“Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada” – Gicav realiza exposição em Viseu e publica história de E. T. Coelho

Conforme notícia que atempadamente divulgámos, abriu ao público no passado dia 27 de Agosto, em pleno Pavilhão Multiusos da Feira de São Mateus, a exposição intitulada “Dom Afonso Henriques na Banda Desenhada” — uma organização do GICAV (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), com o apoio da Câmara Municipal daquela cidade, da Viseu Marca e do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude).

Os nossos colegas do BDBD, Luiz Beira e Carlos Rico, estiveram lá, aquando da inauguração, e fizeram para memória futura uma reportagem fotográfica deste evento, que pode (e merece) ser vista no seu blogue: http://bloguedebd.blogspot.pt/2017/09/d-afonso-henriques-na-bd-reportagem.html

Antes da abertura da exposição no Pavilhão Multiusos — segundo informa o BDBD —, teve lugar, mesmo ao lado, num pequeno mas acolhedor auditório, o lançamento do álbum “D. Afonso Henriques – A Balada da Conquista de Lisboa”, narrativa extraída da obra “O Caminho do Oriente”, com texto de Raul Correia e desenhos de E.T. Coelho, cuja capa aqui reproduzimos, com a devida vénia ao BDBD e ao GICAV.

A sessão teve início com um curto mas interessante vídeo, onde o numeroso público presente pôde visionar imagens virtuais da nova Arena de Viseu, um belo espaço completamente apetrechado para receber eventos culturais e despor- tivos, que em breve (crê-se que dentro de um ano) tomará o lugar do Pavilhão Multiusos. A cerimónia teve a participação do Director Executivo da Viseu Marca, Dr. Jorge Sobrado, da Presidente do GICAV, Drª. Filipa Mendes, e de Carlos Almeida, coordenador do GICAV responsável pela área da BD.

Após o lançamento do álbum, seguiu-se a inauguração oficial da exposição, um conjunto de vinte painéis em grande formato, com exemplos de praticamente todas as BD’s onde a figura de D. Afonso Henriques, o Conquistador, foi retratada por desenhadores de várias gerações, entre os quais, além de Eduardo Teixeira Coelho, Artur Correia, Baptista Mendes, Carlos Alberto, Carlos Rico, Eugénio Silva, Filipe Abranches, José Antunes, José Garcês, José Projecto, José Ruy, Pedro Castro, Pedro Massano, Santos Costa e Vítor Péon.

Vista parcial da exposição, com o painel dedicado a Eduardo Teixeira Coelho em grande plano, à direita, e ao lado o de José Antunes; também em 1º plano, de costas, o desenhador Baptista Mendes, outro autor com participação nesta mostra (foto do BDBD).

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Clássicos Ilustrados – 5

“A Regeneração” (por O. Henry)

Classic Ilustrated - O Henry 475Apresentamos hoje nesta rubrica outro conto do famoso jornalista e escritor norte- -americano O. Henry (1862-1910), que se notabilizou num género que os anglo- -saxónicos designam por short stories, isto é, contos e novelas curtos. De seu verdadeiro nome William Sidney Porter, teve uma carreira atribulada, sujeita a vários fracassos económicos e a problemas com a justiça, quando era caixa de um banco em Austin (Texas), tendo por isso passado algum tempo na prisão, depois de uma rocambolesca fuga para um país da América Central.

Decidido a esconder esse passado do público e sobretudo dos editores, Porter optou pelo pseudónimo que o tornaria célebre, mas a sua carreira continuou marcada pelos problemas pessoais, como a morte da primeira mulher e o divórcio da segunda, que tiveram como consequência a sua acentuada inclinação para afogar as mágoas na bebida.

Apesar de ter produzido uma obra vasta e apreciada pelos leitores de todo o mundo, cuja compilação deu origem a vários volumes de contos, originalmente publicados entre 1904 e 1911, O. Henry morreu pobre e vítima do álcool com que procurou combater as suas depressões.

O. Henry (Jimmy Valentine - Mosquito)

O conto “A Regeneração” (título original A Retrivied Reformation) foi também adaptado à BD pelo artista norte-americano Gary Gianni, num volume da colecção Classics Illustrated (1990), editado pela Berkley/First Publishing e em português pela Abril Jovem.  Lemo-lo pela primeira vez, com outro título, não numa antologia dedicada a O. Henry (pois nesse tempo ainda eram raras em português), mas numa revista juvenil, o saudoso O Mosquito, onde foi publicado entre os nºs 1036 e 1039 (1949), com tradução de Raul Correia e um cabeçalho desenhado por E. T. Coelho.

Para muitos outros jovens, “O Destino de Jimmy Valentine” significou também o primeiro contacto com a obra do famoso escritor norte-americano… embora só mais tarde o soubessem, pois, por lamentável lacuna, o seu nome não figurava no cabeçalho d’O Mosquito (acima reproduzido).

O Henry - a regeneraçao 1 e 2

O' Henry - A regeneração 3 e 4

Regeneração 5

Regeneração 6 e 7

A Regeneração - 8 e 9

Um tradutor para todo o serviço – 1

R Correia - 3 cavaleiros da planície 435Para o nosso arquivo de (saudosas) memórias, aqui ficam algumas capas de cinco peculiares colecções da Agên- cia Portuguesa de Revistas (APR), com aventuras de cowboys que fize- ram as delícias, durante largos anos, dos inúmeros apreciadores do género: Búfalo e Arizona, ambas estreadas em 1951, e Pólvora, Bravos do Oeste e Zane Grey, que nasceram quase uma década depois.

Pormenor curioso: todos estes livros tiveram tradução de Raul Correia — sim, do próprio director e fundador d’O Mosquito, em cujas páginas deixou, ao longo de 17 anos, um vasto repertório de contos, novelas, histórias aos quadradinhos e poemas de fino quilate (como já referimos várias vezes no blogue O Voo d’O Mosquito).

Aliás, Raul Correia (1904-1985) foi também um prolífero tradutor e colaborou activamente, nessa função, com a Verbo, a Europa-América, a Ulisseia, a Íbis, a Portugal Press, a Pórtico e outras editoras. Por isso, não admira que o seu nome apareça também na enxurrada de colecções populares de origem espanhola com que a APR inundou o mercado, durante várias décadas.

Sangue Negro (Arizona 67) e O pistoleiro e a corda

“Sangue Negro” (Sangre negro), Col. Arizona nº 67 (1962); “Numa Só Carta” (A una sola carta), Col. Pólvora nº 49 (1962); “O Pistoleiro e a Corda” (El pistolero y la soga), Col. Búfalo nº 120 (1964); “Os Dois Evadidos” (Doble fuga), Col. Pólvora nº 118 (1968): “Um Traidor no Rancho” (Dos brutos y medio), Col. Bravos do Oeste nº 41 (1968), são alguns dos exemplos que conseguimos encontrar, entre as muitas obras que Raul Correia traduziu, fosse qual fosse o seu género, com assinalável brio profissional.

É claro que os nomes ingleses que ornamentam as capas destes livros — como O. C. Tavin, Lou Carrigan, Al Mc. Lee, Kent Wilson e Richard Jackson — são todos fictícios. Trata-se de meros pseudónimos criados por autores espanhóis de fértil imaginação e mediana craveira literária.

Sangue Negro rostoa+uma só carta

“Três Cavaleiros da Planície” (Raiders of Spanish Peaks), obra traduzido do original inglês, figura num dos géneros considerado mais prestigioso dentro da literatura western, dado o renome e o talento do seu autor, e foi publicada em 1961 no 21º volume da Colecção Zane Grey, com capa de Carlos Alberto Santos — projecto que pertencia a uma linha editorial mais ambiciosa, destinada a marcar a diferença com as edições espanholas em formato de bolso, numa época em que a APR queria ir mais longe, demarcando-se desse tipo de formato popular para conquistar novos públicos.

R Correia - Os dois evadidos + traidor no ranchojpg

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