Postais Ilustrados de outros tempos – 9

JOÃO VALENTÃO FAZ FIGURA DE MAUZÃO!

Se eles já se armam em valentões quando são pequeninos, quando crescem eis no que dão… E quem paga as favas é a mulher!

Estes postais pertencem também à série satírica de que já apresentámos alguns exemplos, ilustrados pelo mestre aguarelista Alfredo de Morais (1872-1971), cuja vasta produção enriqueceu o património das artes gráficas e plásticas portuguesas, conciliando uma notável versatilidade artística com o carácter popular e lúdico da maioria das suas obras.

Tal como em muitos cartoons de outro grande ilustrador, Stuart Carvalhais, o simbolismo da arte que não se confina às elites, mas serve sobretudo — como criação superior do espírito — para instruir e divertir o povo, está presente nos inúmeros trabalhos que Alfredo de Morais legou aos seus contemporâneos e que ainda hoje merecem ser apreciados pelo seu valor estético, cultural e recreativo… três facetas que, às vezes, se juntam numa só!

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Postais ilustrados de outros tempos – 8

MIÚDOS E GRAÚDOS

Eis mais três postais com ilustrações humorísticas do grande aguarelista Alfredo Januário de Morais (1872-1971), mas agora de temática infantil, um dos géneros em que mais se distinguiu (ver também o post anterior).

A par do exuberante colorido, do traço barroco e das pitorescas personagens de “palmo e meio” (sem contar com o hipopótamo), avulta também neste grupo a faceta espirituosa e satírica que Alfredo de Morais deixava transparecer nalguns dos seus trabalhos de temática mais adulta.

Postais ilustrados de outros tempos – 7

LUA DE MEL

Eis três pitorescos e artísticos postais de uma série infantil realizada por Alfredo de Morais (1872-1971), notável e prolífico ilustrador, e aguarelista de igual mérito, que espraiou o seu fértil talento, durante várias décadas, por dezenas de jornais, livros, revistas, folhetos, almanaques, cartazes, postais, praticamente por tudo o que era impresso em papel, numa febril actividade criativa que, mau grado a constante pressão de um meio avaro e limitado (o mundo dos editores e das tipografias), o guindou incontestavelmente à galeria dos maiores artistas gráficos de raiz popular — pois foi reconhecido e apreciado, sobretudo, pelas “massas” — que a ilustração portuguesa já conheceu.

Alfredo de Morais dedicou-se também às histórias aos quadradinhos e à literatura infanto-juvenil, tendo deixado nesta área alguns dos seus melhores trabalhos artísticos, como as ilustrações para a Colecção Manecas e a Colecção Salgari, duas célebres edições da Livraria Romano Torres que fizeram as delícias de muitos jovens nascidos no século XX.

A título de curiosidade, repare-se no nome da loja retratada na imagem seguinte desta série, onde as crianças parodiam os adultos: Casa das Canetas – Casa dos Postaes Bonitos. O ilustrador a fazer publicidade ao seu próprio editor?

Postais Ilustrados de outros tempos – 6

SEXO FRACO E SEXO FORTE

Mais quatro exemplos da arte de Alfredo Januário de Morais (1872-1971), um dos maiores ilustradores e aguarelistas portugueses do século XX, que entre as suas inúmeras facetas também cultivou a de humorista satírico.

O tema que escolheu para mais esta série de postais, com um espírito brejeiro refinado pelo estilo picaresco, em que também era mestre, foi o da relação entre os sexos (hoje, diz-se géneros, em linguagem de mercearia… talvez por ser mais “socialmente” correcto do que sexo fraco e sexo forte).

Mas, como as imagens e os versos jocosamente parodiam, há diferenças físicas (e semânticas) que não devem ser levadas a sério, pela simples razão de que… ontem como hoje… em casa quem manda são elas! E os maridos que se cuidem!

Postais ilustrados de outros tempos – 5

IN VINO VERITAS

Eis mais dois postais com o traço barroco e as cores exuberantes de um mestre das artes figurativas portuguesas, Alfredo Januário de Morais, que recheou com cenas burlescas, satíricas, românticas, heróicas, didácticas, infantis e de aventuras, centenas de livros, folhetos, revistas, cartazes, dados à estampa, durante várias décadas, na imprensa do século XX de cariz mais pitoresco, económico e popular. Um artista das “massas”, como se diria hoje…

Figura decadente mas típica de um certo estrato da sociedade portuguesa, a pequena burguesia e as classes populares, o bêbado — com a sua devoção quase litúrgica ao mandamento latino In vino veritas — ficou consagrado no texto, na imagem e na voz de alguns dos mais eminentes vultos da cultura nacional. Quem não recorda, por exemplo, esta carismática cena de um filme dos anos 1940, com um dos maiores actores cómicos do meio artístico desse tempo?

Postais ilustrados de outros tempos – 4

Eis, como anunciado, mais quatro postais com trajos típicos de várias regiões do nosso país, inseridos numa colecção do Museu de Ovar, realizada pelo mestre aguarelista Alfredo Januário de Morais (1872-1971), um dos mais activos “trabalhadores” das artes gráficas portuguesas do século XX, exímio na tarefa de ilustrar fascículos populares e romances de aventuras, que foram lidos por milhares de jovens e atravessaram gerações.

É quase impossível calcular o número de capas e de outros trabalhos ilustrados, a cores e a preto e branco, que Alfredo de Morais pródiga e dinamicamente espalhou por jornais, revistas, livros, folhetos, postais, estampas, histórias aos quadradinhos, num exemplo paradigmático do artista que lutava contra a mediania e as fracas recompensas económicas do seu meio, trabalhando sem desânimo até uma idade bastante avançada.

Postais ilustrados de outros tempos – 3

Eis mais algumas amostras de uma série que, na modalidade de postais, parece interminável, explorando toda a riqueza e variedade dos trajes típicos portugueses — desta feita, com a assinatura de Alfredo de Morais (1872-1971), prolífico ilustrador e aguarelista que deixou um acervo incalculável de obras de cariz eminentemente popular (o que não desabona a sua têmpera artística).

São disso exemplo as capas de inúmeros fascículos de aventuras (Sherlock Holmes, Raffles, Nick Carter, Patrick Osborne, Texas Jack, Capitão Morgan, etc), incluindo as exuberantes ilustrações com que fez as delícias dos leitores da Colecção Salgari (Romano Torres), nas suas primeiras e míticas séries.

Temos oito postais da sua lavra com este tema, editados (supomos que nos anos 1960) pelo Museu de Ovar. Em breve, para deleite dos apreciadores da obra de Alfredo de Morais, apresentaremos os restantes — seguindo-se uma série de características totalmente diferentes, com temas jocosos e infantis.

 

“As Minas de Salomão” (2) – por Henry Rider Haggard

Rider HaggardO segundo livro que nos apraz registar, entre as edições portuguesas do famoso clássico de Henry Rider Haggard, foi editado pelo Círculo de Leitores, em 1986, e conserva a tradução de Eça de Queirós, a menos fiel ao espírito e à letra do romance original — exceptuando uma outra versão, ainda mais apócrifa, atribuída a Emilio Salgari, que a editora Romano Torres incluiu na sua colecção com o nome deste famoso autor italiano (como adiante veremos). Mas a edição do Círculo de Leitores recomenda-se por estar recheada de gravuras de Walter Paget, um dos melhores artistas gráficos que recriaram, com o poder das imagens, a fabulosa aventura de Allan Quatermain e dos seus intrépidos companheiros.

Minas de Salomão - c- dos leitores 994Em 2001, surgiu outra edição do Círculo de Leitores, igualmente digna de merecimento, pois contém, sob o título “Uma tradução enigmática e uma aposta ganha”, um sugestivo intróito de Luís Almeida Martins, que também prefaciou e traduziu para a mesma editora outras quatro obras do escritor vitoriano, entre elas “O Anel da Rainha de Sabá”, um dos marcos do romance de aventuras africanas que figuram, desde há muito, na minha lista de favoritos.

As capas desta colecção pecam por ser pouco atractivas, com um design repetitivo, por isso preferimos reproduzir as do volume “A Caverna dos Diamantes”, publicado pela Romano Torres, em 1935 e 1950, na Colecção Salgari, com uma magnífica ilustração de Júlio Amorim (na edição mais antiga a capa é de Alfredo de Morais, mas curiosamente há poucas diferenças entre ambas).

Se o nosso Eça adaptou livremente o romance, mudando até o nome do seu narrador, que se transformou em Alão Quartelmar, Salgari foi ainda mais longe, pois “nacionalizou” um dos principais personagens, o barão Curtis, assim como Neville, o seu irmão desaparecido, que passaram a ser naturais de Génova; além disso, abreviou muitas descrições de Haggard, sobretudo nos últimos capítulos, para fazer luzir o seu próprio estilo e os seus enredos cinegéticos (com resultados menos felizes que os de Eça, que também suprimiu parte do romance).

Minas de Salomão - A caverna dos diamantes 1 e 2

Por fim, last but not the least, o terceiro volume da minha relação saiu em 2011, numa série de clássicos (alegadamente juvenis) distribuídos pelo semanário Sol, com capas de sóbrio e sedutor grafismo (atrevo-me mesmo a chamar-lhe original), como a que dá um toque singular a esta edição do meu conten- tamento… mais uma que reproduz fielmente o pitoresco texto queirosiano, mas enriquecido com gravuras de Walter Paget, um dos mais reputados ilustradores ingleses do século XIX, como já referi anteriormente neste artigo.

Minas de Salomão - Sol 997A propósito de edições ilustradas, não posso deixar de aludir à versão publicada em 1986 pela Editorial Verbo, na sua colecção Clássicos Juvenis, que tinha a valorizá-la, em todos os volumes, as capas e os desenhos de Augusto Trigo, artista bem conhecido e apreciado pelos amantes da 9ª Arte, cuja extensa obra no domínio da ilustração merece ser devidamente assinalada e aplaudida, para sair do quase anonimato em que permanece.

Reproduzimos seguidamente a capa de uma das numerosas edições deste livro, datada de 1995, em que o grafismo do cabeçalho sofreu alterações, bem como o título da colecção: Clássicos Juvenis TVI — mantendo-se, no entanto, a apresentação interior do texto, adaptado por Maria Isabel de Mendonça Soares, a partir da “libérrima” versão de Eça de Queirós, com seis desenhos de página inteira (um dos quais também aqui se reproduz).

Minas de Salomão - Verbo 1 e 2

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