Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 11 e 12

Ric Hochet - Relevez le gant! 467

1959 foi o ano em que o jovem repórter do La Rafale deu mais um passo importante (e decisivo) na sua carreira — até aí limitada, como já referimos, a curtos e esporádicos episódios completos —, tornando-se titular, no Tintin belga, de uma sensacional novidade: uma rubrica com o título Relevez le gant!, constituída por uma série de problemas policiais cuja decifração desafiava, na melhor tradição de Agatha Christie e Hercule Poirot, a argúcia e as faculdades dedutivas dos leitores.

Alguns desses casos, em que Ric Hochet estava sempre acompanhado pelo inspector Bourdon, foram também publicados no semanário O Falcão (1ª série), que chegou mesmo a instituir um concurso, com regulamento, destinado aos jovens sherlocks portugueses. E foi também n’O Falcão (nº 60, de 4/2/1960) que apareceu uma das primeiras histórias curtas de Ric Hochet, cujo título Ric Hochet e a “Sombra” (Ric Hochet contre l’Ombre) já prenun- ciava o ambiente dos próximos episódios da série.

Ric Hochet - Aceite o desafio + O Sombra

Pormenor curioso: enquanto que no Cavaleiro Andante e no Zorro o jovem repórter criminologista foi baptizado com os portuguesíssimos nomes de João Nuno e Mário João (embora vivesse na Cidade-Luz, trabalhando para um jornal parisiense), n’O Falcão manteve o seu próprio nome, o que prova que a censura nada teve a ver com essa mudança de identidade.

Em 1962, Ric Hochet foi ainda protagonista de uma longa novela de mistério com o título Monsieur X frappe à minuit, cujo texto tinha também a assinatura de André-Paul Duchâteau, o argumentista que se tornou o parceiro ideal de Tibet quando a sua nova criação começou finalmente a aparecer em histórias de “longa metragem”, conquistando, em pouco tempo, o estatuto de grande vedeta do jornal Tintin.

A título de curiosidade mostramos duas páginas dessa novela, ilustrada por Tibet, tal como foi publicada no Zorro, a partir do nº 33 (25/5/1963), com um título semelhante: O sr. X ataca à meia-noite. Tempo depois, o destemido e arguto “Mário João” transitou para as histórias aos quadradinhos, vivendo três novas aventuras que o tornaram ainda mais popular entre os leitores da revista, muitos dos quais desconheciam o seu verdadeiro nome.

Ric Hochet - Sr. X

Na época anterior à consagração de Ric Hochet (que só chegou tardiamente, depois de um longo caminho, como já vimos), Tibet estava ainda “colado” à imagem de Chick Bill, o seu personagem de maior êxito, ao ponto de aparecer vestido de cowboy numa curiosa pantomina em que vários colaboradores do Tintin assumiam a aparência dos heróis que lhes tinham dado justa fama, “disfarçados” com a sua habitual indumentária.

Essa página, que a seguir apresentamos, foi publicada no nº 12 (14º ano), de 25/3/1959, e nela podemos reconhecer as veras efígies de alguns dos mais populares autores da BD franco-belga, fazendo honrosa companhia a Tibet.

Ric Hochet - Tintin 12

Reproduzimos seguidamente, com a devida vénia, os textos de apresentação inseridos no jornal Público de 7 e 14 de Agosto p.p., referentes aos dois últimos volumes da colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet”, que brindou os apreciadores desta série (entre os quais nos incluímos) com algumas aventuras inéditas do dinâmico repórter detective.

Ric Hochet - público 11

Ric Hochet - público 12

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Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 10

Ric Hochet 10 - Les Cinq Revenants

Tintin 18 - 1959Como já tivemos ocasião de referir, Ric Hochet estreou-se num curto episódio publicado em 30/3/1955, no Tintin belga nº 13 (10º ano), episódio esse que entre nós foi dado à estampa no Cavaleiro Andante nº 183, de 2/7/1955. O peque- no ardina que apregoava a plenos pul- mões o diário La Rafale (em portu- guês, A Rajada) estava prestes a desco- brir a pista de um misterioso espião, re- velando assim dotes de argúcia e de cora- gem que iriam guindá-lo a um lugar com que nunca sonhara: o de repórter do gran- de periódico onde trabalhavam alguns dos melhores jornalistas franceses, às ordens do chefe de redacção Bob Drumont.

Tintin 34 - 1959Ric Hochet viria também a tornar-se amigo e auxiliar (precioso, diga-se de passagem) do comissário de polícia Bourdon — cuja gentil sobrinha Nadine seria candidata a um lugar especial no seu coração —, e a enfrentar formidáveis adversários, bandidos da pior espécie, com nomes sinistros como Le Bourreau (“O Carrasco”), e ligações, nalguns casos, a redes criminosas internacionais. Mas tudo isso só se tornaria realidade um pouco mais tarde, porque entretanto o jovem repórter passou quase despercebido nas páginas do Tintin belga, onde viveu apenas algumas curtas peripécias, espaçadas no tempo (de 1955 a 1959) — como Enquete chez les “timbrés” e Ric Hochet contre l’Ombre, já com argumentos de André-Paul Duchâteau —, rodeado de campeões da popularidade como Tintin e Michel Vaillant, Alix e Blake e Mortimer, Pom e Teddy, Dan Cooper e Chick Bill.

Tintin 18 - 1954Esta última série era, aliás, a “coqueluche” de Tibet, o futuro criador de Ric Hochet, e uma das mais requisitadas pelos leitores, que punham também no topo das suas prefe- rências os heróis e os desenhadores de traços mais humorísticos. Tibet era já uma das vedetas do Tintin, embora ainda longe dos índices de popularidade que registaria com Ric Hochet. Poucos meses antes de dar vida ao jovem aspirante a repórter detective criou uma curta série, intitulada La Fami- lle Petitoux, que o Cavaleiro Andante reproduziu nos nºs 132 e 149 (1954), com um nome menos estranho para os jovens lusitanos: A Família Castanheira.

Nessa época, meados dos anos 50, uma das décadas mais gloriosas no historial do popular semanário belga, Tibet tinha a cabeça cheia de projectos, mas o seu estilo de linhas quase Tintin -Chico Billcaricaturais identificava-se sobretudo com a série que lhe abrira as portas do êxito, aquela em que figuravam o jovem e alegre cowboy Chick Bill e os seus patuscos companheiros Kid Ordinn, Dog Bull e Petit Caniche.

Sintomaticamente, Tibet não quis que os traços fisionómicos da sua nova criação destoassem muito dos de Chick Bill, devido à similaridade de estilos, que só se alteraria quando Ric Hochet começou também a viver aventuras de longa duração, num registo mais realista e de acção mais trepidante, passando primeiro por uma curiosa fase de amadurecimento. Veremos, em breve, como isso aconteceu…

Reproduzimos seguidamente, com a devida vénia, o texto de apresentação inserido no Público de 7 de Agosto p.p., referente ao 10º álbum desta colectânea, em que Ric Hochet enfrenta outra terrível ameaça, no decurso de um dos casos mais empolgantes e agitados da sua carreira.

Ric Hochet público 10

 

Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 9

Ric Hochet - público  9      393

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Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 8

Ric Hochet 8    369

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Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 7

Ric Hochet - Público 7   363

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Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 6

Ric Hochet - público 6

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Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 5

Ric Hochey - Público 5

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Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 4

Ric Hochet público 4

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Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 3

Ric Hochet - La Rafale      226

Na imagem que escolhemos para encabeçar esta página, extraída da história Mystère à Porquerolles, outra empolgante aventura de Ric Hochet, um jovem jornalista de investigação (como agora se diz), atraído pela solução dos casos mais bizarros e intrincados, vê-se uma panorâmica da redacção do jornal onde trabalha, o diário de grande tiragem La Rafale (em português, A Rajada, título que, aliás, figura no primeiro episódio desta série publicado em Portugal, uma curta história em que Ric Hochet não passa ainda de um pequeno vendedor de jornais com aspirações a detective).

Ric Hochet Tintin 21 - 1962     225Esse episódio, como já referimos num post anterior, foi dado à estampa pelo Cavaleiro Andante, pouco tempo depois da sua publicação original no Tintin belga, em 30 de Março de 1955. Mas, nessa altura, Tibet, o criador gráfico da série, estava ocupado com outras personagens e mal imaginava o destino que a evolução da figura de Ric Hochet e a empatia gerada com os leitores reservavam à sua nova e ainda incipiente criação.

Só alguns anos depois, quando fez equipa com o argumentista André-Paul Duchâteau, mestre em intrigas policiais do género das de Agatha Christie e de outros autores anglo-saxónicos, a série ganhou “asas”, abalançando-se a mais altos voos com histórias em continuação como Signé Caméleón, em que Ric Hochet enfrenta, pela primeira vez, um dos seus piores inimigos, o astucioso e tenaz Camaleão, empenhado numa implacável vendetta contra o comissário de polícia Bourdon, cuja sobrinha Nadine desempenha o papel de “noiva eterna” do intrépido jornalista.

Ric Hochet contra o Carrasco  Bertrand 1Apresentamos, como curiosidade, uma capa do Tintin belga alusiva à aventura já citada, Mystère à Porquerolles (3º episódio na cronologia de Ric Hochet), que em Portugal foi reproduzida na revista Zorro, com o título “O Caso dos Quadros Roubados”.

A popularidade de Ric Hochet, aliada ao êxito da literatura policial no nosso país, foi um factor determinante na sua publicação em álbum, iniciada pela Livraria Bertrand em 1973, com o episódio “Ric Hochet contra o Carrasco”, que agora está de novo nas bancas, integrado na colecção que o jornal Público e as Edições Asa dedicam a esta carismática personagem, recordando algumas das suas melhores aventuras, em grande parte inéditas em Portugal, depois de apresentarem o mais recente episódio da série, realizado por uma nova e talentosa dupla: o desenhador Zidrou e o argumentista Simon Van Leimt.

Ric Hochet - público 3

Colecção “Os Piores Inimigos de Ric Hochet” – 2

Ric Hochet (Camaleão)

Ric Hochet - vol. 1Já está nas bancas o 2º volume desta colecção, constituída por 12 títulos, sete dos quais inéditos em edições portu- guesas, o que é uma boa notícia para os apreciadores de uma das melhores séries europeias de temática policial, criada há 60 anos, nas páginas do Tintin belga, por dois mestres do género: Tibet e André-Paul Duchâteau.

Entregue recentemente a outra talentosa dupla, formada pelo desenhador Zidrou e pelo argumentista Simon Van Leimt, a série ganhou novo fôlego com o episódio “Descansa em Paz, Ric Hochet”, oportunamente escolhido para inaugurar esta colecção, pois trata-se, sem dúvida, de uma das melhores aventuras do famoso repórter detective, recheada de citações canónicas e de cruzamentos com alguns dos primeiros casos em que interveio o astucioso e furtivo Camaleão, agora ressuscitado, sob um novo disfarce, para continuar a pôr em perigo a vida de Ric Hochet e do seu amigo comissário Bourdon.

Zorro 132    214Além disso, o grafismo de Zidrou, sóbrio e elegante, combinando um traço fluido com um dinamismo contido mas de grande eficácia, veio dar um toque mais moderno à série — que se nota, sobretudo, no comportamento desinibido de Nadine, a “eterna” namorada do intrépido jornalista —, embora o cenário deste episódio nos remeta para 1968, sete anos depois do primeiro frente-a-frente entre Ric Hochet e o Camaleão, que continua a recorrer a todos os meios, mesmo os mais diabólicos, numa implacável vendetta contra os seus velhos inimigos que irá, tragicamente, provocar algumas vítimas.

Recordamos que as primeiras publicações de Ric Hochet em Portugal ficaram a dever-se ao Cavaleiro Andante, ao Zorro, ao Falcão e ao Tintin, tendo a estreia em álbum ocorrido em 1973, com o selo da editorial Bertrand.

Reproduzimos seguidamente, com a devida vénia, o texto de apresentação inserido no Público de 5 de Junho p.p., referente ao segundo álbum desta colectânea, em que Ric Hochet enfrenta outro temível e enigmático inimigo.

Ric Hochet Público 2     215

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