Os Gatos e o Crime – 3

Ellery signatureLes Ellery 3Prosseguimos gostosamente a publicação desta série, repescada (com alguns aditamentos) dos arquivos de Gatos, Gatinhos e Gatarrões, blogue orientado por Catherine Labey.

Célebre solucionador de enigmas, o próprio Ellery Queen foi, durante muito tempo, um personagem misterioso. Hoje em dia, já não é segredo que sob esse nome emblemático se escondiam Manfred Bennington Lee e Frederic Dannay, dois primos, ambos nova-iorquinos, nascidos em 1905 (Manfred a 11 de Janeiro e Frederic a 20 de Outubro) no bairro de Brooklyn. Trabalhavam juntos em publicidade quando, em 1928, por brincadeira, resolveram participar num concurso de romances policiais.

Theromanhatcover +  Chapéu RomanoThe Roman Hat Mystery (editado em Portugal na Col. Vampiro nº 667 e na Col. Xis nº 22, com o título O Mistério do Chapéu Romano), ganhou o pri- meiro prémio e teve tanto êxito que o editor, depois da sua publicação em 1929, inci- tou-os a continuar a escrever. Os primos aceitaram.

Ellery Queen tinha nascido

O personagem Ellery Queen é filho do inspector Richard Queen, que aparece, aliás, frequentemente no ciclo e a quem foi consagrada uma antologia de contos. Aos vinte anos, 798266-ElleryQueen2so jovem Ellery, um dandy ocioso que lembra um pouco o Philo Vance de S.S. Van Dine, tornou-se narrador das suas próprias aventuras porque, muitas vezes, dá uma mãozinha ao pai, com o seu acutilante espírito de observação e as suas brilhantes capacidades dedutivas, nos casos parti- cularmente difíceis. Antes de revelar a chave do enigma, a narrativa suspende-se para lançar um desafio ao leitor, avisando-o de que já conhece todos os indícios da trama e que deve formular a sua própria solução, antecipando-se a Ellery Queen. Whodunits (Quem o fez?) E Queen - as aventuras de EQ094clássicos e muito engenhosos, os inquéritos de Ellery Queen ganharam rapidamente uma vasta notoriedade. E longe de se contentarem em repetir a fórmula, os primos Lee e Dannay fizeram-na evoluir.

O ciclo Ellery Queen comporta quatro fases. Na primeira, que termina com a antologia As Aventuras de Ellery Queen (publicada no nº 113 da Colecção Xis), todos os romances ostentam a palavra Mystery nos títulos originais, caracte- rizando-se como  inquéritos de enigma clássicos.

A segunda fase, rematada também por uma antologia, engloba cinco títulos, apresentando um esquema narrativo menos rígido, em que o suspense está em nítida progressão.

index3A terceira, muitas vezes designada como fase da maturidade, inicia-se com Calamity Town e, nos seus seis romances e várias novelas, desenrola-se a crónica de Wrightville, pequena povoação que reflecte todos os vícios e defeitos da sociedade norte- -americana dos anos cinquenta.

A quarta e última fase do ciclo inclui vários textos apócrifos — porque, nos anos 60, a célebre dupla, numa autêntica manobra de marketing, decidiu convidar jovens autores, e até autores consagrados, a integrarem a equipa. Cerca de trinta romances saíram do prelo até ao final dos anos 60, escritos por diversos autores utilizando o pseudónimo (house name, em inglês) Ellery Queen, e supervisionados por Manfred B. Lee. Escusado será dizer que a operação rendeu bons dividendos…

Em 1932, pouco depois do nascimento de Ellery Queen, surgiu o seu homólogo Barnaby Ross, autor de outra série de romances ulteriormente reeditados com a assinatura de Ellery Queen. Os dois primos criaram, com esse pseudónimo, o seu segundo grande detective, Drury Lane, um antigo actor shakespeariano que, apesar da sua surdez, consegue deslindar os mais complexos enigmas.

eqmm_de_13 (1)Lee, com o nome de Queen, e Dannay, com o de Ross, ambos de cara tapada, fizeram digressões e debates públicos que, na época, obtiveram grande êxito.

Lee e Dannay fundaram também, em 1941, a revista Ellery Queen Mystery Magazine, que publicou as melhores novelas e contos policiais. Conseguir colaborar nas suas páginas não tardou a significar, para qualquer autor da especialidade, uma espécie de académica consagração. Foi, no seu género, uma revista que fez história, consolidando o prestígio e o renome da “marca”…

Durante largos anos, circulou nas nossas bancas uma edição brasileira deste magazine, lançada em Maio de 1949, que os amantes do género, fidelizados às colecções mais populares, como Vampiro, Xis, Enigma, Mistério & Acção, Grandes Mistérios e Escaravelho de Ouro, coleccionavam também ciosamente. Os mais eruditos preferiam, porém, as edições francesa e americana, que também chegavam regularmente a algumas livrarias.

Entre romances, novelas e antologias, os dois primos escreveram mais de oitenta obras. Em 1961, a dupla Ellery Queen recebeu o Grand Master Award pela excelência na área do romance de mistério policiário, atribuído pelo Mystery Writers of America.

Manfred B. Lee faleceu a 2 de Abril de 1971, e Frederic Dannay a 3 de Setembro de 1982.

Trio Cat opf many tails

Nota: Os dois primos usaram o gato como título de um dos seus romances policiais: Cat of Many Tails (em francês, Griffes de Velours), onde o “tareco” não é o que parece! Curiosamente, em Portugal, este livro foi editado com dois títulos diferentes: “O Enigma do Gato” na Colecção Xis nº 39 e na do Círculo de Leitores; e “O Gato de Muitas Caudas” (fiel ao título original) na Colecção Vampiro nº 469.

Na Colecção Xis, o ilustrador inspirou-se directamente numa das capas da edição americana, como podem ver nestas imagens.

O enigma do GatoXis e Circulo Leitoresl

 

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