O famoso Carnaval do “Diabrete”

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Associando-nos ao Gato Alfarrabista — o blogue mais antigo da nossa Loja de Papel, que cresceu bastante o ano passado —, assinalamos a passagem do Carnaval (que já foi mais trepidante e divertido em tempos idos) com três pitorescas ilustrações evocativas de uma das mais célebres revistas infanto-juvenis portuguesas e de um dos seus melhores colaboradores artísticos — em que mais uma vez se destacam a fértil fantasia, a graça esfuziante, o encanto lúdico e o apurado efeito decorativo da arte gráfica de Fernando Bento, que gostava de partilhar com o público infantil, especialmente nesta data, o espírito burlesco que animou tantas das suas criações, retratando um alegre “corso” carnavalesco  nalgumas capas do Diabrete eternizadas pela magia do seu traço.

Bento . Carnaval 2015

O mote do Entrudo repetiu-se nestas “endiabradas” cenas que fizeram as honras dos nºs 481 e 591, publicados respectivamente em 7/2/1948 e 26/2/1949. Quantos ilustradores infanto-juvenis seriam capazes de parodiar deste modo o Carnaval da gente nova? Para os leitores do “grande camaradão” da juventude portuguesa, a face risonha do Rei Momo e os seus folguedos teriam sempre o cunho da arte inimitável de Fernando Bento.

Ilustrador, pintor, caricaturista, figurinista e cenógrafo, além de publicista, Bento foi um autor versátil, fecundo, multifacetado, que deu vida e esplendor estético a algumas das mais belas páginas publicadas pelo Diabrete, na fase mais criativa e original da sua longa e triunfante carreira.

A arte de figurinista, que aprendeu e desenvolveu em contacto com os palcos do teatro de variedades, ao qual legou memoráveis criações enaltecidas pelos espectadores e pela crítica desse tempo, está patente em mais um tema carnavalesco com que encantou os leitores do Diabrete, convidando-os para um festivo baile de máscaras com os trajes concebidos pela sua fantasia.

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É provável que algumas mães e avós mais habilidosas na arte do corte e costura tenham, a rogo dos seus petizes, experimentado confeccionar, árdua e pacientemente, um ou outro desses modelos, seduzidas também pela beleza artística do traço e dos figurinos de Mestre Fernando Bento, tal como foram estampados na capa do Diabrete nº 793, de 3/2/1951.

Belos tempos em que, ao festejarem o Entrudo, as revistas infanto-juvenis pretendiam também incutir no seu público um certo gosto estético.

 

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