Olha as lindas marchas!

Pelo traço de Mestre José Ruy, em Quadradinhos nº 54, 2ª série, de 20/6/1981 (suplemento do saudoso vespertino A Capital, dirigido por Adolfo Simões Müller), chega-nos um pitoresco desfile das marchas populares desse festivo mês de Junho, enquadradas por famosos heróis de papel, de arquinho e balão em punho, que ainda hoje fazem as delícias dos seus admiradores, num renovado preito de homenagem aos magistrais artistas que os criaram há muitas décadas.

E até Tom Sawyer e Ivanhoe se aliaram à festa… como convidados especiais do Quadradinhos, um suplemento que, fiel ao lema do seu director, procurava não só divertir como instruir, fomentando também entre os mais jovens o convívio com os heróis dos clássicos literários, através da fusão entre o texto e a imagem.   

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Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 11

Foi muito antes das celebrações da Páscoa que o Diabrete apresentou no nº 798, de 21 de Fevereiro de 1951, esta bela ilustração de José Cambraia, acompanhada pelos versos de Adolfo Simões Müller, cujo suave lirismo tinha também profundo eco nos espíritos juvenis, moldados naquele tempo, de austero e doutrinário regime, pelo culto da religião, da pátria e da família.

No mesmo número do Diabrete saíram mais curiosidades sobre a origem do calendário e do nome dos meses, decerto com o louvável propósito de que todos os amigos do “grande camaradão” fizessem boa figura nas aulas de História e nos serões familiares. Recordemos que nessa época, em que o aparelho de rádio ocupava o lugar do televisor, o ambiente dos lares domésticos era animado por outros sons e pelo lúdico, salutar convívio entre os mais novos e os mais velhos.

Exposição sobre o “Cavaleiro Andante” no Clube Português de Banda Desenhada

Prosseguindo uma intensa actividade, com ciclos temáticos que englobam exposições, colóquios e outros eventos realizados na sua nova sede, o Clube Português de Banda Desenhada (CPBD) inaugura no próximo sábado, dia 18 de Março, uma mostra dedicada à emblemática revista Cavaleiro Andante, que na década de 1950 rivalizou com o Mundo de Aventuras e outras publicações juvenis, distinguindo-se por oferecer aos seus leitores as melhores obras da moderna BD europeia, nomeadamente de origem italiana e franco-belga.

A exposição comemora os 65 anos de nascimento do Cavaleiro Andante, cuja existência decorreu de 5 de Janeiro de 1952 até 25 de Agosto de 1962 (556 números), sempre sob a direcção de Adolfo Simões Müller e contando com Maria Amélia Bárcia como redactora e Fernando Bento como principal colaborador artístico.

Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 8

Esta página do grande Concurso dos 12 Meses, ilustrada por José Cambraia, com versos de Adolfo Simões Müller, tinha um mote tão fácil que todos os concorrentes devem tê-lo adivinhado só de olhar para a imagem. Era essa uma das características do concurso, pois mesmo sem a ajuda dos pais ou dos avós (ou dos manos mais velhos), qualquer garoto que ainda andasse na escola primária podia decifrar de uma assentada os nomes dos meses que era preciso inscrever nas legendas respectivas. E quem se enganaria ao ver a figura sorridente, com os traços estilizados de Cambraia, que posa sobre um calendário, nesta página publicada pelo Diabrete no seu nº 803, de 10 de Março de 1951?

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Aliás, o interesse maior deste concurso, se bem me lembro (porque, nesse tempo, também lia o “grande camaradão”), não eram os prémios, apesar de aliciantes, mas o prazer de admirar os desenhos e as alegorias de Cambraia, um artista que já chamara a atenção da miudagem com as graciosas ilustrações que realizara para O Livro das Fábulas, escrito por Adolfo Simões Müller.

No nº 799, de 24 de Fevereiro de 1951, o Diabrete publicou mais uma página informativa sobre o regulamento do concurso e com curiosidades sobre o “Avô Tempo” e os seus diversos ciclos, para ensinamento dos mais pequenos… mas que muitos graúdos ainda hoje ignoram. Esta era referente ao mês de Janeiro.

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Cavaleiro Andante – uma revista de BD que fez história entre a “gente nova”

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Se tivesse sobrevivido mais seis décadas — feito ao alcance, por razões óbvias, de poucas publicações periódicas, a começar pelas de banda desenhada —, o Cavaleiro Andante, nascido em 5 de Janeiro de 1952, faria hoje 65 anos!

Efeméride meramente simbólica, mas que nos apraz registar, mais uma vez, em honra de uma emblemática revista, de características únicas no seu género, editada pela Empresa Nacional de Publicidade e dirigida por Adolfo Simões Müller, que introduziu em Portugal, na esteira de Tintin e de Hergé — embora estes fossem oriundos d’O Papagaio e do Diabrete —, os maiores heróis e autores da BD franco-belga, como Blake e Mortimer (de Edgar P. Jacobs), Lucky Luke (de Morris e Goscinny), Michel Vaillant (de Jean Graton), Dan Cooper (de Albert Weinberg), Buck Danny (de Hubinon e Charlier), Jerry Spring (de Jijé), Ric Hochet (de Tibet e Duchâteau), a par de outras grandes criações europeias e americanas.

Por outro lado, se o Cavaleiro Andante tivesse tido existência mais efémera, como algumas revistas do seu tempo — que viveram pouco mais do que as rosas —, talvez não tivessem florescido nas suas páginas muitas obras que enriqueceram o património artístico da BD portu- guesa, com a assinatura de Fernando Bento, José Ruy, José Garcês, Artur Correia, Fernandes Silva, Stuart e José Manuel Soares.

Honra, pois, a uma saudosa revista que durou apenas uma década, mas sem a qual a história da imprensa juvenil portuguesa e da sua evolução, rumo aos álbuns que tornaram ainda mais populares as séries franco- -belgas, teria ficado certamente mais pobre!

As exposições do CPBD: Fernando Bento

Nota: O artigo seguinte, da autoria de Carlos Gonçalves, membro da actual direcção do Clube Português de Banda Desenhada, foi reproduzido da “folha de sala” dedicada à exposição de originais de Mestre Fernando Bento (com vários e magníficos exemplos da sua arte incomparável), que continua patente, até ao final do ano, na sede do CPBD, sita na Avenida do Brasil, 52 A, Reboleira (Amadora), podendo ser visitada todos os sábados, das 15 às 18 horas.

img_5763FERNANDO BENTO: UM CONTRIBUTO INESGOTÁVEL DE ARTE

Sabemos que no nosso país pouco ou quase nada distinguimos as pessoas pelas suas qualidades, sejam de que tipo forem e muito menos na Banda Desenhada. Dar valor ao nosso vizinho mortal, está fora de questão. É preciso lembrar muitas vezes o seu contributo e, mesmo assim, só passados vários anos é que é fixada na mente das pessoas a realidade do seu valor e da existência desse prodígio. Temos vindo a considerar Eduardo Teixeira Coelho, ainda que perfeitamente legítimo, como a elite dos nossos desenhadores. É claro que a banda desenhada é um campo muito vasto e ainda que os estilos dos vários desenhadores possam ser muito diferentes, o resultado final e prático é que conta.
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Ao longo destas últimas décadas e naquelas onde a Banda Desenhada se evidenciou mais, as que poderemos considerar como o período áureo das histórias aos quadradinhos foram a década de vinte do século passado com o aparecimento da revista ”ABC-zinho”, com trabalhos de Cotinelli Telmo e Rocha Vieira, a década de trinta com a publicação da revista “O Papagaio”, com trabalhos de José de Lemos, Arcindo Madeira, Rudy, Ruy Manso, Tom, Meco, etc, e “O Mosquito” com Tiotónio, E. T. Coelho, José Garcês, José Ruy, Servais Tiago, Jayme Cortez, etc, a década de quarenta com a edição do “Diabrete”, com trabalhos de Fernando Bento, os anos cinquenta com a remodelação do “Mundo de Aventuras”, com Vítor Péon, Carlos Alberto Santos, José Batista, José Antunes, etc, e o lançamento do “Cavaleiro Andante” com histórias de Fernando Bento outra vez, E. T. Coelho também, e finalmente a década de sessenta com a publicação da revista “Tintin”, nesta última fase já com a introdução de uma nova escola na Banda Desenhada, a franco-belga, até aqui pouco conhecida dos leitores nacionais.

Quanto aos desenhadores portugueses, o leque já era muito pequeno, tirando o José Ruy, o Vítor Péon, o Fernando Relvas e pouco mais. Em todas estas décadas distinguiram-se muitos desenhadores portugueses e, de uma maneira geral, de uma forma bastante positiva. Alguns deles têm sido mais distinguidos, outros menos. Pensamos que seria agora a oportunidade de engrandecer Fernando Bento, através de uma amostra bastante significativa dos trabalhos deste desenhador no campo das capas, cuja produção se aproxima dos duzentos trabalhos, todos eles de invulgar beleza, embora nem todos pudessem ser escolhidos, como é óbvio.

A sua produção é infindável, quer nas capas quer nas histórias aos quadradinhos, e sempre com uma qualidade de que dificilmente o artista abdicou, ainda que poucas vezes, principalmente já nos últimos anos do “Cavaleiro Andante”, algumas histórias de “Emílio e os Detectives” e as aventuras de “Sherlock Holmes” tenham sido produzidas de uma forma mais prática e com uma simplificação de alguns pormenores e cenários, não prejudicando de qualquer dos modos a sua qualidade, mas oferecendo aos leitores um novo formato e um novo estilo, fruto da sua maturidade. Muitos desenhadores e pintores, depois de uma vida intensa e criativa, optam por desenhar e pintar de uma forma diferente, abarcando até alguns estilos menos marcantes e mais experimentais.

Fernando Bento foi um dos desenhadores portugueses que, em paralelo com Eduardo Teixeira Coelho, adaptaria mais obras literárias à banda desenhada. O primeiro iria buscar aos romances dos nossos escritores Eça de Queiroz e Alexandre Herculano, com arranjos de Raul Correia, temas para criar os seus trabalhos e Fernando Bento a Júlio Verne, de parceria com Adolfo Simões Müller. Fernando Bento era acima de tudo um desenhador de aventuras e emoções. Era natural a sua escolha do escritor francês. Estamos quase certos ao afirmar que, tanto quanto conhecemos da sua obra e da de outros desenhadores estrangeiros, o nosso artista foi, sem dúvida alguma, o que mais títulos das obras de Júlio Verne aproveitaria para as suas criações. 

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Mas claro que não seria só a sua escolha preferida, a par dos grandes feitos, grandes viagens e muita aventura. A arte de Fernando Bento na execução de ilustrações e capas era também destinada aos leitores mais jovens, com histórias adaptadas de contos escritos por Adolfo Simões Müller ou por outros autores de renome, como Alice Ogando, Maria de Figueiredo, Emília de Sousa Costa, etc.

UMA VIDA DE ARTISTA

Fernando Bento nasceu a 26 de Outubro de 1910 e veio a falecer no dia 14 de Setembro de 1996. Do mesmo modo que alguns outros artistas, começaria muito novo a dominar o lápis e a borracha e, como era usual na época, viria a criar o tal chamado jornalinho que era emprestado, alugado ou copiado (quando tal era possível), para ser vendido aos amigos e colegas de turma.

Na década de trinta já o encontramos como desenhador activo, colaborando numa série de jornais e revistas, tais como “Os Sports”, “Diário de Lisboa”, “A República”, “O Século”, “A Capital”, etc, com reportagens sobre Teatro e a desenhar caricaturas, além de se ocupar de reportagens sobre outros temas. Cinco anos depois, tinha também abraçado o teatro como figurinista e maquetista, desempenhando as respectivas tarefas em vários teatros da época: Variedades, Nacional, Apolo, Avenida e Maria Vitória.

OS SEUS TRABALHOS NA REVISTA “DIABRETE”

A grande reviravolta na sua vida artística dá-se a partir de 4 de Janeiro de 1941, quando se inicia como colaborador da revista “Diabrete” a partir do seu nº. 1, com a criação das personagens “Béquinhas, Beiçudo e Barbaças”. Depois, é uma criação contínua nas páginas desta revista, onde se mantém durante uma década como desenhador de serviço, criando personagens e ocupando-se da parte gráfica da publicação, com principal incidência nas obras de Júlio Verne:

“Dois Anos de Férias” (Diabrete nºs. 33/74); “Volta ao Mundo em 80 Dias” (Diabrete nºs. 75/100); “Miguel Strogoff” (Diabrete nºs. 101/138); “Robur, o Conquistador” (Diabrete nºs. 139/161); “Viagem ao Centro da Terra” (Diabrete nºs. 187/216); “Da Terra à Lua” (Diabrete nºs. 217/236); “À Roda da Lua” (Diabrete nºs. 237/256); “Um Herói de Quinze Anos” (Diabrete nºs. 257/311); “Cinco Semanas em Balão” (Diabrete nºs. 312/356); “Vinte Mil Léguas Submarinas” (Diabrete nºs. 357/415); “A Ilha Misteriosa” (Diabrete nºs. 416/510) e “Matias Sandorf” (Diabrete nºs. 512/644).

Doze obras estavam, pois, adaptadas à banda desenhada em mais de 500 páginas e capas. Mais tarde, começa a adaptar obras infantis para a revista e a contar as vidas de figuras históricas portuguesas, destacando os seus feitos de forma inesquecível. Ao mesmo tempo, criava várias personagens, “Zuca”, “Zé Quitolas”, ”Bicudo e Bochechas”, etc, todas elas em paralelo com as suas atividades profissionais. E ainda desenhava “As Mil e Uma Noites”…3-imagens-bento-2

A SUA PRODUÇÃO NA REVISTA “CAVALEIRO ANDANTE”

Mas foi no “Cavaleiro Andante” que o seu apogeu se verificou, devido às grandes obras que viria a criar para as páginas da publicação. Algumas serão sempre inesquecíveis, tais como “Quintino Durward”, “Beau Geste”, talvez a mais significativa, “O Anel da Rainha de Sabá” e “A Torre das 7 Luzes”. Nesta publicação as adaptações da obra de Júlio Verne continuam a encantá-lo, pois “Uma Cidade Flutuante” (Cavaleiro Andante nºs. 253/289) irá divertir os leitores. Outra adaptação cheia de interesse foram as aventuras de “Emílio e os Detectives”, assim como os belos quadros que nos deixou nas páginas do “Cavaleiro Andante”, evocando “Os Lusíadas” de Luís de Camões, na comemoração do dia do poeta. Algumas das suas obras viriam a ser, mais tarde, publicadas em álbum: “Béquinhas, Beiçudo e Barbaças”, “34 Macacos e Eu”, “Diabruras da Prima Zuca”, “A Ilha do Tesouro” (uma edição pelas Iniciativas Editoriais e outra pela Asa), “As Mil e Uma Noites”, “Beau Geste”, “O Anel da Rainha de Sabá”, “Com a Pena e Com a Espada”, “Um Campeão Chamado Joaquim Agostinho”, “Regresso à Ilha do Tesouro”, etc.

OUTRAS PUBLICAÇÕES COM TRABALHOS DO DESENHADOR

Sempre que nos debruçamos sobre a vida de qualquer desenhador português e perante a vasta produção de cada um deles, sem esquecer que quase todos não puderam exercer em pleno a sua vocação a nível profissional, pois era necessário ter em paralelo um emprego fixo, perguntamos como era possível dedicar tanto tempo à banda desenhada, sem prejuízo de outras tarefas e da sua vida particular.
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Mas, na verdade, assim acontecia e além das duas revistas principais em que Fernando Bento colaborou, de que já falámos, há outras onde o artista deixaria a sua arte indelével. A primeira foi “República – Secção Infantil”, suplemento infantil do jornal “A República”, entre 1938 e 1939, “Pim-Pam-Pum”, suplemento infantil do jornal “O Século”, onde colaborou de 1941 a 1959, “Norte Infantil”, suplemento infantil do jornal “Diário do Norte”, com trabalhos seus de 1951/1952, revista “Mundo de Aventuras” em 1980, “Quadradinhos – Suplemento infantil do jornal “A Capital”, em 1980/1982, etc. Depois há vários trabalhos esporádicos espalhados pelo “Bip-Bip”, “Nau Catrineta”, “O Pajem” (suplemento infantil do “Cavaleiro Andante”), livros infantis e outros. Estava, pois, cumprida uma missão inesquecível de um artista que, durante mais de 40 anos, nos deixou ter acesso a obras excepcionais que nos acompanharam nos nossos períodos lúdicos.

                                             Carlos Gonçalves

Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 5

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Aqui têm mais duas peripécias do Pimpão, um cachorro de aspecto quase humano, que também gostava de ir ao cinema… mas, como tantos homens e crianças, não sabia comportar-se devidamente em locais públicos.

Tal como as que já apresentámos nesta rubrica — que não se importa de ter o Pimpão como convidado —, as presentes tiras foram publicadas, em 1949, na secção infantil “República dos Miúdos” do jornal República, e reproduzimo-las, com a devida vénia, da página de José Cambraia no Facebook.

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Como ainda estamos em Outubro — que antigamente era o mês do adeus às férias grandes e do regresso às aulas —, surge hoje na nossa galeria a respectiva página, publicada no Diabrete nº 802, de 7 de Março de 1951, onde o Concurso dos 12 Meses, ilustrado por Cambraia, com versos de Adolfo Simões Müller, continuava a ser um êxito.

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Concurso dos 12 meses (Diabrete) – 3

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Notável ilustrador, pintor e ceramista, José Cambraia (1920-1993) foi também autor de algumas histórias aos quadradinhos de estilo humorístico, publicadas na secção infantil “República dos Miúdos” do diário República, em finais dos anos 40. Apresentamos dois exemplos — extraídos da sua página no Facebook — dessas histórias curtas e sem texto, inspiradas em ideias simples, mas de efeito cómico seguro, cuja expressividade ronda a dos desenhos animados.

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Entretanto, prossegue o nosso “desfile” dos 12 meses com mais uma página assinada por Cambraia, que foi reproduzida do Diabrete nº 795, de 10/2/1951, e se refere, como as alegres imagens bem ilustram, ao cálido mês de Agosto.

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Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 2

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enid-blytonAqui têm outra ilustração de Cambraia para o Concurso dos 12 Meses, realizado pelo Diabrete entre os nºs 795 e 806. Como estamos em Julho, apresentamos a imagem do mês respectivo, que saiu no nº 799, de 24 de Fevereiro de 1951, do “grande camaradão”.

Nascido em 1920 e falecido em 1993, José Augusto da Cunha Cambraia foi um excelente ilustrador de livros infanto-juvenis, que se distinguiu pelo seu estilo gracioso, de linhas maria-lamasbem recortadas, em que o rigor, a simetria, a elegância e a pureza da forma se fundiam com um nítido classicismo; e pelo criativo sentido plástico das suas composições, cuja paleta figurativa, particularmente o preto e branco, denota total harmonia com a poética inspiração do traço.

Entre as obras que ilustrou, durante mais de três décadas, destacam-se algumas novelas de Enid Blyton, Maria Lamas, Virgínia de Castro e Almeida e de outros autores, publicadas pela Livraria Clássica Editora — além de um famoso “clássico” da literatura infantil portuguesa: O Livro das Fábulas, escrito por Adolfo Simões Müller e recheado de maravilhosas vinhetas com o inefável encanto das figuras e das originais composições de Cambraia.

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Concurso dos 12 Meses (Diabrete) – 1

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No último ano da sua existência, pouco depois de celebrar o 10º aniversário, o simpático bissemanário juvenil Diabrete (antepassado directo do Cavaleiro Andante) anunciou uma iniciativa que ia dar brado entre os seus leitores, baptizando-a com o nome de “Concurso dos 12 Meses”.

Tratava-se efectivamente de um certame, com prémios de montante superior a dois mil escudos — importância choruda nessa época, em que as restrições económicas do regime se faziam sentir tão severamente como as de hoje.

Diabrete concurso 12 meses 2O concurso era constituído por doze estampas alusivas a cada um dos meses do ano, que foram publicadas em números sucessivos a partir do 795, de 10/2/1951. Como explicava o Diabrete, a sequência não obedecia à ordem natural do calendário, cabendo aos leitores a tarefa de as colocar no sítio certo da caderneta (distribuída na mesma altura), depois de identificarem o mês a que diziam respeito — o que não era um “quebra-cabeças”, pois cada estampa, magnifi- camente ilustrada por José Cambraia, continha duas quadras que tornavam essa identificação bastante fácil.

Glosando o mesmo tema, realizaram-se mais dois concursos em simultâneo, um literário e outro artístico, o que tornava a iniciativa do Diabrete ainda mais aliciante. A primeira modalidade consistia numa breve descrição de um mês do ano, à escolha dos concorrentes, e a segunda implicava a apresentação de um trabalho artístico do mesmo teor, feito a tinta-da-china. O concurso foi coroado de êxito — antecipando os que seriam levados a cabo no Cavaleiro Andante, com um âmbito ainda maior — e teve a duração exacta de doze números, terminando no 806, de 21 de Março de 1951.

Durante os próximos meses, iremos também apresentar neste blogue as doze estampas do formidável concurso do “grande camaradão”, começando, como é óbvio, pelo mês de Junho, mês dos Santos populares, que não foi o primeiro a surgir no Diabrete, mas o segundo (no nº 796, de 14/2/1951). Tanto mais que hoje é dia de S. Pedro, o último Santo do calendário junino…

E assim recordamos mais uma curiosidade de uma célebre revista juvenil, dirigida por Adolfo Simões Müller e coordenada editorialmente por Maria Amélia Bárcia, um dos quais deve ter sido o autor dos versos deste concurso.

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