Colecção Novela Gráfica IV – Vols. 11 e 12: “O Último Recreio” e “Novembro”

 

Artigos de João Miguel Lameiras, reproduzidos do jornal Público, de 11 e 18 de Agosto de 2018. Com estes dois volumes (de que destacamos a obra-prima de Horacio Altuna e Carlos Trillo, O Último Recreio), encerrou-se a 4ª série da colecção Novela Gráfica, cujo regresso, em 2019, aguardamos com renovada expectativa.

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Colecção 25 Anos Vertigo – Vol. 1: “Hellblazer – Na Prisão”

Texto de João Miguel Lameiras, reproduzido do jornal Público, edição de 11 de Agosto de 2018.

Colecção Vertigo – 25 anos

Uma nova colecção Público-Levoir (celebrando o 25º aniversário de uma editora que renovou a BD norte-americana), cujo 1º volume já está nas bancas: Hellblazer, com desenhos de Richard Corben.

O regresso de Beowulf à Banda Desenhada

Sem grande aparato, mas posicionando-se já como uma válida aposta no meio editorial português de Banda Desenhada, a novel editora Ala dos Livros anuncia o seu 1º lançamento, aproveitando a vinda ao próximo COMIC CON, a realizar em Lisboa, nos dias 6 a 9 de Setembro, do autor galego David Rubín.

Trata-se de um dos mais destacados elementos da pujante escola contemporânea espanhola, que tem dado cartas na BD mundial e começa também a ser devidamente apreciada pelos leitores portugueses. Na sua estreia entre nós, David Rubín apresenta-se com uma obra de ressonâncias épicas, magnificamente ilustrada e colorida, cujo imaginário se inspira num dos mais prodigiosos heróis da mitologia escandinava: Beowulf, o exterminador de monstros e outras criaturas malignas que povoam as fantásticas e milenares lendas dos povos nórdicos.

Aliás, é tal, ainda hoje, a celebridade de Beowulf que já foi foi objecto de várias versões cinematográficas, a mais recente (2007) realizada por Robert Zemeckis, com uma panóplia de efeitos especiais que rivaliza com as mais ambiciosas produções do género [imagem supra]. Nos anos 1970, Beowulf foi tema, também, de revistas de BD, das quais se destaca um título homónimo editado pela DC Comics, com desenhos de Ricardo Villamonte; outra artística versão é a do mestre italiano Franco Caprioli, publicada na revista inglesa Look and Learn e, em Portugal, no Mundo de Aventuras (1975).

A obra de David Rubín, com um cunho de acentuada modernidade, é digna de ombrear com estas criações, não só pela concepção plástica e narrativa, como pelo vigor formal de um estilo que cativa irresistivelmente o olhar dos leitores, tendo- -lhe valido a nomeação para os cobiçados Prémios Eisner do corrente ano.

Nota do Editor: SANTIAGO GARCÍA e DAVID RUBÍN uniram os seus talentos para recriar o mito de Beowulf, o qual, inspirado num poema épico com o mesmo título, sobreviveu durante mais de mil anos e se tornou um dos pilares da literatura inglesa, tendo influenciado várias gerações de autores, desde J. R. R. Tolkien e Seamus Heaney a inúmeros argumentistas de Hollywood.

O poema narra as aventuras de BEOWULF, um herói escandinavo com força sobre-humana, por terras que actualmente pertencem à Dinamarca e à Suécia. Um monstro, Grendel, atemoriza durante mais de uma década o reino dos Daneses, devorando homens e mulheres até à chegada de Beowulf, que se propõe salvá-los.

A versão que García e Rubín nos apresentam segue fielmente o argumento e a estrutura em três actos do texto original, não pretendendo ser revisionista, irónica ou pós-moderna, mas captando o ambiente e os detalhes mais importantes, transmitindo a poderosa ressonância épica e melancólica dos versos originais, através dos recursos formais da banda desenhada contemporânea.

Os autores pegam, pois, numa história milenar, dando-lhe uma perspectiva moderna, mas mantendo-a respeitosamente fiel à fonte original.

Colecção Novela Gráfica IV – Vols. 9 e 10: “Gente de Dublin” e “O Jogador de Xadrez”

Artigos de João Miguel Lameiras reproduzidos do jornal Público, edições de 28 de Julho e 4 de Agosto de 2018 .

Calendários Ilustrados – 7

Mais uma magnífica ilustração do grande aguarelista Mário Costa (1902-1975), realizada para um dos calendários editados pela Empresa  Fabril do Norte, nos anos 50 do século passado. O tema versa, desta feita, a evolução do traje nas classes nobres, englobando várias épocas da nossa História, mas não sabemos, infelizmente, precisar o ano e o mês em que esta estampa foi publicada. Temos ainda outra para apresentar aos nossos leitores, numa próxima oportunidade.

Além da beleza da ilustração, no seu todo, aprecie-se o requinte das cores, dos trajes, dos adereços (os colares, as jóias, o leque, a espada) e até do cenário, com os vitrais a reflectirem a luz que ilumina um verdadeiro quadro de época.

Colecção Novela Gráfica IV – Vol. 8: “Tatuagem” (baseado no romance de Manuel Vázquez Montalbán)

Artigo de João Miguel Lameiras, reproduzido do jornal Público, edição de 21 de Julho de 2018.

Ficheiro da BD Portuguesa: José Garcês

A rubrica em epígrafe surgiu no Mundo de Aventuras nº 481, em 1982, e foi sugerida por mim, que era o coordenador da revista, a António J. Ferreira, um dos mais insignes estudiosos e investigadores da BD portuguesa, particularmente da que antecedeu o nascimento d’O Mosquito, nas décadas de 1920 e 1930.

A. J. Ferreira foi leitor do ABCzinho, d’O Senhor Doutor, do Tic-Tac, d’O Papagaio e obviamente d’O Mosquito, e conhece a fundo todas essas revistas, dando especial relevo aos artistas portugueses que nelas colaboraram. E muitos foram!

Aceite o convite, A. J. Ferreira lançou-se imediatamente ao trabalho… que deu valiosos frutos, aparecendo no Mundo de Aventuras até ao seu último número (1987). São algumas dessas Fichas, com mini-biografias de autores portugueses, que nos propomos, agora, dar a conhecer (ou a reler) aos internautas que nos visitam.

Começamos por José dos Santos Garcês, cuja carreira se iniciou, em 1946, nas páginas d’O Mosquito — então a atravessar uma das suas melhores fases, com histórias de Jesús Blasco, Eduardo Teixeira Coelho, Jayme Cortez, e de outros excelentes artistas europeus e americanos. E esta escolha tem uma razão especial, porque José Garcês celebrou no passado dia 23 de Julho o seu 90º aniversário, efeméride que merece ser devidamente assinalada… como já o fizeram O Gato Alfarrabista e outros blogues da nossa Loja de Papel.

José Garcês colaborou n’O Mosquito até 1948, tendo realizado quatro aventuras em que são patentes, desde a primeira página, a evolução do seu estilo e a sua preferência (nessa época) por temas exóticos e enredos dramáticos… além do acerto com que desenhava sugestivas figuras femininas, cunho que manteve para sempre.

A Montra dos Livros endereça também a José Garcês as melhores felicitações pelo seu aniversário e por uma memorável carreira, com mais de 70 anos, ao serviço da ilustração, da pintura, da banda desenhada e do seu ensino… em suma, da cultura, das artes portuguesas e das gerações mais jovens, que, ao longo deste incansável percurso, durante várias décadas, muito lhe ficaram a dever.

Parabéns, Mestre José Garcês, e que conte ainda muitos anos de vida!

Nota: as fichas que aqui apresentamos foram publicadas no Mundo de Aventuras nºs 487 e 585, de 10/2/1983 e 1/11/1986, respectivamente. As duas últimas (239 e 240) dizem respeito às primeiras histórias de José Garcês, estreadas n’O Mosquito.

Colecção Novela Gráfica IV – Vol. 7: “Destemidas” (por Pénélope Bagieu)

Artigo de José Miguel Lameiras, reproduzido do jornal Público, edição de 14 de Julho de 2018.

Alarme em Tule (a ameaça nuclear)

Nos anos 60 do século passado, o artigo que podem ler a seguir (reproduzido da revista Zorro nº 4, de 3 de Novembro de 1962), deu certamente muito que pensar, pois vivia-se em pleno clima de “guerra-fria” entre duas grandes potências: a União Soviética e os Estados Unidos da América.

Mas o mais trágico é que, 56 anos depois, esse clima ainda não se alterou, apesar da queda da União Soviética, e que os actuais dirigentes das referidas potências continuam a comportar-se como rivais e senhores do mundo, pouca confiança inspirando numa solução global para o desarmamento das ogivas nucleares — que, entretanto, proliferaram como cogumelos, por todo o planeta — e num futuro menos ameaçador para a humanidade.

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