O regresso dos (bons) “Vampiros”

DN - Col Vampiro artigo

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Os Gatos e o Crime – 5

DOROTHY  L. SAYERS

Filha de um eclesiástico de Witham, Henry Sayers, Dorothy Leigh Sayers nasceu em Oxford a 13 de Junho de 1893, num meio burguês abastado que a Primeira Guerra Mundial arruinou. D. SayersDepois de brilhantes estudos sobre literatura medieval no Sommerville College, enveredou pelo ensino, mas breve se deu conta de que, afinal, não apreciava muito essa profissão. Partiu para França, como professora assistente de inglês, mas a mudança de ambiente também não lhe agradou. A sua melhor recordação de França foi a de ter lido todos os romances de Arsène Lupin e de ter conhecido, na famosa École des Roches, o galante Eric Whelpton, em quem se inspiraria para criar o herói dos seus romances policiais. De regresso a Londres, deixou o ensino para trabalhar durante algum tempo numa agência de publicidade.

Essa experiência servir-lhe-ia, mais tarde, para retratar o meio das salas de redacção em O Crime Exige Propaganda (Murder Must Advertise). Depois de se interessar, durante algum tempo, pelos movimentos socialistas que moldaram a sociedade inglesa de entre-as-duas-guerras, murder must advertise e o crime exige propagandapublicou em 1923 o seu primeiro romance, O Lorde e o Desconhecido, iniciando assim a entrada em cena do aristocrático detective Lord Peter Wimsey.

Ainda que os seus romances se integrem no quadro do tradicional  enigma policiário, ela trouxe ao género um tom humorístico, com alguns “dardos” afiados contra a sociedade bem-pensante da época, e deu ao seu herói uma vida sentimental que faltava aos Sherlock Holmes, Hercule Poirot e outros célebres detectives britânicos. Com efeito, Lord Peter apaixonou-se loucamente pela bela Harriett D. Vane, que salvou do patíbulo em Intriga e Veneno e com quem casou finalmente em Noite de Crime.

Strng poison e intriga e venenoA vida privada de Dorothy Sayers foi menos idílica que as dos seus personagens de ficção. No aspecto senti- mental, foi mesmo tumul- tuosa e decepcionante. Uma relação com um mecânico de automóveis saldou-se, em 1924, com o nascimento de uma criança que criou sozinha, desprezando as conveniências. Mas, em compensação, os seus êxitos literários deram-lhe a autonomia e a liberdade. Em 1928, casou com o capitão Mac Fleming,  grande bebedor e notório preguiçoso. Uma união difícil, para não dizer falhada, que, no entanto,  deixou Dorothy Sayers com os movimentos livres para produzir, a bom ritmo, as aventuras de Lord Peter, criação que lhe trouxe glória e fortuna.

Curiosamente, sem conseguir sair dos limites do género policial, ela sabia reconhecer o talento dos seus pares. Assim, tomou a defesa de uma romancista cuja obra, O Assassinato de Roger Ackroyd, ofuscara, pela sua «desonestidade» narrativa, os dignos membros do Detection Club.

Para homenagear aquela que a tinha apoiado incondicionalmente, Agatha Christie sucedeu-lhe, após a sua morte, na presidência do Detection Club. P1090990Dorothy Sayers abandonou Lord Peter, em 1940, para se consagrar à sua maior paixão, a literatura medieval. Traduziu nomeadamente A Divina Comédia de Dante e A Canção de Rolando. Dos seus romances policiais, foram publicados em Portugal: O Lord e o Desco- nhecido (Whose Body?) na Colecção Xis nº 45; e na Colecção Vampiro: Qual dos Cinco? (The Five Red Herrings), nº 22; Crime Perfeito (Unnatural Death), nº 28; O Mistério do Bellona Club (The Unpleasantness at the Bellona Club), nº 35; O Crime Exige Propaganda (Murder Must Advertise), nº 63; Intriga e Veneno (Strong Poison), nº 74; e O Gato de Diamantes (Clouds of Witness), nº 112. Como membro do Detection Club, participou também no enigma colectivo Quem Matou o Almirante? (The Floating Admiral), com que a Colecção Vampiro celebrou o seu nº 500.

Dorothy Sayers faleceu em 17 de Dezembro de 1957, em Witham, Essex, onde foi erigida uma magnífica estátua de bronze em sua honra.

Entre as suas obras mais emblemáticas e com relação directa ao nosso tema, os gatos na literatura policial, conta-se Clouds of Witness (1926, 1ª edição), livro publicado na Colecção Vampiro com o título O Gato de Diamantes, como já referimos, tradução de Mascarenhas Barreto e capa de Cândido Costa Pinto (uma das mais icónicas da colecção, com uma concepção artística superior até, em nosso entender, à das inúmeras edições inglesas).

Clouds of witness eO Gato de diamantes

Poirot, Miss Marple & companhia – 8

Poirot, miss Maeple e cia - 8    389

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O Regresso da Velha Senhora (vol. 8)

Agatha Christie Público 8

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Poirot, Miss Marple & companhia – 7

Agatha Christie - público - 7      370

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Poirot, Miss Marple & companhia – 6

Poirot Marple e cia - 6

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Poirot, Miss Marple & companhia – 5

Poirot, Marple a cia 5

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O Regresso da Velha Senhora (vol. 5)

Regresso da velha senhora 5

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Os Gatos e o Crime (5) – Agatha Christie

Agatha ChristieAgatha Mary Clarissa Miller nasceu a 15 de Setembro de 1890 em Torquay, no coração da Riviera inglesa. Passou uma infância feliz, no ambiente aconchegado de uma família abastada, e desenvolveu muito cedo um gosto pelos mistérios, graças à sua imaginação particularmente fértil. Encorajada pela mãe a escrever, Agatha arranjou o «marido ideal» na pessoa de Archibald Christie, garboso aviador pertencente ao Royal Flying Corps. Ela tinha 22 anos e ele 23, e a 1ª Guerra Mundial estava prestes a rebentar. Com o seu noivo chamado a participar no conflito, a jovem Agatha alistou-se como enfermeira voluntária no centro hospitalar de Torquay, onde adquiriu um súbito interesse por venenos.

Foi durante a guerra que escreveu um primeiro romance, que não chegou a ser publicado. Como a sua irmã a desafiara a construir uma intriga que não se conseguisse desvendar antes das últimas páginas, ela começou um segundo romance: O Misterioso Caso de Styles, cujo herói, um detective amaneirado e perspicaz, respondia pelo nome de Hercule Poirot. cat+pigeonsDurante quinze dias, como já não conseguia trabalhar, desertou do centro hospitalar de Torquay para escrever na sua máquina portátil, num quarto de hotel. O manuscrito, enviado a quatro editores, só foi publicado em 1920; mas o seu caminho estava traçado. Agatha Christie não mais parou de escrever. A sua teimosia e a sua imaginação iam torná-la célebre.

De livro em livro, soube afinar os subtis encantos do romance policial, alcançando, poucos anos depois, recordes mundiais de tiragens. Em 1926, no mesmo ano do seu primeiro sucesso, a vida de Agatha quase se desmoronou, como num dos seus romances. Na verdade, nem tudo ia bem: a sua mãe falecera recentemente, o romance encetado não avançava, a infidelidade do seu marido não era segredo … já era tempo de dar um pouco de picante a esse penoso inverno. Maq_gatoA 3 de Dezembro, Agatha Christie desapareceu. No dia seguinte, o seu carro foi encontrado abandonado junto de um lago, com o seu casaco de peles e os seus documentos…

A polícia dragou o lago, os jornais publicaram a sua foto e prometeram recompensas por informações sobre o seu paradeiro. Foi encontrada onze dias mais tarde no hotel de uma estação balnear em voga, onde se tinha registado com o nome da amante do marido! Agatha pretendeu não se lembrar de nada e, de propósito ou não, manteve esse esque- cimento até à sua morte.

Divorciada, partiu sozinha numa viagem a bordo do Orient Express e conheceu em Bagdad um arqueólogo quinze anos mais novo do que ela: Max Mallowan. Coup de foudre: passaria com ele o resto da sua vida. Depois das suas segundas núpcias, Agatha Mallowan tornou-se uma mulher de letras, autora de numerosos romances policiais, que lhe valeram a alcunha de «rainha do crime». O seu nome ficou associado a dois heróis recorrentes: Hercule Poirot, detective profissional, e Miss Marple, detective amadora. Também escreveu novelas com histórias sentimentais, usando o pseudónimo de Mary Westmacott. Em 1971, a rainha Isabel II agraciou-a e ela passou a ser Dame Agatha Christie.

Le chat et les pigeonsAgatha Christie é uma das escritoras mais famosas do mundo e a crítica considera-a o autor inglês mais lido depois de William Shakespeare. Publicou 66 romances, 154 novelas e 20 peças de teatro, traduzidos no mundo inteiro. Uma grande parte dos seus mistérios policiais desenrola-se em ambiente fechado, o que permite ao leitor tentar adivinhar quem é o culpado, antes do fim da narrativa.

Muitos dos seus romances e novelas foram adaptados ao cinema ou à televisão, nomeadamente Um Crime no Expresso do Oriente, Convite para a Morte, Morte no Nilo, Os Crimes do ABC e O Assassinato de Roger Ackroyd. Em Portugal, coube a duas populares colecções de bolso, a Vampiro e a Xis, em particular, a grande divulgação das suas obras, nas décadas de 40 a 60 do século passado. A Livros do Brasil e a Asa também lhe consagraram colecções completas, em épocas mais recentes. E o jornal Público, de parceria com a Asa, patrocinou uma série de oito novelas — ainda em publicação, como temos noticiado —, em que figuram as suas personagens mais conhecidas: Hercule Poirot, Miss Marple e Tommy & Tuppence.

Um Gato entre os Pombos (1959)no original: Cat among the pigeons —,  é o único título de Agatha Christie que alude a estes felinos… embora não haja qualquer gato no enredo, como acontece em muitos livros policiais. É uma expressão figurada, como a do “lobo no redil”.

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Poirot, Miss Marple & companhia – 4

Poirot,Miss Marple e cia 4

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