Postais ilustrados de outros tempos – 2

Eis dois raríssimos postais, com trajes típicos dos Açores (Ilha Terceira) e da Madeira, ilustrados por Vítor Péon, na primeira metade dos anos 1950 (a julgar pelo estilo e pela assinatura dentro de um círculo), quando este dinâmico e versátil artista, já no auge da sua actividade criadora, ainda trabalhava para o Mundo de Aventuras e para outras publicações da Agência Portuguesa de Revistas (APR).

A editora destes postais, como se pode ler no verso, tinha o sugestivo nome de Au Petit Peintre — casa centenária, fundada em 1909, com loja na rua de São Nicolau, em Lisboa, e que, se tiver resistido à crise e ao aumento das rendas, ainda deve existir no mesmo sítio. 

Dir-se-ia que, por coincidência, os caminhos do jovem ilustrador já se cruzavam com uma Arte que, dentro de alguns anos, acenderia no seu espírito febril e ambicioso, sempre em busca do ideal estético, a centelha de uma paixão dominadora: a Pintura.

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Celebrando mais um aniversário do “Mundo de Aventuras” (desaparecido há 30 anos)

Nascido em 18/8/1949, o Mundo de Aventuras — um dos títulos mais emblemáticos da nossa imprensa juvenil — teve publicação ininterrupta durante cerca de 38 anos, até 15/1/1987. Um autêntico recorde de longevidade que nenhuma outra revista periódica de banda desenhada logrou sequer almejar, pois todas ficaram a grande distância dessa meta, mesmo as que no seu tempo foram tão populares como o Mundo de Aventuras.

Essa longa carreira, abruptamente interrompida pela crise da APR, que acabou também pouco tempo depois, foi assinalada, como é óbvio, por várias fases de maior e menor êxito, em que o MA mudou não só de periodicidade, de formato e de aspecto gráfico, como de sede, de oficinas, de director e de colaboradores.

Transcrevemos, a propósito, um pará- grafo da bela dedicatória “Em cada quinta-feira um novo mundo”, que o nosso amigo Professor António Martinó colocou, há três anos, no seu blogue Largo dos Correios, onde reluz o dom da palavra e da escrita de um mestre conceituado:

(…) Confrontando-se durante uma parte da sua longa vida com uma concorrência de peso, a revista conseguiu subsistir e atravessar diversas fases editoriais e modelos/formatos distintos. Mudando mesmo a sua filosofia, das histórias de continuação para as histórias completas, prenunciou o fim irreversível dessa saudosa fase onde aguardávamos com impaciência cada 5ª feira que nos fornecia o episódio seguinte de aventuras movimentadas, aptas a preencher um pouco da nossa própria vida.

Sobrevivemos sem “play-stations” e sem telemóveis, sem brinquedos sofisticados, até mesmo, imagine-se, sem televisão e, obviamente, desprovidos de acesso à internet… Sobrevivemos, sem traumas nem stresses, e isso deve-se em boa parte aos diabretes, aos mosquitos, aos mundos de aventuras e quejandos…”

A última série, iniciada em 4/10/1973, sob a direcção de Vitoriano Rosa, que sucedeu a José de Oliveira Cosme, falecido pouco tempo antes, teve também vários formatos e periodicidades, além de uma controversa interrupção cronológica, como se de uma nova revista se tratasse, com a numeração a voltar ao ponto de partida, após 1252 semanas de presença contínua nas bancas. O segundo director dessa série foi António Verde, que se manteve no cargo até ao último número (589), sempre coadjuvado pelo chefe de redacção (coordenador) Jorge Magalhães.

Mas o nascimento do Mundo de Aventuras está ligado a um facto pitoresco que poucos bedéfilos conhecem… a história de dois “mundos”, como a baptizou Orlando Marques (consagrado novelista e colaborador de longa data do MA), que foi um dos seus protagonistas.

Reproduzimos seguidamente um artigo publicado no nº 559 (15/9/1985), em que, pelo punho de Orlando Marques, se relata esse pitoresco episódio, cujo desfecho quase ia arruinando a sua carreira literária.

Exposição na BNP: “100 Anos do Cromo Colecionável em Portugal”

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Colóquio inaugural da exposição “100 Anos do Cromo em Portugal”, no dia 1 de Fevereiro de 2017, às 17h45. Apresentação de Carlos Gonçalves, do Clube Português de Banda Desenhada, e intervenção de João Manuel Mimoso, historiando a origem e a evolução das colecções de cromos dos rebuçados e caramelos em Portugal e de alguns dos seus fabricantes, desde a década de 1920 até à de 1960.

Um colóquio posterior, a realizar em 2 de Março, abordará os “cromos- -surpresa” lançados pela Agência Portuguesa de Revistas, em 1952, e prestará homenagem ao grande artista e ilustrador, recentemente falecido, Carlos Alberto Santos.

A exposição será inaugurada às 19h00, após o encerramento do colóquio, ficando patente ao público até 29 de Abril de 2017.

In Memoriam: Carlos Alberto Ferreira dos Santos (1933-2016)

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A Banda Desenhada, a Cultura e as Artes Plásticas portuguesas acabam de ficar mais pobres, pois perderam um dos seus maiores valores das últimas décadas…

Com 83 anos, faleceu ontem de madrugada, no Hospital Egas Moniz, onde estava internado há vários dias, devido ao súbito agravamento do seu estado de saúde, o pintor e ilustrador Carlos Alberto Ferreira dos Santos, nascido em 18 de Julho de 1933, em Lisboa, e cuja carreira artística começou bem cedo, depois de ter entrado como aprendiz para a Bertrand & Irmãos, apenas com 10 anos de idade. Consolidando essa iniciação nas artes gráficas, trabalhou também na Fotogravura Nacional e no atelier de publicidade de José David. 

O seu enorme talento começou a notabilizar-se noutra empresa de grandes dimensões, a Aguiar & Dias (vulgo APR ou Agência Portuguesa de Revistas), onde colaborou assiduamente desde o 1º número do Mundo de Aventuras, integrando pouco tempo depois o seu quadro de desenhadores privativos.  Embora relativamente escassa no campo da Banda Desenhada, a sua produção como ilustrador é vasta e diversificada, com destaque para a “História de Portugal” em cromos, um grande sucesso editorial, e outras valiosas colecções do mesmo género, assim como para o álbum “Camões – Sua Vida Aventurosa”, editado pela APR em 1972 e anos depois reeditado, a cores, pela ASA.

Foi também autor das mais eróticas ilustrações da BD portuguesa, para a revista Zakarella da Portugal Press, dirigida por Roussado Pinto.

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Mais vasta e rica ainda é a sua obra como pintor, consagrada à divulgação dos grandes heróis e dos feitos mais relevantes da nossa História Pátria. Com efeito, foi a pintura (e só ela) que lhe permitiu exteriorizar a sua verdadeira personalidade artística. As suas telas estão espalhadas por diversas instituições públicas e particulares, como o Museu Militar do Porto, suscitando também o interesse de coleccionadores de todo o mundo.

O funeral de Carlos Alberto realiza-se na próxima quinta-feira, às 11h00, no cemitério do Alto de S. João, depois da missa de corpo presente, pelas 10h30, na Igreja do Santo Condestável, bairro de Campo de Ourique (onde o artista casou, em Janeiro de 1959, com a pintora Maria de Lurdes Paes).

Em memória de um extraordinário vulto das artes gráficas e plásticas portuguesas dos últimos 60 anos e de um homem de gentileza ímpar, reproduzimos um artigo publicado na revista Temas nº 3 (Abril de 2000), em que se evoca o seu percurso, breve mas igualmente extraordinário, como banda desenhista.

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Nota — Tive a grande honra de colaborar com Carlos Alberto, como argumentista, num projecto que me encheu de satisfação (mas que seria a sua última obra em banda desenhada): a história “O Rei de Nápoles”, com 14 páginas a cores, publicada no 4º volume da colecção Contos Tradicionais Portu- gueses em BD, das Edições ASA (1993). 

Na cena de abertura dessa história, de ambiente medieval, propus-lhe retratar uma caçada a um dos muitos animais selvagens que povoavam as florestas europeias desse tempo. Mas Carlos Alberto opôs-se, alegando respeitar, por princípio humanitário, a vida dos animais, qualquer que fosse a sua espécie. E a referida cena ficou assim…

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Infelizmente, os seus problemas de visão afastaram-no definitivamente da BD, para se dedicar apenas à pintura, onde deixou obras que perpetuam a tradição dos grandes mestres figurativos, honrando o nosso património artístico e cultural. Mas as suas criações para o Mundo de Aventuras, o Jornal do Cuto e outras revistas de banda desenhada também não serão esquecidas!

Jobat no Carnaval de Loulé

Jobat na APRNatural desta ridente cidade algarvia, o saudoso José Baptista (Jobat) sempre teve uma ligação muito forte à sua terra, mesmo quando viveu e trabalhou em Lisboa, como desenhador privativo da Agência Portuguesa de Revistas (APR) e, mais tarde, noutra empresa do mesmo ramo editorial, a Portugal Press, onde desempenhou, entre outras destacadas tarefas, a de chefe de redacção do emblemático Jornal do Cuto.

Sempre ligado às artes gráficas, durante a sua prolífica carreira, mas também empenhado intensamente noutras activi- dades culturais, Jobat regressou à sua terra natal em meados dos anos 70, quando acabou a 1ª série do Jornal do Cuto, nela permanecendo até ao fim da sua vida. E foi em Loulé que deixou mais uma marca do seu talento e da sua criatividade ao colaborar assiduamente no jornal regional O Louletano, onde republicou alguns dos seus melhores trabalhos e elaborou a página “9ª Arte”, dedicada ao culto daquela que foi uma das suas maiores paixões artísticas: a banda desenhada.

Os méritos profissionais de Jobat e o seu profundo conhecimento da história da BD portuguesa (e estrangeira) estão bem patentes nessa rubrica que coordenou durante cerca de dez anos, com grande sucesso a nível nacional, fazendo com que O Louletano chegasse às mãos de muitos leitores que só o adquiriam (e por vezes também o assinavam) por causa da sua página de banda desenhada.

Jobat no Carnaval de Loulé

Em Loulé, terra de lendas, de poesia, de animação e de folclore, a memória de Jobat não foi esquecida e em pleno Entrudo deste ano a sua imagem tornou-se uma das figuras mais pitorescas do corso carnavalesco, ao desfilar num vistoso carro alegórico que prestava uma simbólica (e merecida) homenagem ao autor e artista gráfico que tanto tinha dignificado a sua terra.

Resta-nos desejar que essas homenagens perdurem no memorial da cidade e no afecto dos louletanos, porque Jobat, que tanto amou as suas raízes e os seus conterrâneos, merece ter o seu nome preservado e o seu talento prestigiado pela urbe onde nasceu, viveu, trabalhou, criou e sonhou até ao último alento.

Um tradutor para todo o serviço – 1

R Correia - 3 cavaleiros da planície 435Para o nosso arquivo de (saudosas) memórias, aqui ficam algumas capas de cinco peculiares colecções da Agên- cia Portuguesa de Revistas (APR), com aventuras de cowboys que fize- ram as delícias, durante largos anos, dos inúmeros apreciadores do género: Búfalo e Arizona, ambas estreadas em 1951, e Pólvora, Bravos do Oeste e Zane Grey, que nasceram quase uma década depois.

Pormenor curioso: todos estes livros tiveram tradução de Raul Correia — sim, do próprio director e fundador d’O Mosquito, em cujas páginas deixou, ao longo de 17 anos, um vasto repertório de contos, novelas, histórias aos quadradinhos e poemas de fino quilate (como já referimos várias vezes no blogue O Voo d’O Mosquito).

Aliás, Raul Correia (1904-1985) foi também um prolífero tradutor e colaborou activamente, nessa função, com a Verbo, a Europa-América, a Ulisseia, a Íbis, a Portugal Press, a Pórtico e outras editoras. Por isso, não admira que o seu nome apareça também na enxurrada de colecções populares de origem espanhola com que a APR inundou o mercado, durante várias décadas.

Sangue Negro (Arizona 67) e O pistoleiro e a corda

“Sangue Negro” (Sangre negro), Col. Arizona nº 67 (1962); “Numa Só Carta” (A una sola carta), Col. Pólvora nº 49 (1962); “O Pistoleiro e a Corda” (El pistolero y la soga), Col. Búfalo nº 120 (1964); “Os Dois Evadidos” (Doble fuga), Col. Pólvora nº 118 (1968): “Um Traidor no Rancho” (Dos brutos y medio), Col. Bravos do Oeste nº 41 (1968), são alguns dos exemplos que conseguimos encontrar, entre as muitas obras que Raul Correia traduziu, fosse qual fosse o seu género, com assinalável brio profissional.

É claro que os nomes ingleses que ornamentam as capas destes livros — como O. C. Tavin, Lou Carrigan, Al Mc. Lee, Kent Wilson e Richard Jackson — são todos fictícios. Trata-se de meros pseudónimos criados por autores espanhóis de fértil imaginação e mediana craveira literária.

Sangue Negro rostoa+uma só carta

“Três Cavaleiros da Planície” (Raiders of Spanish Peaks), obra traduzido do original inglês, figura num dos géneros considerado mais prestigioso dentro da literatura western, dado o renome e o talento do seu autor, e foi publicada em 1961 no 21º volume da Colecção Zane Grey, com capa de Carlos Alberto Santos — projecto que pertencia a uma linha editorial mais ambiciosa, destinada a marcar a diferença com as edições espanholas em formato de bolso, numa época em que a APR queria ir mais longe, demarcando-se desse tipo de formato popular para conquistar novos públicos.

R Correia - Os dois evadidos + traidor no ranchojpg

Livros infantis ilustrados & outras curiosidades – 1

HINO À PRIMAVERA!

Embora a Primavera já não tarde a despedir-se, para dar entrada ao dourado séquito do Verão e dos seus “súbditos” recamados com as ofuscantes pedrarias do sol, do mar, dos vergéis luminosos que se cobrem de frutos, inauguramos esta rubrica com um belo livro infantil dedicado às primícias primaveris e às suas flores de mil espécies, publicado há mais de cinquenta anos pela Agência Portuguesa de Revistas (APR).

Editora prolífica no campo da literatura infantil (e em muitos outros), a APR exerceu a sua actividade durante largas décadas, até meados dos anos 80, seguindo as pisadas e o exemplo da sua congénere espanhola Editorial Bruguera, de cujos operosos talleres deve ter saído este vistoso livrinho recortado, com as dimensões 11,8 x 17 cms.

Desconhecemos o nome do artista ilustrador, mas destacamos a harmoniosa parada de cenas campestres que recheiam as suas 12 páginas, cujo encanto para os mais miúdos fala por si… Um belo e raro livro infantil, testemunho de outra época e de uma fértil actividade editorial, que se multiplicou por revistas, livros e colecções populares dos mais variados géneros (como neste blogue iremos continuando, para memória futura, a registar).

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Primavera 2    798

Primavera 3     799

Primavera 4     800

Primavera 5       801

Primavera 6        802

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