Postais ilustrados de outros tempos – 16

QUERES SABER COMO ÉS? VÊ O MÊS EM QUE NASCESTE…

Embora estas colecções de postais nada tenham a ver com a astrologia, devem ter despertado, como é óbvio, a curiosidade de muitos jovens, atraídos pelos coloridos tópicos sobre as principais qualidades relacionadas com os meses do seu nascimento, como nas cartas de tarot.

Claro que quem era crente na influência dos astros confiava cegamente nesses tópicos, deslumbrando-se com os revérberos do seu próprio ego (mesmo ainda hoje, em que a personalidade da juventude é muito diferente, qual o rapaz ou a rapariga que não gosta de ver as suas qualidades realçadas?).

Outros, e devem ter sido a maioria, apreciaram, sobretudo, as qualidades artísticas dos postais, obra de Júlio Gil e Carlos Roque, dois dos melhores ilustradores portugueses dessa época, cujas carreiras tiveram notável impulso nas páginas do Camarada, embora seguindo depois rumos muito diferentes.

Em Dezembro publicaremos os últimos postais desta série criada pela Pórtico, nos anos 1960, uma casa editora voltada para o público juvenil (à sombra da “Mocidade Portuguesa”), que procurou fomentar o seu gosto pela leitura e por outros passatempos lúdicos, com colecções de livros, jogos, postais, etc…

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Postais ilustrados de outros tempos – 15

QUERES SABER COMO ÉS? VÊ O MÊS EM QUE NASCESTE…

Eis mais dois postais de uma série juvenil editada pela Pórtico nos anos 1960, com magníficas ilustrações de dois versáteis e talentosos artistas, Júlio Gil e Carlos Roque, cujas obras merecem lugar de destaque na escola humorística que floresceu na revista Camarada (sobretudo na sua 2ª série), embora o primeiro se tenha também distinguido como exímio ilustrador de traço realista.

E até Carlos Roque, nos alvores da sua carreira, revelou notáveis aptidões para o estilo “sério”, antes de se dedicar exclusivamente, com engenho e arte, em Portugal e na Bélgica, aos “bonecos” humorísticos. Poucos sabem disso…

Postais Ilustrados de outros tempos – 13

QUERES SABER COMO ÉS? VÊ O MÊS EM QUE NASCESTE…

Apresentamos hoje mais quatro postais desta interessante série juvenil, referentes aos meses de Julho/Agosto e que põem em destaque, com espírito humorístico, as qualidades dos rapazes e das raparigas nascidos em plena época estival.

As ilustrações, confiadas a dois grandes desenhadores da escola do Camarada, são a principal curiosidade destes pequenos “horóscopos”, editados pela Pórtico nos anos 1960 (mas sem data precisa), e que certamente fariam rir os jovens nascidos já no século XXI, se quisessem fazer uma viagem no tempo, comparando as suas aptidões e os seus hábitos com os de tão “remotos” antepassados. A evolução social e o progresso tecnológico criaram um fosso tão grande entre as gerações que tudo hoje parece diferente, mesmo que os seres humanos, na sua essência, pouco tenham mudado.

Nas ilustrações destes postais continua patente o virtuosismo de dois mestres das artes gráficas, cada um no seu género, desde o suave encanto do refinado e poético traço de Júlio Gil (cuja simplicidade parece uma luz que ilumina as suas figuras) ao recorte caricatural dos “bonecos” de Carlos Roque, em que a graça espontânea do seu estilo (filiada numa picaresca tradição do humor à portuguesa) se conjuga com o academismo harmonioso de certa escola belga — que lhe abriu as portas do êxito e da máxima consagração entre os seus pares europeus.

Postais ilustrados de outros tempos – 12

QUERES SABER COMO ÉS? VÊ O MÊS EM QUE NASCESTE…

Continuando a apresentar esta pitoresca colecção de postais, editada pela Pórtico nos anos 60 (segundo o nosso palpite), com ilustrações de dois grandes nomes da BD portuguesa, Júlio Gil e Carlos Roque, que também se distinguiram, cada um no seu campo, noutras artes figurativas, cabe hoje a vez aos meses de Maio e Junho, pródigos em dons para os jovens nascidos sob o seu signo — embora sejam de salientar as diferenças entre rapazes e raparigas, cujos “horóscopos” (como se vê por estes exemplos) raramente coincidem quanto às qualidades e vocações influenciadas pela grande roda do tempo.

Mas o que mais se destaca nesta rara e curiosa série (desconhecida de muitos amadores de cartofilia, devido ao seu género e à sua limitada distribuição) é o expressivo humor das imagens, realçado pela harmoniosa síntese gráfica, num traço sempre fluido e espontâneo, que torna ainda mais singelo e sugestivo o estilo de Júlio Gil, e pelo recorte caricatural dos “bonecos” de Carlos Roque, que reflectem a criatividade e a graça picaresca que herdou, por afinidade, dos mestres da escola humorística franco-belga.

Postais ilustrados de outros tempos – 11

QUERES SABER COMO ÉS? VÊ O MÊS EM QUE NASCESTE…

Continuamos hoje a apresentar duas pitorescas colecções de postais dedicadas aos jovens, com ilustrações de dois grandes nomes da BD portuguesa: Júlio Gil e Carlos Roque, desenhadores que se distinguiram nas páginas do Camarada — revista editada nos anos 40, 50 e 60 (em duas séries) pela Mocidade Portuguesa —  e de outras publicações juvenis que fizeram história.

Estes postais, produzidos (cremos que na década de 60) pela Pórtico, faziam abertamente distinção entre os géneros masculino e feminino (o que hoje não seria muito bem visto por alguns sectores mais “progressistas” da nossa sociedade), mostrando que as qualidades dos rapazes e das raparigas, apesar de influenciadas pelos astros, como rezam os seus horóscopos, também divergem entre os nascidos no mesmo mês. Naturalmente por causa do sexo…

Mas o que mais se destaca nestas curiosas colecções de postais é o expressivo humor das imagens, realçado pelo traço límpido e harmonioso do mestre Júlio Gil, um dos mais inspirados artistas gráficos portugueses do século XX, e pelo recorte picaresco dos “bonecos” de Carlos Roque, que já nessa altura evidenciavam a maturidade do seu estilo, no género que abraçou desde o início de uma longa e frutuosa carreira, em Portugal e na Bélgica. 

Postais ilustrados de outros tempos – 10

QUERES SABER COMO ÉS?

VÊ O MÊS EM QUE NASCESTE…

Começamos hoje a apresentar duas novas colecções de postais que, além de raras, têm um significado especial: o de serem destinadas aos mais jovens, indicando (como num “horóscopo”) as qualidades naturais de ambos os sexos, fruto, segundo os sábios, da influência astrológica dos meses de nascimento.

As ilustrações são de dois nomes ilustres da nossa BD (então chamada, em gíria infantil, histórias aos quadradinhos): Júlio Gil, que se distinguiu, como versátil grafista, na 1ª e 2ª séries do Camarada, revista para rapazes editada pela Mocidade Portuguesa, e Carlos Roque, uma das maiores revelações da 2ª série, como desenhador humorístico.

O traço vivo e airoso, de expressiva delicadeza, que caracterizava o estilo de Júlio Gil, está patente nos dois primeiros postais, dedicados às raparigas. Referente aos mesmos meses de Janeiro e Fevereiro, a série seguinte, dirigida aos rapazes, ostenta a assinatura e o traço pitoresco de Carlos Roque, então no início de uma brilhante carreira (anos 1960).

Com edição da Pórtico, nome ligado também às actividades culturais da Mocidade Portuguesa, estas duas colecções juvenis de postais têm um inegável encanto gráfico, realçado pelo colorido e pela harmonia e inspiração das imagens de dois saudosos mestres da BD portuguesa.

De banca em banca – 2

FÉRIAS GRANDES 

(na companhia da família Macedo)

por Odette de Saint-Maurice

Em tempo de férias natalícias, apetece relembrar, ao sabor dos sonhos e devaneios saudosistas que de vez em quando nos assaltam, alguns livros e revistas que folheámos e lemos ao acaso, nas horas de ócio, oferecidos quase sempre por familiares ou amigos, e que acabam por deixar uma marca tão forte no nosso espírito que deles dificilmente nos separamos, quando seguimos na vida outros caminhos e enfrentamos mudanças repentinas.

odette-fc3a9rias-grandes-1962Um desses livros que andou na minha bagagem, em sucessivas viagens de longo curso, e que, um dia, se perdeu, sem eu dar conta, voltou há pouco tempo, inespe- radamente, às minhas mãos, ao vasculhar uma banca cheia de volumes aparentemente inúteis, daqueles que só servem para reciclar papel, apesar do preço muito abaixo da sua primitiva condição. Trata-se de uma obra de Odette de Saint-Maurice (1918-1993), prolífica escritora amada pelos jovens, tanto rapazes como raparigas, cujo vasto currículo não cabe na economia de linhas de um simples comentário de blogue.

Mas o seu título, Férias Grandes, talvez seja sugestivo quanto baste para vos aguçar a curiosidade, tanto mais que foi publicado na famosa e ecléctica colecção Biblioteca dos Rapazes, da Portugália Editora, dedicada  a obras de grandes autores juvenis, na sua maioria clássicos da linhagem de Mark Twain, Daniel Defoe, Stevenson, Ballantyne, Alexandre Dumas e outros —, mas que também incluiu alguns originais portugueses, como os de Odette de Saint-Maurice, cuja resenha biográfica podem ver neste pequeno vídeo.

imagesTive a honra e o grato prazer de conhecer a Dona Odette (como todos nós a tratávamos) na Agência Portuguesa de Revistas, da qual foi assídua e apreciada colaboradora, e recordo-me com perfeita nitidez do seu aspecto e das suas maneiras cativantes, do seu profundo saber, do rosário das suas longas conversas que nos mantinham sempre em silêncio, o silêncio enlevado de quem gosta de ouvir aqueles que têm o dom de desfiar palavras sedutoras.

Odette de Saint-Maurice possuía em elevado grau esse dom, aliado ao do encanto e da simpatia, ela que era ainda, nessa época — refiro-me aos anos 70 do século XX — uma mulher bela e vistosa.

Por isso, em sua memória, apresento hoje, na montra preferida do nosso gato, este livro que me deixou saudades e que afortunadamente voltei a encontrar quando menos esperava… por um preço simbólico que não traduz sequer uma ínfima parte do seu valor sentimental.

um-rapaz-c3a0s-direitas-0Na Biblioteca dos Rapazes, Odette de Saint-Maurice publicou outras obras do mesmo teor, que primam pela coesão narrativa — como uma história que vai fluindo no tempo e de que é protagonista uma família da classe média: o Dr. Rui Macedo, a sua mulher Rosa Maria e os seus filhos Pedro, Ana e Rumané.

As peripécias familiares, sobretudo dos membros mais jovens do clã, recheiam os volumes Um Rapaz às Direitas (nº 20 da colecção), Amigos (nº 35) e Colégio de Verão (nº 55). Férias Grandes foi o nº 26 e tinha, como atractivo suplementar, uma sugestiva capa de Câmara Leme, artista de peculiares grafismos que contri- buíram em boa medida para o fascínio irradiado por muitos títulos dessa colecção (lidos até, com prazer, pelos adultos).

As capas de Um Rapaz às Direitas (2ª edição) e Colégio de Verão exibem também a sua síntese gráfica, apurada por um original sentido decorativo.

um-rapaz-c3a0s-direitas

amigos-1Há várias versões das capas destes livros (publicados, com sucesso, até aos nossos dias), sendo de realçar, entre os seus autores, além de Câmara Leme, Júlio Gil, que ilustrou Um Rapaz às Direitas (1ª edição) com o seu usual vigor gráfico, e Infante do Carmo, outro grande ilustrador das últimas décadas, cujo traço depurado é visível em Amigos.

Agradecemos a Jorge Silva, criador do excelente blogue Almanaque Silva, a oportunidade que nos proporcionou de as reproduzirmos neste artigo.

Em 2011, os livros juvenis de Odette de Saint-Maurice começaram a ser reeditados pelo Clube do Autor, como deu, então, notícia o programa Ler Mais Ler Melhor da RTP, que podem recordar neste vídeo.

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