Movie Posters – 1

AS FAÇANHAS DE HÉRCULES

hercules-enchained2Já falámos dele, num post anterior (ver a rubrica Contos e Lendas), a propósito da sua encarnação do mítico Hércules em dois filmes realizados nos finais dos anos 50 pelos estúdios italianos, mas cujo êxito rapidamente se propagou, de forma retumbante, a outros públicos, transformando a criação de Steve Reeves na imagem mais icónica do famoso herói da Mitologia grega.

Steve Reeves as Hercules E-MailActor de origem norte-americana, cuja carreira na sétima arte foi pautada, de início, por filmes de pequeno orçamento e relativo sucesso comercial, Steve Reeves (1926-2000) só se guindou aos primeiros lugares da fama quando lhe coube em sorte interpretar o papel de Hércules, revivendo no ecrã as suas lendárias e sobre-humanas proezas, o que conseguiu fazer sem grande esforço, pois era dotado de uma compleição física digna do maior herói da Antiguidade greco-romana.

hercules-steve-reeves-2

hercules-steve-reeves-4jpg1O facto mais curioso da sua bem sucedida carreira como garboso e atlético actor (ex-Mister América e ex-Mister Universo), cujo talento dramático nunca mereceu especiais louvores, foi ter-se tornado célebre fora do seu país, graças aos cine- astas italianos que criaram um género de grande êxito popular, mistura híbrida de História, aventura, fantasia e espectáculo de circo, baptizado com o nome de peplum.

A origem desse género histórico- -mitológico, que rendeu milhares de liras (e de dólares) nas bilheteiras, remonta ao princípio do século XX e da indústria cinematográfica euro- peia, quando os estúdios italianos (os maiores do velho continente) se abalançaram à produção de grandes filmes históricos, baseados em roteiros literários — como Cabíria (1914), cujo argumento foi escrito pelo famoso poeta Gabriele d’Annunzio —, confiando a sua realização a directores experientes, que procuravam seguir os passos de David W. Griffith, o mais famoso pioneiro do cinema norte-americano dessa recuada época.

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O género não tardou a evoluir, nas décadas seguintes, sobretudo nos anos 50 e 60, para uma réplica fantasista dos filmes bíblicos e de aventuras épicas, em que os acontecimentos históricos serviam apenas de pano de fundo, retratados, quase sempre, sem o menor rigor. E nesse género rotulado de peplum — ou sandálias e espadas (sandals and swords), na gíria popular —, cuja índole extravagante, caldeada pela fantasia e pelo colossal aparato cénico, era suficiente, só por si, para atrair o público, em massa, às salas de cinema, Steve Reeves, a perfeita encarnação moderna de Hércules, sentiu-se como “peixe na água”, tornando-se, de um dia para o outro, o rei incontestável de uma nova mitologia cinematográfica. Apesar de ter interpretado apenas dois filmes no seu maior papel — cujos cartazes originais (em italiano) mais abaixo apresentamos —, a fama nunca mais o largou, continuando a encarnar personagens lendárias.

Destaque também para a formosa actriz italiana Sylva Koscina (rival da Lollobrigida, da Loren, da Martinelli e da Mangano), que deu boa réplica a Ercole (isto é, Steve Reeves) em ambos os filmes. Só por eles valia a pena ir ao cinema, nesses recuados (e mais fantasistas) tempos em que faziam furor os másculos e invencíveis heróis de sandálias e espadas!…

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Histórias dos Velhos Deuses (por Marcelo de Morais) – 2

hc3a9rcules-1-1481Surge hoje no nosso blogue o 2º episódio desta série ilustrada por Marcelo de Morais, que o Diabrete publicou entre os nºs 794, de 7/2/1951, e 806, de 21/3/1951.

Tal como o cinema, numa recente produção com um musculoso actor cujo nome não fixámos — e que nunca conseguirá ofuscar a imagem do mítico Steve Reeves, protagonista de vários peplums italianos de boa memória realizados nos anos 50 do século passado —, também a BD evocou em múltiplas edições, com o selo de populares editoras como a Charlton Comics, o célebre herói da mitologia grega, cujas façanhas quase se assemelham, ironicamente, aos traba- lhos que o actual governo helénico tem enfrentado, também de forma hercúlea, para conseguir a ajuda dos seus parceiros europeus, evitando que os efeitos da austeridade se façam sentir de forma ainda mais dramática no seu país.

Trabalhos de Hércules - 7“Histórias dos Velhos Deuses” foi, como já referimos, um dos melhores trabalhos de um novo colaborador do Diabrete, na época 1949-51, que já se distinguira no Camarada, a revista da Mocidade Portuguesa, extinta em 1950, cuja vida curta foi uma espécie de “farol” no panorama dos quadradinhos nacionais, pela renovação que operou em termos gráficos, estéticos e temáticos.

Essa “lufada de ar fresco” — apesar de toda a carga ideológica da Mocidade Portuguesa, organização criada pelo governo de Salazar para promover a educação física e cultural da juventude, e a sua integração no seio do novo regime político — teve em Marcelo de Morais, jovem artista formado pelas Belas Artes, admirador da escola belga e do estilo de Hergé, um dos seus maiores expoentes.

Como continuou a demonstrar no Diabrete, onde lhe coube a honrosa tarefa de fazer equipa, no plano gráfico, com Fernando Bento e Fernandes Silva, outro talentoso recém-chegado às páginas do “grande camaradão”, que também contribuiu em larga escala para o progressivo desenvolvimento, em termos mais modernistas, da 9ª Arte portuguesa.

Trabalhos de Hércules - 8 E 9

Trabalhos de Hércules - 10 e 11

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