Clássicos Ilustrados – 5

“A Regeneração” (por O. Henry)

Classic Ilustrated - O Henry 475Apresentamos hoje nesta rubrica outro conto do famoso jornalista e escritor norte- -americano O. Henry (1862-1910), que se notabilizou num género que os anglo- -saxónicos designam por short stories, isto é, contos e novelas curtos. De seu verdadeiro nome William Sidney Porter, teve uma carreira atribulada, sujeita a vários fracassos económicos e a problemas com a justiça, quando era caixa de um banco em Austin (Texas), tendo por isso passado algum tempo na prisão, depois de uma rocambolesca fuga para um país da América Central.

Decidido a esconder esse passado do público e sobretudo dos editores, Porter optou pelo pseudónimo que o tornaria célebre, mas a sua carreira continuou marcada pelos problemas pessoais, como a morte da primeira mulher e o divórcio da segunda, que tiveram como consequência a sua acentuada inclinação para afogar as mágoas na bebida.

Apesar de ter produzido uma obra vasta e apreciada pelos leitores de todo o mundo, cuja compilação deu origem a vários volumes de contos, originalmente publicados entre 1904 e 1911, O. Henry morreu pobre e vítima do álcool com que procurou combater as suas depressões.

O. Henry (Jimmy Valentine - Mosquito)

O conto “A Regeneração” (título original A Retrivied Reformation) foi também adaptado à BD pelo artista norte-americano Gary Gianni, num volume da colecção Classics Illustrated (1990), editado pela Berkley/First Publishing e em português pela Abril Jovem.  Lemo-lo pela primeira vez, com outro título, não numa antologia dedicada a O. Henry (pois nesse tempo ainda eram raras em português), mas numa revista juvenil, o saudoso O Mosquito, onde foi publicado entre os nºs 1036 e 1039 (1949), com tradução de Raul Correia e um cabeçalho desenhado por E. T. Coelho.

Para muitos outros jovens, “O Destino de Jimmy Valentine” significou também o primeiro contacto com a obra do famoso escritor norte-americano… embora só mais tarde o soubessem, pois, por lamentável lacuna, o seu nome não figurava no cabeçalho d’O Mosquito (acima reproduzido).

O Henry - a regeneraçao 1 e 2

O' Henry - A regeneração 3 e 4

Regeneração 5

Regeneração 6 e 7

A Regeneração - 8 e 9

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Clássicos Ilustrados – 4

“O Presente de Natal” por O. Henry

O. Henry (foto)Apresentamos hoje nesta rubrica a adaptação de um conto do famoso jornalista e escritor norte-americano O. Henry (1862-1910), que se notabilizou num género que os anglo- -saxónicos designam por short stories, isto é, contos e novelas curtos. Muito popular nos meios literários, graças sobretudo à colaboração em revistas como The Rolling Stone (que ele próprio dirigiu e editou, com avultados prejuizos), The Cosmopolitan e New York World Sunday Magazine (onde escreveu febrilmente um conto por semana, durante dois anos e meio), O. Henry — aliás, William Sidney Porter, seu nome de baptismo —, teve uma vida movimentada, fértil em peripécias aventurosas e em empregos de toda a ordem, casou-se duas vezes e foi parar à prisão, acusado de desfalque, quando era caixa de um banco em Austin (Texas) — depois de fugir para a América Central.

Cabbages and kingsDiz-se que o hábito de escrever sempre com um pseudónimo (que acabaria por se tornar célebre) foi uma forma de esconder do público e dos editores os seus problemas com a justiça. Durante o período de maior actividade literária, produziu centenas de contos, reunidos posteriormente em volumes como Cabbages and Kings (1904), Heart of the West (1907), The Voice of the City (1908), Roads of Destiny (1909), The Four Million (1909), The Trimmed Lamp (1910), Strictly Business (1910), Six and Sevens (1911) e meia dúzia de outros.

O estilo dúctil, apoiado numa eficaz síntese narrativa, a esfuziante imaginação, o dom de observador dos ambientes citadinos — em particular de Nova Iorque, a metrópole onde gostava mais de viver — e, sobretudo, os desconcertantes e irónicos finais com que surpreendia os leitores, granjearam-lhe enorme renome em todo o país… mas pouca segurança económica. Morreu pobre, em Junho de 1910, vítima do álcool com que procurava combater as suas depressões, agravadas pela morte da primeira mulher e pelo divórcio da segunda.

O. Henry Full HouseAlgumas das suas histórias mais famosas foram adaptadas ao cinema, no filme em episódios O. Henry’s Full House (1952), um dos quais interpretado por Charles Laughton e Marilyn Monroe. A Banda Desenhada também não as ignorou, destacando-se, entre todas as versões que conhecemos, o magnífico trabalho do artista norte-americano Gary Gianni, dado à estampa num volume da colecção Classics Illustrated (1990), editado pela Berkley/First Publishing e em português pela Abril Jovem (Brasil).  O conto “O Presente de Natal” (título original: The Gift of the Magi), publicado nessa mesma antologia, já foi algumas vezes adaptado à BD e tornou-se um clássico intemporal, figurando na generalidade Classic Ilustrated - O Henry 475das críticas literárias como um perfeito paradigma daquilo a que tradi- cionalmente se chama “o espírito nata- lício”, a par de outro exemplo não menos célebre: “Um Conto de Natal” (A Christ- mas Carol), de Charles Dickens.

Mais uma vez, a singularidade e objec- tividade do seu estilo, imitando a gíria jornalística — como se as palavras que punha no papel se transformassem em lentes de uma Kodak, através das quais  captava as personagens e o cenário num quadro realista, fiel retrato de uma época desaparecida —, e o desfecho quase patético de uma “intriga” minimalista, mas que desperta interesse e comoção, justificam o título de grande narrador e mestre do conto que ainda hoje consagra mundialmente o nome de William Sidney Porter, mais conhecido por O. Henry.

Eis em poucas páginas, sob os traços de Gary Gianni — um artista que estava fadado para altos destinos, pois chegou a assumir a continuidade de Príncipe Valente —, a exemplar versão ilustrada de um dos contos mais populares da literatura de todos os tempos.

Presente de Natal introdução e 1

Presente de Natal 2 e 3

Presente de Natal 4 e 5

Quando os grandes escritores e a 9ª Arte se encontram…

… a BD volta às livrarias!

Classics Illustrated nº 47  197De há muito que os laços entre a BD e a literatura se têm consolidado de múltiplas formas, quer em versões de obras clássicas de teor juvenil, cujo objectivo era fomentar, através das imagens e de um estilo descritivo muito verbalizado, o interesse pela leitura de livros mais “sérios” — como proclamavam os famosos Classics Illustrated, nascidos na mesma pátria dos super-heróis e dos comic books, com os quais pretendiam competir em popularidade e tiragem —, quer em simples tiras publicadas nos jornais, com adaptações de grandes obras da literatura universal — como Jane Eyre, Guerra e Paz, O Monte dos Vendavais, Os Três Mosqueteiros —, tiras essas lidas por um público heterogéneo, atraído também pelas imagens, e que, salvo raras excepções, nunca foram reunidas em volume (um enorme e riquíssimo acervo que continua a jazer no “sarcófago” da imprensa de outros tempos, à espera de que essas páginas sejam totalmente recuperadas por meios digitais e postas à disposição dos internautas apreciadores do género).

Os Três Mosqueteiros (P. Jackson)

Ultimamente, graças a novos conceitos editoriais, de alcance mais lato, visando a exposição nas livrarias (onde a crónica falta de espaço tem marginalizado a BD), surgiram as graphic novels, álbuns de formato mais pequeno, com características de livro, e conteúdo estético geralmente mais sofisticado, que respeitam também a matriz literária original (quando nela se inspiram), mas sem trair a qualidade simbiótica de uma linguagem dúctil e versátil como é a da Narração Figurativa (vulgo Banda Desenhada).

É nesta última categoria que se inserem três obras de registo e dimensão invulgares recentemente publicadas por conhecidas editoras do nosso meio — a Gradiva, a Arcádia e a Porto Editora —, em que a BD recria fielmente, mais uma vez, o universo literário, enriquecendo-o e transfigurando-o com o poder “mediúnico” da sua própria escrita.

elefante02

Realçando a importância (e o quase ineditismo) do acontecimento, o venerável Diário de Notícias dedicou-lhe duas páginas na sua edição de 12 de Novembro p.p., com natural destaque para o álbum realizado por João Amaral, o primeiro autor (português) de BD que se abalançou à árdua tarefa de adaptar um romance de José Saramago: “A Viagem do Elefante”.

Uma graphic novel que já está (e irá continuar) nas “bocas do mundo”… Com ela, mais “O Estrangeiro”, de Albert Camus, e “Logicomix”, em que se evoca a figura de Bertrand Russell, a BD voltou aos escaparates das livrarias, ao lado das obras de três Prémios Nobel!

O Estrangeiro e A viagem do elefante

Com a devida vénia ao DN e ao autor da oportuna reportagem, reproduzimos essas páginas do jornal, para memória futura e conhecimento dos nossos leitores a quem eventualmente passaram despercebidas.

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