Calendários ilustrados – 5

Embora mais conhecido entre os leitores de revistas, sobretudo infanto-juvenis, pelas suas ilustrações a preto e branco, Mário Costa (1902-1975) foi um excelente pintor aguarelista de estilo figurativo que ganhou certa fama no apogeu da sua carreira, nomeadamente em trabalhos como os que temos apresentado, feitos para uma empresa fabril que valorizava a aliança com a criação artística através do mecenato — numa altura em que esta palavra tinha ainda pouco peso na sociedade, pois o principal “mecenas” (de um punhado de artistas e ofícios eleitos) era o próprio Estado centralizador e manipulador.

Com nítida predilecção por temas históricos, como outros artistas do seu tempo, Mário Costa escolheu um género pictórico em que o rigor das formas, das cores e dos volumes e a fiel reconstituição dos ambientes, dos trajes e dos objectos assumiam especial importância, reflectindo um conceito clássico então em muito em voga, que ele soube, no entanto, dosear com uma técnica mais moderna e dinâmica, herança do seu trabalho como ilustrador.  

Essa feliz conjugação de estilos está bem patente num quadro como o deste mês de Maio (há 61 anos!), recheado de pormenores e de “figurantes” — num alarde, objectivamente cinematográfico, de profundidade de campo —, em que a paleta de Mário Costa descreve os preparativos das viagens dos navegadores portugueses, na presença do rei todo-poderoso que tornou realidade o sonho do Infante D. Henrique: D. João II (1455-1495), o grande impulsionador da gesta dos Descobrimentos, o monarca que a História intitulou muito justamente, pela sua sabedoria de governante, O Príncipe Perfeito.

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