leitores a indizível emoção que sentiu ao deambular, pela primeira vez, nas ruas de Edimburgo (que o fizeram mergulhar noutro mundo, como que copiado a papel químico de uma novela de Charles Dickens!), e a que o assolou ao ver-se no meio de tantos concorrentes, a grande maioria muito mais novos do que ele (incluindo um casal português), ou ao contemplar as águas profundas de um imenso lago onde era pouco provável avistar-se o vulto de um misterioso e furtivo monstro marinho… que há muito se nega a aparecer aos íncolas e aos turistas!

Os nossos leitores podem apreciar os textos e as imagens dessa aliciante reportagem no Largo dos Correios, mas para já convidamo-los a tomar um “aperitivo”, isto é, a saborear o trecho seguinte — extraído, com a devida vénia, da mesma série —, em que António Martinó evoca sugestivamente os “fantasmas” da Escócia, relacionando-os com o fervor revivalista que lhe inundou de chofre a alma ao ressuscitar, logo à chegada, outros “duendes” que povoaram a sua infância, saídos das páginas de revistas tão emblemáticas, para ele e para muitos de nós, quanto o “monstro” de Loch Ness: o Diabrete, O Mosquito, O Papagaio, o Cavaleiro Andante.

Boa leitura… e façam o favor de continuar a seguir a reportagem que o professor Martinó está a publicar no Largo dos Correios.

Por António Martinó de Azevedo Coutinho (4ª parte)

Funciono muito por imagens. Aliás, isso foi extremamente significativo na minha própria vida profissional, onde as imagens tiveram lugar privilegiado.

Na recente ida à Escócia, particularmente quanto a Edinburgh e ao Loch Ness, isso esteve presente. Nem sequer o escondi, quando previamente citei as memórias pessoais com Tintin, ainda que ligeiramente ficcionadas.

Sabia, de antemão, que a Escócia é um lugar de encanto. E de encantamento. Nas paisagens urbanas como nas rurais, isso é ostensivamente patente, mete-se pelos olhos e pela alma adentro.

Edinburgh, primeiro lugar da escala escocesa, depois da “monstruosidade” do londrino aeroporto de Heathrow, é uma cidade admirável que cativa à primeira vista. A sua história e a sua identidade manifestam-se em absoluta coerência na mistura da modernidade com os indeléveis traços do passado, numa uniformidade que espanta os mais desprevenidos. Não há ali notas dissonantes no equilíbrio dos volumes, das tonalidades e das atmosferas. O Outono deve ser a estação ideal para a valorização cromática dos verdes, castanhos e dourados de Edinburgh.

Estendida sobre sete colinas, como Lisboa, a cidade nasceu e desenvolveu-se em torno do majestoso e imponente castelo, autêntico símbolo da identidade nacional escocesa, formando a Old Town e a New Town. A primeira caracteriza-se por uma rede de ruelas, passagens cobertas e pátios medievais e também de avenidas, como a majestosa Royal Mile, enquanto a segunda foi projectada e realizada no século XVIII, segundo os princípios urbanísticos do neoclassicismo em vigor na época, ainda que aqui sujeito à versão georgiana, de tipo britânico. As igrejas, as mansões e os espaços verdes abundam em todo o burgo.

Nas ruelas de Old Town o tempo parece ter parado. (Em nota intercalar que dá para perceber como por ali nos embrenhámos, bastará dizer que percorremos a pé, num só dia em Edinburgh, perto de vinte quilómetros… num excelente treino de marcha para a corrida!) Aqui funcionaram — e de que maneira! — as tais memórias (ou ficções) icónicas acumuladas desde a infância, sobretudo com base — imagine-se! — no saudoso Diabrete. E, depois, noutras colecções similares…

Foi naquele saudoso jornal de quadradinhos que, nos distantes anos 40 e 50 do passado século, li pela primeira vez, adaptadas em texto-folhetim ou em banda desenhada, obras de Robert Louis Stevenson, Arthur Conan Doyle ou Walter Scott. Por coincidência ou talvez não todos estes autores nasceram — em diversas épocas — na cidade de Edinburgh. Registe-se.

Confesso, por isso, ter esperado em diversas oportunidades que Sherlock Holmes e o seu fiel companheiro Dr. Watson espreitassem por detrás das cortinas de uma daquelas misteriosas janelas de Holyrood, que Ivanhoe desfilasse a cavalo por Victoria Street fora, que os clãs de Rob Roy ou de Quentin Durward em tropel atravessassem Charlotte Square ou Stockbridge, que as sombras inquietantes do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde saltassem de uma esquina perdida em Canongate, que os ébrios piratas da Ilha do Tesouro tumultuosamente desembarcassem no porto de Leith. Em vão…

Porém, devo confessá-lo, foram as personagens de outro “monstro” literário — Charles Dickens, por mero acaso não nascido em Edinburgh — que mais ainda me pareceram adequadas ao cenário. Nas estreitas e labirínticas ruelas e nos becos da Old Town, como nas suas passagens escuras desembocando em asfixiantes e altos pátios, entre Castlehill e Lawnmarket, ou de Beehive Inn a Grassmarket, esperei a cada passo encontrar os irrequietos David Copperfield e Oliver Twist ou o tenebroso Ebenezer Scrooge

Se me apetecesse dar a volta a estes pesados pensamentos, encontraria na minha bagagem de memórias icónicas outros pretextos familiares, mais tranquilos, igualmente próprios do contexto. É que foi precisamente no miserando Mr. Scrooge que o desenhador Carl Barks, dos estúdios do mago Walt Disney (cá volto aos bonecos!), se inspirou para criar o imortal e severo Tio Patinhas. Tio PatinhasScroogge McDuck, de nome de baptismo, em 1947 — tem ascendência escocesa, convém a propósito lembrá-lo, na família dos Mac Patinhas, riquíssimo clã do qual bem se conhecem, entre outros, os célebres membros Fergus Mac Patinhas e sobretudo sir Mac Trovão.

E que tal trazer à liça o celebérrimo e irredutível gaulês, de quem há escassos anos se conheceram proezas acontecidas pelas terras verdes da Escócia, em Astérix entre os Pictos? Depois, como é fácil chegar a um cidadão de carne e osso dos mais conhecidos, entre os modernos escoceses, Sean Connery de seu nome, agente James 007 Bond ou pai de Indiana Jones!? Também é natural de Edinburgh, para que se saiba.

Paro por aqui nesta deambulação, quase interminável, porque o objectivo era falar da cidade. Vou lá voltar, no entanto, com a absoluta consciência — ou íntima convicção — de que não cheguei a sair dela…

Clicar aqui para conectar o “Largo dos Correios”.

Advertisements

Y, O Último Homem – Vol. 1

O regresso de Astérix e Obélix – numa corrida que os Romanos não esqueceram

(Artigo publicado no Diário de Notícias, em 10 de Outubro de 2017, que reproduzimos com a devida vénia)

Acontecimento editorial do ano, a nova aventura de Astérix e Obélix, os dois inseparáveis gauleses, chega com a sua habitual mão-cheia de tabefes e dentes partidos, os seus inimitáveis jogos-de-palavras e a sua “justa dose” de História revisitada, para deleite dos apreciadores de aventuras rocambolescas.

O álbum da ASA, cuja capa retrata a grande corrida por etapas que serve de pano de fundo ao episódio (quase uma recriação da Volta à Itália em bicicleta!), já está à venda em muitas livrarias do país. Há também uma edição em mirandês.

Na Grande Corrida Transitálica, na qual participam representantes de vários povos da Antiguidade, conseguirão os bravos Gauleses suplantar todas as artimanhas e golpes sujos a que recorrem os orgulhosos Romanos,  apostados como sempre em sair vencedores?

E para além de todas as outras equipas adversárias, conseguirão eles fazer face aos intrépidos Bretões? Ser mais rápidos do que os Persas ou os Sármatas? Não perder terreno perante os valorosos Godos?… Isto para já não falar de outros povos itálicos, desejosos também de vencer a prova, pois não vêem com bons olhos a hegemonia de Roma!

Equatória: uma nova aventura de Corto Maltese

Sinopse: O ano é 1911. Entre Veneza e as selvas da África equatorial, Corto Maltese procura o “Espelho do Preste João”, um misterioso objecto relacionado com as Cruzadas. Na sua rota, cruza-se com três mulheres cujos destinos são estranhamente complementares: Aída, uma perspicaz jornalista, Frida, que monta uma expedição em busca do pai que desapareceu, e Afra, uma antiga escrava.

Segunda história do personagem Corto Maltese criada sem a partici- pação de Hugo Pratt, pelos espanhóis Juan Díaz Canales e Ruben Pellejero (autores também do álbum anterior), e publicada em França em Setembro de 2017. A edição portuguesa é da Arte de Autor — que reeditou recentemente A Balada do Mar Salgado, primeira e mítica aventura de Corto Maltese (com um prefácio de Umberto Eco).

Sequência inicial da nova aventura de Corto Maltese. A semelhança com o estilo narrativo de Hugo Pratt é flagrante.

Recordando o “ABC-zinho” (1921-1932)

“ABC-ZINHO” – A PRIMEIRA REVISTA DE BANDA DESENHADA PORTUGUESA

Artigo de Carlos Gonçalves

Esta afirmação talvez seja pouco credível para quem não se tenha apercebido da evolução das revistas de histórias aos quadradinhos em Portugal. Senão vejamos: se analisarmos as revistas que até então tinham aparecido no nosso país sobre o tema, vemos que quase todas elas publicavam caricaturas ou anedotas. Muito esporadicamente incluíam nas suas páginas banda desenhada.

Só depois de 1872 (ano em que Rafael Bordalo Pinheiro cria a primeira história aos quadradinhos, que intitulou “Apontamentos da Picaresca Viagem do Imperador do Rasilb pela Europa” e que seria publicada num pequeno álbum naquela altura), surge uma ou outra história apresentada na linguagem figurativa. As revistas “O Amigo da Infância”, “As Creanças” e “O Jornal da Infância” publicavam textos infantis e ilustrações. No caso de “A Corja”, “A Caratonha”, “A Marselheza” e “A Paródia”, estas eram revistas satíricas, bem como muitas outras que surgiram na época. A que se aproximou mais de uma revista infantil sobre este tema foi “O Gafanhoto” (1ª e 2ª séries).

Quanto a nós, seria o “ABC-zinho” a verdadeira revista infantil, com histórias aos quadradinhos desde o primeiro dia da sua publicação. Um dos principais desenhadores desta revista foi o próprio director da revista, José Ângelo Cottinelli Telmo, arquitecto oficial do Governo de Salazar e que colaborou intensamente na vida nacional da altura. Urbanizou a Praça do Império, criou o Liceu D. João de Castro, o Monumento das Descobertas e a tão falada prisão de Caxias, além de ter planificado a Exposição do Mundo Português. Também foi realizador de Cinema e dos bons, cabendo-lhe o primeiro filme sonoro português, tão do agrado de todo o público: “A Canção de Lisboa”.

Outros desenhadores desta revista foram o Albino (Stuart Carvalhais, com pseudónimo) e Rocha Vieira, um dos grandes desenhadores portugueses, cujo estilo se assemelhava bastante aos traços das histórias produzidas em Inglaterra e que seriam posteriormente importadas pelo “Tic-Tac”, “O Senhor Doutor” e “O Mosquito”, mais de uma dezena de anos depois. Os trabalhos de Rocha Vieira são já o resultado de um desenhador experiente e de grande maturidade. Os de Stuart mantêm-se na sua vertente, como nos habitou, não defraudando ninguém nos resultados alcançados.

As histórias são pejadas de aventuras, tão em voga nesse tempo, em que os leitores davam azo à sua imaginação e eram transportados nas asas do sonho, vivendo do mesmo modo que as personagens as peripécias narradas de vinheta para vinheta. Foi talvez por isso que esta revista se tornaria num dos maiores êxitos como publicação infantil, pois foi absolutamente completa e no campo didáctico pouco ou nada poderemos acrescentar quanto aos objetivos alcançados, que seria educar e distrair, ao mesmo tempo, a juventude dos anos 20.

Além da panóplia de desenhadores de grande qualidade que apresentou, alguns dando os seus primeiros passos na arte de desenhar histórias aos quadradinhos, como Cottinelli Telmo, Tiotónio, o próprio Suart, agora mais solto, António Cristino (uma esperança ainda, pois era muito jovem), Carlos Botelho e outros de que falaremos a seguir.

AS CONSTRUÇÕES DE ARMAR

Mas acima de tudo, um dos seus maiores pontos de interesse e de sucesso seria o de incluir, desde o seu primeiro número, construções de armar. Inicialmente eram simples, mas pouco a pouco e com o passar dos meses passariam a ser já de uma qualidade indiscutível. O seu número 14 incluiu uma folha A3 dupla com o Hidroavião Lusitânia, uma autêntica obra-prima nos seus detalhes, sendo também, por isso, difícil de montar.

Depois, incluirá como suplemento da revista mais uma série de construções: “Mimi e os seus fatinhos”, mobílias de bonecas, personagens de circo, animais, jogos, e a partir do seu número 45 uma das melhores construções até hoje criadas, “O Teatrinho do ABC-zinho”, composto por mais de duas dezenas de folhas, com a montagem de um teatro (uma construção que obrigaria os leitores a uma certa habilidade para a realizar), com personagens e cenários… e de tal modo era a imaginação, que até é possível iluminar os cenários. Seguiram-se uma aldeia do Zinho, com casinhas e tudo o que faz parte de uma aldeia (inclusive um facto inédito neste género de construções, um cemitério da aldeia com jazigos e campas), uma tourada, um castelo, automóveis, etc.

Como ponto alto e inédito também, anote-se a publicação de 12 pequenos livros com contos e ilustrações, não só de Cottinelli Telmo como de Else Althausse. Finalmente e também como um novo facto inédito desta publicação, teremos que destacar um presépio único, da autoria do arquitecto, em que as figuras se apresentam em três dimensões.

OUTRAS COLABORAÇÕES DA PRIMEIRA SÉRIE DO “ABC-ZINHO”

Depois dos artistas que já salientámos aqui e que colaboraram na revista, destacam-se ainda os nomes de Alfredo Morais (um dos maiores capistas, autor de centenas de capas e ilustrações no princípio do século XX), Emmérico Nunes, que era outro consagrado autor com ilustrações e banda desenhada, seguido de Carlos Botelho, de quem já falámos, também conhecido como o pintor de Lisboa. A maior produção portuguesa pertence a Rocha Vieira e a António Cardoso Lopes (o Tiotónio), durante a primeira série desta revista. No entanto, também irá incluir trabalhos estrangeiros: ingleses (retirados da revista “Puck”), espanhóis e franceses. “Os Sobrinhos do Capitão” serão nas suas páginas apresentados pela primeira vez em Portugal.

A primeira série da revista “ABC-zinho” surge em 15 de Outubro de 1921 e termina no número 171, em 28 de Dezembro de 1925. Era uma publicação bimensal e tinha 24 páginas impressas a preto e branco, alternando com outras a uma cor. Os seus diretores foram Cottinelli Telmo e Manuel de Oliveira Ramos. Comemoram-se, pois, os 96 anos do seu aparecimento.

A SEGUNDA SÉRIE DO “ABC-ZINHO”

A segunda série desta revista teria o mesmo impacto junto dos leitores como a primeira, não só pelo seu formato, no dobro da outra e já com algumas páginas a cores. Os artistas pouco aumentaram no seu total, mas surgiram novos estilos e novos métodos de contar uma história aos quadradinhos, já que os colaboradores anteriores tinham naturalmente evoluído.

António Cristino é um deles, mais maduro e perfeito, o Tiotónio demonstra a sua criatividade, Carlos Botelho está mais à vontade e surgem dois novos artistas nos finais da publicação: Carlos Ribeiro, outro desenhador já com provas dadas, como director da revista “O Senhor Doutor”, e Ilberino dos Santos, que mais tarde criará algumas pranchas de humor para “O Mosquito”. O seu formato salienta melhor a arte gráfica, além de que oferece maior impacto visual aos olhos dos seus leitores, com os trabalhos que são publicados. Dedica também algumas das suas páginas aos contos, quer históricos quer de aventuras. Não há dúvidas que esta revista teve um papel importante na sua divulgação. 

Até aqui pouco mudaram as revistas do género, como o  “Carlitos” e o “Cócórócó”… De qualquer dos modos, com a passagem dos anos as histórias aos quadradinhos viriam a afirmar-se no nosso país. Com as várias experiências conseguiu-se encontrar a fórmula ideal para satisfação dos leitores. No entanto, muitos educadores e professores acusavam estas publicações de criar um desinteresse pelos livros. Não é verdade, hoje sim, os meios audiovisuais é que têm sido um dos maiores factores para o afastamento da leitura. E até da própria banda desenhada. Para colmatar tal situação criaram-se as novelas gráficas (algumas vezes republicando histórias já impressas em álbuns ou revistas).

O “ABC-zinho” (2ª série) apareceu a 4 de Janeiro de 1926, vindo a terminar no seu nº 350, a 26 de Setembro de 1932.

“Branca de Neve” e “Bambi” nos jornais: duas novas exposições do Clube Português de Banda Desenhada

Quem não se lembra da “Branca de Neve e os Sete Anões” e do “Bambi”, dois filmes de desenhos animados, como eram conhecidos nessa época, que atraíram multidões às salas de cinema? Hoje, o género chama-se simplesmente Animação, um título mais categorizado, sem dúvida, e que já se tornou candidato permanente aos Óscares, de tal modo que, nos últimos tempos, os estúdios especializados (sobretudo nos EUA) não param de criar novos filmes, de forma cada vez mais inovadora e arrojada, em consequência dos enormes progressos da técnica e das lucrativas receitas de bilheteira que esta indústria continua a obter junto de numeroso público de todas as idades.

Pois estes dois memoráveis clássicos, tal como muitos outros realizados nos Estúdios de Walt Disney, foram também adaptados à Banda Desenhada e de uma forma extraordinária na sua concepção, devido ao trabalho de grandes desenhadores da época. Sobre estas páginas já passaram algumas décadas, mas mantêm-se inalteráveis na sua beleza e sedução. Por isso, vale a pena visitar as duas originais exposições que o Clube Português de Banda Desenhada inaugura amanhã, sábado, pelas 17h00, na sua sede, sita na Avenida do Brasil, 52A – Falagueira – 2700-134 Amadora. Uma ocasião a não perder, se gosta de Desenhos Animados e de Banda Desenhada!

Clube Português de Banda Desenhada – Assembleia Geral e 4 novas exposições

Por António Martinó de Azevedo Coutinho (Largo dos Correios)

O Clube Português de Banda Desenhada convocou os seus associados para participarem numa Assembleia Geral, que se irá realizar no próximo dia 14 de Outubro (sábado), pelas 16h00, nas instalações da sede, sita na Avenida do Brasil, 52A – Falagueira – 2700-134 Amadora. A referida Assembleia terá como ordem de trabalhos a eleição dos elementos constantes de uma lista, conhecida e divulgada, candidata aos Órgãos Sociais do CPBD para o novo mandato de 2017/2019.

Os nomes propostos confirmam, na prática, os responsáveis pela corrente gestão do Clube, autores de uma obra a todos os títulos notável. Creio, por isso e dada a unanimidade reconhecida, que a continuação do excelente trabalho realizado está amplamente assegurada (…) e a qualidade/quantidade da obra é tanto mais válida quanto se deve reconhecer que este exuberante período se seguiu a décadas em que o Clube apenas sobreviveu dada a militância de uma meia dúzia de apaixonados pelos quadradinhos que nunca deixou morrer uma chama “sagrada” mínima.

A sede disponibilizada pela autarquia da Amadora, capital nacional da BD, proporcionou um local que tem sido constantemente dinamizado com diversas realizações, para além das intervenções do Clube noutros locais como, por exemplo, a Bedeteca da Amadora ou a Biblioteca Nacional de Lisboa.

No próprio dia da Assembleia Geral do Clube Português de Banda Desenhada, a nossa sede vai ser local de abertura de mais quatro (!) exposições públicas, cujos [primeiros] convites se anexam. Como exemplo de esclarecida, permanente e coerente intervenção em defesa da causa dos quadradinhos, dificilmente se poderia exigir mais…

Tenho orgulho em pertencer a uma associação tão dinâmica e tão bem dirigida, crescentemente merecedora de reconhecimento cultural público.

(Nota: texto reproduzido, com a devida vénia, do blogue “Largo dos Correios”, administrado por António Martinó de Azevedo Coutinho).

O regresso de Valérian – Vol. 12

Image

Postais ilustrados de outros tempos – 3

Eis mais algumas amostras de uma série que, na modalidade de postais, parece interminável, explorando toda a riqueza e variedade dos trajes típicos portugueses — desta feita, com a assinatura de Alfredo de Morais (1872-1971), prolífico ilustrador e aguarelista que deixou um acervo incalculável de obras de cariz eminentemente popular (o que não desabona a sua têmpera artística).

São disso exemplo as capas de inúmeros fascículos de aventuras (Sherlock Holmes, Raffles, Nick Carter, Patrick Osborne, Texas Jack, Capitão Morgan, etc), incluindo as exuberantes ilustrações com que fez as delícias dos leitores da Colecção Salgari (Romano Torres), nas suas primeiras e míticas séries.

Temos oito postais da sua lavra com este tema, editados (supomos que nos anos 1960) pelo Museu de Ovar. Em breve, para deleite dos apreciadores da obra de Alfredo de Morais, apresentaremos os restantes — seguindo-se uma série de características totalmente diferentes, com temas jocosos e infantis.

 

Novela Gráfica III – Vol. 15

Com este volume chega ao fim mais uma série das Novelas Gráficas editadas pelo Público e pela Levoir, com total agrado de um largo sector da nossa comunidade bedéfila. Mas aguarda-se, nas próximas séries, uma presença mais consistente de autores portugueses e brasileiros.

Foi pena, também, não ter incluído na presente série o álbum A Vida de Che em BD, um clássico incontornável (embora de matriz política e biográfica), com a assinatura de Héctor G. Oesterheld, Alberto e Enrique Breccia, publicado na mesma altura, mas como um volume desgarrado. 

Previous Older Entries

Le chat dans tous ses états - Gatos... gatinhos e gatarrões! de Catherine Labey

Pour les fans de chats e de tous les animaux en général - Para os amantes de gatos e de todos os animais em geral

largodoscorreios

Largo dos Correios, Portalegre

Interesting Literature

A Library of Literary Interestingness

almanaque silva

histórias da ilustração portuguesa