Livros que deram filmes – 3

“BEN-HUR” (por Lewis Wallace)

A propósito de uma nova versão cinematográfica do célebre romance de Lewis Wallace, rejeitada pela crítica — e sobre a qual não nos podemos pronunciar enquanto não sair o DVD, pois já há muito que perdemos a vontade de ir ao cinema —, queremos recordar neste artigo outros remakes dessa história, que apaixonou sucessivas gerações desde a sua primeira publicação no ano de 1880.

lewis-wallaceComo tributo a uma grande obra literária — cujo primeiro contacto, independentemente dos filmes e das leituras de BD, nos foi proporcionado pela excelente edição portuguesa da Romano Torres, com prefácio de Gentil Marques e tradução de José Rosado, na sua popular e volumosa colecção Obras Escolhidas de Autores Escolhidos —, aqui ficam também as capas desse livro, com o figurino original, idêntico aos dos tomos precedentes (só as cores variam), e a sobrecapa da edição especial, alusiva à épica versão de Ben-Hur produzida em 1959.

Além de escritor, Wallace (1827-1905) foi também diplomata e oficial do Exército, tendo atingido o posto de general e governado, durante algum tempo, o Território do Novo México (diz-se que com mão de ferro, numa época turbulenta em que teve de lidar com outlaws como o famigerado Billy the Kid). Ao seu gosto pelas histórias bíblicas, aliava um profundo romantismo e um estilo literário popular que o tornaram um dos escritores de maior sucesso do seu tempo, muito antes ainda de ser filmada a primeira grande versão de Ben-Hur, saída dos estúdios da Metro-Goldwin-Mayer, em 1925, com o lendário actor mexicano Ramon Novarro como protagonista.

Dirigido por Fred Niblo, este filme veio, aliás, na esteira de um êxito teatral da Broadway, em que não faltou, para espanto do público, a célebre corrida de quadrigas, magistralmente encenada em palco, com o auxílio de cabos atrelados à traseira dos veículos, para impedir que saíssem dos carris onde circulavam!

ben-hur-teatro-e-1925

ben-hur-poster-2A segunda maior versão cinematográfica só surgiu três décadas depois, noutra faustosa produção da Metro-Goldwin- -Mayer, com direcção do experiente William Wyler e interpretações marcantes de Charlton Heston, Stephen Boyd, Jack Hawkins, Haya Harareet, Hugh Grifitth e outros actores que integraram um casting destinado à “glória eterna”, pois o filme foi um dos que arrecadaram até hoje maior número de Óscars (onze, em todas as categorias principais, incluindo a de melhor filme). Será muito difícil, por isso, que a mais recente versão, dirigida por Timur Bekmambetov, com grande alarde de meios digitais, possa superar ou sequer igualar o ilustre vencedor, em 1959, do mais cobiçado troféu de Hollywood!

O memorável romance de Lewis Wallace — em que o aristocrático Judá Ben-Hur sofre as piores sevícias dos romanos, por causa da perfídia do seu amigo de infância Messala, de quem se vinga, como um justiceiro regressado das galés, na triunfal corrida do circo — teve uma sequela, O Filho de Ben-Hur (1963), escrita por Roger Bourgeon, autor francês nascido em 1924, e que a Editorial Romano Torres também publicou, com tradução de Mário Domingues.

Em 1979, foi reeditada, num volume cartonado, pelo Círculo de Leitores. Mas essa sequela, recheada de alusões aos primeiros tempos do cristianismo — quando em Roma reinava o despótico Nero, obrigando os cristãos a refugiarem-se nas catacumbas —, nunca a veremos, certamente, nas telas de cinema.

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O regresso de Ben-Hur

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