Os livros que guardo na memória – 3

A MARCA DO ZORRO por Johnston McCulley

Johnston McCulley McCulley e Guy Williams(1883-1958), o criador da mítica figura do Zorro, um dos primeiros vingadores mascarados, teve uma prolífica e brilhante carreira como argumentista de cinema e autor de séries para os pulp magazines, pois, além do seu principal personagem, criou figuras que granjearam também grande popularidade na época, como Black Star, The Spider, The Green Ghost e The Crimson Clown — percursoras de alguns dos super-heróis com nomes bizarros e identidades secretas nascidos nas décadas seguintes —, satisfazendo a sede de emoções de um vasto público viciado na leitura de revistas de crime,Curse of Capristano mistério e aventura como o Detective Story Magazine.

Zorro nasceu em Agosto de 1919, nas páginas de outro título famoso na história dos pulps (magazines de índole popular, dedicados aos mais diversos géneros, que utilizavam a polpa de papel para reduzir os custos de impressão): o All-Story Weekly, sete anos depois desta mesma revista (então ainda mensal) ter publicado a primeira aventura de Tarzan, escrita por um tal Edgar Rice Burroughs. A história de McCulley intitulava-se The Curse of Capistrano e tinha como cenário o sul da Califórnia, no tempo em que essa região, colonizada desde o século XV pelos espanhóis, ainda não passara para o domínio do México.

Foi tal o aplauso dos leitores que, no ano seguinte, surgiu a primeira adaptação cinematográfica — cujo único defeito era não ter som —, com o nome do prota- Mark of Zorro - Douglas Fairbanksgonista bem estampado no título: The Mark of Zorro, e um lendário actor e espadachim de Hollywood, Douglas Fairbanks, no papel de Don Diego Vega (a identidade secreta do Zorro), ao lado de Noah Beery, no do antipático e fanfarrão sargento Gonzalez.

O êxito do filme, que contribuiu para o lançamento de um novo género, conhecido como swashbuckler (aventuras de capa e espada), deu origem a um livro com o mesmo título, The Mark of Zorro, em que McCulley desenvolveu consideravelmente o primitivo enredo. Em 1940, surgiu outra memorável versão dos estúdios de Hollywood, com três famosas “estrelas” desse tempo: Tyrone Power, Linda Darnell e Basil Rathbone. Vi-a muitos anos depois, em reposição no cinema do meu bairro, o saudoso Royal-Cine, entre os aplausos e o trepidante entusiasmo de uma plateia maioritariamente juvenil.

Mas já, em 1937 e 1939, Zorro chegara de novo ao ecrã em dois trepidantes serials (filmes em episódios) da Republic Pictures, com os títulos Zorro Rides Mark of Zorro - 1940 - a 150jpgAgain e Zorro’s Fighting Legion, ambos realizados por John English e William Witney e interpretados respecti- vamente, no papel do vingador mascarado, por John Carroll e Reed Hadley. A Republic, pequena companhia especializada neste género de filmes, de longa metragem e orçamentos muito baixos, produziu nos anos seguintes mais seis serials do Zorro para aproveitar tão rendoso filão.

Entretanto, McCulley continuava a escrever aventuras do seu herói para outro célebre magazine, o Argosy, adoptando o figurino que Douglas Fairbanks transformara num ícone cinematográfico e que todos copiaram a partir de então: um destro e misterioso espadachim de mascarilha, capa sobre os ombros e chapéu de abas redondas, à moda da Califórnia espanhola.

Zorro Rides AgainEm 1941, para cavalgar a onda de popularidade do audacioso mascarado que lutava contra a injustiça e a opressão feudal dos grandes latifundiários, surgiu outra novela, intitulada The Sign of Zorro, mas McCulley não se ficou por aí, escrevendo num ritmo frenético mais de 60 histórias com este personagem até ao final da sua vida. A última foi publicada postumamente em Abril de 1959, quando já se ouviam os ecos de um novo triunfo do Zorro, agora como herói televisivo, numa série com 78 episódios produzida pelos Estúdios Disney e interpretada por Guy Williams (Zorro), Gene Sheldon (o seu servo Bernardo) e Henry Calvin (sargento Garcia), nos principais papéis.

De todos os romances do Zorro escritos por McCulley conheço apenas uma versão brasileira de A Marca do Zorro, publicada em 1959 (6ª edição) pela editora Vecchi, na sua colecção “Os Audazes”. Não creio que haja qualquer edição portuguesa, em livro, a partir dos primitivos originais.

A MARCA DE ZORRO869

 

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Os livros que guardo na memória – 2

“ALLAN QUATERMAIN”por Rider Haggard

Rider HaggardParece que o gato gostou dos livros de Sir Henry Rider Haggard que já estiveram expostos nesta montra, em especial da capa de Eduardo Teixeira Coelho, o que prova que o nosso bichano tem sensibilidade estética, como a maioria dos felinos.

Para lhe agradar, decidimos escolher outro livro do prolífico escritor inglês, embora com capas que certamente não lhe despertarão tanto interesse. Trata-se de uma obra pouco conhecida entre nós, escrita em 1887, como sequela de “As Minas de Salomão” — o romance mais famoso do autor e já com inúmeras edições portuguesas, muitas delas atribuindo a sua paternidade a Eça de Queirós, que, fascinado pelo tema, apenas o verteu magistralmente para a nossa língua.

De facto, embora “Allan Quatermain” prolongue no tempo as aventuras do famoso caçador sul-africano e dos seus amigos, o barão Henry Curtis e o capitão John Good, acompanhados pelo régulo Zulu Umbopa (ou Umslopogaas), levando-os até novas e inexploradas regiões —Allan Quatermain a terra de Zu-Vendi, onde encontram uma espécie de civilização desaparecida, governada por duas rainhas gémeas de raça branca que se guerreiam mortalmente —, a importância maior foi sempre atribuída ao primeiro volume do ciclo, ou seja “As Minas de Salomão”, cujo enorme êxito inspirou a Rider Haggard nada mais nada menos do que dezoito contos e novelas com Allan Quatermain como personagem central.

Embora essas obras não sigam uma ordem cronológica (Haggard escreveu-as, segundo parece, ao sabor do acaso e da fantasia), há um fio condutor que liga todas elas, dando rédea livre ao novelista para se debruçar sobre vários períodos da vida de Allan Quatermain, desde o seu primeiro casamento, ainda muito jovem, até à sua morte. E esta ocorre, de forma algo abrupta, no livro que Haggard decidiu intitular simplesmente com o nome do seu herói, como uma espécie de elegia fúnebre.

Alão QuatelmarPara a história das edições em língua portuguesa, registe-se que “Allan Quatermain” (ou Alão Quartelmar, como foi baptizado pelo Eça) surgiu primeiro no Brasil, em 1959 — data que não sabemos se corresponde à 1ª edição da Vecchi, que publicou outros livros de Haggard na popularíssima colecção “Os Audazes” —, e só teve honras de tradução portuguesa numa época mais recente (1999), por iniciativa das Publicações Europa-América, que a incluíram, depois de “As Minas de Salomão”, na colectânea Aventura & Viagens, com vários volumes ainda disponíveis nas suas livrarias.

Esperemos que o gato continue a gostar dos livros de Rider Haggard… e para satisfazer a sua (e a vossa) curiosidade acrescento que há algumas adaptações em BD de “Allan Quatermain” — não tantas, obviamente, como de “As Minas de Salomão” —, a melhor das quais, no meu entender, foi publicada em 1966 na revista Ranger, com o soberbo traço de um desenhador que muito se distinguiu no panorama dos comics ingleses: Michael Hubbard.

Allan Quartermain BD 1   Allan Quartermain BD 2

Há algum tempo descobri numa colecção da editora mexicana La Prensa, com o título Clasicos Ilustrados, outra adaptação desta história, não muito fiel ao original (pelo menos na última parte, omitindo a morte de Quatermain) e cujo desenhador não identificado me parece ser espanhol. Embora a revista e o seu conteúdo não mereçam grandes comentários, reproduzo também a capa e a página de abertura para que todos as desfrutem… incluindo o gato.

La Tierra de zu vendi952   La Tierra de zu vendi 2 953

    

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