Recordações do Royal Cine

cinema-royal-19771

royal-cine-vista-interiorAinda me lembro do entu- siasmo com que assisti a muitas sessões de cinema, durante as décadas de 40 e 50 do século passado, numa sala de reprise do velho bairro da Graça, o Royal Cine, que ficava a poucos quarteirões da minha casa e onde passei, por isso, alguns dos momentos mais felizes da minha mocidade, vivendo intensamente o esplendor do cinema, não só na tela como no próprio ambiente dessa magnífica sala de espectáculos. Com uma fachada imponente, obra do arquitecto Norte Júnior, a lembrar um templo egípcio, o Royal Cine — que chegou a ser considerado “o mais elegante cinema de Lisboa”, com 900 lugares —, foi, aliás, o primeiro em todo o país a dispor de equipamento para projecção de filmes sonoros (na foto supra, sob o título, aspecto da frontaria, em 1977, já muito degradada, e na seguinte vista geral do balcão e da plateia; em baixo, plantas da vasta sala e anúncio da histórica inauguração do cinema sonoro em Portugal, com o filme “Sombras Brancas nos Mares do Sul”).

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o-cinem-sonoro-em-portugal

fachada-do-royal-cineActualmente, este autêntico e venerável templo da 7ª Arte, inaugurado em 26-12-1929, está reduzido à triste condição de super-mercado da cadeia Pingo Doce (passe a publicidade), pois como tantos outros não resistiu à passagem do tempo e à implantação de novas “modas”, gostos e mentalidades, que tornaram quase obsoleto o ritual (fascinante) de ir ao cinema com a família, a namorada ou os amigos. No “meu” tempo, isto é, há 50 e tal anos, ainda se podia saborear o prazer de passear nos largos salões, de cavaquear, durante os intervalos (que não tinham menos de 15 minutos), bebericando um café e fumando sem pressas um cigarro, até de ler um livro ou um jornal… E o momento mágico repetia-se (nas sessões duplas) quando se descerravam, com um suave rangido, as enormes cortinas antes do ecrã se iluminar com imagens oníricas, atraindo-nos para uma faixa brilhante que, tal como um tapete voador das “Mil e Uma Noites”, nos arrastava para outra dimensão, durante um curto intermezzo de hora e meia, sem que, na realidade, déssemos conta disso…

Como a mocidade que vimos inexoravelmente passar, e de que apenas ficaram as memórias mais gratas, são muitas, mas irremediáveis, as saudades do Royal Cine! Cujo lamentável destino continuará a ser o de super-mercado, até que este encerre também, devido à crise (se é que já não encerrou!)…

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