Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 9

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Na marcha imparável do tempo e do calendário (que resume em doze meses o ciclo completo da vida humana), os anos, que em Janeiro só gatinham, em Fevereiro já dão passos titubeantes e começam a chilrear as primeiras palavras, para alegria do papá Inverno e da mamã Natureza.

Há 66 anos, nenhum leitor do Diabrete se enganou decerto na resposta ao Concurso dos 12 Meses, associando a ilustração de Cambraia e os versos publicados no nº 800 (28/2/1951) do “grande camaradão”, aos folguedos do Rei Momo celebrados nesse mesmo mês de Fevereiro.

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No mesmo número, saiu outra página com interessantes e instrutivas curiosi- dades sobre o tempo, referentes ao mês em questão, cujo tema carnavalesco José Cambraia tão sugestiva e inspiradamente retratou na sua imagem.

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O Carnaval do “Diabrete”… há 72 anos!

Em 1944, iniciando uma tradição que se manteve até ao último ano da sua existência, o Diabrete festejou o Carnaval — “a época do sonho”, em que “os meninos e as meninas se mascaram e se julgam transportados, por graça de misteriosa varinha de condão, a um mundo distante e diferente” — com uma feliz iniciativa que iria espalhar a alegria e o alvoroço entre alguns dos seus leitores mais folgazões, residentes de norte a sul do país.

Como estava escrito em letras gordas no rodapé da primeira página do nº 163, dado à estampa em 12/2/1944, a oito dias do início dos festejos carnavalescos, esse número inseria nada mais nada menos do que “6 fatos de máscara”.

Aqui têm, na mesma imagem, o cabeçalho e o rodapé desse número.Diabrete 163 - 1 021

Claro que não se tratava de máscaras completas, como nas lojas, mas sim de “seis lindíssimos figurinos” criados por um exímio desenhador, cujo nome já era bem conhecido da juventude portuguesa, sobretudo daquela que não dispensava a leitura, todas as semanas, do seu “grande camaradão”. Ora o Diabrete enfrentava, nessa época, a larga audiência e a radiosa fama do seu principal concorrente, O Mosquito, onde fazia também brilhante figura outro notável desenhador português: Eduardo Teixeira Coelho.

Mas o facto de ambas competirem no mesmo terreno com todas as “armas” ao seu alcance, não significava que as hostes estivessem divididas, isto é, muitos leitores d’O Mosquito gostavam também de ler o Diabrete, e vice-versa. E o apreço que nutriam pelo talento de E.T. Coelho, então ainda na fase de ilustrador, com um pujante estilo realista que rivalizava com os dos melhores artistas estrangeiros do seu género, equiparava-se ao que sentiam pelos trabalhos de Fernando Bento, cuja pitoresca arte decorativa dava uma alegre vivacidade e uma sofisticação especial a todos os números do Diabrete.

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A página que acima reproduzimos, com uma sugestiva ilustração pelo “lápis mágico” de Fernando Bento, abria as “cortinas” de um “palco” onde se exibiam seis maravilhosos e originais trajos de Carnaval (nada fáceis de confeccionar, aliás!), criados pelo traço exuberante e pela pueril fantasia de um desenhador cuja carreira começara precisamente no teatro.

Para tornar a sua “ideia luminosa, espantosa e estonteante” ainda mais irresistível, o Diabrete decidiu promover uma espécie de concurso entre as hábeis mães (ou tias e avós) costureiras, oferecendo aliciantes prémios aos seus leitores mais prendados, isto é, vestidos a preceito e prontos a posar para o fotógrafo. Naquele trágico tempo de guerra, cujos ecos ribombavam ainda além-fronteiras, e de carestia para inúmeras famílias portuguesas, não eram muitos, certamente, os miúdos que podiam dar-se ao luxo de pedir aos pais uma boneca ou uma bola de futebol! Nem sequer de concretizar um sonho ainda mais ambicioso: tomar parte num desfile de máscaras carnavalescas.

Quanto aos vistosos figurinos criados por Fernando Bento (em que os rapazes estavam em supremacia), note-se que foram inspirados nalguns dos personagens que animavam as páginas do Diabrete (menos o Tarzan, que só usava tanga!), com destaque para um dos mais carismáticos: o azougado saloio Zé Quitolas, com o seu trajo típico e o seu “burrico” pela trela, que graças ao versátil traço de Fernando Bento tantas e tão divertidas peripécias proporcionou aos pequenos leitores do “grande camaradão de todos os sábados”.

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O famoso Carnaval do “Diabrete”

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Associando-nos ao Gato Alfarrabista — o blogue mais antigo da nossa Loja de Papel, que cresceu bastante o ano passado —, assinalamos a passagem do Carnaval (que já foi mais trepidante e divertido em tempos idos) com três pitorescas ilustrações evocativas de uma das mais célebres revistas infanto-juvenis portuguesas e de um dos seus melhores colaboradores artísticos — em que mais uma vez se destacam a fértil fantasia, a graça esfuziante, o encanto lúdico e o apurado efeito decorativo da arte gráfica de Fernando Bento, que gostava de partilhar com o público infantil, especialmente nesta data, o espírito burlesco que animou tantas das suas criações, retratando um alegre “corso” carnavalesco  nalgumas capas do Diabrete eternizadas pela magia do seu traço.

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O mote do Entrudo repetiu-se nestas “endiabradas” cenas que fizeram as honras dos nºs 481 e 591, publicados respectivamente em 7/2/1948 e 26/2/1949. Quantos ilustradores infanto-juvenis seriam capazes de parodiar deste modo o Carnaval da gente nova? Para os leitores do “grande camaradão” da juventude portuguesa, a face risonha do Rei Momo e os seus folguedos teriam sempre o cunho da arte inimitável de Fernando Bento.

Ilustrador, pintor, caricaturista, figurinista e cenógrafo, além de publicista, Bento foi um autor versátil, fecundo, multifacetado, que deu vida e esplendor estético a algumas das mais belas páginas publicadas pelo Diabrete, na fase mais criativa e original da sua longa e triunfante carreira.

A arte de figurinista, que aprendeu e desenvolveu em contacto com os palcos do teatro de variedades, ao qual legou memoráveis criações enaltecidas pelos espectadores e pela crítica desse tempo, está patente em mais um tema carnavalesco com que encantou os leitores do Diabrete, convidando-os para um festivo baile de máscaras com os trajes concebidos pela sua fantasia.

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É provável que algumas mães e avós mais habilidosas na arte do corte e costura tenham, a rogo dos seus petizes, experimentado confeccionar, árdua e pacientemente, um ou outro desses modelos, seduzidas também pela beleza artística do traço e dos figurinos de Mestre Fernando Bento, tal como foram estampados na capa do Diabrete nº 793, de 3/2/1951.

Belos tempos em que, ao festejarem o Entrudo, as revistas infanto-juvenis pretendiam também incutir no seu público um certo gosto estético.

 

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