Mais uma vez, a minha festa de aniversário

Pois é verdade, Amigos… Foi há quatro anos que começou a minha “odisseia” na Loja de Papel, criada em Janeiro de 2013 com o lançamento d’O Gato Alfarrabista.

É mais um aniversário que festejamos na vossa companhia, com um “bolo” especial confeccionado como habitualmente pela Catherine Labey.

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“O Iceberg” (conto de Orlando Marques)

Esta rubrica regressa, com mais um conto de Orlando Jorge Bertoldo Marques, um dos melhores colaboradores literários d’O Mosquito, que se estreou e formou na sua escola. Mais tarde, passou pel’O Pluto, pel’O Faísca, pelo Mundo de Aventuras (e por outras publicações da Agência Portuguesa de Revistas), terminando a sua carreira no Jornal do Cuto, na Colecção Shane e no Mundo de Aventuras (2ª série), onde deixou também indeléveis marcas do seu talento de novelista, apreciado por uma larga legião de leitores.

O conto que leram foi originalmente publicado na última fase da Coleção de Aventuras, uma revista “gémea” d’O Mosquito (no seu conteúdo e nos seus formatos), que teve vida breve (1940-1942), e foi ilustrado por Eduardo Teixeira Coelho, então no início da sua carreira, com um estilo muito diferente do que adoptou pouco tempo depois.

As páginas que reproduzimos saíram no Mundo de Aventuras nº 467 (2ª série), de 25 de Setembro de 1982, onde Orlando Marques publicou também muitos contos inéditos, ilustrados por outros desenhadores. O cabeçalho da página 2 foi desenhado por Catherine Labey.

A minha festa de aniversário

Pois é verdade, Amigos… Foi há três anos que começou a minha “odisseia” e hoje posso orgulhar-me de ser o segundo blogue mais visto da Loja de Papel, criada em Janeiro de 2013 com o lançamento d’O Gato Alfarrabista. E como o meu “irmão” mais velho se debate com problemas de espaço, já lhe tomei, até, a dianteira quanto à média de posts publicados mensalmente. Claro que não há nenhuma rivalidade entre nós e só espero que ele tenha longa vida, pois foi o primogénito e continua a receber muitas visitas, além de ter ganho a estima e o reconhecimento dos seus pares na Blogosfera. Enquanto que eu passo um pouco despercebido…

Enfim, não será por causa disso que me vou amofinar. Tenho os meus planos de futuro e estou muito satisfeito por crescer desta maneira e já possuir tantos amigos. Creio que isso se deve também ao facto de ser o blogue mais informativo da Loja de Papel, numa altura em que não faltam no nosso mercado boas edições de BD, e por beneficiar da vantagem de ter menos 22 meses do que O Gato Alfarrabista, podendo encarar tranquilamente, por um prazo de mais alguns anos (assim o espero), o problema da falta de espaço.

E como a conversa chegou a este ponto, vou dar-lhes uma novidade: em breve nascerá mais um “irmãozinho” na nossa Loja de Papel, para aliviar o mais velho de algumas rubricas com demasiado peso. E assim ele poderá ganhar novo fôlego, retomando o passo com que iniciou a sua jornada, pelo menos até encontrar outra solução.

A propósito de jornadas, o meu coordenador (cujo nome não cito, por causa da sua modéstia) escreveu o seguinte, na passagem do meu 2º aniversário: «Quando me meti nisto, seguindo o exemplo de outros entusiastas da BD, nunca pensei que levaria tão longe o meu impulso inicial. E agora já é difícil “meter os travões”, isto é, parar um pouco e reflectir que há mais vida além  dos blogues. Ou talvez não haja e isto seja uma espécie de substituto, na minha idade da reforma, daquilo que gostei de fazer noutros tempos». Como calculam, sou o primeiro a dar-lhe razão, confiando que não mude de ideias…

E agora, caros Amigos, só me resta agradecer a atenção que me dispensaram ao falar do meu 3º aniversário, cuja festa vai ter como convidados os meus quatro “irmãos” da Loja de Papel e a minha querida amiguinha Catherine Labey, que não se esqueceu de celebrar carinhosamente, com um engraçado desenho, esta data tão feliz para mim. E quem quiser pode também aparecer… porque os “bolos” virtuais, assim como a Amizade, chegam para toda a gente!  

Conversa(s) sobre Banda Desenhada (com Jorge Magalhães e Catherine Labey) – 4

JORGE MAGALHÃES (2)

No campo editorial, coordenou ainda livros como “O Mosquito – 60º Aniversário” (1996) e “Vasco Granja – Uma Vida, 1000 Imagens” (2003) e colaborou em jornais como Tintin, Jornal da BD e Jornal do Exército, além de ter sido chefe de redacção das Selecções BD (2ª série), entre 1998 e 2001. Escreveu também um livro com o título “O Príncipe Olaf”, publicado em 1975 na colecção juvenil Galo de Ouro (Portugal Press), a par de conceituados novelistas como Raul Correia, José Padinha e Orlando Marques.

Juntamente com Augusto Trigo (um dos desenhadores com quem mais trabalhou nos anos 80: “Luz do Oriente”, “Kumalo”, “Excalibur”, “Wakantanka”), foi autor do álbum “A Moura Cassima” (Lendas de Portugal em BD, Edições Asa), distinguido em 1992 com o prémio de melhor álbum português, criado nesse mesmo ano pelo Festival Internacional da Amadora. Voltou a colaborar com Augusto Trigo e Catherine Labey no álbum colectivo “Lenda da Moura Salúquia”, publicado no Salão Moura BD em 2009.

Foi galardoado cinco vezes com o Troféu O Mosquito do Clube Português de Banda Desenhada para melhor argumentista, entre 1981 e 1993. Em 1999, recebeu o Troféu de Honra do Festival da  Amadora (que no ano seguinte coube a Augusto Trigo) e em 2002 o Troféu Balanito Especial, atribuído pelo Salão Moura BD. A Câmara Municipal de Moura publicou estudos seus sobre vários temas:

“Carros e Motos na BD” (2001); BD e Ficção Científica – As Madrugadas do Futuro” (2005);O Western na BD portuguesa” (2007); Vítor Péon e o Western” (2010); Franco Caprioli – No Centenário do Desenhador Poeta” (2012)**

** Esta obra teve também edição em formato digital (e-book), pelo GICAV – Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu.

Actualmente, com assistência de Catherine Labey, coordena cinco blogues, que abordam desde a banda desenhada, o “western” e a aventura histórica à literatura popular e ao cinema.  O primeiro, O Gato Alfarrabista, nasceu em 2013.

Conversa(s) sobre Banda Desenhada (com Jorge Magalhães e Catherine Labey) – 3

JORGE MAGALHÃES

Jorge Magalhães nasceu no Porto em 22 de Março de 1938. Entre 1959 e 1961, iniciou transitoriamente a sua carreira na Banda Desenhada, escrevendo contos para o Mundo de Aventuras e para O Mosquito (2ª série), editado por José Ruy e Ezequiel Carradinha. Anos depois (1970), publicou também um conto no último número de Pisca-Pisca, revista da MP dirigida por Álvaro Parreira.

Em Maio de 1974, dez meses após regressar de Angola, onde era funcionário público (tendo colaborado também, entre 1967 e 1972, em vários jornais e revistas, como A Província de Angola, TrópicoABC e O Comércio), concretizou um sonho de juventude ao ingressar na Agência Portuguesa de Revistas, onde assumiu a coordenação do Mundo de Aventuras (2ª série), MA Especial e Selecções do MA, entre outros títulos de menor importância, permanecendo naquela empresa durante 13 anos, até ao seu encerramento.

Em 1976, estreou-se como argumentista no Mundo de Aventuras com uma história desenhada por Baptista Mendes, “A Lenda de Gaia”, tendo depois assinado numerosos argumentos para revistas e álbuns (individuais e colectivos), ilustrados por alguns dos principais desenhadores portugueses, como Augusto Trigo, Carlos Alberto, Carlos Roque, Catherine Labey, Eugénio Silva, Fernando Bento, João Amaral, José Abrantes, José Carlos Fernandes, José Garcês, José Pires, José Ruy, Pedro Massano, Rui Lacas, Vítor Péon e outros. Também colaborou com jovens desenhadores que trocaram a BD por outras carreiras, como Irene Trigo, João Mendonça, José Projecto, Ricardo Cabrita e Zenetto. 

Foi fundador e membro directivo do Clube Português de Banda Desenhada, criado em 1976, e coordenou outras revistas de BD como TV Júnior, Intrépido, AventureiroHeróis da Marvel, O Mosquito (5ª série), Almanaque O Mosquito, Heróis Inesquecíveis, etc. Também editou e dirigiu fanzines como os Cadernos de Banda Desenhada (com três séries) e a Colecção Audácia. Traduziu muitas histórias de BD, escreveu artigos de investigação e análise crítica para vários livros, revistas, catálogos, fanzines e suplementos de jornais, e dirigiu colecções da Editorial Futura como Antologia da BD Portuguesa, Antologia da BD Clássica, Colecção Aventura, Tarzan, Torpedo, etc.

(continua)

Conversa(s) sobre Banda Desenhada (com Jorge Magalhães e Catherine Labey) – 2

CATHERINE LABEY

Nascida a 8 de Setembro de 1945, em Évreux (França), de pais franceses, naturalizou-se portuguesa em 1975.

Após os estudos secundários, frequentou as Belas-Artes de Paris. Sempre em Paris, trabalhou em publicidade como grafista e depois emigrou, primeiro para Coimbra (1970), depois para Lisboa, onde foi capista na Editora Estúdios Cor.

Em 1974, foi a Moçambique, onde voltou a trabalhar em publicidade, mas só lá ficou de Janeiro a finais de Agosto daquele ano.

De regresso a Portugal, já naturalizada portuguesa, trabalhou como ilustradora e grafista para várias editoras (Plátano, Pública, a revista Fungágá da Bicharada, onde teve o seu primeiro contacto directo com a BD, e mais tarde Editorial Futura e Meribérica).

Fez banda desenhada publicada no Fungagá, no Mundo de Aventuras da APR, em álbuns juvenis na ASA do Porto, com argumentos de Jorge Magalhães (Contos Tradicionais Portugueses e Contos Para a Infância: de Guerra Junqueiro, de Andersen, de Grimm e das 1001 Noites), entre 1989 e 1992.

Fez muitas traduções de banda desenhada para a APR, Meribérica-Liber, ASA, e de texto para vários editores, tanto do francês como do espanhol e do inglês, assim como letragem de BDs.

Foi galardoada em 1995 com o troféu de Autor do Ano, no Salão de BD da Sobreda da Caparica, e com o Balanito Especial do Salão de Moura, em 2007.

Voltou a publicar na ASA, do grupo Leya, em 2012 («Provérbios… com Gatos»).

Tem dois livros na gaveta, escritos e ilustrados por si («Os Bichinhos da Minha Vida», «Memórias de uma Gata»), e uma nova colecção infantil de 6 livros, com tema versando as plantas medicinais e seu uso, através das peripécias do gato Serafim e da feiticeira Margolina.

É contra o novo Acordo Ortográfico.

 

Conversa(s) sobre Banda Desenhada (com Jorge Magalhães e Catherine Labey) – 1

No passado dia 8 de Julho, como oportunamente informámos, teve lugar na Bedeteca José de Matos-Cruz (ala da Biblioteca Municipal de Cascais, em S. Domingos de Rana), a 3ª Conversa sobre BD moderada pelo próprio José de Matos-Cruz, especialista e crítico de cinema, com vasta obra publicada, historiador, coleccionador e divulgador pioneiro da Banda Desenhada em Portugal (Copra, Ploc!, Mundo de Aventuras, Boomovimento, etc).

Desta feita, os convidados foram o casal formado pelo escritor/argumentista Jorge Magalhães e pela desenhadora e artista plástica Catherine Labey, ambos profissionais de BD desde a década de 1970, nas mais diversas áreas, e que continuam a alimentar o seu gosto pela 9ª Arte, dedicando-se ludicamente, na idade da reforma, à actividade de bloggers

Perante um público assíduo — entre o qual tivemos a grata surpresa de ver, além de Mestre José Garcês e esposa, e do desenhador João Amaral e esposa, uma bela “embaixada” da família de Jorge Magalhães, com a filha Maria José Pereira (editora da Babel) e o genro, dois netos e duas bisnetas —, falaram ambos das suas carreiras (muitas vezes em comum), apoiados por uma apresentação em Powerpoint de obras que consideram as mais representativas dessa colaboração mútua ou com outros autores.

Na sua intervenção, Jorge Magalhães, autor multifacetado, dissertou também sobre o seu longo percurso nas revistas e editoras onde trabalhou, desde o Mundo de Aventuras (APR) às Selecções BD (Meribérica), passando por muitas outras, como IntrépidoAventureiro e TV Júnior (Campo Verde), Heróis da Marvel (Distri) e O Mosquito (Editorial Futura).

Aqui fica, para memória fotográfica dessa sessão, uma breve reportagem que nos foi enviada por João Camacho, técnico superior da Câmara Municipal de Cascais, a quem publicamente agradecemos.

Seguir-se-á, em próximos posts de “A Montra dos Livros”, a apresentação das biografias destes autores e de uma galeria de imagens das suas obras, extraídas dos dois powerpoints, cujo arranjo gráfico esteve a cargo de Catherine Labey.

Conversa(s) sobre Banda Desenhada

Image

A blogosfera e as redes sociais – um tema de actualidade em foco no jornal “i”

Recebemos há dias um pedido de colaboração por parte de uma jornalista do quotidiano i que pretendia elaborar um artigo sobre os blogues em Portugal… Junto, vinha uma série de perguntas. Como fomos muito gentilmente abordados, a minha gata Mounette também achou, como porta-voz dos Gatos, Gatinhos e Gatarrões!, que seria cortês responder, pois a nossa experiência de sete blogues — com O Gato Alfarrabista, O Voo do Mosquito, A Montra dos Livros, entre outros irmãos mais novos deste blogue, dirigidos pelo Jorge Magalhães poderia contribuir para enriquecer o conhecimento sobre a matéria da senhora jornalista Joana Marques Alves.

Aqui divulgamos, com a devida vénia, parte do seu artigo (publicado na edição do i em 6 de Março p.p.), a primeira e a última páginas de seis. A primeira, por ter o título e a introdução, e a última, onde se fala dos nossos  blogues, assim como do blogue Imaginário-Kafre, do nosso prezado amigo José de Matos-Cruz.

(Texto de Catherine Labey, extraído do seu blogue Gatos, Gatinhos e Gatarrões. Para ampliar as páginas do jornal em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre a imagem).


Histórias Fantásticas de Edgar Poe – 2

“A Carta Roubada” (2ª parte)

a-carta-roubada-páginaApresentamos hoje a 2ª e última parte desta história, com desenhos de Catherine Labey, baseada no conto de Edgar Allan Poe, segundo a versão que surgiu no Diabrete, quando esta popular revista infanto-juvenil publicou, em folhetins destacáveis, os “Contos Fantásticos” do célebre escritor norte-americano, mestre absoluto do “horror gótico” e da poesia lúgubre, mas também considerado um dos grandes percursores da literatura policial e de mistério, com narrativas que ainda hoje figuram entre as melhores do género, como “O Escaravelho de Ouro”, “O Duplo Crime da Rua Morgue” e “A Carta Roubada”.

quadradinhos-11Como, na altura, éramos colabo- radores (num dos jornais mais lidos há 30 anos, A Capital) do suplemento Quadradinhos – 2ª série, dirigido por Adolfo Simões Müller, grande apreciador de adaptações literárias, foi nas suas páginas que esta história teve honras de estreia, publicando-se a duas cores e a preto e branco desde o nº 72, de 31 de Outubro de 1981, até ao nº 86, de 6 de Fevereiro de 1982.

Devemos sublinhar que “A Carta Roubada” (The Purloined Letter) é um conto concebido por Edgar Poe de forma peculiar, em dois tempos diferentes, sempre narrados em flash-back. No primeiro tempo, correspondente às páginas 1 a 8 desta adaptação, o narrador é um Prefeito da polícia parisiense que revela ao seu amigo C. Auguste Dupin — uma “mente brilhante” atraída pelos meandros da lógica dedutiva —, as investigações infrutíferas que levara a cabo, com os seus agentes, para encontrar a carta roubada a uma dama da alta aristocracia por um político sem escrúpulos, e como esse documento podia comprometer a honra e a segurança familiar da distinta senhora.

No segundo tempo, o narrador é o próprio Chevalier Dupin, que se limita a expor, com a maior naturalidade, os passos que deu em sentido inverso, guiado apenas pela intuição e pelo exercício da lógica,quadradinhos-21 que cultivava com o mesmo fervor de um certo detective privado que iria estabelecer os cânones da literatura policial muitos anos depois.

Estamos, portanto, perante o exemplo paradigmático de um caso aparen- temente simples, sem mistérios nem grandes emoções, narrado a três vozes e cuja acção, dividida em duas partes, tem como fulcro acontecimentos ocorridos num tempo anterior. Poe veste a pele do terceiro personagem presente em casa de Dupin — um amigo íntimo cujo nome também desconhecemos e que assume um papel contextual e reflexivo, expondo ao leitor, como uma voz off, os factos concretos e o singular “mecanismo” dedutivo de Dupin, assente na maníaca observação dos rostos e da linguagem corporal e no raciocínio puro, que explora o aspecto “superficial” das coisas como a melhor fonte de informações. Sherlock Holmes e Watson nasceram, sem dúvida, destes modelos.

Claro que, no âmbito das histórias ilustradas, esse discreto comparsa, o (quase) abstracto narrador que podemos subjectivamente comparar ao próprio Edgar Allan Poe, tem de possuir uma identidade física, um aspecto que o torne mais real aos olhos do leitor, embora a sua presença no conto seja um mero artifício literário. Pessoalmente gosto da caracterização que Catherine Labey lhe deu, sem se cingir a nenhum retrato específico.

Resta assinalar que esta adaptação de “A Carta Roubada” (uma das poucas que julgamos existir de um dos primeiros clássicos da literatura policial) foi também publicada no nº 4 dos Cadernos Sobreda BD, em 1991.

Para voltar à 1ª parte clicar aqui

Cadernos Sobreda - carta roubada 9Cadernos Sobreda - carta roubada 10

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