Boletim do Clube Português de Banda Desenhada – um longo e frutuoso percurso de 41 anos

Com a devida vénia, apresentamos seguidamente mais um texto do nosso querido amigo Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, publicado em 1 de Janeiro p.p. no seu blogue de referência Largo dos Correios. Transcrevemo-lo, apenas, nesta altura por razões técnicas que nos têm causado problemas, mas também por um motivo especial, visto que em Março (hoje, precisamente) ocorre mais uma efeméride do Boletim do CPBD – cuja capa correspondente ao nº 145 (Dezembro de 2017) aqui fica para conhecimento geral, a abrir este post.  

Caros Sócios
No próximo sábado e para finalizar o ano, o CPBD oferece aos seus sócios mais um número do Boletim a quem tenha possibilidade de se deslocar às suas instalações. Um abraço e bom final de ano.

Há dois ou três dias, o incansável Carlos Gonçalves, alma-mater dos quadradinhos lusos (está em todas!), enviou-me – e a muitos outros consócios – mais uma mensagem, precisamente a atrás reproduzida. Pode parecer apenas um símbolo mas traduz toda uma realidade de muitas décadas. Ele continua o mais activo, o mais operacional e dinâmico de quantos criaram e alimentaram o projecto hoje renascido do Clube Português de Banda Desenhada. E, com este, o Boletim.

Desde o histórico n.º 1, de Março de 1977, tendo cumprido há meses quarenta anos de vida, até este n.º 145, de Dezembro de 2017, ficam contidos nas suas milhentas páginas episódios, factos, pessoas, lendas, histórias, quadradinhos…

Uma vida, mil vidas, o esforço esclarecido de quantos deram expressão a um meio de comunicação que foi, não raras vezes, um motivo de sobrevivência para os que foram capazes de manter acesa uma luz hoje renovada. Todos merecem a nossa gratidão.

A causa da banda desenhada, que nos une e nos move, tem para com os obreiros do Boletim do CPBD uma dívida considerável. Acrescentar aqui o labor de Paulo Duarte, neste mais recente período, parece-me um elementar acto de justiça.

Pela minha parte, com um obrigado do apreciador da BD que sou, recordo a propósito o texto que coloquei no Largo dos Correios em 5 de Março de 2014.

«Foram António Dias de Deus e Leonardo De Sá que me prestaram, entre uma infinidade de outras, a preciosa informação de que o primeiro número do Boletim do Clube Português de Banda Desenhada foi divulgado a 5 de Março de 1977. Assim consta da magnífica obra Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, Edições Época de Ouro, 1999 (pág. 142). Ora, assim, aquela publicação perfaz hoje trinta e sete anos.

O Boletim, mais alguns suplementos de jornais e semanários e, modernamente, certos blogs centrados na BD, constituem um precioso repositório da melhor e mais qualificada abordagem nacional ao fenómeno dos quadradinhos. Informações soltas, notícias, entrevistas, críticas a obras e a autores, ensaios bibliográficos, material inédito, recensões diversas, índices de revistas e jornais da especialidade, intercâmbios vários, enfim, um universo de textos e de ilustrações, à imagem e semelhança da temática em apreço, tem sido assim partilhado ao longo dos anos. 

O Boletim do CPBD, sobretudo na sua época inicial, representou sempre um desafio colocado aos pioneiros que se abalançaram à iniciativa. Os “cinco magníficos” que se encontravam ao leme do clube, nos tempos do arranque da publicação regular – António Amaral, Carlos Gonçalves, Franklin Ferreira da Silva, Jorge Magalhães e José Sobral –, conseguiram remover ou ultrapassar dificuldades consideráveis, a começar pelas técnicas, na concretização desse projecto editorial do grupo.

Se nos lembrarmos de que ainda não se dispunha de computadores, impressoras e outros dispositivos e meios informáticos, hoje banalizados, desde logo somos remetidos para o modesto e limitado contexto da época no que respeita à composição e reprodução de impressos com um mínimo de qualidade, fora do círculo industrial.

De facto, este obstáculo tornou-se uma espécie de lugar-comum de sucessivos “Editoriais” do Boletim, o primeiro dos quais se intitula, precisamente, “As Nossas Desculpas”… Significativo! A humildade dos pioneiros, incapazes por isso mesmo de se aperceberem da dimensão e da importância da iniciativa que então corporizavam, ainda os “obrigava” a solicitar a compreensão dos outros sócios para o facto de a publicação ter sido impressa por intermédio de stencil e não em offset, por manifesta falta de “posses”.

Carlos Gonçalves, que assumia a coordenação do Boletim, apelava no número 3 aos consócios de Lisboa que tivessem possibilidade de conseguir uma máquina de offset; no número 5, dava conta de uma avaria no sistema de impressão que ainda usavam; no número 10, anunciava a recente entrada de um consócio que podia disponibilizar, aos fins-de-semana, uma impressora do tipo offset

Tornou-se depois evidente a progressiva melhoria física do Boletim, mas tal progresso nada tinha a ver com o seu conteúdo, inalteravelmente revestido do maior interesse e valimento.

Neste 5 de Março, efeméride real ou simbólica de um inegável feito na crónica dos quadradinhos lusos, saúdo os pioneiros que corporizaram, no seio do prestigiado Clube Português de Banda Desenhada, um seu “mal-impresso” e ainda agrafado Boletim.

Quando folheio os Boletins, os releio e os sinto, sobretudo os tais, os de modesta forma, mantenho por eles o respeito que me merecem todas as realizações produzidas pela paixão e pelo empenhado sacrifício de alguns, em prol de uma causa em que acreditavam (e acreditam!), assim como no desinteressado serviço aos outros.»

António Martinó de Azevedo Coutinho
Largo dos Correios – 5 de Março de 2014

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Palestra de António Martinó no CPBD

Em 2018, o Clube Português de Banda Desenhada inclui no seu programa um novo ciclo de palestras subordinadas ao título “Especialistas de Banda Desenhada falam sobre o tema no CPBD”. O primeiro conferencista é o Professor António Martinó de Azevedo Coutinho, que apresentará o tema “Reflexões sobre a Linguagem da BD”, com apoio de “power-point”. Este evento decorrerá na sede do CPBD (Reboleira- -Amadora), com início às 16h00 do próximo sábado, 17 de Fevereiro.

 

“From Scotland with love” – uma bela homenagem às virtudes do desporto e ao país de Sir Walter Scott

Quando se tem mais de 80 anos e ainda se pratica desporto — mormente um dos mais exigentes, as corridas pedestres de longo curso —, mantendo ao mesmo tempo em exercício, de forma brilhante, as “células cinzentas”, estamos perante um caso — não diremos único, mas quase raro — de invejável afirmação de vitalidade física e intelectual!

E esse caso, para o tema deste texto, tem um nome… o do nosso querido Amigo António Martinó de Azevedo Coutinho, hoje, como é óbvio, já retirado da sua profissão de Professor — que exerceu em Portalegre, sua terra natal, e noutros lugares, durante muitos anos — mas continuando a dar o exemplo de empenhada intervenção cívica e cultural, através do seu magnífico blogue Largo dos Correios (que tem sido uma das nossas principais referências, desde que nos aventurámos também no buliçoso universo da blogosfera).

Actualmente a residir em Peniche, mais perto da família, António Martinó começou a correr há poucos anos, integrado num grupo amador penichense que o acolheu de braços abertos, surpreso, de início, com a sua teimosia e perseverança, mas rendido em breve ao poder da sua vontade e aos seus incríveis dotes físicos e anímicos, que rapidamente o guindaram a um lugar de mérito entre os veteranos membros desse numeroso e unido grupo: Peniche a Correr.

Resumindo: até hoje, o professor António Martinó já participou em várias corridas, tanto a nível interno, isto é, em Peniche, como no exterior, particularmente na famosa Maratona do Sporting (clube de que é ferrenho adepto), classificando-se sempre em posições honrosas e destacando-se por ser um dos mais idosos atletas nessas competições.

Durante a sua vida, marcada também por provas difíceis, o professor Martinó sempre se distinguiu pela probidade, pela inteligência, pelo espírito de lutador, pelo apego às suas causas (e foram muitas!), pelo amor aos valores da cultura e da família, pelos afectos sinceros e sem preconceitos, pela fidelidade aos princípios cultivados desde a infância, na esteira de alguns dos seus ilustres antepassados, pela forma frontal e corajosa de encarar o futuro, mesmo quando a adversidade lhe bateu à porta. Curso de vida nada modesto… digno de alguém que atravessou várias épocas e lidou de perto com várias gerações, no exemplar desempenho de uma pedagógica missão que sempre considerou sagrada.

Dois António de Azevedo Coutinho em Inverness (Escócia): pai e filho junto de uma réplica da célebre Nessie

Muito recentemente, este nosso bom e leal Amigo, a cujas lições recorremos também com frequência, resolveu testar os seus admiráveis recursos físicos numa nova prova, ainda mais difícil, já não em Portugal mas no estrangeiro, alcançando assim um comprovativo (e uma medalha!) de desportista interna- cional com que, em tempos ainda próximos, nunca certamente se atrevera a sonhar. Foi na Escócia, numa tradicional corrida de 10 km ambientada num dos míticos e fascinantes lugares de que o país de Walter Scott e Robert Louis Stevenson está recheado… com notoriedade para o Loch Ness, em cujas cercanias (Inverness) essa famosa corrida se realizou, no passado dia 24 de Setembro.

Participaram milhares de atletas, de várias nacionalidades, e mais uma vez o nosso dedicado professor (neste caso, de cultura física!) fez uma boa prova, classificando-se notavelmente a meio da tabela… isto é, muito perto do Bom +. É caso, como já o fizemos em devido tempo, para lhe dar calorosamente os parabéns em nome de quantos, como nós, seguem com admiração e inveja (!) as suas proezas atléticas, quase incrédulos por o ver superar tantas etapas, tantos desafios, com uma fasquia cada vez mais alta… e em tão pouco tempo!

No Largo dos Correios, o professor Martinó começou, logo após o seu regresso, a desfiar as recordações dessa viagem às verdejantes terras da Escócia, partilhando com os leitores a indizível emoção que sentiu ao deambular, pela primeira vez, nas ruas de Edimburgo (que o fizeram mergulhar noutro mundo, como que copiado a papel químico de uma novela de Charles Dickens!), e a que o assolou ao ver-se no meio de tantos concorrentes, a grande maioria muito mais novos do que ele (incluindo um casal português), ou ao contemplar as águas profundas de um imenso lago onde era pouco provável avistar-se o vulto de um misterioso e furtivo monstro marinho… que há muito se nega a aparecer aos íncolas e aos turistas!

Os nossos leitores podem apreciar os textos e as imagens dessa aliciante reportagem no Largo dos Correios, mas para já convidamo-los a tomar um “aperitivo”, isto é, a saborear o trecho seguinte — extraído, com a devida vénia, da mesma série —, em que António Martinó evoca sugestivamente os “fantasmas” da Escócia, relacionando-os com o fervor revivalista que lhe inundou de chofre a alma ao ressuscitar, logo à chegada, outros “duendes” que povoaram a sua infância, saídos das páginas de revistas tão emblemáticas, para ele e para muitos de nós, quanto o “monstro” de Loch Ness: o Diabrete, O Mosquito, O Papagaio, o Cavaleiro Andante.

Boa leitura… e façam o favor de continuar a seguir a reportagem que o professor Martinó está a publicar no Largo dos Correios.

Por António Martinó de Azevedo Coutinho (4ª parte)

Funciono muito por imagens. Aliás, isso foi extremamente significativo na minha própria vida profissional, onde as imagens tiveram lugar privilegiado.

Na recente ida à Escócia, particularmente quanto a Edinburgh e ao Loch Ness, isso esteve presente. Nem sequer o escondi, quando previamente citei as memórias pessoais com Tintin, ainda que ligeiramente ficcionadas.

Sabia, de antemão, que a Escócia é um lugar de encanto. E de encantamento. Nas paisagens urbanas como nas rurais, isso é ostensivamente patente, mete-se pelos olhos e pela alma adentro.

Edinburgh, primeiro lugar da escala escocesa, depois da “monstruosidade” do londrino aeroporto de Heathrow, é uma cidade admirável que cativa à primeira vista. A sua história e a sua identidade manifestam-se em absoluta coerência na mistura da modernidade com os indeléveis traços do passado, numa uniformidade que espanta os mais desprevenidos. Não há ali notas dissonantes no equilíbrio dos volumes, das tonalidades e das atmosferas. O Outono deve ser a estação ideal para a valorização cromática dos verdes, castanhos e dourados de Edinburgh.

Estendida sobre sete colinas, como Lisboa, a cidade nasceu e desenvolveu-se em torno do majestoso e imponente castelo, autêntico símbolo da identidade nacional escocesa, formando a Old Town e a New Town. A primeira caracteriza-se por uma rede de ruelas, passagens cobertas e pátios medievais e também de avenidas, como a majestosa Royal Mile, enquanto a segunda foi projectada e realizada no século XVIII, segundo os princípios urbanísticos do neoclassicismo em vigor na época, ainda que aqui sujeito à versão georgiana, de tipo britânico. As igrejas, as mansões e os espaços verdes abundam em todo o burgo.

Nas ruelas de Old Town o tempo parece ter parado. (Em nota intercalar que dá para perceber como por ali nos embrenhámos, bastará dizer que percorremos a pé, num só dia em Edinburgh, perto de vinte quilómetros… num excelente treino de marcha para a corrida!) Aqui funcionaram — e de que maneira! — as tais memórias (ou ficções) icónicas acumuladas desde a infância, sobretudo com base — imagine-se! — no saudoso Diabrete. E, depois, noutras colecções similares…

Foi naquele saudoso jornal de quadradinhos que, nos distantes anos 40 e 50 do passado século, li pela primeira vez, adaptadas em texto-folhetim ou em banda desenhada, obras de Robert Louis Stevenson, Arthur Conan Doyle ou Walter Scott. Por coincidência ou talvez não todos estes autores nasceram — em diversas épocas — na cidade de Edinburgh. Registe-se.

Confesso, por isso, ter esperado em diversas oportunidades que Sherlock Holmes e o seu fiel companheiro Dr. Watson espreitassem por detrás das cortinas de uma daquelas misteriosas janelas de Holyrood, que Ivanhoe desfilasse a cavalo por Victoria Street fora, que os clãs de Rob Roy ou de Quentin Durward em tropel atravessassem Charlotte Square ou Stockbridge, que as sombras inquietantes do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde saltassem de uma esquina perdida em Canongate, que os ébrios piratas da Ilha do Tesouro tumultuosamente desembarcassem no porto de Leith. Em vão…

Porém, devo confessá-lo, foram as personagens de outro “monstro” literário — Charles Dickens, por mero acaso não nascido em Edinburgh — que mais ainda me pareceram adequadas ao cenário. Nas estreitas e labirínticas ruelas e nos becos da Old Town, como nas suas passagens escuras desembocando em asfixiantes e altos pátios, entre Castlehill e Lawnmarket, ou de Beehive Inn a Grassmarket, esperei a cada passo encontrar os irrequietos David Copperfield e Oliver Twist ou o tenebroso Ebenezer Scrooge

Se me apetecesse dar a volta a estes pesados pensamentos, encontraria na minha bagagem de memórias icónicas outros pretextos familiares, mais tranquilos, igualmente próprios do contexto. É que foi precisamente no miserando Mr. Scrooge que o desenhador Carl Barks, dos estúdios do mago Walt Disney (cá volto aos bonecos!), se inspirou para criar o imortal e severo Tio Patinhas. Tio PatinhasScroogge McDuck, de nome de baptismo, em 1947 — tem ascendência escocesa, convém a propósito lembrá-lo, na família dos Mac Patinhas, riquíssimo clã do qual bem se conhecem, entre outros, os célebres membros Fergus Mac Patinhas e sobretudo sir Mac Trovão.

E que tal trazer à liça o celebérrimo e irredutível gaulês, de quem há escassos anos se conheceram proezas acontecidas pelas terras verdes da Escócia, em Astérix entre os Pictos? Depois, como é fácil chegar a um cidadão de carne e osso dos mais conhecidos, entre os modernos escoceses, Sean Connery de seu nome, agente James 007 Bond ou pai de Indiana Jones!? Também é natural de Edinburgh, para que se saiba.

Paro por aqui nesta deambulação, quase interminável, porque o objectivo era falar da cidade. Vou lá voltar, no entanto, com a absoluta consciência — ou íntima convicção — de que não cheguei a sair dela…

Clicar aqui para conectar o “Largo dos Correios”.

Santo António em Portalegre – homenagem a José Garcês

Por iniciativa da Câmara Municipal de Portalegre e do Professor António Martinó de Azevedo Coutinho (que será o apresentador), realiza-se no próximo dia 21 de Maio, pelas 18h00, tendo como cenário o Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre, mais uma homenagem a José Garcês, com o tema Santo António em Banda Desenhada — um projecto que este mestre e decano da BD portuguesa viu concretizado em 2016, ao comemorar solenemente 70 anos de carreira como autor de uma vasta obra que dignifica não só a BD como a arte da ilustração ao serviço da cultura, do ensino e do património.

Parabéns, José Garcês! E parabéns também aos promotores desta homenagem, no âmbito das comemorações do Dia de Portalegre!

Histórias de Animais – 2

EQUILÍBRIO INDISPENSÁVEL

Não podemos deixar de partilhar convosco este vídeo, que demonstra inequivocamente a importância do equilíbrio dos ecossistemas na Natureza, infelizmente destruído, muitas vezes, pela imbecilidade e ganância de certos humanos, a somar ao desprezo pelas outras espécies.

Os nossos agradecimentos, com a devida vénia, ao magnífico blogue Largo dos Correios, do nosso bom amigo António Martinó de Azevedo Coutinho, onde se pode ler, entre outras coisas de inegável interesse, o texto intitulado Como os Lobos Mudam os Rios, alusivo ao tema e ao vídeo em epígrafe. À laia de “aperitivo”, aqui fica um pequeno excerto:

“Quando os lobos foram reintroduzidos [no Parque Nacional de Yellowstone, EUA], apesar de serem poucos, o seu impacto foi marcante. Primeiro, eles mataram alguns veados, mas isso não foi o aspecto principal. Muito mais importante, eles mudaram radicalmente o comportamento dos veados.

Estes começaram a evitar os locais do parque onde poderiam ser apanhados mais facilmente pelos lobos, como os vales, e imediatamente esses locais começaram a regenerar-se. Em alguns locais, a altura das árvores quintuplicou em apenas 6 anos! E com as árvores chegaram os pássaros e os castores.

(…) Mas o mais interessante foi que os lobos mudaram o comportamento dos rios. Estes começaram a serpentear menos, porque havia menos erosão. Isto aconteceu devido à regeneração da floresta, que conseguiu estabilizar melhor as águas, devido às árvores, havendo menos derrocadas. Os castores regressados tinham retomado a construção dos seus famosos diques. Assim, mais piscinas se formaram e os rios deixaram, em definitivo, de secar.

Uma série de mini-documentários produzidos pela ONG Sustainable Man exemplifica a importância de cada animal, no seu respectivo ecossistema. Um dos vídeos mais significativos é precisamente Como os Lobos Mudam os Rios.

Como os Lobos Mudam os Rios conta esta história, verídica, ressaltando a importância de cada animal e lembrando que todos nós estamos ligados em rede.

Não é apenas na Internet !”

Morreu o “padrinho” do Major Alvega

Mário do Rosário retrato copyPor amabilidade de um dos seus melhores amigos, mestre José Garcês, que nos dá também a honra da sua estima e camaradagem, soubemos do falecimento, há poucos dias, de Mário do Rosário, mítico editor de Banda Desenhada que ficará indelevelmente ligado ao popular semanário O Falcão, cuja 2ª série, em formato de bolso, dirigiu, coordenou e editou, durante mais de 20 anos.

Nas décadas de 60 e 70 do século passado, O Falcão foi uma das revistas da especialidade mais apreciadas por leitores de várias faixas etárias, graças ao formato apelativo, ao preço módico, às belas capas (muitas delas realizadas por José Garcês) e às séries e aos heróis que publicou, com destaque para um carismático piloto e “ás” da RAF, herói da 2ª Guerra Mundial, que ficou conhecido pelo nome de Mario do Rosário - Falcão 417 750 copyMajor Alvega — inventado, aliás, por Mário do Rosário, que preferiu ignorar o patro- nímico inglês (Battler Britton), sem poder adivinhar que tinha gerado uma autêntica lenda da história e do universo dos media portugueses do século XX.

Ainda vivo, pelo menos na memória dos leitores d’O Falcão (e dos espectadores da RTP) que vibraram com as suas aventuras, o Major Alvega deve sentir, neste momento, a falta do seu maior amigo, daquele que — ao apadrinhá-lo, dando-lhe outro nome e uma dupla nacionalidade — criou um fenómeno de culto que transcendeu as suas próprias origens nos comics do Reino Unido.

Nota: a foto de Mário do Rosário inserida neste post provém, com a devida vénia, do blogue Largo dos Correios, onde podem ler um magnífico artigo do Professor António Martinó de Azevedo Coutinho intitulado “Super-Mário e O Falcão”, cujo link transcrevemos: https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/08/18/mario-do-rosario-1927-2016/

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