Duas novas exposições no CPBD

Estas duas exposições, oriundas do Salão Moura BD, serão inauguradas no próximo sábado, dia 2 de Junho, a partir das 15h30. Se a primeira tem como tema central uma das maiores figuras dos primórdios da nossa História, ou seja, Viriato, o heróico pastor dos Montes Hermínios, a segunda, referente aos “Viajantes de Papel na Lusofonia Gráfica”, aborda a obra de grandes autores que, por razões diversas, tiveram de emigrar, procurando trabalho noutros países, como Eduardo Teixeira Coelho, Vítor Péon e Carlos Roque… alguns deles nascidos nas ilhas adjacentes ou nas antigas colónias ultramarinas portuguesas.

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Postais ilustrados de outros tempos – 2

Eis dois raríssimos postais, com trajes típicos dos Açores (Ilha Terceira) e da Madeira, ilustrados por Vítor Péon, na primeira metade dos anos 1950 (a julgar pelo estilo e pela assinatura dentro de um círculo), quando este dinâmico e versátil artista, já no auge da sua actividade criadora, ainda trabalhava para o Mundo de Aventuras e para outras publicações da Agência Portuguesa de Revistas (APR).

A editora destes postais, como se pode ler no verso, tinha o sugestivo nome de Au Petit Peintre — casa centenária, fundada em 1909, com loja na rua de São Nicolau, em Lisboa, e que, se tiver resistido à crise e ao aumento das rendas, ainda deve existir no mesmo sítio. 

Dir-se-ia que, por coincidência, os caminhos do jovem ilustrador já se cruzavam com uma Arte que, dentro de alguns anos, acenderia no seu espírito febril e ambicioso, sempre em busca do ideal estético, a centelha de uma paixão dominadora: a Pintura.

A extraordinária odisseia da coroa de espinhos de Jesus Cristo

Nota: para ilustrar este texto, originalmente publicado no Bambi (suplemento infantil do jornal A Província de Angola), em 6/4/1969, utilizámos no blogue imagens de um livrinho muito raro, recheado de desenhos a cores do saudoso e grande artista Vítor Péon — livro esse destinado a apoiar as aulas de catequese, preparatórias da primeira comunhão, e publicado em finais de 1953, com um prefácio de Sua Eminência, o Cardeal Patriarca.

Artigo de Jorge Magalhães

Na Páscoa, recordamos os passos de Jesus Cristo, desde a sua entrada triunfal em Jerusalém (Domingo de Ramos), da ceia com os Apóstolos e da marcha dolorosa para o Calvário, depois de ser preso e julgado, até ao milagre da Ressurreição.

Diz-se que foram os discípulos que, logo após a sua morte, esconderam a túnica e a coroa de espinhos de Jesus, símbolos trágicos e piedosos do sacrifício. Durante muitos séculos, enquanto os cristãos sofreram perseguições e martírios, nada se soube dessas relíquias. Os próprios cristãos eram obrigados a esconder-se, para escapar às prisões em massa. No circo de Roma, um espectáculo bárbaro e san­grento tinha lugar todos os dias: os cristãos eram lançados às feras ou queimados vivos em cruzes de madeira iguais àquela em que Jesus foi supliciado.

Mas, no século IV, o generoso imperador romano Constantino converteu-se à nova religião, procla- mando-a culto oficial em todo o império. Os cristãos puderam, enfim, viver livremente. E as Santas Relíquias saíram dos seus esconderijos, para serem expostas à veneração dos fiéis.

A coroa de espinhos que tinha ensanguentado a testa do Salvador ficou durante muito tempo em Jerusalém. Até que um dia Constantino transferiu a capital do império para Constantinopla, onde a sagrada relíquia também foi parar, não se sabe por que razão, talvez para a subtrair às mãos dos sarracenos.

O seu significado tornou-se tão valioso para os soberanos de Constantino­pla, que estes a guardaram em lugar seguro, junto dos seus tesouros. Entretanto, os cristãos da Europa resolveram organizar uma grande expedição militar para libertar Jerusalém dos infiéis. Foi a primeira cruzada, a que outras três se seguiram, no espaço de pouco mais de 100 anos. O chefe da quarta cruzada, Balduíno, conde da Flandres, antes de seguir para Jerusalém, atacou Constantinopla, onde reinava um príncipe despótico e cruel. Durante o cerco, esse príncipe morreu e Balduíno ocupou-lhe o trono.

Mas este valente imperador não foi feliz, pois governou apenas durante dois anos. Os príncipes que lhe sucederam tiveram de lutar valorosamente contra os in­fiéis, que ameaçavam as muralhas de Constantinopla. E já se sabe que a guerra, o maior de todos os males, importa sempre na ruína de vidas e bens.

Foi por isso que um jovem imperador chamado Balduíno II resolveu, um dia, pedir auxílio ao rei de França. Tinha apenas 20 anos, mas desde os doze que não fazia outra coisa senão guerrear os seus inimigos. O rei de França recebeu-o com afecto e prometeu dar-lhe todo o dinheiro e todos os soldados de que precisava. Era também bastante jovem este monarca e com fama de virtuoso. Por isso, a Igreja louvou os seus actos, canonizando-o com o nome de São Luís.

Como sinal de gratidão pela ajuda prestada, Balduíno, antes de regressar ao seu país, ofereceu ao soberano francês a coroa de espinhos de Jesus. O rei Luís exultou com essa dádiva, bem mais preciosa do que todos os exércitos e todo o ouro do seu reino. E encarregou imediatamente dois frades, os irmãos Jacques e André, de irem a Constantinopla buscar a sagrada relíquia.

Uma desagradável surpresa aguardava, porém, os dois mensageiros. Na ausência de Balduíno, o Conselho da Regência decidira empenhar a coroa de espinhos a um mercador italiano chamado Nicolas Quirino, pela soma de 177.300 libras. Constantinopla necessitava tanto de dinheiro para a sua defesa que os leais conselheiros não tinham hesitado em recorrer àquele meio.

A promessa de Balduíno era, portanto, vã. Mas o irmão André não desistiu. Enquanto o seu companheiro regressava a França, pelo caminho mais curto, a fim de pedir ins­truções ao rei, o irmão André conseguiu permissão para embarcar na galera que trans­portava para Veneza a coroa de espinhos. Era a época do Natal. Mas a paz e o amor ao seu semelhante andavam arredios do coração de muitos homens, que mesmo nessa quadra sagrada para os cristãos não hesitavam em saquear e matar.

O Mediterrâneo estava infestado de piratas, que surgiram a cortar o caminho à galera e aos marinheiros de Veneza. Vinham de mando do imperador de Niceia, homem ambicioso e cruel, que sonhava há muito apoderar-se da coroa de espinhos para depois a vender, por uma fortuna, a outro rei estrangeiro.

Foi o vento que salvou Frei André e os seus companheiros. A galera de Veneza, mais rápida, desfraldando todas as velas, conseguiu distanciar-se do barco dos pira­tas e chegou ao seu destino sem voltar a ter maus encontros.

Aí, esperava-os uma recepção apoteótica. A coroa de espinhos foi conduzida num relicário à Basílica de São Marcos, onde ficou exposta à veneração do povo. Entretan­to, o irmão Jacques, cumprida a sua missão, regressou de França, com a quantia neces­sária para comprar ao mercador italiano a sagrada relíquia. Mais uma vez a coroa de espinhos mudou de mãos. Mas com que amor e devoção Frei André e Frei Jacques a transportaram! O seu coração estava inundado de alegria! Tanta, que nem sentiram os rigores da travessia através do monte São Bernardo, coberto de neve, e das numerosas estradas onde os desprotegidos viajantes estavam à mercê dos ladrões e dos fora-da-lei.

Mas a providência divina protegia-os. E, no dia 19 de Agosto de 1239, a coroa de espinhos chegou a Paris e foi conduzida à Catedral de Notre-Dame, diante de uma procissão triunfal em que seguiam o próprio rei São Luís e os seus irmãos, descalços e vestidos humildemente como penitentes.

Mais tarde, o piedoso Luís IX mandou construir uma capela onde a venerável relíquia da Cristandade ficou a bom recato. Assim terminou a extraordinária e verídica odisseia da sagrada coroa de espinhos de Jesus Cristo, o mártir do Gólgota.

  

O Boletim do Clube Português de Banda Desenhada continua em publicação

O Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) acaba de editar o nº 143 do seu Boletim, com data de Fevereiro de 2017, um dos fanzines mais antigos em publicação, não só em Portugal como em toda a Europa, e que pela sua qualidade e longevidade merece ombrear com os melhores.

Neste número, dedicado ao Titã — uma revista de BD dos anos 1950, editada pela Fomento de Publicações em moldes inovadores, mas que não teve o sucesso esperado, devido à forte concorrência do Cavaleiro Andante e do Mundo de Aventuras —, destaca-se um artigo sobre este tema da autoria de Ricardo Leite Pinto, sobrinho do saudoso Roussado Pinto, incontornável pioneiro da “época de ouro” da BD portuguesa, que no Titã exerceu as funções de novelista, argumentista, redactor principal e, a breve trecho, director, depois de ter saído do Mundo de Aventuras e da Agência Portuguesa de Revistas.

No Titã colaboraram também alguns desenhadores portugueses, já nessa época com largo e invejável currículo, como Vítor Péon, José Garcês e José Ruy, devendo-se a Péon e ao seu traço dinâmico a capa do 1º número e a história “Circos em Luta”, cujo herói, criado por Edgar (Roussado Pinto) Caygill, se chamava nem mais nem menos… Titã!

Completa este número um artigo de Carlos Gonçalves sobre a magnífica arte de E.T. Coelho, com uma galeria de trabalhos deste grande desenhador para a revista O Mosquito, que estiveram patentes, até há pouco tempo, numa exposição realizada pelo CPBD na sua nova sede.

As imagens reproduzidas neste post foram extraídas, com a devida vénia, do blogue Sítio dos Fanzines de Banda Desenhada, orientado por Geraldes Lino, cuja consulta recomendamos a todos os interessados por este aliciante tema que o mestre Lino conhece e aborda como ninguém!…

Fanzines de José Pires (Fevereiro 2017)

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Por cortesia de José Pires, nosso amigo de longa data, companheiro de muitas tertúlias desde os tempos heróicos em que lançámos o Fandaventuras e o Fandwestern (dois fanzines que ainda estão em publicação, graças ao incansável labor deste apaixonado pela BD clássica, que os edita mensalmente, com infalível pontualidade), apresentamos na nossa montra as edições distribuídas em Fevereiro, com novos episódios de duas séries carismáticas (Matt Marriott Terry e os Piratas) e a reedição da primeira história desenhada pelo saudoso artista português Vítor Péon para a mítica revista O Mosquito, na sua estreia, em 1943, como autor de banda desenhada.

Neste número, figura também uma história curta de Péon, com o título “Traidor em Fuga”, realizada em 1946 para O Pluto, revista dirigida e editada por Roussado Pinto, durante 25 números, em que Péon foi o principal colaborador artístico, ilustrando-a de uma ponta à outra, num alarde de talento, versatilidade e energia criativa.

Estes fanzines já se encontram à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não mora na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.pag-falsa-acusacao

Recorde-se que Terry e os Piratas foi apresentada na fase final d’O Mosquito (1952-53) e posteriormente no Mundo de Aventuras, quando era desenhada por George Wunder, sucessor de Milton Caniff.

Quanto a Matt Marriott é uma série inglesa, também em tiras diárias, desenhada por Tony Weare e escrita por James Edgar, que aborda com extraordinário realismo a colonização do Oeste americano em finais do século XIX, distanciando-se dos westerns da série B, nomeadamente os de feição mais juvenil.

Muitos dos seus primeiros episódios foram publicados no Mundo de Aventuras (formato pequeno) e na Colecção Tigre, como o que deu o título a este número do Fandwestern.

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Era uma vez o Oeste…

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