Memórias cinéfilas: “Blade Runner”

Na sua 5ª série, iniciada em Outubro de 1973, o Mundo de Aventuras publicou vários artigos sobre cinema, a exemplo do que faziam outras revistas de banda desenhada, mormente o Tintin belga, que também dedicava especial atenção à 7ª Arte e aos filmes de maior actualidade, sobretudo àqueles cujos temas interessavam particularmente à juventude.

Foi assim que no Mundo de Aventuras (5ª série) surgiram também rubricas especializadas, como Cinema Insólito, a cargo de Luiz Beira, e Visor e Cinematógrapho, orientadas por José de Matos-Cruz, a par de Cinema Fantástico, coordenada pela redacção da revista, rubricas onde os clássicos tinham lugar de destaque, inclusive os dos primórdios do cinema português.

Mas sempre que um filme de grande espectáculo se estreava nas telas, o Mundo de Aventuras, pela pena geralmente de José de Matos-Cruz, já nessa época um dos nossos maiores especialistas de assuntos cinematográficos — e que viria a tornar-se elemento destacado da Cinemateca Portuguesa —, dedicava-lhe um artigo… às vezes, até, com honras de capa, como no caso de Blade Runner.

Vem este desfiar de (gratas) memórias a propósito do texto que se segue, da autoria de José de Matos-Cruz, em que este recordou a relação entre cinema e BD, assinalando que alguns dos filmes de maior êxito dessa época, como Flash Gordon A Guerra das Estrelas (2º episódio), tinham sido adaptados por um dos mais notáveis artistas dos comics norte-americanos: Al Williamson.

Blade Runner, a insólita realização de Ridley Scott (baseada numa história do consagrado novelista Philip K. Dick, vencedor do Prémio Hugo, com o título “Sonham os Andróides com Carneiros Eléctricos?”), que abriu um novo capítulo na linhagem dos filmes de ficção científica, acabou por ter o mesmo destino, indo parar também às mãos de Al Williamson.

Verdade se diga que qualquer dessas adaptações foi um êxito, pois Williamson, grande fã de FC, já dera sobejas provas do seu talento (e da sua admiração por Alex Raymond, de cuja mestria gráfica era discípulo) ao desenhar, anos antes, alguns números de um comic book dedicado a Flash Gordon e ao renovar por completo, sucedendo a Bob Lewis (Lubbers), as tiras diárias do célebre Agente Secreto X-9 (criado por Raymond e Dashiell Hammett, em 1933), onde surpreendeu os leitores com algumas incursões em plenos domínios do fantástico e da Ficção Científica.

Numa próxima oportunidade, voltaremos ao assunto, pois tanto o filme de Ridley Scott (que já deu origem a uma sequela), como a BD de Al Williamson, pertencem definitivamente à memória dos clássicos. E continuaremos também a publicar artigos de José de Matos-Cruz e de outros autores, reproduzidos do Mundo de Aventuras e de diversas revistas.   (J. M.)                                                                      

Advertisements

Curiosidades do passado: Corto Maltese e o projecto de levar “A Balada do Mar Salgado” ao cinema

Artigo publicado no Mundo de Aventuras nº 161 – 2ª série (28-10-1976). Tradução de José de Matos-Cruz.

Conversa(s) sobre Banda Desenhada – 4ª sessão: 14 de Outubro 2017

Image

Conversa(s) sobre Banda Desenhada (com Jorge Magalhães e Catherine Labey) – 1

No passado dia 8 de Julho, como oportunamente informámos, teve lugar na Bedeteca José de Matos-Cruz (ala da Biblioteca Municipal de Cascais, em S. Domingos de Rana), a 3ª Conversa sobre BD moderada pelo próprio José de Matos-Cruz, especialista e crítico de cinema, com vasta obra publicada, historiador, coleccionador e divulgador pioneiro da Banda Desenhada em Portugal (Copra, Ploc!, Mundo de Aventuras, Boomovimento, etc).

Desta feita, os convidados foram o casal formado pelo escritor/argumentista Jorge Magalhães e pela desenhadora e artista plástica Catherine Labey, ambos profissionais de BD desde a década de 1970, nas mais diversas áreas, e que continuam a alimentar o seu gosto pela 9ª Arte, dedicando-se ludicamente, na idade da reforma, à actividade de bloggers

Perante um público assíduo — entre o qual tivemos a grata surpresa de ver, além de Mestre José Garcês e esposa, e do desenhador João Amaral e esposa, uma bela “embaixada” da família de Jorge Magalhães, com a filha Maria José Pereira (editora da Babel) e o genro, dois netos e duas bisnetas —, falaram ambos das suas carreiras (muitas vezes em comum), apoiados por uma apresentação em Powerpoint de obras que consideram as mais representativas dessa colaboração mútua ou com outros autores.

Na sua intervenção, Jorge Magalhães, autor multifacetado, dissertou também sobre o seu longo percurso nas revistas e editoras onde trabalhou, desde o Mundo de Aventuras (APR) às Selecções BD (Meribérica), passando por muitas outras, como IntrépidoAventureiro e TV Júnior (Campo Verde), Heróis da Marvel (Distri) e O Mosquito (Editorial Futura).

Aqui fica, para memória fotográfica dessa sessão, uma breve reportagem que nos foi enviada por João Camacho, técnico superior da Câmara Municipal de Cascais, a quem publicamente agradecemos.

Seguir-se-á, em próximos posts de “A Montra dos Livros”, a apresentação das biografias destes autores e de uma galeria de imagens das suas obras, extraídas dos dois powerpoints, cujo arranjo gráfico esteve a cargo de Catherine Labey.

Conversa(s) sobre Banda Desenhada

Image

Exposição “Quadradinhos Portugueses” na Cidadela de Cascais

Esta exposição, comissariada por José de Matos-Cruz e patrocinada pela Câmara Municipal de Cascais, no âmbito da programação do Bairro dos Museus, será inaugurada no próximo sábado, dia 24 de Junho, às 19h00, na Cidadela de Cascais, ficando aberta ao público até 3 de Setembro do corrente ano.

A blogosfera e as redes sociais – um tema de actualidade em foco no jornal “i”

Recebemos há dias um pedido de colaboração por parte de uma jornalista do quotidiano i que pretendia elaborar um artigo sobre os blogues em Portugal… Junto, vinha uma série de perguntas. Como fomos muito gentilmente abordados, a minha gata Mounette também achou, como porta-voz dos Gatos, Gatinhos e Gatarrões!, que seria cortês responder, pois a nossa experiência de sete blogues — com O Gato Alfarrabista, O Voo do Mosquito, A Montra dos Livros, entre outros irmãos mais novos deste blogue, dirigidos pelo Jorge Magalhães poderia contribuir para enriquecer o conhecimento sobre a matéria da senhora jornalista Joana Marques Alves.

Aqui divulgamos, com a devida vénia, parte do seu artigo (publicado na edição do i em 6 de Março p.p.), a primeira e a última páginas de seis. A primeira, por ter o título e a introdução, e a última, onde se fala dos nossos  blogues, assim como do blogue Imaginário-Kafre, do nosso prezado amigo José de Matos-Cruz.

(Texto de Catherine Labey, extraído do seu blogue Gatos, Gatinhos e Gatarrões. Para ampliar as páginas do jornal em toda a sua extensão, clicar duas vezes sobre a imagem).


José Garcês na Bedeteca José de Matos-Cruz (S. Domingos de Rana)

2016_bibliotecas_bmsdr_conversas_19novembro

2016_1_aniversario_bedeteca_jose_matos_programa

Traços & Tons: Exposição de Daniel Maia

daniel-maia-exposic3a7c3a3oCom inauguração em 30 Abril p.p. e encerramento este domingo, 22 de Maio, a colectividade Ateneu Popular do Montijo expôs Traços & Tons, uma mostra composta por uma selecção de trabalhos recentes do talentoso jovem desenhador Daniel Maia, figurando personagens de comics como Batman, Mulher Maravilha, Tartarugas Ninja ou de ficção como O Infante Portugal (criado por José de Matos- -Cruz), e complementada por diários gráficos e cadernos de desenho.

Comissariada por Marta Ferreira, a exposição visou mostrar obras recentes do autor, em banda desenhada e ilustra- ção, demonstrar o seu processo de trabalho — de interesse para o público escolar, a fim de dar a conhecer as fases criativas que levam um projecto, desde o guião ou esboço inicial, até à peça finalizada e respectiva edição — e partilhar comparações entre estas obras e desenhos da sua fase amadora, pré-adolescência.

infante-portugal-josc3a9-matos-cruzA mostra estará proximamente em itinerância em dois outros locais, na grande Lisboa, oferecendo assim uma nova oportunidade ao público que não pôde visitá-la na outra margem do Tejo.

Na foto: Em visita à exposição Traços & Tons, de Daniel Maia, deu-se o “encontro” de José de Matos-Cruz, o criador, com a sua criação O Infante Portugal (cuja imagem serviu de ex-libris a esta mostra). Uma oportuna convergência, enquanto se última a estreia da personagem e todo o respectivo universo criativo em banda desenhada.

(Ler mais informações nos blogues Imaginário-Kafre, de José de Matos-Cruzhttp://imaginario-kafre.blogspot.pt/ — e Daniel Maia Artworkhttp://danielmaia-art.blogspot.pt/ — onde recolhemos estas notas, com a devida vénia aos seus prestigiados autores).

Vasco Granja – Vivência e Memória

NOTÍCIA SOBRE EXPOSIÇÃO NO CENTRO CULTURAL DE CASCAIS

Vasco Granja foto455

Vasco Granja panfleto 1456A incontornável relação de Vasco Granja com os desenhos animados — à qual ficou a dever grande parte do seu renome como figura pública e a sua aura junto dos mais (e dos menos) jovens —, foi pretexto para uma pequena mas notável exposição inaugurada na passada sexta-feira, dia 6 de Março, no Centro Cultural de Cascais, com a presença de personalidades como Carlos Carreiras, Presidente do município, José de Matos-Cruz, comissário da exposição, e Cecília Granja, filha de Vasco Granja e principal herdeira e curadora do seu precioso espólio — além de numeroso público, que ficou encantado não só com o vasto acervo bibliográfico e fotográfico exposto, constituído na sua maioria por obras sobre cinema de animação, em várias línguas, mas também com os filmes projectados durante a sessão, nomeadamente diversas curtas-metragens de Tex Avery, que com zelo e paciência Cecília e os seus familiares recuperaram digitalmente das gravações em VHS conservadas por Vasco Granja, com “religioso” fervor, no seu santuário doméstico, cheio de relíquias de duas (ou mais) carreiras paralelas, marcadas por inúmeros contactos internacionais.

A exposição Vasco Granja e o Cinema de Animação, patrocinada pela Fundação D. Luís I, estará patente no Centro Cultural de Cascais até ao próximo dia 19 de Abril e merece uma visita de todos os que se deslocarem à bela vila da linha do Estoril, onde as actividades recreativas e culturais têm estado em foco nos últimos anos, graças ao dinamismo dos seus responsáveis autárquicos, em colaboração com diversas entidades nacionais e estrangeiras.

Vasco Granja panfleto 2  457Transcrevemos seguidamente, com o maior prazer, um folheto editado no âmbito desta mostra, em cujos textos José de Matos-Cruz, Cecília Granja e outros familiares do homenageado contextualizam o fecundo percurso biográfico e profissional de Vasco Granja, um dos maiores dinamizadores culturais da sociedade portuguesa, nos anos 50 a 90, cuja presença em inúmeros programas da RTP ainda hoje é calorosamente recordada por muitos dos seus admiradores.

Amador esclarecido — que conviveu com literatos, artistas, críticos, cineastas, editores, desenhadores —, autodidacta de grande craveira intelectual, foi também Vasco Granja que introduziu no nosso léxico a expressão “banda desenhada”, hoje genericamente consagrada, em detrimento da tradicional “histórias aos quadradinhos” ou “histórias em quadrinhos”.

Vasco Granja panfleto 3 e 4Vasco Granja panfleto 5 e 6

WordPress.com Apps

Apps for any screen

Le chat dans tous ses états - Gatos... gatinhos e gatarrões! de Catherine Labey

Pour les fans de chats e de tous les animaux en général - Para os amantes de gatos e de todos os animais em geral

largodoscorreios

Largo dos Correios, Portalegre

almanaque silva

histórias da ilustração portuguesa