Sérgio Godinho: do mundo das canções para o mundo da BD

Entrevista dada à estampa no jornal Público, de 4/11/2017, e que reproduzimos com a devida vénia. Fernando Dordio e Osvaldo Medina são os autores do álbum “O Elixir da Eterna Juventude – Uma Dança no Mundo de Sérgio Godinho”, editado pela Kingpin Books.

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O Amadora BD 2017 já encerrou… ficaram os prémios

Relação dos premiados:

Melhor Álbum Português: Deserto/Nuvem”, de Francisco Sousa Lobo (Chili com Carne)

Melhor Argumento para Álbum Português: Francisco Sousa Lobo, em “Deserto/Nuvem” (Chili com Carne)

Melhor Desenho para Álbum Português: Amanda Baeza, em “Bruma” (Chili com Carne)

Melhor Álbum de Autor Português em Língua Estrangeira: “It’s No Longer I That Liveth”, de Francisco Sousa Lobo (Chili com Carne/Mundo Fantasma)

Melhor Álbum de Autor Estrangeiro: “Os Ignorantes”, de Étienne Davodeau (Levoir/Público)

Melhor Álbum de Tiras Humorísticas: “Conversas com os Putos”, de Álvaro (Polvo)

Melhor Desenhador Português de Livro de Ilustração: Tiago Albuquerque e Nadia Albuquerque, em “Sou o Lince-Ibérico” (Imprensa Nacional Casa da Moeda)

Melhor Desenhador Estrangeiro de Livro de Ilustração: Jimmy Liao, em “Noite Estrelada” (Kalandraka)

Prémio Clássicos da 9ª ArteRonin”, de Frank Miller (Levoir/Público)

Melhor Fanzine: Outro Mundo Ultra Tumba”, de Rudolfo Mariano (Edição de Autor)

Destaque pela qualidade das colectâneas: “Sandman”, de Neil Gaiman (Levoir/Público)

Destaque pela qualidade das colectâneas: “O Mundo de Garfield (1978-1983)”, de Jim Davis (Verbo)

O Festival Amadora BD encerrou as suas portas no passado domingo, dia 12 de Novembro, mas para o ano haverá mais, com exposições de certeza tão interessantes como as que estiveram patentes, desde 27 de Outubro, no Fórum Luís de Camões (Brandoa) e noutros locais.

Quanto aos prémios, algumas das escolhas não nos pareceram as mais acertadas… mas, em questão de concursos, os júris são soberanos, por isso o que conta são as obras e os autores que estarão em destaque no próximo ano, entre eles Étienne Davodeau e Frank Miller.

O respeito pelo veredicto do júri não nos impede, porém, de lamentar a ausência das Edições Asa da lista de vencedores, pois a colecção de Valérian (embora incompleta) foi, sem dúvida, uma das melhores do ano. Tal como as de Garfield e de Sandman, justamente distinguidas com uma menção especial. 

E mais haveria a dizer no tocante aos clássicos e à sua rigorosa definição (Bastam 10 anos para uma obra se tornar um clássico? Podemos medir esse conceito somente pelo seu êxito comercial e artístico?)… mas ficamos por aqui.

Uma sugestão, apenas, porque cremos que esta é a categoria onde, de ano para ano, há mais candidatos e, portanto, mais dificuldade de escolha: por que não dividi-la em dois géneros, colectâneas (devido ao peso que têm numa edição) e álbuns singulares?

Pôr estes a competir com “pesos pesados”, misturando tudo no mesmo “saco”, como tem sucedido até agora, não nos parece boa ideia. Com resultados nem sempre felizes, para uns e para outros…  

A minha festa de aniversário

Pois é verdade, Amigos… Foi há três anos que começou a minha “odisseia” e hoje posso orgulhar-me de ser o segundo blogue mais visto da Loja de Papel, criada em Janeiro de 2013 com o lançamento d’O Gato Alfarrabista. E como o meu “irmão” mais velho se debate com problemas de espaço, já lhe tomei, até, a dianteira quanto à média de posts publicados mensalmente. Claro que não há nenhuma rivalidade entre nós e só espero que ele tenha longa vida, pois foi o primogénito e continua a receber muitas visitas, além de ter ganho a estima e o reconhecimento dos seus pares na Blogosfera. Enquanto que eu passo um pouco despercebido…

Enfim, não será por causa disso que me vou amofinar. Tenho os meus planos de futuro e estou muito satisfeito por crescer desta maneira e já possuir tantos amigos. Creio que isso se deve também ao facto de ser o blogue mais informativo da Loja de Papel, numa altura em que não faltam no nosso mercado boas edições de BD, e por beneficiar da vantagem de ter menos 22 meses do que O Gato Alfarrabista, podendo encarar tranquilamente, por um prazo de mais alguns anos (assim o espero), o problema da falta de espaço.

E como a conversa chegou a este ponto, vou dar-lhes uma novidade: em breve nascerá mais um “irmãozinho” na nossa Loja de Papel, para aliviar o mais velho de algumas rubricas com demasiado peso. E assim ele poderá ganhar novo fôlego, retomando o passo com que iniciou a sua jornada, pelo menos até encontrar outra solução.

A propósito de jornadas, o meu coordenador (cujo nome não cito, por causa da sua modéstia) escreveu o seguinte, na passagem do meu 2º aniversário: «Quando me meti nisto, seguindo o exemplo de outros entusiastas da BD, nunca pensei que levaria tão longe o meu impulso inicial. E agora já é difícil “meter os travões”, isto é, parar um pouco e reflectir que há mais vida além  dos blogues. Ou talvez não haja e isto seja uma espécie de substituto, na minha idade da reforma, daquilo que gostei de fazer noutros tempos». Como calculam, sou o primeiro a dar-lhe razão, confiando que não mude de ideias…

E agora, caros Amigos, só me resta agradecer a atenção que me dispensaram ao falar do meu 3º aniversário, cuja festa vai ter como convidados os meus quatro “irmãos” da Loja de Papel e a minha querida amiguinha Catherine Labey, que não se esqueceu de celebrar carinhosamente, com um engraçado desenho, esta data tão feliz para mim. E quem quiser pode também aparecer… porque os “bolos” virtuais, assim como a Amizade, chegam para toda a gente!  

Liga da Justiça: Nova Ordem Mundial (Vol. 1)

Liga da Justiça – Os maiores heróis da DC estão de volta

Postais ilustrados de outros tempos – 5

IN VINO VERITAS

Eis mais dois postais com o traço barroco e as cores exuberantes de um mestre das artes figurativas portuguesas, Alfredo Januário de Morais, que recheou com cenas burlescas, satíricas, românticas, heróicas, didácticas, infantis e de aventuras, centenas de livros, folhetos, revistas, cartazes, dados à estampa, durante várias décadas, na imprensa do século XX de cariz mais pitoresco, económico e popular. Um artista das “massas”, como se diria hoje…

Figura decadente mas típica de um certo estrato da sociedade portuguesa, a pequena burguesia e as classes populares, o bêbado — com a sua devoção quase litúrgica ao mandamento latino In vino veritas — ficou consagrado no texto, na imagem e na voz de alguns dos mais eminentes vultos da cultura nacional. Quem não recorda, por exemplo, esta carismática cena de um filme dos anos 1940, com um dos maiores actores cómicos do meio artístico desse tempo?

Amadora BD 2017 – última semana

O Festival Amadora BD continua a decorrer até ao próximo domingo, dia 12 de Novembro, com um punhado de magníficas exposições a não perder, desde as de Will Eisner e Jack Kirby (comemorativas do seu centenário) e dos portugueses Nuno Saraiva e Rui Pimentel, que estão patentes no Fórum Luís de Camões, à de Fernando Relvas na Galeria Artur Bual. Mas há mais, como podem ler no programa anexo…

Além da cenografia, que reforça um dos aspectos mais positivos do Amadora BD, nas suas anteriores edições, e do valor artístico da maioria dos trabalhos expostos, outro pormenor que merece atenção é a quantidade de figuras representadas no cartaz do Festival, da autoria de Nuno Saraiva, cuja obra Tudo Isto é Fado! foi distinguida em 2016 com o prémio de melhor álbum português de BD.

Todas essas figuras são de personalidades célebres da Amadora, num perpassar de memórias que evocam sobretudo a actividade artística e cultural, desde o século XIX ao tempo presente, formando um ecléctico conjunto que nas páginas seguintes está devidamente identificado.

Entre elas, surgem alguns dos maiores vultos da BD portuguesa, como Stuart Carvalhais, António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), José Garcês, José Ruy e Vasco Granja, moradores ou naturais do concelho da Amadora. Parabéns ao Nuno Saraiva, cujo prémio foi inteiramente merecido, pela ideia e pela realização deste cartaz, que é sem dúvida um dos mais interessantes da longa galeria do Amadora BD!

Ler Faz Bem: “O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde” (um livro de Robert Louis Stevenson oferecido pela “Visão”)

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Duke – a nova série de Hermann editada pela Arte de Autor

“DUKE – A LAMA E O SANGUE”

EM 1886, UM DOS PEQUENOS POVOADOS DO COLORADO, NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, VÊ-SE SOB O JUGO DE SÁDICOS PISTOLEIROS CONTRATADOS PELO PROPRIETÁRIO DE UMA MINA, OS QUAIS NÃO TÊM QUAISQUER ESCRÚPULOS EM ASSASSINAR TODOS OS QUE SE ATRAVESSAM NO SEU CAMINHO.

MAS QUANDO AS VÍTIMAS COMEÇAM A SER MULHERES E CRIANÇAS, DUKE, O AJUDANTE DO XERIFE LOCAL, É OBRIGADO A ABANDONAR A SUA NEUTRALIDADE E A REVELAR O QUE MELHOR SABE FAZER: RECORRER ÀS ARMAS.

Argumento: Yves H. – Desenho: Hermann – Edição: cartonada, 56 páginas – Impressão: cor – Data de edição: Outubro de 2017 – Editor em Portugal: Arte de Autor – ISBN: 978-989-99674-9-6 – PVP: 15,00€

Hermann, um autor que não pára

Hermann Huppen nasceu na Bélgica, em Julho de 1938. Depois de terminar os estudos, com o fito de se tornar fabricante de móveis, e de trabalhar apenas duas semanas nesta profissão, abandona-a para ingressar logo a seguir num gabinete de arquitectura. Paralelamente, e à noite,  Hermann  estuda desenho de arquitectura e de decoração interior na Academia de Belas Artes de St. Gilles (Bruxelas).

Após uma permanência de três anos no Canadá, regressa a Bruxelas e casa-se. O destino dita-lhe como cunhado Philippe Vandooren, futuro director editorial da Dupuis, o qual lhe encomenda uma pequena BD para uma revista de que é responsável. Essa história chama a atenção de Greg, que entra em contacto com o jovem autor e lhe propõe uma experiência de seis meses no seu estúdio. E é assim que, em 1966, Hermann começa a ilustrar Bernard Prince, uma série escrita por Greg e que é publicada na revista Tintin. Depois de uma incursão na série Jugurtha (1967), da qual desenha os dois primeiros tomos, Hermann retoma a colaboração com Greg em Comanche, série que surge em Dezembro de 1969.

Em 1977, Hermann sente necessidade de criar histórias autónomas e lança-se na sua primeira série a solo: Jeremiah. Entre 1980 e 1983, ilustra Nic, uma série com argumento de Morphée (aliás, Philippe Vandooren). Em 1984, inicia uma nova série cuja acção decorre na Idade Média: As Torres de Bois Maury.

Hermann e Yves H. – pai e filho – uma parelha de sucesso

Exigente, curioso e trabalhador incansável, Hermann dedica-se na década de 90 à criação de “one-shots”: Missié Vandisandi (1991), Sarajevo-Tango (1995), Caatinga (1997) ou On a tué Wild Bill (1999).

Em 2000, com a cumplicidade de Van Hamme, desenha Lune de Guerre. Depois, com argumentos do filho, Yves H.,  surgem histórias como Liens de SangLe Secret des Hommes-Chiens, Rodrigo, Zhong Guo, Manhattan Beach 1957, The Girl From Ipanema… ou Duke.

Hermann, que recebeu várias distinções ao longo da sua carreira, foi em 2016 homenageado com o Grande Prémio do Festival de Angoulême. É um dos autores franco-belgas mais publicados em Portugal, tanto em álbuns como em revistas, e já nos visitou algumas vezes. A Arte de Autor — que tem primado pelas boas escolhas — está de parabéns por trazer a sua nova série para o nosso mercado.

Páginas extraídas do álbum “Duke – A Lama e o Sangue” (edição Arte de Autor)

Exposição de Anica Govedarica na Livraria Ler Devagar (LX Factory)

Originária da Croácia, Anica Govedarica, que forma com Fernando Relvas um casal de artistas, é uma pintora e ilustradora já com apreciável currículo, cuja obra mais recente está exposta na Livraria Ler Devagar (sita na rua principal da LX Factory — uma antiga fábrica de grandes dimensões que se transformou num dos sítios mais concor- ridos de Alcântara, conjugando comércio, cultura e diversão).

Vale a pena uma demorada visita, até ao próximo dia 23 de Novembro, tanto à livraria, cujas imponentes estantes sobem até aos tectos altos, como à exposição de Anica, patente no 1º andar, onde pairam gaivotas habitantes de lugares urbanos que coexistem, harmonicamente, com outras realidades que desconhecemos. Os quadros e a original inspiração de Anica são a chave desses “Mundos Alternativos”.

A Montra dos Livros e os Gatos, Gatinhos e Gatarrões, da Catherine Labey (que também gostam de gaivotas), ficaram encantados.

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